05/03/2009 Brasil quer atingir meta de país livre do vírus da Rubeóla, afirma minsitro da Saúde

Em entrevista durante o programa Bom dia, Ministro, o ministro da Saúde José Gomes Temporão, destacou que o Brasil está muito perto de conseguir o certificado da Organização Mundial da Saúde de eliminação do vírus da rubeóla. As campanhas de vacinação permitiram que o país alcançasse a meta de vacinação de 95% da população.

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Transcrição

05/03/2009 - Bom dia Ministro, com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje a Campanha Nacional de Vacinação contra a Rubéola, que alcançou mais de 95% da população alvo e que dá oportunidade ao Brasil de conseguir o certificado da Organização Mundial da Saúde de eliminação da circulação do vírus da doença. O ministro da Saúde José Gomes Temporão, vai conversar com a gente também sobre o desafio lançado pelo presidente Lula para o Ministério da Saúde, para os governos estaduais da Amazônia Legal e do Nordeste de reduzir em 5% ao ano a mortalidade infantil até 2011. O ministro Temporão vai explicar o encontro que está acontecendo essa semana aqui em Brasília, com o secretário de saúde da Amazônia Legal e do nordeste, no Ministério da Saúde, para acertar as ações que fazem parte desse esforço pelo fim da mortalidade infantil. E ainda, sobre o presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que segundo o ministro Temporão está estudando o nosso Sistema Único de Saúde, o SUS, e que poderá servir de modelo para a modificação que será feita na área de saúde norte-americana. Um outro assunto que iremos abordar são os centros de testes rápidos de aids. RÁDIO ELDORADO(SP) CAIO CAMARGO : Ministro, estava fazendo referências ao número de casos de dengue no país que caiu 40% no início de 2009. Mas também queria um comentário seu em relação a uma outra doença que preocupa bastante, a corrupção, e que é endêmica no nosso país. Fiz referência também ao discurso do senador Jarbas Vasconcelos do PMDB, ao qual o senhor também pertence e lembrei de uma frase do senhor que afirmou que a Fundação Nacional de Saúde, a FUNASA, era um antro de corrupção. Esse assunto acabou caindo no esquecimento ou foi resolvido, senhor ministro ? MINISTRO: Corrupção não é um problema de saúde, é um problema de polícia. E o Estado vêm comprando através dos órgãos de controle, da CGU, do TCU, do Ministério Público, da Polícia Federal eu diria até com muita competência. Nunca se prendeu tanta gente quanto se prendeu nesse país por corrupção. A Polícia Federal vêm tendo um trabalho autônomo bastante importante e esse problema que é mundial a gente acompanha pela mídia permanentemente escândalos em todos os países em relação a esse ponto e o Brasil também não está fora disso. A questão da FUNASA é uma questão que a gente vêm trabalhando. A FUNASA vai ser reestruturada nós vamos retirar as atribuições e competências de atenção a saúde indígena da FUNASA para o Ministério da Saúde, nós temos um grupo de trabalho inclusive, com ampla representação das várias etnias que estão sendo ouvidas e estão podendo opinar e tudo o que acontece de equivocado dentro da FUNASA está sendo investigado. Eu mesmo desde que entrei no ministério já assinei várias portarias demitindo, suspendendo, exonerando funcionários da FUNASA por desvio de má conduta na execução dos serviços públicos. Então estamos trabalhando e pode ter certeza que os resultados vão aparecer. CAIO: Sobre a dengue ministro José Gomes Temporão,sempre é bom lembrar que os números são positivos mas nós não podemos relaxar no que diz respeito as medidas preventivas, o período mais crítico da dengue começa agora ministro Temporão? MINISTRO: É verdade,no período mais crítico, começou na realidade no início do ano, mas o mês de março é um mês crítico, está fazendo muito calor no país inteiro, com chuvas. Ou seja, as condições climáticas, elas estão propícias a reprodução do vetor. É preciso que as pessoas tenham consciência sobre a importância de que cada um se conscientize do que deve ser feito dentro da sua casa. Existem três reservatórios principais onde o mosquito cria e se desenvolve, o primeiro é lixo. Cidade suja, cidade onde o prefeito, o administrador não mantenha limpa, a probabilidade de você ter criadouro dispersos pela cidade é muito grande. Cidade limpa é cidade mais protegida contra a dengue. Segundo lugar, são várias áreas do Brasil, onde infelizmente onde ainda nós não temos água de qualidade na torneira da casa das pessoas 24 horas por dia. O que as pessoas fazem, estocam água em tinas, recipiente, e esses locais, caso não estejam muito bem vedados, e normalmente não estão, se transformam em criadouros também. E terceiro reservatório importante, está dentro da casa das pessoas. Está no quintal, está nos pratinhos de vasos das plantas, está na calha entupida, está na lage, porque acumula água depois da chuva. Então se cada um fizer dentro da sua casa o seu dever de casa, se cada um conversar com o seu vizinho, se cada um fizer reuniões na sua rua e cobrar das autoridades públicas uma cidade mais limpa, nós estamos dando um passo importante para o controle da doença. Um ponto adicional, eu quero chamar a atenção, nós tivemos um problema esse ano que foi a mudança de gestores. E a informação que eu tenho preliminar, é que mais de 40% dos secretários de saúde foram mudados, entraram novos secretários. Então o risco de uma descontinuidade entre outubro do ano passado e o início desse ano, é um problema que me preocupou muito, eu tenho certeza que em muitos desses municípios, onde nós estamos vendo agora um aumento importante de casos, esse fator foi o fator relevante importante infelizmente. THAIS DIAS - RÁDIO BANDNEWS/RJ - O governo federal tem uma meta de implantar em todo o país até 2011, 500 unidades de pronto atendimento. Aqui no Rio já são 22 e também há um projeto de expansão. Mas essa semana uma polêmica está envolvendo as UPAs que é a falta de médicos, que resultou na suspensão dos atendimentos ortopédicos por especialistas. Os socorristas vão prestar o serviço, o que tem sido questionado também pelo Conselho Regional de Medicina. A justificativa do governo aqui do estado e também da prefeitura é a falta de profissionais e a dos médicos são os baixos salários. O que o ministério em parceria com os governos regionais pode fazer para solucionar esse problema aqui no Rio? MINISTRO: A questão do trabalho médico é um dos grandes desafios do Sistema Único de Saúde. Nós todos reconhecemos, que em várias regiões do país, os médicos recebem salários incompatíveis com a importância da função que exercem, importância social da importância para o país. Então esse é um ponto central, mas por outro lado, nós também defendemos que esse aumento salarial, essa melhoria salarial seja acompanhada da implantação de um novo modelo de gestão que exija desses profissionais cumprimento de carga de trabalho, alcance de metas, estabelecimento de indicadores de desempenho. Isso acontece no mundo inteiro, não tem porque não acontecer aqui. Existem muitos estados e muitos municípios implementando novos modelos de gestão, como organizações sociais do estado de São Paulo, parcerias público privadas em todo o Brasil e o Ministério da Saúde tem um projeto de lei que aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados, que é a implantação das fundações estatais de direito privado. Essas fundações permitirão com certeza pagar melhor salário aos profissionais e melhorar significativamente as condições de trabalho. O governador Sérgio Cabral vem trabalhando nesse modelo, ele está praticamente pronto, ele já aprovou o Projeto de Lei na Assembléia Legislativa do Rio e essa é uma possibilidade, uma alternativa importante que pode ter um impacto, não só em relação as UPAs, mas em todo o Sistema de Saúde do Rio de Janeiro. THAIS: Amanhã o senhor vai estar no Rio, de acordo com informações tanto aqui do prefeito Eduardo Paz, como também do governador Sérgio Cabral, até para uma solução mais imediata para a questão das UPAs e também dos hospitais de emergência, de grandes hospitais aqui do Rio de Janeiro. O senhor acredita que, esses problemas podem se repetir em outras partes do país, como aconteceu com a UPA e há algum projeto para prevenir essa situação em outros estados? MINISTRO: O Sistema de Saúde tem uma característica, nós temos uma unidade na condução da política na formulação da política, compartilhamos o financiamento com os estados e municípios, mas os gestores municipais principalmente, são os responsáveis pela organização da rede, pela implementação, pela gestão das universidades de atenção. E evidentemente, os ouvintes, não sei se todos sabem, mas é importante que saibam. Existe o Fórum que se reúne todos os meses em Brasília, em outros estados também, onde o Ministério da Saúde, senta com os secretários estaduais, os secretários municipais. E nós discutimos todas as questões que afetam uma boa condução da política de saúde. Essa questão, da questão do médico, da remuneração do trabalho médico e da organização da rede, da mudança dos modelos de gestão, é um dos pontos centrais. RÁDIO EXCELSIOR/SALVADOR(BA)EDSON SANTARINI : Nós vamos fazer essa pergunta, porque o povo baiano está com medo. A Bahia lidera ranking de dengue no Brasil, justamente na contramão, do que representa a queda que representa hoje em nível de Brasil, então a Bahia cresceu 200%. Ai a pergunta é a seguinte: vamos viver aqui na Bahia ministro um caso parecido que aconteceu no Rio de Janeiro e a confirmação de que o ministério enviou para a Bahia quase 40 milhões, se esse dinheiro dá para as ações de combate ao mosquito do aedys aegipti aqui no estado? MINISTRO: Realmente a situação na Bahia, principalmente na região ali de Jequié e Ilhéus está nos preocupando, embora existem outras regiões, onde a situação também é crítica e para mim não é surpresa. Você deve lembrar que em outubro, novembro do ano passado, nós temos uma ampla divulgação a nível nacional, chamando a atenção da população, da sociedade para os municípios em situação de risco, e a Bahia era um dos estados, onde havia municípios com alta situação de risco e o que nós fizemos foi primeiro elaborar em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde um plano de enfrentamento do problema. Infelizmente a conjuntura política eleitoral atrapalhou, eu tenho certeza absoluta de que houve descontinuidade na política de combate ao vetor, por parte dos prefeitos, nessa mudança de gestão. E aonde muitas vezes o calor da luta política eleitoral prejudica a boa implementação das políticas sociais. Não faltou recursos a gente liberou recursos financeiros, não faltou informação, mas me parece que de uma certa forma as pessoas ainda não se convenceram totalmente de que se não atuarem proativamente serão afetadas inexoravelmente por uma doença e por uma doença que mata. Quero chamar atenção de alguns aspectos tutorais, não se iludam, cidade suja vai ter dengue. Uma pesquisa lançada recentemente no Rio de Janeiro mostrou que 40% do lixo recolhido pela companhia de limpeza urbana são as pessoas que jogam objetos e coisas nas ruas. De um lado isso, e de outro lado nós temos problemas também de oferta de água então o combate ao vetor tem que se dar de mãos dadas, entre a melhoria da coleta de lixo a melhoria da oferta de água e o aumento da consciência das pessoas para que elas dentro da sua casa faça o que deve ser feito. Eu tenho acompanhado inclusive a dificuldade na Bahia dos agentes públicos, dos agentes comunitários de saúde, dos guardas de endemias entrarem nas residências pra poder fazer o seu trabalho. Tive até informação de que está se usando autorização judicial pra se entrarem em algumas residências, eu acho que realmente nessa situação específica o direito à saúde, o direito coletivo, se sobrepõe ao direito individual. É um absurdo que o cidadão tenha ou mantenha na sua casa focos de proliferação do vetor e não toma nenhuma providência. Nós iremos até pensar quem sabe punir mais severamente as pessoas que tenham esse tipo de comportamento. Ela é uma doença muito complicada de grande dificuldade de enfrentamento pelas características climáticas que o Brasil apresenta. Não há uma vacina, não tem mágica, não vai aparecer uma coisa mágica da noite para o dia que vai nos livrar desse problema, e apenas nós perseverando nessa estratégica e ampliando o grau de educação de informação e de mobilização da sociedade, vamos poder obter resultados melhores. EDSON: Eu queria saber ministro, das ações do