04/02/2009 - Ministro do Trabalho explica o impacto do reajuste do salário mínimo no mercado interno

O ministro do Trabalho Carlos Lupi aproveitou o programa Bom Dia, Ministro para explicar aos ouvintes qual o impacto do reajuste do salário mínimo no mercado interno brasileiro. Ele falou também sobre o programa Bolsa Qualificação, que estimula os funcionários a participarem de treinamento profissional.

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KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje o reajuste no salário mínimo. O ministro do Trabalho vai explicar o impacto que o novo salário mínimo de R$ 465,00, que entrou em vigor no dia 1º de fevereiro vai causar no mercado interno este ano, com a injeção de mais de R$ 23 bilhões. O ministro do Trabalho Carlos Lupi, vai conversar com a gente também sobre o Bolsa Qualificação, programa que dá direito aos funcionários a entrarem de licença e participarem de treinamento profissional oferecido na própria empresa. O ministro já está aqui com a gente no estúdio e começa agora a conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. ANA MALTA - Rádio CBN/Brasília-DF): Antes da gente entrar efetivamente nesta questão do salário mínimo eu gostaria que o senhor comentasse um dado preocupante, que é essa questão da queda na produção industrial, que foi a maior já registrada nessa série histórica pelo IBGE, desde 1991. Isso é um prenúncio de novas dispensas para muitos setores. O que está ao alcance efetivo do governo, para conter essa culpa de desemprego?MINISTRO: Eu não penso como você não, eu penso que em dezembro, essa queda, nós já anunciamos com antecedência porque o CAGED, que é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Brasil, registrou em dezembro o seu mais baixo índice de emprego,ou seja, maior índice negativo, 650 mil trabalhadores foram demitidos. Era uma prova do desaquecimento. O que houve na minha opinião, é que nós tivemos uma retração muito grande na economia em setembro um pouquinho, outubro, novembro, dezembro mais fortemente. Com isso o que, que houve? O estoque ficou muito alto, o setor industrial, o setor automotivo principalmente com esse estoque alto demitiu, retraiu. Parou a produção, por isso também demitiu, porque parou a produção e recuperou-se agora em janeiro. Nós tivemos no mês de janeiro só no setor automotivo, por exemplo, uma venda de 198 mil automóveis. Comparando com 2008 sem crise, nós vendemos cerca de 200 mil. No auge da crise, o setor automotivo em janeiro teve uma venda de 2 mil carros a menos, o que significa, que essa fase de dezembro, que nós já anunciamos, já avaliamos, falamos das dificuldades que teríamos, porque o mês de dezembro é um mês ruim, que termina muitos contatos temporários, também teve essa retração em alguns setores, principalmente no setor automotivo, no setor ligado a exportação. Janeiro nós vamos ter um mês ainda difícil, mas o Brasil começa a se recuperar bem, principalmente porque esses estoques se venderam e hoje, por exemplo, se você leu os jornais, você vai reparar, que algumas indústrias automobilísticas já não tem mais carro para vender, tá faltando já carro. Então nós temos que acreditar neste país. Nós temos que acreditar que o Brasil está dando certo apesar da crise mundial, crise não feita pelo Brasil. Nós estamos buscando caminhos para evitar que isso se torne mais grave no Brasil e nós vamos conseguir.ANA MALTA: O senhor já tem uma projeção, uma estimativa talvez dos números do GAGEDE para janeiro? Há razões para preocupação, deve ser um número bem menor, ou semelhante ao de janeiro. E mais, os programas de geração de emprego, que o governo tem planejado, eles devem ser direcionados a quais áreas?MINISTRO: Primeiro eu já estou avaliando isso desde setembro do ano passado. Porque o CAGEDE ele é um dado que percebe os primeiros sintomas mais fortes da economia que é o emprego. Então eu trabalho acompanhando ele permanentemente. Então já em outubro, nós vimos a diminuição grande na contratação. Novembro já houve queda e dezembro maior queda. Nós teremos um janeiro difícil, um janeiro em que você tem um estoque muito alto de vários setores esse estoque, por exemplo, a indústria automobilística já começa a acabar. Com isso não justifica a demissão, porque se está acabando o estoque tem que contratar. Então não é nem inteligente demitir para esse setor. Significa dizer que ele vai demitir hoje e tem que contratar amanhã. Eu estou falando isso a algum tempo, e eu estou repetindo isso agora, pra muitos ouvintes de todo o Brasil perceberem, acompanharem e verificarem se a minha avaliação é correta ou não. Então eu repito, nós temos um janeiro ainda difícil, fevereiro ainda difícil, mas bem longe dos números que tivemos em dezembro, bem longe. O Brasil está consolidando a sua economia, o governo brasileiro liberou, por exemplo, no setor automotivo, já teve resposta com a diminuição do IPI. Isso significou praticamente como já anunciou, estávamos no mesmo nível de venda de automóvel que tivemos sem crise nenhuma em 2008. Agora nós estamos trabalhando, por exemplo as linhas de crédito facilitada, para os cargos usados, que com a diminuição do IPI, a diminuição do carro novo, houve, ai sim um achatamento uma diminuição grande na venda de carros usados. Os próprios sindicatos patronais de todo o Brasil me procuraram, propuseram um acordo. Qual o acordo que me propuseram? Linhas de créditos pelo FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, através do agente operador que é o Banco do Brasil em troca da garantia dos postos de trabalho. Propostas feitas pelo empresariado brasileiro, 27 federações patronal do Brasil. São 600 mil empregos. Então o que quer dizer isso, o empresariado brasileiro, na grande maioria, tem consciência de que é preciso garantir um bom funcionamento da economia, e um bom funcionamento da economia só se garante com emprego, com as pessoas tendo renda. Porque a renda faz circular, compra mais, vende mais, mais emprego, maior lucro para as empresas. Então nós estamos agindo nesse setor. Setor da construção civil nós já liberamos vultosos recursos, através do FGTS. Novas linhas de crédito. Setor de exportação, o governo está olhando cada setor para ver que tipo de isenções de incentivos podemos fazer. Mas esse setor de exportação nós não temos muito controle, porque depende da demanda internacional. Mas a gente já percebe