13/08/09 Benefícios do Vale Cultura poderão ser estendendidos para os filhos dos trabalhadores

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, foi o entrevistado do programa Bom dia, Ministro. Em conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, esclareceu alguns dos benefícios do Vale Cultura. Além dos trabalhadores, seus filhos também poderão ter acesso ao cartão magnético, para frequentar cinemas, teatro, e adquirir livros e CDs. O Vale-Cultura é a primeira política pública voltada para o consumo cultural. Até a sua criação, todas as ações governamentais tiveram foco somente no financiamento da cultura. Esse instrumento garante ao trabalhador o acesso a bens culturais. No Brasil, apenas 14% da população brasileira vai regularmente aos cinemas, 96% não freqüentam museus, 93% nunca foram a uma exposição de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança. Juca também destacou o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas. O projeto investirá R$ 150 milhões por ano em 124 cidades históricas, com obras de requalificação urbanística, infraestrutura urbana, financiamento para recuperação de imóveis privados, restauro de monumentos e promoções do patrimônio cultural.

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Transcrição

BOM DIA, MINISTRO COM O MINISTRO DA CULTURA, JUCA FERREIRA.APRESENTAÇÃO DE KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje o Vale Cultura, o PAC das cidades históricas, e as mudanças na Lei Rouanet. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, vai explicar como vai funcionar o Vale Cultura - um cartão magnético que permite que trabalhadores adquiram ingressos de cinema, de teatro, de shows, além de livros, CDs e DVDs. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, vai conversar também, com a gente, sobre o Programa de Aceleração do Crescimento das cidades históricas, que vai investir R$ 150 milhões por ano, em 124 cidades históricas do país.O ministro da Cultura, Juca Ferreira, já está aqui no estúdio, neste programa que é ao vivo, tanto no rádio como na televisão, e começa agora a conversar ao vivo com âncoras de emissoras de rádio de todo o país.RÁDIO TUPI - RIO DE JANEIRO (RJ) / ANA RODRIGUES: O Vale Cultura, ele será uma forma, inclusive, de incentivar a auto-sustentabilidade dos eventos culturais?MINISTRO: Correto. O principal objetivo do Vale Cultura é incluir milhões de brasileiros. O cálculo da receita Federal, serão 14 milhões de brasileiros que terão acesso as salas de cinema, aos espetáculos de teatro, de dança. Irão comprar livros e CDs. Infelizmente no Brasil o número de pessoas que participam do consumo cultural, nunca chega a 20%. Só 13% dos brasileiros vão ao cinema em torno de uma vez por mês. Menos de 10% entrou , alguma vez na vida, em um museu. Teatro, dança, menos ainda do que cinema. Só 17% de brasileiros compram livros. Então, é preciso estimular este consumo. E, ao estimular, ao disponibilizar R$ 50 por mês para o consumo cultural, para todos os trabalhadores que trabalham em empresas que descontam imposto baseado no lucro real - são em torno de 14 milhões de pessoas - nós incluiremos essas pessoas no consumo cultural. E, ao incluí-los, nós vamos irrigar em torno de R$ 17 bilhões por ano. É uma quantia nunca vista - nas bilheterias, nas livrarias, nas lojas de música. Então, nós vamos ter aí um circuito bastante aquecido do consumo cultural. Com a vantagem de que vai fortalecer o vínculo dos artistas e das produções culturais com o seu público.RÁDIO TUPI - RIO DE JANEIRO (RJ)/ ANA RODRIGUES: Como o senhor analisou a posição do ator e produtor Antônio Fagundes, com relação a opção dele de deixar de captar recursos pela Lei Rouanet. Segundo ele, para ter mais liberdade para cobrar preço do ingresso.MINISTRO: Olha, eu não conheço os detalhes da posição do Antônio Fagundes. Mas, é normal o descontentamento com a lei. Nós também somos descontentes com a lei. Por isso que eu quero mudar. A Lei Rouanet é muito ruim. Submete os artistas a uma via crusis de estar batendo de porta em porta de departamentos de marketing de empresas. E, na verdade é dinheiro público. Nesses 18 anos só 5% foi dinheiro privado, o resto foi dinheiro público. Ou diretamente do imposto devido, ou dinheiro das estatais. Então, porque não dar o dinheiro logo diretamente a essas artistas para que eles possam ter mais liberdade de se dedicarem principalmente, ao seu trabalho. E não terem que ficar batendo de porta em porta. Eu não conheço os detalhes mas, tendo a achar que é um sintoma muito forte quando um grande artista reclama. De que é preciso mudar, melhorar, desburocratizar, facilitar o trabalho do artista e permitir que eles tenham o máximo de liberdade para produzirem a arte e a cultura que produzem.RÁDIO ABC 900 AM -NOVO HAMBURGO (RS) / GEANI ROMANNI: Na questão do uso do cartão magnético, ele vai disponibilizar várias informações. Como nos setores da cultura que apresentam o maior percentual de consumo, qual é o perfil desse usuário. O que será feito com essas informações?MINISTRO: A política cultural no Brasil, desde o primeiro mandato do presidente Lula, vem crescendo, vem se estruturando. o