Ministério da Saúde em relação ao controle da rubéola e outras doenças oportunistas nesse período de verão período mais quente aqui no nosso estado, eu queria que o senhor falasse quais são aqui para a Bahia. MINISTRO: A rubéola, anteontem o presidente Lula entregou a Organização Mundial da Saúde o dossiê solicitando que a Organização Mundial da Saúde reconhece o Brasil como o país livre de duas doenças: nós temos a rubéola que é uma doença benigna que afeta crianças e adultos, mas nós temos uma outra doença essa gravíssima que é quando a mulher grávida é contaminada pelo vírus e transmite o vírus ao bebê ainda dentro do útero. Nós temos a síndrome da rubéola congênita que pode causar surdez no bebê, catarata, cegueira, problemas no coração e atraso no desenvolvimento natural da criança. Nós fizemos uma mega campanha ano passado o Brasil Livre da Dengue, da rubéola, o Brasil Livre da Rubéola, e vacinamos 67 milhões de homens e mulheres até 39 anos de idade. Foi a maior campanha de vacinação que já se fez no mundo em adultos, e alcançamos uma cobertura de 96% da população alvo. Foi uma grande vitória e nós estamos muito perto de obter esse certificado de erradicação dessas duas doenças no Brasil o que é mais uma prova da qualidade do Programa Nacional de Imunizações. Agora nós temos novos desafios, novas doenças, nós temos a questão de várias demandas de incorporação de novas vacinas do Programa Nacional de Imunizações, estamos trabalhando e existe a possibilidade quem sabe ainda esse ano ou no ano que vem de incorporação de uma ou outra vacina nova no PNE. RÁDIO GUARUJÁ/FLORIANOPOLIS-SC - YURI GREQUE - A pergunta que eu tenho para fazer o senhor é a respeito desse sucesso da campanha da rubéola, o senhor falou que foi uma prova da qualificação desse programa de imunização, no entanto, a secretaria estadual de saúde aqui relatou aos jornalistas que havia uma grande dificuldade de tirar as pessoas adultas de casas para participar de uma campanha de imunização, foi uma dificuldade enfrentada, porque elas acreditavam que a rubéola não é um problema que esteja assolando a população, não precisava sair de casa já vai ser erradicada mesmo. E essa dificuldade de tirar as pessoas de casa e fazer a vacinação não é coisa nova. No Rio de Janeiro muitos anos atrás teve a revolta da vacina que ficou famosa, então eu queria saber do senhor como é que 67 milhões de pessoas vacinadas se elas estão dentro, do que o ministério gostaria mesmo ou se poderia ter sido melhor isso e como é que fica pra eliminar de vez a síndrome da rubéola congênita essa que o senhor estava se referindo que afeta mãe e filho pra quando que isso deve estar acontecendo? MINISTRO: Santa Catarina teve um bom desempenho, o Brasil ficou em torno de 96% de cobertura que é uma cobertura excepcional muito alta, é preciso que vocês entendam o seguinte: pra você eliminar uma doença como essa, você tem que criar uma imunidade de grupo, ou seja, um número muito grande de pessoas se proteger contra a doença ai você acaba impedindo a circulação desse vírus. Foi o que nós fizemos, então quando você consegue cobrir 96% da população alvo, esse índice é considerado muito bom, e Santa Catarina conseguiu mais do que isso, foi o primeiro estado a ultrapassar os 95% Santa Catarina alcançou 97.34% de cobertura. A capital Florianópolis atingiu 98.9%, 76% dos municípios de Santa Catarina tiveram uma cobertura maior do que 95%, então o desempenho em Santa Catarina foi muito bom. Agora você tocou num ponto muito importante, uma das grandes dificuldades dessa campanha foi exatamente convencer homens e mulheres jovens em principio que não estão doentes a procurarem um posto de saúde, ou o serviço de saúde para tomar a vacina. Principalmente os homens que tem uma postura de maior resistência as politicas de promoção e de prevenção. Os homens parece que tem medo de agulha não tem tanto essa cultura de procurar o serviço de saúde quando se sentem mal é um problema cultural. Mas nós mudamos a estratégia o que nós fizemos, nós fomos aos estádios de futebol, eu mesmo estive pessoalmente no torneio de peões la de Barretos, vacinando aquela peãozada toda. Nós fomos a praia, a parques, fomos para as ruas, rodoviárias, nós não ficamos esperando as pessoas, o PNE teve uma postura no Brasil inteiro isso foi maravilhoso, foram mais de 220 mil pessoas entre técnicos e voluntários numa mega operação. Isso custou para o governo federal R$ 200 milhões, mas o resultado tem um valor incomensurável que é a reerradicação de duas doenças. E como é que vai acontecer? A partir de agora a Organização Mundial da Saúde vai acompanhar o que vai acontecer no Brasil com relação a essa doença. Se durante os próximos 9 meses ficar comprovado que nós não tivemos nenhum caso e que a interrupção da doença se deu efetivamente no Brasil o Brasil recebe o certificado de erradicação da doença, nós estamos muito próximo disso. YURI: Uma outra questão que eu queria tratar com o senhor que foi aprovada na assembléia legislativa que em Santa Catarina uma lei que daria acesso a casais com dificuldade de engravidar a ter o tratamento pelo SUS, um tratamento que é caríssimo, chega a passar de R$ 30 mil em determinados casos. Por algumas questões que justamente com o Ministério da Saúde essa lei não tem sido colocada em prática, e aqui os pais estão inclusive se mobilizando casais, porque o Ministério da Saúde, por exemplo, já autorizou a mudança de troca de sexo, pelo Sistema Único de Saúde, tem algum projeto nesse sentido para que em nível nacional possa ser desenvolvido alguma coisa? MINISTRO: Com certeza Yuri, nós temos sim projeto que é disponibilizar para o SUS o que nós chamamos de reprodução assistida, são os casais que por vários motivos não conseguem ter filhos e que necessitam de uma tecnologia médica bastante diferenciada muito cara, você tem razão, para poder alcançar esse sonho de ter uma criança. O que nós estamos fazendo? Nós vamos trabalhar principalmente nas universidade, os centros dos hospitais universitários que tem experiência, que tem capacidade, que tem tecnologia, pra isso serão os primeiros escolhidos. A nossa ideia até o final de 2010 é nós termos pelo menos um centro desses em cada macro região do país aumentando muito o atendimento que hoje é feito de maneira