que hoje no mundo inteiro, há uma mobilização pra se sair da crise. Crise repito que não foi feita no Brasil, crise que começou lá pelo sistema mobiliário americano, crise que quebrou bancos americanos, que são uma espécie de modelos de sistemas financeiros do mundo, e que não atingiu nenhum banco brasileiro. Ao contrário, os bancos brasileiros, sistema financeiro brasileiro, se mostrou altamente saudável. Então somos muito otimistas, eu penso que vamos ter dificuldades, nós temos que ter consciência e compreensão dessa dificuldade, eu penso que o Brasil precisa estar muito consolidado para enfrentar. O sistema financeiro brasileiro, tem que responder, o governo brasileiro está liberando linhas de crédito em todos os setores possíveis e vai continuar liberando, incentivando a construção civil, buscando encontrar mecanismos para facilitar a exportação. E nós vamos sair dessa crise melhor do que muita gente imagina. Porque na crise, é que se mostra a diferença de quem tem competência para sair da crise.KÁTIA SARTÓRIO: Ministro tem alguma previsão para essa linha de crédito, para a venda de carros usados?MINISTRO: Nós estamos terminando, ontem eu tive mais uma reunião com o Banco do Brasil, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador pertence, compõe o Ministério do Trabalho, nós estamos inicialmente, destinamos cerca de R$ 200 milhões com juros subsidiados. Nós já vamos de acordo com o Banco do Brasil fazer com que o spread bancário seja o mais baixo da praça. Porque a nossa preocupação, nosso apelo agora, é que o Banco Central o COPOM já está diminuindo a taxa Selic, mas não basta diminuir a taxa Selic. Os bancos privados, e o banco público tem que dar exemplo, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES tem que diminuir suas taxas ao consumidor. A quem pega esse dinheiro emprestado, senão, não adianta o Banco Central baixar a Selic e os bancos privados não acompanharem. Nós estamos fazendo um grande esforço para que o governo dê o exemplo. Banco do Brasil vai ter taxas baixíssimas, Caixa Econômica e BNDES, todas linhas de crédito do FGTS do FAT que são dinheiro do trabalhador, nós vamos trabalhar nesse sentido e eu espero que semana que vem tenha terminado essa linha de crédito para as revendedoras dos carros usados.GILSON GONÇALVES - (Rádio Correio/Maceió-AL): Alegando a crise na economia mundial, muitas empresas começaram o ano demitindo. Os números são constantemente divulgados, mas existe um setor, que para surpresa de muitos vem demitindo muito além das estatísticas, é o comércio, são lojas e shoppings. Aqui em Maceió segundo dados da Câmara de dirigentes logistas, o setor permanece demitindo. O que o governo pode realizar para evitar essas demissões, principalmente essas que atingem jovens no seu primeiro emprego. Em primeiro lugar eu quero responder ao Gilson, que o setor de comércio ele teve um resultado altamente positivo durante todo o ano de 2008 e em dezembro teve um crescimento de 5% real, acima do melhor dezembro da história que foi o de 2007. Então não há grandes motivações para demissões, o que acontece no setor do comércio é que ele mantem uma média de contratos temporários muito alto. Então você tem uma alta contratação no setor do comércio tanto varejista quanto atacadista em agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro começa a ter uma demissão alta desses contratos temporários, janeiro e fevereiro também, porque janeiro e fevereiro são meses de férias escolares são meses que não tem grandes lançamentos são meses atípicos no decorrer do ano. Em alguns setores do comércio pode ter algumas demissões principalmente desses contratos temporários, mas eu penso que isso não demorará, nós em março vamos retomar fortemente o crescimento da economia brasileira e esse setor é o primeiro que responderam. RÁDIO CAPITAL AM/SP - JOSÉ MARIA - Pesquisa CNT Census divulgada ontem ministro, mostrou que metade da população brasileira apóia a iniciativa das empresas de reduzir temporariamente a jornada de trabalho e os salários para garantir os empregos. Para o presidente da Confederação Nacional dos Transportes Clésio Andrade o dado é surpreendente, o senhor ministro se surpreende também com o resultado dessa pesquisa? Como se sabe a proposta de redução das horas trabalhadas e dos salários tem sido duramente combatida pelas centrais sindicais, o caminho é esse mesmo ministro?MINISTRO CARLOS LUPI: Amigo José Maria eu acho que não. Eu penso que é muito fácil numa pesquisa você ter que saber como foi feito a pergunta. Em que condições foi feito a pergunta, para saber como é que foi dado a resposta. Se você perguntar qualquer trabalhador prefere ser demitido ou diminuir o salário é obvio que o trabalhador entre cortar a cabeça e perder o dedo ele vai fazer a opção que seja menos grave para ele, é obvio que é isso. Agora não é o melhor caminho, porque isso significa desaquecer a economia, quando você diminui o salário você está diminuindo a quantidade de dinheiro que está circulando na economia. É claro que eu entendo eu não sou um inconseqüente que alguns setores da economia são mais afetados pela crise principalmente o setor que depende exclusivamente das exportações. Repito, o setor automotivo está se recuperando e bem, vendeu muito bem em janeiro, eu falei algum tempo atrás e recebi muitas criticas por isso, dizendo que eu era radical demais quando eu disse que não deviam demitir porque vão ter dois trabalhos, ter que demitir e contratar de novo porque vai faltar produto, já está acontecendo. Hoje não sou só eu que estou falando é a imprensa que está falando isso. Então nós temos que ter muita capacidade de diálogo, porque eu pergunto uma coisa, na hora que o lucro foi alto, na hora em que 2008 nós tivemos empresas ganhando dinheiro como nunca, ninguém chamou ninguém e reuniu ninguém para dizer, olha, ganhamos tanto dinheiro que queremos distribuir um pouquinho do que ganhamos, o processo da vida não é assim. Eu acho que essa minoria de empresários brasileiros que passa por um momento difícil nas vendas internacionais tudo aquilo que é vinculado ao comércio externo, tem que ter tranqüilidade, tem que continuar investindo no Brasil tem que ajudar o Brasil a produzir. Porque a cada demitido que ocorre no Brasil menor quantidades de produtos vendidos ele vai ter e mais agravamento ele vai ter pro seu lucro e para sua própria empresa. PERGUNTA/JOSÉ MARIA: Ministro quem tem emprego pode comprar. Esse dinheiro entra no comércio que vende mais, e gera empregos movimenta a indústria, é uma máquina é normal, historicamente falando dá para o senhor explicar porque quando se fala em crise a primeira coisa que os empresários fazem é demitir empregados, não é mais fácil lucrar um pouquinho menos ao invés de promover demissões ministro?MINISTRO CARLOS LUPI: Eu concordo inteiramente com você. Penso igual a você, eu penso que no momento que você tem uma crise que primeiro não foi criada pelo Brasil, nós continuamos com o aquecimento forte da economia interna, agora tivemos um aumento real do salário mínimo de R$ 50,00 para cada trabalhador na ativa, aposentado, pensionista esse aumento impulsiona fortemente o mercado, aumenta o seguro desemprego aumenta o abono salarial aumenta todos os benefícios previdenciários, isso significa mais R$ 50,00 na mão de cada trabalhador para comprar mais alguma coisinha, mas alguma roupa mais algum alimento. Isso significa mais vendas, significa aquecimento da economia, não é racional não é inteligente, no momento em que a gente apresenta dificuldade a primeira coisa que se faz é cortar trabalhador, sempre visando uma margem de lucro maior. Isso ai é um pouco de egoismo. Graças a Deus eu percebo que a maioria do empresariado brasileiro está compreendendo isso, os sindicatos estão tendo a sua capacidade de diálogo pra tentar evitar isso, agora eles não podem ser colocados contra as paredes, ou dá ou desce. A vida não é assim, nós temos que ter diálogo temos que ter compreensão que o momento é difícil, mas todas as instituições financeiras do mundo reconhece que o Brasil é o que tem condições mais sólidas para passar por essa crise. Isso que os jornais estão divulgando hoje de dezembro, está atrasado, nós já anunciamos que ia ter queda que teve o maior desemprego do país, ou teve o maior desemprego porque caiu um temporal? Claro que não. Não há desemprego porque teve uma retração forte na economia de dezembro. Então estão requentando notícias para tentar trazer pessimismo a população, não fiquem pessimistas, o Brasil vai crescer, o salário mínimo está ai com um aumento real nesses 7 anos do governo Lula de mais de 46% acima da inflação. A população brasileira está ai, 82% de aprovação de ótimo, bom para o governo Lula. A população acredita no nosso governo e nós vamos continuar infelizmente pra incompreensão de alguns vencendo todas as etapas dessa crise. RÁDIO EDUCADORA/SÃO LUIZ/MA - EDVALDO OLIVEIRA: Ministro recentemente mais um balanço sobre a prática do trabalho análogo aos escravos no Brasil foi divulgado, e ainda é grande o número de casos. Eu gostaria de saber quando o governo vai estar divulgando o fim dessa prática vergonhosa no país e mais, se há uma ação especial voltada para os estados que aparece no topo desse levantamento em especial o estado do Maranhão que infelizmente aparece entre os primeiros.MINISTRO CARLOS LUPI: Edvaldo, nós já começamos, infelizmente nós não conseguimos ter a sua audiência, ou leitura sobre isso, mas ainda no mês de setembro nós lançamos ai no Maranhão, em Imperatriz, uma grande campanha chamada Marco Zero envolvendo três estados, o estado do Pará, que é o principal receptor de mão-de-obra análoga ao escravo, estado do Maranhão, estado do Piauí, e também ao final se inclui o estado do Mato Grosso. Nós começamos essa campanha, se dependesse de caneta ou de vontade eu terminava isso por decreto. Infelizmente existe uma parcela razoável principalmente na indústria suco-alcooleira, do setor de grandes fazendas que não tem essa compreensão, explora de maneira desonesta de uma maneira profundamente que fere qualquer direito humano o trabalhador que às vezes pela sua necessidade, pela sua carência, acaba se submetendo a verdadeiro trabalhos escravocratas que ainda existem no Brasil. Nós estamos agindo, mas isso não se acaba de um dia para o outro. Nós libertamos dezenas de milhares nesses últimos seis anos, vamos continuar libertando, a fiscalização do Ministério do Trabalho tem equipes móveis principalmente no Maranhão nesses quatro estados agindo permanentemente. Agora é claro, isso não se resolve de um dia pro outro, isso são problemas de decênios, séculos que existe no Brasil. Nós estamos trabalhando com firmeza e pretendemos brevemente continuar libertando mais trabalhadores nesse tipo de serviço. Agora nosso maior instrumento de trabalho é o esclarecimento, é a informação é isso que nós estamos tendo a oportunidade ao falar com você, falar também para todos que estão no Maranhão que queremos acabar com o atravessador, o grande problema desse tipo de serviço que existe ainda no Brasil se é que pode ser chamado serviço, é o atravessador. São as pessoas que pegam essa mão-de- obra lá no interiorsão do Brasil, levam no caminhão para dentro de algum local pra trabalhar para uma mina de carvão para uma grande fazenda, e ficam escondidos lá trabalhando as vezes 15, 16 horas sem condições de higiene sem água potável, sem ambiente que possa ter condições de dormir, sobre o sol e chuva, realmente um estado escravocrata. Agora a conscientização, a informação, a ajuda de vocês da mídia e o trabalho permanente que meus auditores fiscais, junto com a Polícia Federal, com o Ministério Público, com o apoio da Polícia Civil, de governos estaduais têm feito, está diminuindo muito. Tanto está diminuindo que esse trabalho nosso hoje é referência e nós estamos hoje servindo de modelo para vários países do mundo no combate. Infelizmente ainda não temos a solução definitiva. Mas vamos chegar lá.EDVALDO OLIVEIRA: O governo tem divulgado, desde o ano passado, a sua atuação em várias frentes para combater o desemprego no país. Lamentavelmente o Norte e o Nordeste do Brasil, continua ainda apresentando aí alto índice de desemprego e de pobreza da população. Que certamente tem reflexos, principalmente, no aumento da cultura da violência entre os jovens. O governo federal está anunciando a inserção de quase 1 milhão de jovens, nos próximos meses, no mercado de trabalho. Eu gostaria de saber quais critérios estão sendo utilizados pelo governo para distribuição desses empregos? De que forma será dada a qualificação para essa nova mão-de-obra?MINISTRO: Primeiro, os empregos não são distribuídos diretamente pelo Governo. O que o governo faz são cursos de capacitação, chamados Pró-jovem. Nós fazemos