muito precária, não é que ele não exista. Algumas universidades brasileiras fazem esse atendimento de maneira gratuita. Mas a fila é muito grande evidentemente que o número de pessoas atendidas é pequena, nós vamos ampliar isso para que um hospital universitário em cada macro região possa estar fazendo esse atendimento. Afinal de contas, esse é um direito que se insere dentro do que o Sistema Único de Saúde preconiza. RÁDIO GAZETA/MACEIÓ (AL)OSWALDO BARBOSA : Ministro, Alagoas conseguiu ultrapassar a meta da última campanha nacional de vacinação contra a rubéola. Mas ainda com relação a essa questão da dengue, o estado ainda é motivo de preocupação por conta da infestação do mosquito transmissor. Há alguma ação específica do ministério para que também possamos, ministro, baixar o índice de contaminação em Alagoas? Bom dia! MINISTRO: Bom dia Oswaldo. Então, as ações, elas já estão na rua há muito tempo. E Alagoas vem trabalhando. A situação em Alagoas não é tão crítica como é. Nesse momento nós temos, a nível do Brasil, alguns estados em situação crítica. São o Acre, a Bahia, a região do Espírito Santo - ali de Vitória e Vila Velha, e Belo Horizonte. Então, os nossos esforços nesse momento estão se concentrando ali, onde o risco de nós termos um surto e casos graves é maior. O que nós estamos fazendo foi planejado em parceria com estados e municípios desde o ano passado. Vou te dar alguns números. Por exemplo, nós estamos gastando R$ 1 bilhão só no combate com a dengue em todo o Brasil. Eu aumentei em R$ 200 milhões os recursos financeiros para esse ano. Nós fizemos um treinamento de milhares de médicos e enfermeiros para que o diagnóstico seja feito mais precocemente. E portanto o tratamento, também, mais precocemente. Nós nos reunimos com todos os secretários de saúde para que eles elaborassem planos de enfrentamento de situações de risco. treinamos recrutas das Forças Armadas, que neste momento em todo o Brasil, ajudam o combate dos guardas de endemias. Fizemos uma mega campanha de mídia, com grande apoio das rádios, das tevês, chamando a atenção das pessoas para a gravidade do problema e para a importância do trabalho na casa de cada um. E da ação coletiva também. Essa é uma novidade, que este ano nós trabalhando muito, ou seja, não basta você fazer bem o dever de casa na sua casa, você tem que conversar com seus vizinhos, organizar reuniões na sua rua, fazer mutirões de limpeza. O Piauí e a Paraíba fizeram estratégias desse tipo e hoje estão numa situação muito mais confortável do que outros estados. E sem esquecer aquela coisa que eu já falei, cidade limpa. O lixo urbano mudou radicalmente na última década. A qualidade e o tipo de lixo é (sic) muito diferente. A predominância de plásticos e, portanto, de possíveis recipientes de água parada que podem desenvolver as larvas e os mosquitos, aumentou muito. Então, manter a cidade limpa é um primeiro passo extremamente importante. E segundo, manter a população bem informada e mobilizada. OSWALDO BARBOSA: Depois de sete meses ministro, negociando com governo do estado e município, aqui em Alagoas, os médicos do Sistema Único de Saúde, eles decidiram pelo descredenciamento do sistema alegando que a tabela do SUS está defasada há alguns anos. Este quadro também pode ser observado em outros estados da Federação. Quais seriam as medidas que o ministério poderia tomar, principalmente aqui em Alagoas, para poder sanar este problema ministro? MINISTRO: Bem Oswaldo, aí nós temos duas situações. Nós temos de um lado médicos que são funcionários públicos, são médicos que trabalham, são contratados pela prefeitura para a secretaria estadual ou pela universidade federal, que trabalham no Hospital Universitário aí em Maceió. Essa éuma situação, porque aí exige, existe evidentemente toda uma negociação de luta por melhores salários. E têm os médicos que não têm nenhum vínculo com o serviço público e que prestam serviços na rede assistencial conveniada ao SUS. São aqueles médicos que podem ser clínicos, podem ser cirurgiões, podem ser ortopedistas, que trabalham nas Santas Casas ou nos hospitais privados que prestam serviço ao SUS. A informação que eu tenho é que são esses médicos que estão propondo o descredenciamento coletivo. Eu fico preocupado por dois motivos. Primeiro, que a informação que eu tenho é que 95% da população de Alagoas depende apenas do Sistema Único de Saúde. Aí, uma curiosidade. Se os médicos não vão atender mais as pessoas pelo Sistema Único de Saúde, em tese eles não vão ter mais a quem atender. Se só 5% da população do estado tem plano privado ou pode pagar por um atendimento, os médicos vão receber de quem? Me parece um paradoxo, não é? Os médicos não vão ter onde trabalhar! Segundo, não me parece que uma estratégia correta seja tomar essa medida, porque isso pode criar uma situação de extrema gravidade no estado. Se os médicos não atendem a população, a população vai morrer sem atendimento? Então, nós temos uma questão aí que transcende a questão da relação contratual, da relação de trabalho e passa para uma outra dimensão. É evidente que o Ministério reconhece que a remuneração por alguns procedimentos não é a mais adequada, mas a solução para esse problema definitivamente não passa pela radicalização do movimento e por assumir uma postura que afeta gravemente o interesse público e a segurança das pessoas em Alagoas. O Ministério está mobilizado, nós estamos levando a nossa mesa de negociação para Alagoas. Eu já conversei com meu secretário de Educação e do Trabalho do ministério, o secretário de Atenção à Saúde. Estamos acompanhando de perto a situação e vamos ajudar no que for possível. Vamos ajudar politicamente, vamos ajudar tecnicamente. E, desde o ano passado a gente já vêm ajudando financeiramente o estado para que a gente possa ultrapassar essa situação, sentar com esses profissionais e encontrar uma saída que não comprometa o atendimento da população. RÁDIO FOLHA (PE)JOTA BATISTA : Bom dia Kátia, bom dia ministro, bom dia Brasil! MINISTRO: Bom dia! RÁDIO FOLHA(PE) JOTA BATISTA : O senhor falou agora a pouco sobre essa questão do mapeamento que é feito pelo Ministério da Saúde em alguns estados com pontos críticos da rubéola. Está sendo feito campanhas pontuais, ou seja, campanhas emergenciais nesses locais? E, para que isso não se estenda também em outras localidades, existe um trabalho em conjunto dos estados a esse respeito, ministro? MINISTRO: Olha Jota Batista, é, Pernambuco, por exemplo, alcançou uma cobertura de 98.3% na vacinação da rubéola. É uma cobertura excepcional. Então, eu quero chamar a atenção dos ouvintes para o seguinte: o que foi feito durante esses cinco meses de vacinação foi um tratamento de choque. Desde o final do ano passado, desde o segundo semestre do ano passado nós não registramos mais nenhum caso de rubéola no Brasil. Significa que nós estamos muito perto de conseguir interromper a circulação do vírus e eliminar a doença. Qual é a orientação? Simples, se você é homem ou mulher, têm entre 20 e 39 anos e não tomou a vacina,procure um posto de saúde. A vacina está disponível e as pessoas que não se vacinaram ainda podem se vacinar. Aí você poderia me perguntar, bom, mas como é que a gente garante que a doença não volte? Simples, todas as crianças brasileiras ao nascer estão sendo vacinadas e protegidas contra essa doença. O que nós fizemos foi proteger uma população de mais idade, mais adulta, que por vários motivos não tinha tido uma cobertura vacinal adequada. Então, essas duas estratégias, de manter a vacinação de rotina - todos os pais sabem que o bebê tem que ser levado ao posto de saúde ou pediatra para tomas as vacinas de rotina. E de outro, a campanha, a mega campanha que nós fizemos nos dá essa tranqüilidade de que nós estamos muito perto de eliminar essa doença. JOTA BATISTA: É,aproveitando ministro, fomos informado de que o presidente Lula antecipou a visita em Pernambuco, por conta da agenda do presidente Barack Obama. Estava marcado para o dia 24, e essa antecipação deve acontecer agora no dia 15 de março, a visita dele a Pernambuco. E a informação é que ele fará um lançamento de um programa na área de saúde. É a respeito da rubéola, mortalidade infantil? O senhor pode adiantar alguma coisa? MINISTRO: Olha, Jota, eu não posso não. Eu não sei exatamente do que se trata. Ontem seu governador Eduardo Campos me ligou para perguntar se o presidente iria dia 15. Mas, no dia 15 ele vai estar nos Estados Unidos, exatamente. Eu tenho a impressão que é alguma coisa relacionada ao Olhar Brasil, que é o fornecimento de óculos para os homens e mulheres que estudam no Brasil Alfabetizado. Adultos analfabetos que têm que ser alfabetizados e que agora vão poder fazer exames de vista e receber um óculos. Isso vai aumentar muito o rendimento dessas pessoas. Eu acho que é isso aí. Agora, nós vamos ter que mudar a data porque o presidente vai aos Estados Unidos. RÁDIO CBN (DF)FABIANO ANDRADE : Bom dia Kátia SartÓrio, bom dia ministro Temporão e bom dia a todos os ouvintes. Ministro, a Igreja Católica decidiu excomungar os responsáveis por provocar um aborto ontem em Pernambuco. A paciente é uma menina de 9 anos que foi engravidada, fruto de uma violência sexual. Eu pergunto qual a sua posição em relação a esse tema e se acha que a reação que foi prontamente tomada pela Igreja pode prejudicar o avanço das discussões em torno desse assunto. MINISTRO: Eu acompanhei chocado esse fato e a lei brasileira é bastante clara: a interrupção da gravidez é autorizada em caso de estupro. Então, foi uma situação limite. Trata-se de uma criança com nove anos de idade. E inclusive, do ponto de vista biológico, não acredito que ela tivesse condições de levar a termo essa gestação de gêmeos, o que colocaria em altíssimo risco a vida dessa criança. Eu acho que a posição da igreja é uma posição extrema, radical e inadequada. Me parece um contra senso diante do que aconteceu, da violência que aconteceu, a postura desse representante da Igreja Católica, no nordeste, me soou como uma coisa muito agressiva, não é? Muito chocante. Eu fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com essa menina, que deve ter a proteção do Estado, agora vai ter que ser acompanhada com tratamento psicológico por muito e muito tempo. E fiquei chocado com a posição radical desse religioso que, equivocadamente ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra vida tão importante como qualquer outra. O mais importante é que essa postura da igreja é totalmente inadequada porque a Lei é bastante clara: garante e protege o que foi feito, que foi feito estritamente dentro da lei, obedecendo à lei brasileira. RÁDIO CBN- BRASÍLIA (DF)/FABIANO ANDRADE: Tenho um outro assunto aqui, a respeito da polêmica envolvendo a possível criação da CPI que investigaria os fundos de pensão, o visível desconforto de integrantes do próprio PMDB quanto à direção do fundo de pensão Real Grandeza e os eventuais desdobramentos desde caso. Ontem, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, disse que a legenda parou de recolher assinaturas, mas não desistiu de criar a CPI. Eu pergunto, ministro, se o senhor é favorável ao surgimento dessa Comissão Parlamentar de Inquérito e se as investigações decorrentes poderia também abranger outras autarquias administradas pelo PMDB, como por exemplo a Fundação Nacional de Saúde, a Funasa? MINISTRO: Com toda franqueza, meu assunto é saúde, única e exclusivamente saúde, apenas saúde. Então, eu acho que Fundo de Pensão, CPI de Fundo de Pensão está a léguas, a anos luz da saúde e eu não tenho nenhuma opinião formada sobre isso. Não me interesso sobre isso, e não me preocupo com isso, e trabalho só com a saúde. RÁDIO DIFUSORA- GOIÂNIA (GO)/EDSON RODRIO: Ministro, o Ministério da Saúde anuncia a implementação da 250 unidades de pronto-atendimento, o que é ótimo para a população. Mas, aqui em Goiás e acredito que no restante do país, também, as pessoas enfrentam problemas em relação aos procedimentos dos eletivos. Eu acompanhei aqui no estado, um caso de uma garotinha que precisava passar por uma cirurgia. Embora mal de saúde, o caso não foi enquadrado como urgente e aí vem aquela demora. Alguns pacientes chegam a esperar até quase um ano. Eu gostaria de saber como o Senhor vê essa situação? MINISTRO: Nós temos uma política nacional de estímulo às cirurgias eletivas. Os estados elaboram estimativas de pacientes a serem operados. Existe um rol de mais de 50 doenças que estão dentro dessa política. O Ministério da Saúde libera os recursos financeiros, para