convênios com prefeituras. Hoje os estados do Nordeste, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Piauí são os estados que maior número de investimento, maior a quantidade de investimento e maior número de jovens capacitados, têm, nos últimos dois, três anos de governo feito.Agora esse é um processo em que tem que se qualificar o trabalhador. Tem que se ter uma mediação junto aos empresários, para que eles tenham a compreensão de contratar essa mão-de-obra depois que ela está formada, está preparada, está qualificada. Esse é um processo que aos pouquinhos estamos crescendo. Estamos muita aquém do que a gente gostaria. É verdade. Mas o critério é de convênios com prefeituras, com estados. É uma critério que só sai publicado em todos os jornais locais quando se começa abrir os cursos. Você tem o critério por renda. Sempre há gente querendo atender as famílias de mais baixa renda, que ganham até metade, um salário-mínimo. Você tem o critério também de carência, de moradia. A gente busca sempre atingir a base da pirâmide da sociedade. Quem mais necessita? Quem mais dificuldades têm de acesso a uma educação de qualidade, a uma qualificação profissional? Podemos ter defeitos e falhas, porque nós somos humanos. Mas, a direção, o objetivo dos cursos de capacitação é preparar, principalmente, essa massa de jovens brasileiros que precisa ter oportunidades. E, para ter oportunidades ele tem que ter conhecimento. Ele tem que aprender uma profissão. Estamos trabalhando com muito carinho, com muita dedicação nesse sentido. Ano passado já foram 200 mil jovens qualificados só nos programas Pró-jovem. Vamos aumentar isso esse ano. E eu tenho certeza que aos poucos nós vamos colocando, esse rumo da sociedade que garante o futuro, no caminho do emprego e da dignidade.FLÁVIO KRUGER- (Rádio Clube FM/PR): Minha pergunta vai em relação ao salário-mínimo, que agora passa para R$ 465 neste aumento de 12%. Gostaria de perguntar ao ministro Carlos Luppi o seguinte ministro: o salário-mínimo, quando foi criado lá atrás, né, pretendia atender algumas necessidades básicas do trabalhador. Está na Constituição. Entre elas saúde, transporte, educação, previdência e lazer. A gente sabe que o salário-mínimo hoje no Brasil não tem o valor ideal. Com R$ 465 o trabalhador não consegue atender as suas necessidades básicas. Qual seria o salário ideal, considerado pelo ministro, para o trabalhador brasileiro. Bom dia ministro!MINISTRO: Bom dia Flávio. O ideal para mim é sempre muito maior do que a gente consegue conceder. Eu tenho um ditado da minha avó que diz assim:olha, a gente nunca faz e consegue fazer aquilo que a pessoas gostariam. Mas, a gente faz o melhor que e gente conseguiria. Ou seja, o que o governo está colocando hoje com esse salário-mínimo de R$ 465, cerca de US$ 200, é o maior salário-mínimo dos últimos 30 ou 40 anos. Só no primeiro governo Getúlio, quando instituíram, o segundo governo Getúlio instituiu o salário-mínimo, é que teve um poder de compra maior. Nós não temos com esse salário-mínimo, de cerca de US$ 200, o poder aquisitivo do trabalhador que atenda as suas necessidades, como diz a Constituição, é verdade. Nós não podemos, diz o ditado, tapar o sol com a peneira. Mas estamos avançando. Tanto estamos avançando que em sete anos tivemos o aumento acima da inflação, de 46%. Ou seja, o decreto do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva fez, há três anos consecutivos, é de, há dois anos consecutivos, é de, há dois anos consecutivos, o aumento estar (sic) vinculado ao crescimento do Produto Interno Bruto, ao crescimento do País - o PIB, mais a inflação. Então com isso nós vinculamos sempre o salário-mínimo ao crescimento da economia do Brasil. E ainda recuperamos o que pode ter perdido com a inflação. Por isso que o aumento é real. Concordo com você que ele não atinge, ainda, as necessidades previstas na Constituição. Mas, estamos avançando e eu espero que em breve nós consigamos ter o dia de esse salário-mínimo ser um salário digno, e que dê para todo trabalhador brasileiro ter as suas necessidades básicas atendidas.KRUGER:Em relação, exatamente, a geração de empregos. Nos números do próprio Ministério do Trabalho, houve um recorde na geração de emprego nos últimos anos, ou em 2008. E agora com essa problemática da crise afetando a geração de empregos. Mas eu pergunto ao ministro, porque aqui na nossa Rádio Clube FM ministro, todos os dias nós temos várias ofertas de emprego, no finalzinho sempre, do programa que vai ao ar pela manhã. Mas eu observo que, geralmente as empresas no dia seguinte, mandam novamente as ofertas de emprego. E a minha pergunta é a seguinte: falta emprego ou falta mão-de-obra qualificada ministro?MINISTRO: Hoje no Brasil você pegou o cerne da questão. Falta qualificação, mais do que falta emprego. Nós tivemos em 2007, no ano retrasado, mais de 1 milhão de vagas ofertadas no Sistema Nacional de Empregos. Os Sines que funcionam nos estados, nos municípios, em convênio com o governo federal, através do Ministério do trabalho. Essas cerca de 1 milhão de vagas não foram ocupadas sabe por quê? Porque o trabalhador não tinha qualificação específica para aquela vaga. Continua. Nós ampliamos este número, apesar da crise de dezembro. Em 2008 foram mais de 1,1 milhão vagas ofertadas que não foram preenchidas. Tem o problema da crise? Tem. tem o problema que afetou diretamente a economia em dezembro de uma maneira avassaladora, com a retração do comércio externo que a crise internacional fez que tivesse um grande número, principalmente dos contratos temporários demitidos? Teve. Agora, há uma realidade no Brasil de que vários setores continuam crescendo bem. O setor do comércio. O setor de serviço, o setor de hotelaria, né. O setor de comércio atacadista e varejista. Todo setor de produção de alimentos vinculados a produção interna, ao consumo interno, todos esses setores continuam crescendo. Óbvio que janeiro e fevereiro são dois meses que não é um crescimento tão grande quanto os outros meses do ano. Mas a gente repara e constata esse fato que você, com muita felicidade abordou. Falta qualificação. Por isso o governo federal tem aumentado, e muito, seus investimentos nessa área. Tem feito convênios. E, o grande mote, o grande diferencial do trabalhador moderno é ele se educar, se capacitar, se qualificar para poder disputar o mercado de trabalho. O diferencial