que os estados possam desenvolver. É claro que aqui e ali possa haver um tempo de espera maior, mas eu diria que isso não é a rotina. Eu vou te dar uma informação que, talvez, você não vai acreditar, mas acredite, que é verdade. Hoje, na Inglaterra, o tempo médio de espera por uma cirurgia eletiva está acima de oito meses e a Inglaterra tem um sistema de saúde considerado um dos melhores do mundo. No Canadá, a mesma coisa. Recentemente, o embaixador do Brasil no Canadá precisava fazer uma cirurgia de hérnia e quando foi visitar seu médico, ele lhe informou que ele teria que esperar seis meses. Aí, ele pegou um avião e veio ser operado em São Paulo. O Canadá tem também um dos sistemas de saúde mais importantes do mundo. O que nós temos que fazer? Nos organizar melhor para que esse tempo de espera seja o menor possível. Agora, é claro que uma situação onde não há risco de vida, que a pessoa possa esperar um pouco, não me parece uma coisa absurda. O que nós temos que fazer, é que haja acesso para todos. Todos possam ser bem atendidos e que o tempo de espera seja um tempo razoável. RÁDIO DIFUSORA- GOIÂNIA (GO)/EDSON RODRIO: A nossa pergunta é sobre a hanseníase, uma doença milenar, ministro, difícil de ser combatida. Estamos, realmente, longe de erradicar essa doença no Brasil? MINISTRO: A hanseníase ainda é um problema importante no Brasil, você tem razão. Pelas suas características. Como ela é uma doença primeiro, que tem um longo período de incubação, esse período pode durar anos e décadas, sem que o paciente manifeste sintomas e segundo, muitas vezes os sintomas passam desapercebidos. Podem ser manchas na pele ainda pequenas e que se não são valorizadas pela pessoa, se ela não procura um médico, ela não inicia precocemente o tratamento. O paradoxal é que o tratamento é muito barato e está disponível no Sistema Único de Saúde(SUS) para todos. Mas tem havido sim uma redução da doença, da incidência da doença, da prevalência da doença. Ela é mais importante, hoje, principalmente na Região Amazônica, mas ela ainda é uma doença que vai demorar muitos anos a ser totalmente erradicada por essas especificidades. O que nós estamos fazendo é levar mais informação para a população, capacitar os profissionais de saúde e recursos para os estados e municípios combatê-lo. RÁDIO CLUBE- BELÉM (PA)/NONATO CAVALCANTE: Ministro, eu tenho duas indagações a fazer ao Senhor na manhã desta quinta-feira. Primeiro, sua pasta anuncia a implantação de novas unidades de pronto-atendimento neste ano pelo Brasil. O que está previsto para o estado do Pará neste ponto. A segunda colocação: aqui em Belém, a área pública da saúde está terrível, está sinistra. Na semana passada, duas pessoas morreram sem atendimento no pronto-socorro da Quatorze, aqui no centro da cidade. E ontem, o fato se repetiu: um jovem de 26 anos também morreu sem atendimento no pronto-socorro da Quatorze. O que o Ministério da Saúde pode fazer para resolver esta situação, ministro? MINISTRO: Nós temos uma política de implantar até o final de 2010, 500 unidades de pronto-atendimento em todo o Brasil. Então, eu não tenho aqui comigo como estão os planos e as metas para o Pará, mas com certeza o Pará será contemplado. Qual a idéia? A idéia é que essas unidades funcionem dentro de uma rede. Elas não são uma panacéia, nem vão atuar de forma mágica. Não vamos nos iludir. O sistema de saúde tem que estar organizado. Primeiro: uma rede de atenção primária de qualidade, baseado no Programa de Saúde da Família e dos agentes comunitários de saúde. As unidades de pronto-atendimento, os pronto-socorros, centros de diagnóstico, policlínicas, isso tem que trabalhar de maneira integrada e articulada. Esses dois relatos dramáticos que você me faz são exemplos do que não pode acontecer. A saúde existe para quê? Para proteger a vida, para consolar, atenuar a dor e para melhorar as condições de vida da população. É inadmissível que em qualquer lugar do Brasil, pessoa morram sem atendimento, muito menos numa capital. Então, tem que ver. Eu não sei dizer, exatamente, o que aconteceu aí, não estou informado, mas pessoas morrerem sem atendimento médico, hoje, no Brasil, é um fato grave, gravíssimo. E a responsabilidade é intransferível. Essa responsabilidade, que é responsabilidade do gestor local. A responsabilidade pela coordenação das ações de saúde, pela gestão dos serviços e pela proteção da saúde é, na maioria do Brasil, das prefeituras, auxiliadas pelo governo do estado e, obviamente, apoiadas técnica-financeiramente pelo Ministério da Saúde. RÁDIO CLUBE- BELÉM (PA)/NONATO CAVALCANTE: Ministro, deixe eu lhe informar o que aconteceu em rápidas pinceladas: na semana passada, duas pessoas procuraram, uma de 58 anos e outra senhora de 60 anos, procuraram o pronto-socorro municipal da Quatorze. Esse pronto-socorro municipal da Quatorze, a gente chama da quatorze porque fica, exatamente, na 14 de março, aqui no centro da cidade. Muito bem, então, essa duas pessoas, duas senhoras de 58 e 60 anos procuraram atendimento no pronto-socorro e não foram atendidas, então morreram lá fora. Morreram lá fora. Aí, quando foi ontem, por ocasião de uma visita de uma comissão de vereadores, para averiguar o que estava acontecendo neste pronto-socorro da Quatorze, ontem à tarde, um cidadão chegou do interior, de 26 anos e também não foi atendido e morreu, sem o menor atendimento. Todo mundo do pronto-socorro ficou aqui nos dois pronto-socorros que temos aqui na capital do Pará, o do Guamá e da Quatorze, a imprensa não tem acesso. Imagino que evidentemente, porque a coisa está feia lá no interior, mas isso é outra história. Então o que é que a população do Pará quer saber: o que o Ministério da Saúde pode fazer para pelo menos amenizar essa coisa, já que a coisa se tornou terrível, sinistra, uma vez que na semana passada, morreram duas pessoas e essa semana morreu uma? MINISTRO: Primeiro, é inadmissível que pessoas fiquem numa fila de um pronto-socorro aguardando serem atendidas sem o que nós chamamos de uma classificação de risco. Eu vou explicar: primeiro, é inadmissível que pessoas sejam recebidas em um pronto-socorro por um guarda ou por um segurança. Se isso acontece em Belém do Pará, protestem, chamem o Ministério Público, denunciem. As pessoas têm que ser