é a educação do trabalhador para o mercado de trabalho. Qualificação.EMÍLIA CHACOM - (Rádio Cultura/MS): Ministro, aqui no Mato Grasso do Sul, mais um frigorífico fechou as portas, só nessa semana, alegando a crise. O governo está preparando alguma medida a longo prazo frente essa crise financeira mundial que já demite trabalhadores brasileiros?MINISTRO: Emília, nós estamos já, permanentemente conectados com essa realidade. Teve uma queda de alguns mercados, principalmente o europeu e o americano, na compra de carne bovina que nós exportávamos. Você sabe que nós somos o maior exportador do mundo de carne bovina, de carne suína, de carne de frango. Então, essa retração mundial encolheu um pouco o nosso mercado e isso, naquelas empresas que estão com o foco direcionado somente ao mercado externo, teve uma queda de venda. Não no mercado interno. Paradoxo que seja, é que o mercado interno cresceu mais. Você viu que alguns produtos, algumas carnes de primeira, como o filé mignon, tiveram preço diminuído. Com isso houve um consumo maior do mercado interno. O que que está acontecendo agora? Um paradoxo né. Porque tudo na vida é bom e é ruim ao mesmo tempo, conforme o ângulo da visão de cada um de nós. O aumento do dólar fez com que tenha diminuído, a quantidade de toneladas exportadas. mas, não tenha tido perda do valor de ganho das empresas que com o aumento do dólar passou a ganhar mais dinheiro com a exportação é claro que alguns insumos, alguns alimentos que se dão que são comprados no exterior também subiram de preço. Então, alguns alimentos que se dão para o gado bovino, gado leiteiro também subiram de preço com o aumento do dólar, mas a gente percebe que já está se recuperando continua muito forte o comércio brasileiro com a China, com a União Soviética começa se recuperar de compras o mercado americano e europeu, hoje, agora mesmo os Estados Unidos decretou a queda das barreiras que tinha ao frango brasileiro, carne suína brasileira, então nós estamos de olho nisso. Alguns setores mais afetados nós estamos trabalhando pra evitar que essa crise se agrave e nós estamos principalmente muito otimistas que esse mercado de consumo de alimentos não serão tão afetados pela crise quanto aqueles produtos que não são tão de interesse imediato à população, são os que a gente chama de artigos mais de luxo, como carros e equipamentos. Alimentos poderá ter uma queda na venda, mas recuperada com a valorização do dólar. ANA RODRIGUES - (Rádio Tupi - RJ): Bom dia, ministro Carlos Lupi, o presidente Lula anunciou ontem, aqui no Rio de Janeiro a construção de 500 mil casas populares no país e que este projeto pode ajudar na diminuição do impacto do desemprego em decorrência da crise econômica mundial. O ministro como avalia o anuncio dessas medidas e em que isso pode vir a beneficiar o trabalhador a curto, médio e até mesmo ao longo prazo?MINISTRO: Bom dia, Ana. Esse setor da construção civil é um setor que mais emprega no Brasil nesses últimos anos são dezenas de milhares de emprego. A iniciativa do presidente Lula sempre com uma sensibilidade muito aguçada de gerar emprego é de que esse setor é que mais imediatamente gera empregos direto, então essas 500 mil casas a serem construídas ao longo do ano significa alguns milhões de empregos diretos e indiretos gerados. Então essas linhas de créditos diretas do próprio Tesouro, linhas de crédito do FGTS é imediatamente o resultado mais rápido que se tem da geração de emprego, este é um número muito forte, muito grandioso que vai fazer com que a gente garanta o emprego e o ganha pão de dezenas de milhares de famílias no Brasil. ANA RODRIGUES: E além disso essas construções de casas populares vocês já tem um levantamento de que locais e que setores pelo menos na Região Sudeste vão ser implantado de que forma isso pode funcionar já nos próximos meses?MINISTRO: Bom, Ana o setor de construção civil tem dois grandes gerenciamento, né quem faz a medição, avaliação, medição de demanda é o Ministério das Cidades, o agente operador que financia é a Caixa Federal e o agente que libera os recursos é o Ministério do Trabalho através do FGTS - Fundo de Garantia de Tempo de Serviço que é o maior investidor o que tem a maior capacidade de recursos para gerar esse tipo de empreendimento. Nós sabemos por exemplo, que há uma necessidade, uma demanda reprimida de mais de 10 milhões de moradias no Brasil. Nós estamos construindo agora esse ano 500 mil pra você ter uma idéia como estamos ainda aquém da necessidade, então isso vai se medindo com parcerias com prefeituras, com parcerias com os estados, nas áreas mais carentes, né, normalmente nós estamos fazendo, principalmente essas habitações populares onde a gente pode tirar essas pessoas de locais de risco e colocar as pessoas em locais que tem mais dignidade com saneamento, com escola, com toda uma infra-estrutura casada com prefeituras e estados, isso está sendo medido pelo Ministério da Cidade e nós vamos depois que o presidente da República anunciar o fecho desse projeto à população, nós vamos dizer também quais são as áreas a serem atendidas. KÁTIA SARTÓRIO: Ministro gostaria de fazer uma pergunta para o Senhor, sobre o Bolsa Qualificação que foi anunciado como o ministério está estudando medidas pra uma proposta de regulamentação desse programa que é uma verdade é uma modalidade do Seguro-desemprego, não é isso?MINISTRO: A Bolsa Qualificação ela já é uma modalidade do seguro-desemprego. O que que é a Bolsa Qualificação? Ela permite que num acordo entre empresários e empregados através do seus sindicatos tenham o seu contrato suspenso por 3 meses. Nessa suspensão a empresa é responsável por garantir cursos de capacitação e de qualificação profissional para trabalhador e o governo renumera essa suspensão durante esse período ao salário mínimo ao trabalhador. Isso é o que existe hoje nós sempre tivemos uma parcela de sindicatos com empresários que fizeram esse acordo e funcionaram. É claro que com o advento dessa crise em dezembro o aumento é muito grande do desemprego que aconteceu em dezembro especificamente, ter uma maior procura. Então não havia ainda uma regulamentação, por exemplo, como é que são feitos os cursos de capacitação? Qual é a carga horária? Que tipo de cursos? Senão fica muito assim, por exemplo, curso de capacitação vai ter uma hora por semana de aula, num curso de capacitação. Então, nós fizemos umas regras estabelecemos por exemplo,que em cada Superintendência Regional de Trabalho que homologa esses acordos patronais com empregados, tem que passar pelos sindicatos, porque é a parte legitimamente representantes dos trabalhadores e nós verificarmos se tá contratado curso de capacitação, que tipo de curso que está dando, se é compatível com a necessidade do trabalhador, pra ter uma harmonia do beneficio para o trabalhador. Ao lado disso nós estamos estudando, terminando os estudos agora, do que eu chamo seguro-desemprego eu acho que o seguro-desemprego que vai continuar é um grande beneficio do trabalhador, mas nós temos que evitar o desemprego porque depois que está desempregado o problema já foi criado. Então nós estamos fechando, pretendo na semana que vem já está com isso fechado o presidente da República que irá anunciar se assim concordar, de ter essa modalidade de seguro que eu chamo de seguro-desemprego onde o foco principal é a garantia do emprego para o trabalhador. KÁTIA SARTÓRIO: Ministro e no Bolsa Qualificação é importante ressaltar que o funcionário que vaiparticipar desses cursos ele continua recebendo todos os direitos que ele tem, não é isso?MINISTRO: Tudo ele tem o direito à Previdência, carteira de trabalho dele continua em tempo contando, isso é uma medida de emergência para algumas empresas que vive em dificuldade para evitar demissão. CAMILA LUCCI (Rádio Bandeirantes AM- SP):Bom dia, Ministro, ontem a General Motors anunciou o sétimo período de férias coletivas e é o sétimo num período de quatro meses, deste de setembro passado esses anúncios vem sendo feitos aqui. E além disso nós temos a Embraer que aos poucos vem demitindo os funcionários daqui. Na semana passada e até terça-feira que vem cerca de 150 homologações devem ser feitas aqui na região. Eu gostaria de saber de que forma o governo federal vai cobrar dessas empresas já que ela deu subsídios à elas para garantia desses empregos?MINISTRO: Bom são dois setores distintos, Camila. Primeiro o setor automobilístico eu acho que as férias temporárias ela é uma medida mais inteligente que a empresa toma para evitar demissão. Ela dá aquela parada de cinco, dez, quinze dias porque o estoque é alto espera com as férias e aí o trabalhador não vai ter depois aquelas férias normais que tem de ano e com isso ele vai liberando o estoque dele e o trabalhador volta a produzir normalmente. Eu acho que é uma medida inteligente que a General Motors toma eu acho que esse é o caminho mais coerente desse momento até porque porque os estoques brevemente já está acontecendo em alguns setores começam a acabar por que tá vendendo de novo, graças à Deus e aos incentivos da isenção do IPI. Então nesse setor automotivo tá melhorando e vai ser resolvido eu acho que isso começa normalizar definitivamente a partir de março No setor da Embraer que é de aviões é diferente porque esse é um mercado internacional, esse é um mercado que depende muito dos contratos internacionais, dos países estrangeiros e nós não temos como controlar a crise dos países estrangeiros,nós temos que fazer um esforço danado para evitar o agravamento da crise no Brasil, controlar a crise externa é quase impossível pra nós fazermos. Não podemos dar incentivo, não podemos ter isenções de impostos, estamos de olho nessa questão da Embraer, estamos falando permanentemente com eles, vamos tentar ver se a gente realoca esses profissionais em outros setores, mas está vinculado exclusivamente, ou praticamente em sua totalidade à exportação e isso não depende só do Brasil. CAMILA: Ministro, mais uma questão o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos tem entrado em contato com o governo federal, justamente, para tentar reverter a situação, principalmente dos funcionários da GM. Mais complicada do que as férias coletivas, são as demissões que ultrapassaram a 800 aqui na região. De que forma o governo vai responder para este sindicato.MINISTRO: Bom, estamos conversando com eles, estamos conversando com as empresas, e você como boa jornalista sabe que eu já comprei, publicamente, briga com muita gente poderosa por causa disso, mas eu gosto de brigar com poderoso, porque eu sou fraco e gosto de brigar com os fracos. Eu penso que não é uma atitude prudente , inteligente, num setor que está se quecendo e que está vendendo de novo, a demitir trabalhadores. Agora, eu não posso obrigá-los a demitir. O que eu posso é tentar com argumento. Começar a ter critérios que já está começando a adotar, de não emprestar dinheiro público a quem está demitindo porque o dinheiro é de todos, então, como o governo vai dar um dinheiro que é de todos para um setor que vai demitir o trabalhador que também é dono do dinheiro? Essa é uma questão de coerência, até de transparência e correção para com um dinheiro que é do povo brasileiro. Eu penso que a General Motors está refletindo sobre isso. Essa questão dela ao invés de demitir nas férias já é uma medida que mostra que ela está começando a compreender melhor o seu problema. Nós vamos ter massa, agora, renovação ou não, da isenção de IPI. Eu penso que esse setor tem que pensar muito antes de demitir porque a isenção de IPI é feita pelo governo e o governo vai refletir sobre o comportamentos das empresas na hora de renovar ou não a isenção de IPI. WASHINGTON LUÍS:(Rádio 92 FM de João Pessoa- na Paraíba)Bom dia ao Ministro. Aqui na Paraíba foi recebido com grande repercussão o aumento do salário mínimo e inclusive o governo do estado já se propôs, na folha de pagamento, pagar o salário mínimo. A minha pergunta para o senhor, é a seguinte: qual o incentivo que a sua parte tem para o estado da Paraíba, para o nordeste já que muitos governos e prefeitos estão preocupados com esse projeto de crise, e eu concordo com o senhor. As montadoras para demitir tem que rever essa questão porque haverá ou não a renovação da isenção do IPI. É uma expectativa que o nordeste também vive e a Paraíba não pode ser diferente. Gostaria que o senhor pudesse dizer um pouquinho mais e quais as novidades de sua parte para o nordeste, especialmente, para a Paraíba.MINISTRO: Bom dia, Washington! Bom dia a todos da Paraíba que nos honram neste momento. O nordeste é o setor da economia que mais cresce em todos os segmentos. Muitas indústrias estão indo para aí. Setores de fruticultura e setores da fronteira de Pernambuco com a Bahia crescendo muito, agora, atravessando