recebidas por um profissional de saúde. Segundo: nós temos que fazer na fila do pronto-socorro o que nós chamamos de classificação de risco. Se você obedece a uma fila por ordem de chegada, isso é uma estupidez total. Quem é que me garante que o 15º da fila não está em situação muito mais grave do que o primeiro que está só com uma ‘dorzinha’ de cotovelo? Classificação de risco é tirar da fila os pacientes mais graves e atendê-los com rapidez para que eles possam sair da situação de risco. São dois princípios básicos, isso é o bêabá do bêabá e insisto: o que aconteceu aí em Belém tem que ser apurado, o Ministério Público tem que apurar, o secretário municipal tem que abrir sindicância e saber o que aconteceu. O que o Ministério pode fazer? Ajudar, apoiar, mandar gente para aí, o que for possível. Agora, a gravidade do que você relata tem que ser apurada com responsabilidade. RÁDIO ITATIAIA- BELO HORIZONTE (MG)/EDUARDO COSTA: Ministro, no caso de Minas Gerais, pelo menos, para se atingir essa meta da Campanha Nacional de Vacinação contra a rubéola, foi necessário prorrogar, foi necessário abrir postos em praças das mais movimentadas e até ir atrás de jovens em idade de reprodução nos seus empregos. No caso da leishmaniose, há uma luta eterna aqui entre a prefeitura e os proprietários de cães doentes, que não querem entregá-los. Assim também ocorre com a dengue, quanto mais se fala mais se encontra lixo no terreno das pessoas. Por quê o brasileiro, que tanto reclama do governo, tem essa resistência em ajudar? Ou estou enganado, o brasileiro tem sido cooperativo com a saúde pública? MINISTRO: Varia muito, não dá para a gente criar um estereótipo ou classificar de maneira definitiva. Eu acho que para muitas ações, a comprovação, por exemplo, é o nosso Programa Nacional de Imunizações. Mesmo com essa dificuldade da rubéola, mas eu queria justificar: não é fácil você convencer homens e mulheres entre 20 e 39 anos que eles têm que tomar uma vacina que vai proteger hipoteticamente, os homens sabendo que para eles não afeta nada, na verdade, eles, ao tomarem a vacina, estão protegendo a sua mulher, a sua irmã, a sua filha, a sua companheira. E aí nós mudamos a estratégia e funcionou. Inclusive Minas teve uma cobertura boa, acima de 96%. Agora, para outras ações, a adesão da população, por exemplo, às políticas de imunização de crianças é fantástica. A adesão da população à vacinação do idoso é muito alta. Eu acho que varia muito, eu acho de um lado tem sim isso que você chama a atenção: uma certa passividade de que 'alguém venha aqui resolver o meu problema, não preciso me preocupar muito com isso'. Falta educação, falta informação. Em saúde, a informação é uma arma poderosíssima, se você não tem informação adequada, como é que você vai ter uma postura de prevenção? O que prevenir, se não tem a informação adequada? Mas aí também entra a nossa responsabilidade, do Governo, vocês também, comunicadores da mídia, de estarmos passando informação qualificada para a população. Por exemplo: nós sabemos que o padrão alimentar hoje é um dos fatores mais importantes do desenvolvimento de três doenças fundamentais, são as que mais matam no Brasil: o diabetes, a hipertensão arterial e o câncer. Há uma vinculação importante do que você come, a quantidade do que você come, se você se exercita com regularidade ou não e o desenvolvimento dessas doenças. Como enfrentá-las? Se você não tem uma leve informação desde as escolas até os locais de trabalho, para as donas de casa, para os pais de família, sobre essas questões, a postura dessas pessoas vai ser de alienação. 'Você é hipertenso e ainda fica comendo muito sal?' 'Mas eu não sabia'. Aí o médico entra como um professor também, além de terapeuta ele tem que ser alguém que eduque, que ensine, é um gigantesco esforço. Eu acho que não deixo de te dar razão em relação a uma questão: há sim uma certa cultura no Brasil, que não é só da saúde, de que o Estado vai resolver tudo e a muitas vezes você sabe, nós sabemos que saúde principalmente, sem a participação de todos, do empresariado, dos homens e mulheres, da mídia, enfim, sem a participação de todos nós, não vamos conseguir enfrentar os grandes problemas de saúde pública. APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Sem contar, ministro, aquelas pessoas que estão evitando, não deixando os agentes de saúde entrarem em casa. MINISTRO: Ainda tem esse povo que não deixa o pessoal trabalhar e fazer o dever de casa. RÁDIO FM ARACAJU (SE)/ANDRÉ BARROS: Aqui em Sergipe, ministro, a Secretaria de Saúde do governo Marcelo Déda está lançando novidades que são as fundações estaduais de saúde. E isso tem sido muito criticado, tem sido questionado até judicialmente. Eu gostaria de saber do senhor o que o senhor acha dessas fundações, o senhor acha que esse é um caminho para a saúde pública no Brasil e nos estados, principalmente? MINISTRO: Eu aplaudo de pé o governador Déda, na implementação dessa medida. Os que são contra, os argumentos são extremamente frágeis. Na realidade são posturas corporativas para manter o status quo. O status quo é: o estado finge que me paga e eu finjo que trabalho e a população é que sofre. É inadmissível a gente manter no Brasil modelos de gestão de hospitais e de redes de serviço de saúde com mesmo padrão de gestão de 50 anos atrás e é o que nós temos no Brasil hoje. Todo mundo sabe, os funcionários de saúde não cumprem a carga horária, os salários são irrisórios, não existe a prestação de contas, não existem metas a serem atingidas, não existe controle. É exatamente o que nós queremos mudar radicalmente com a implementação de novos modelos. E o governador percebeu a importância disso, vem fazendo um bom trabalho e nós temos inclusive um projeto de lei na Câmara dos Deputados aguardando votação, implantando as fundações estatais de direito privado. Eu quero transformar os hospitais do Ministério da Saúde do Rio de Janeiro também nesse modelo, para que a gente possa virar essa página, isso vai ter um impacto direto na qualidade do atendimento à população e também na qualidade das condições de trabalho dos profissionais da saúde. RÁDIO DIFUSORA ACREANA- RIO BRANCO (AC)/LUCIANO TAVARES: Ministro, de acordo com o levantamento feito pela Secretaria de saúde aqui do