por causa da crise internacional. Na área de exportação de frutas um pouco de dificuldades, indústrias automobilísticas, indústrias de calçados. Agora o governo federal está investindo muito em áreas de embarcações, de construções, de estaleiros, em Pernambuco, na indústria petrolífera. Bom, nós temos buscado fazer do nordeste uma espécie de meca do crescimento da economia e tem crescido acima da média nacional. Nós, agora, nesta fase, temos que acompanhar permanentemente o comportamento de todos os setores da economia nesta região. Como janeiro, dezembro, janeiro e fevereiro são meses de férias, hoje, é Rio, São Paulo, e nordeste brasileiro, a maior direção dos turistas. Com o aumento do dólar veio menos turistas estrangeiros, mas a contrapartida é que o turismo nacional interno cresceu muito, então nós estamos, praticamente, com toda a rede hoteleira em 85% ocupada no nordeste . Restaurantes cheios, mais emprego nesse setor, nós estamos acompanhando, vendo setorialmente que medidas precisamos tomar e onde para beneficiar essa região e você pode ter certeza. Eu como filho de alagoano, e o presidente Lula como Pernambucano , nós temos o nordeste no nosso coração.WASHINGTON: É muito bom, Ministro, nós que apresentamos o programa de 6h às 8h da manhã, aqui na capital paraibana. Conte conosco nesta briga, enquanto brigar com grande melhor ainda, pode contar conosco no que for preciso para o desenvolvimento do país, e estamos sempre aqui, de portas abertas para contribuir no que for preciso para podermoa unidos e irmanados dar melhores dias à população brasileira, especialmente, a população nordestina. Meus cumprimentos, e quando vier à Paraíba seja bem-vindo, estaremos disponíveis para conversar com nosso público.ROSANA AMAZONAS: (Rádio Jangadeiro FM de Fortaleza/CE)Bom-dia, Ministro! O Brasil tem milhões de trabalhadores na informalidade. Como o Ministério do Trabalho age para reverter esse quadro? Existe algum projeto ou programa de incentivo para que esses trabalhadores se tornem trabalhadores formais?MINISTRO: Rosana, esse é o nosso grande desafio, e você tem toda a razão. Eu acho que também há muita distorção da informação. Só nesses sete anos do governo do presidente Lula, nós geramos por contatos formais, celetistas, servidores públicos, concursados, civis e militares, mais de dez milhões de brasileiros estão no mercado formal. Entre celetistas, funcionários públicos, civis e militares. Agora, nós temos um grande contingente ainda informal aqui dentro. Agora, nessa informalidade, nós temos que saber o que é informal? Que é jogado na informalidade por necessidade, ou seja, não temos outra opção, o cara tem que estar na informalidade para sobreviver. Quem está no que chamam de informalidade por opção, por exemplo, eu fui jornaleiro, e o jornaleiro é considerado informal porque ele não tem carteira de trabalho assinada porque ele é autônomo, mas eu nunca me considerei informal. Eu ganhava como jornaleiro um pouquinho mais de quanto eu ganhava como ministro, olha que absurdo que eu estou falando, mas é verdade. Na minha época, na zona sul onde eu trabalhava. O que eu estou querendo dizer com isso, você tem que tirar desse conceito de informalidade, o percentual da população que tem por autonomia, por opção de ser autônomo. Um motorista de táxi pode ser considerado informal? Médico que não tem contrato de trabalho, mas trabalha por conta própria pode ser considerado informal? Engenheiro que faz o serviço por conta própria, e arquiteto, eletricista, tem um grande contingente e isso nós estamos estudando numericamente através do Registro Anual de Inscrição Social, da Rais para dar uma radiografia real. A partir dessa radiografia real é que nós podemos desenvolver políticas públicas para diminuir essa informalidade de que esses informáticos estão indo por necessidade. Por exemplo, nós já estamos trabalhando, comecei ontem. Eu quero criar o chamado Simples Trabalhista, reforçar essa idéia do Simples Trabalhista para facilitar a pequena, micro e média empresa contratar. Desburocratizar a papelada que existe. Facilitar a contratação do trabalhador porque eu percebo e muitos já me reclamaram isso na rua que é uma burocracia tão grande para contratar que o cara que tem uma empresa pequenininha, uma pequena empresa que faz as roupas, outra que faz sapato, ele não quer contratar porque há tanta burocracia, tanta gente em cima dele que ele prefere ficar e manter o trabalhador na informalidade. Nós estamos trabalhando para simplificar isso, no sentido do governo já melhorou muito o Simples, no sentido da área econômica, com isenções fiscais e ampliação de diminuição do impacto de impostos para as pequenas e médias empresas. O nosso principal foco para diminuir a informalidade devem ser a pequenaa e a média empresa que representam, hoje, no Brasil, 60% das carteiras de trabalho assinadas. Para ser mais exato 56%. Para isso nós precisamos simplificar a burocracia, diminuir os impostos do pequeno e médio empresário, e ter crédito barato, mais baixo que este spread bancário que é criminoso contra a população e mais rápido. Se a gente conseguir somar esses quatro fatores, nós vamos ter um crescimento grande da economia e uma diminuição forte na informalidade.ROSANA: Ministro, como está a análise das propostas dos sindicatos para o aumento do seguro desemprego agora em tempos de crise?MINISTRO: O seguro desemprego é um direito do trabalhador. Hoje, a lei já faculta o conselho enfático, o qual eu sou membro representando o Ministério do Trabalho, pertence à estrutura do Ministério do Trabalho. Nós damos de 3 a 5, mas pode, por decisão do Conselho, chegar a 7. Se nós percebermos que os setores da economia vão gerar um emprego mais forte em mais tempo do que a gente imagina, o próprio presidente da República pode fazer um decreto ampliando para até 10 prestações. Mas nós temos que ter muito cuidado, isso tem que ser examinado setorialmente, por área, porque esse dinheiro é de todos os trabalhadores e nós temos que ter responsabilidade ao liberar mais parcelas desses recursos. Nós estamos examinando cada setor, principalmente hoje o que tá focado à exportação: metal, mecânica, minérios, setores que vendem muito pro exterior na área agrícola. Nós estamos focados, acompanhando permanentemente esse setor pra ver que setor terá necessidade de ampliação. No que for necessário ampliar, nós ampliaremos