Acre, em Rio Branco foram notificados quase nove mil casos da dengue, confirmados mais de mil e o número de pessoas que foram a óbito por conta da dengue hemorrágica são seis. Ministro, esse número de casos notificados é um número alto, levando em conta a população aqui do Acre, o percentual é alto. Eu gostaria de saber do ministro qual o reforço, quais as medidas tomadas pelo Ministério da Saúde, o senhor enquanto administrador da pasta, em relação a essa situação aqui no Acre e na região amazônica enfim? MINISTRO: A situação em Rio Branco e no Acre realmente nos preocupa. Nós estamos monitorando, estamos acompanhando de perto, estamos apoiando o estado, repassando recursos adicionais, repassando insumos, larvicidas, viaturas, equipamentos para borrificação, treinando gente, enfim, todo apoio que o Ministério da Saúde pode dar, vem dando ao governo do estado do Acre, como vem dando a todos os estados brasileiros. O Acre tem características climáticas que ‘complexificam’, digamos assim, é um complicador para o combate à doença e eu diria que a situação só não é mais grave porque o estado se organizou e vem fazendo um bom trabalho aí. A situação poderia ter sido muito mais grave, é claro que ese número de casos, são casos a serem confirmados, confirmados nós temos algo em torno de mil, mas o mais importante ai é o seguinte: evitar o óbito. claro que o numero alto de casos de dengue não é razoável, nós não queremos isso. Mas o mais importante em relação a essa doença é evitar o óbito, evitar as complicações e evitar o óbito. Para isso, é muito importante o diagnóstico precoce, é também muito importante que as pessoas aos primeiros sintomas da doença, procurem o serviço de saúde. Muitas vezes, algumas pessoas chega ao serviço de saúde já com o estágio, com o desenvolvimento da doença avançado. E a possibilidade de complicações e de que esse quadro caminhe para um quadro irreversível aumenta muito. APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E o perigo da auto-medicação não é ministro? MINISTRO: Também. A pessoa pensa: 'eu estou com dor de cabeça, estou com dor no corpo, estou com um pouquinho de febre, deve ser uma gripinha'. Não, mesmo pensando que isso pode ser uma gripe, procure um médico, porque de repente não é gripe, é dengue. RÁDIO CIDADE- FORTALEZA-CE/CARLOS PONTES: Ministro, o que o Ministério está fazendo para diminuir ainda mais o índice de mortalidade infantil. Quais são os recursos, quais são os projetos que o Ministério da Saúde está promovendo para diminuir a mortalidade infantil do país? MINISTRO: O tema é importantíssimo. O Brasil, nos últimos 17 anos, nós tivemos uma queda da mortalidade infantil dramática. Em 1990, a mortalidade infantil era de 47, mais ou menos. Ou seja, para cada 1000 crianças nascidas, 47 morriam antes de completar um ano de idade. Em 2007, essa taxa caiu para 19, houve uma queda muito grande. Por quê? A quê a gente pode atribuir essa queda? Primeiro: aumento da cobertura de saúde da família, a melhoria dos programas de vacinação, a melhoria do atendimento no pré-natal, a melhoria do atendimento ao parto, a melhoria do padrão de educação da mãe, as politicas de aleitamento materno, o soro de reidratação oral no combate à diarreia. Esse conjunto de medidas fez com que a mortalidade caísse muito, agora qual o problema? A mortalidade infantil no Nordeste é mais do que o dobro do que a mortalidade infantil na região Sudeste. Nós temos então que atacar as desigualdades regionais. O presidente Lula chamou os governadores da Amazônia Legal da região Nordeste, nós estamos trabalhando com secretários de saúde desses 17 estados, dessas duas regiões e colocamos como meta acelerar o combate a mortalidade infantil, vamos tentar estabelecer a seguinte meta: redução de pelo menos 5% ao ano, nos próximos dois anos, a mortalidade infantil. Estamos elaborando um plano, que vai envolver principalmente o quê? Agora, nós temos que combater a mortalidade no primeiro mês de vida. É onde se concentra o maior número de mortes. Então, a qualidade do parto, do atendimento no parto e a qualidade do atendimento a mãe e ao bebê no primeiro mês são centrais e é esse desafio que estamos agora enfrentando em parceria com os estados e municípios. RÁDIO CBN VITÓRIA- VITÓRIA (ES)/RODRIGO REZENDE: Pergunta: O Espírito Santo já é um dos estados com maior número de casos suspeitos de dengue em todo o país. Foram registrados até o dia 15 de fevereiro, 6.309 mil casos suspeitos da doença. O que pode estar dando errado no estado, em relação ao combate a dengue? MINISTRO: Eu tenho algumas hipóteses. Primeiro: não foi novidade, porque no final do ano passado, o Espírito Santo era considerado uma área de risco com o levantamento do índice de infestação pelo Aedes Aegypti, havia um risco ai. Evidentemente que alguma coisa falhou, eu diria que o fator importante foi a questão da transição das prefeituras, essa mudança de prefeito no final do ano passado, em muitos municípios houve uma interrupção do trabalho de combate ao vetor. O que pode ter havido também é que as pessoas tenham relaxado. Como os índices dos anos anteriores tinham sido bastante baixos, que elas tenham, 'não teve o ano passado, não teve no outro ano, esse ano também não vai ter'. Infelizmente, está tendo. Nós estamos em contato permanente com o governador, o secretário estadual, com as prefeituras ai da região do entorno de Vitória, Vila Velha e outras prefeituras. Estamos dando todo o apoio técnico e eu acho que nós estamos agora começando a sair dessa fase mais crítica e a tendência da doença agora é recrudescer. APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro José Gomes Temporão e a todos que participaram dessa rede, nosso muito obrigada pela sua presença mais uma vez no Bom Dia Ministro. MINISTRO: Eu que agradeço, isso aqui é uma espécie de maratona, e é boa, por que a gente pode passar informação, debater, discutir, trazer temas relevantes para a saúde e chamando sempre a atenção de que a informação é muito importante no caso da saúde pública, é a arma mais importante que todos nós temos para combater as doenças e melhorar o nosso padrão de vida. APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, ministro, e a todos que participaram, o meu muito obrigada e até o próximo programa.