sem hesitar, porque nosso objetivo é proteger o trabalhador brasileiro.ALTAIR TAVARES - (Rádio 730 AM, de Goiânia, Goiás)Bom dia pra você, bom dia ministro.MINISTRO: Bom dia, Altair.ALTAIR TAVARES: Eu vi na sua entrevista, o começo dela, uma expressão voltada para a disseminação do pessimismo. Gostaria de saber do senhor qual é a fonte desse pessimismo, principalmente aí nos meios de comunicação?MINISTRO: Bom, eu penso o seguinte: eu sou um otimista de natureza, sabe por quê, Altair? Quem como eu, veio do nada, errimo de família desde jovem, tudo na vida foi difícil conquistar. Eu não sou filho de político, ninguém na minha família era político. Eu entrei com a cara e a coragem, chega a ser ministro de Estado como é o meu caso hoje, mostra que otimismo sempre vence, vale a pena. Por isso eu penso que tem muita gente que não gosta, tem discriminação ainda contra o governo do presidente Lula, sabia? O Lula, por ter sido um retirante nordestino, um homem que foi pra grande São Paulo, disputou quatro eleições pra vencer a que o consagrou como presidente da República. Tem muita gente que tem inveja, que não aguenta ver o governo do presidente Lula, que tá acertando, que não suporta o Brasil ser referência para o mundo da economia estabilizada, do controle da inflação. O que que eu posso fazer? O que eu faço é o seguinte, eu olho pra essa gente e digo assim olha, vocês vão ter que - como diz o Zagallo - engolir , porque nós vamos continuar dando certo, o governo brasileiro vai continuar acertando, o Brasil vai continuar crescendo. E a prova disso é 82% de aprovação da população brasileira. Enquanto essa população acreditar no nosso governo, enquanto essa população souber que nós estamos preocupados com ela, com o emprego dela, com o que ela possa melhorar de condições de vida, eu tenho certeza que o otimismo toma conta e faz a gente acreditar cada vez mais no nosso país.ALTAIR TAVARES: Ministro, o senhor pense bem, percebo já a um bom tempo essa sua expressão otimista e no curso do programa nós ouvimos informações de notícias da economia que são preocupantes. Esse otimismo, às vezes, não é exagerado?MINISTRO: Pode ser, pode ser que eu sou um carcamano . Você sabe que por parte de pai, eu sou a mistura de nordestino por parte de mãe com italiano por parte de pai. Então a gente, na vida, acredita muito naquilo que faz. Mas eu não acho exagerado não, sabe por quê? Eu tô baseado no mundo real, eu ando, amigo. Não fico só aqui em Brasília. Semana que vem tô indo pro Ceará, sexta-feira tava em SÃo Paulo. Na outra semana, tô indo pro Paraná. Eu ando e vejo que o mundo real, essa crise atinge uma minoria. A crise atinge setores específicos, que é uma minoria. E o governo tá agindo rapidamente, liberando recursos, dando isenções fiscais, criando frente de obras, investindo no PAC, aumentando recurso do BNDES. Nós estamos trabalhando. Nós acreditamos no Brasil. Eu sou um otimista nato e ninguém vai me tirar esse otimismo porque eu amo o meu Brasil mais do que minha própria vida.KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, inclusive têm agências que tão..., entidades da sociedade civil que já estão até com campanhas da 'xô, crise', vamos ser mais otimistas, não é isso?MINISTRO: Eu acho que é preciso isso, sabe? Porque você sabe que a primeira doença que a pessoa tem é a mental. Quando o cara diz que tá doente, não adianta, fica doente. Como eu digo sempre que tenho saúde, nunca fico doente.KÁTIA SARTÓRIO: É, e quando o senhor falou, por exemplo, na questão dos carros novos, né? A gente sabe que pra comprar determinados veículos têm lista de espera hoje.MINISTRO: Então justifica demitir? Na minha opinião, não. Olha, se tá vendendo, eles vão ter dois trabalhos: vai ter que demitir agora, daqui a pouco vai ter que contratar de novo. Porque daqui a pouco vai vender, já tá vendendo. Então nós temos que acreditar nisso. Não é só ilusório, não é só sentimento. É mundo real. Pega os números de carros vendidos que vocês vão ver. Então, eu penso assim, eu acredito nisso e trabalho assim.KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa 'Bom Dia Ministro', eu sou Kátia Sartori, o nosso convidado de hoje, o ministro do trabalho, Carlos Lupi. Ministro, o senhor teve ontem uma reunião com a OIT e foi convidado pra uma reunião do G-8, que vai acontecer em março, na Itália. Como esses organismos estão avaliando as medidas tomadas pelo governo brasileiro?MINISTRO: Olha, era bom até perguntar pra eles, porque senão fica muita vaidade da gente, mas eles acham que o governo brasileiro tá na vanguarda. Nós estamos investindo em setores estratégicos, nós demos aumento real do salário mínimo. Nesses últimos sete anos foram 46% de aumento real. Nós estamos aumentando a capacidade de investir, através do BNDES são mais de R$100 bilhões, através da Petrobrás são mais de R$120 bilhões de investimentos. Nós estamos trabalhando, criando linhas de crédito, gerando financiamento. O presidente agora tá anunciando mais 500 mil casas. Estamos trabalhando permanentemente. Agora, nós queremos garantir que esses investimentos gerem emprego. Tudo é possível, peço a compreensão, não é radicalismo, gente. Não pode o dinheiro público ser dado a uma empresa que vai demitir. Então pra quê o dinheiro público? Então se vira sozinho. Se tá pedindo o dinheiro público, tem que garantir o emprego do trabalhador, até por inteligência, porque é o emprego desse trabalhador que vai garantir maior circulação do recurso, mais compra, mais venda e maior lucro pra própria empresa.KÁTIA SARTÓRIO: E já tem essa lista, ministro, das empresas que estão recebendo esse dinheiro mas estão demitindo?MINISTRO: Olha, nós estamos acompanhando. Eu, por obrigatoriedade legal, eu não posso revelar nomes, por causa do sigilo bancário, mas pode ter certeza que nós estamos acompanhando permanentemente isso e estamos falando um a um. Você sabe que eu sou meio ousado, eu falo e falo duro.KÁTIA SARTÓRIO: Tá de olho, né ministro?MINISTRO: Tô de olho.KÁTIA SARTÓRIO: Tá certo. Ministro, eu gostaria de agradecer mais uma vez sua participação no programa 'Bom Dia Ministro'.MINISTRO: Kátia, eu que agradeço essa oportunidade, eu tô sempre à disposição. Muito obrigada a todos.KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, ministro e a todos que participaram conosco desse programa, desse rede de emissoras o meu muito obrigada e até o próximo programa.