Ministério da Cultura já sente a necessidade de uma instituição que processe números, elabore informações para que as políticas públicas sejam cada vez mais precisas, dotadas de informação suficiente para que a gente tenda ao acerto e não ao erro. O achismo, que é: 'eu acho isso, eu acho aquilo', não é o melhor método para se trabalhar políticas públicas. Principalmente quando envolve recursos públicos, quando se procura atender necessidades e demandas da população. O cartão magnético tem efeitos colaterais muito positivos. Primeiro esse que você acabou de dizer, gera informações, produz uma possibilidade de se estudar as tendências, as demandas da população, aonde estão concentradas as prioridades. E, com isso a gente vai aprimorando as políticas públicas. Até mesmo para subsidiar melhor os que tem menos atendimento na bilheteria. Então, nós precisamos dessas informações. Outro efeito positivo é que estimula a legalidade. Por exemplo, a tendência natural, uma vez funcionando o vale cultura, é diminuir o CD pirata e aumentar o CD comprado em loja. Isso é muito bom para a economia cultural brasileira. Porque você passa a ter possibilidade de pagar o trabalho do artista, do estúdio, dos técnicos que são envolvidos, dos músicos. Então, os efeitos colaterais do Vale Cultura são muito bons.RÁDIO ABC 900 AM -NOVO HAMBURGO (RS) / GEANI ROMANNI: Como é que essas empresas podem aderir a esse programa? Quais são as vantagens que a empresa terá ao aderir o programa do Vale Cultura? MINISTRO: A grande vantagem é que o governo, praticamente, dá a maior parte do dinheiro através da renúncia fiscal, e a possibilidade de descontar como despesa operacional. Agora, tem uma vantagem importantíssima. Na medida que os trabalhadores passem a frequentar espetáculos de dança, de teatro, comprar livros, assistirem todo tipo de manifestação artística, você vai qualificando o ambiente de trabalho. Você vai melhorando o padrão da mão-de-obra brasileira. Você vai possibilitando que essas pessoas tenham uma subjetividade mais complexa e com isso possam desempenharem melhor as suas funções. Principalmente cada vez mais a tecnologia incorporada no processo produtivo, em todas as áreas. E, nós precisamos que os brasileiros estejam preparados para o século XXI. Isso vai ter um reflexo natural no ambiente de trabalho, na melhoria da produtividade dessas empresas.APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pelo projeto as empresas não são obrigadas a aderirem ao Vale Cultura?MINISTRO: De jeito nenhum!APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Como é que é isso?MINISTRO: É melhor que não seja obrigado. Na cultura nada deve ser obrigado, tudo deve ser voluntário. Agora, é muito atraente aderir. Além do mais, haverá uma pressão naturalmente dos funcionários para que as empresas se associem e disponibilizem esse benefício para os trabalhadores. O governo entra com boa parte e o benefício que traz para o ambiente empresarial já está se manifestando com a simpatia imensa das centrais empresariais. Todas estão se manifestando favoravelmente. E as centrais de trabalhadores, todas elas também se manifestaram. E, possivelmente vai passar a fazer parte dos dissídios coletivos e dos acordos. Então, a expectativa da Receita é que rapidamente o Vale Cultura vai se viabilizar.KÁTIA SATORI: O ministério já está fazendo uma campanha de conscientização das empresas ou ainda vai começar?MINISTRO: Nós estamos acompanhando o processo legislativo. o governo ainda não liberou para o Congresso , porque faltava a assinatura do ministro Mantega. Ele estava viajando e chegou ontem. Eu espero que hoje ou amanhã esteja indo para o Congresso, onde já existe um ambiente muito positivo, no Congresso, com uma aprovação de urgência. Para que esse ano, ainda, os trabalhadores brasileiros possam ter acesso ao Vale Cultura e possam incorporar nas suas vidas e dos seus parentes mais próximos esse benefício importante.RÁDIO LITORAL-SANTOS(SP)/OSWALDO VILELA: O Vale Cultura prevê o estímulo a atividades culturais a trabalhadores, e também o ministério divulgou aqui uma pesquisa que apenas 14% da população tem esse acesso regular. Não seria conveniente também o ministro e o Ministério da Cultura elaborarem uma forma de criar novos hábitos culturais entre jovens e adolescentes, e não apenas talvez tentar mudar hábitos antigos que o brasileiro tem de não ter acesso a essa cultura ministro? MINISTRO: A vontade de assistir espetáculo é muito grande no Brasil, a vontade de assistir peça de teatro, de dança, de ir ao cinema. Fizeram uma pesquisa agora, a primeira grande pesquisa sobre essa nova classe média que é a maior classe social hoje no Brasil com essa inclusão social que o governo do presidente Lula permitiu, mais de 30 milhões de pessoas hoje tem poder aquisitivo para consumir. A pesquisa indagava se eles se sentiam uma classe média, disseram que não, porque não tinham lazer qualificado. Ou seja, já faz parte do universo da grande maioria das pessoas que eles precisam se ilustrar, precisam participar da vida cultural do país, precisam ter acesso. Evidentemente que costumes se cria e se cria rapidamente quando existe essa demanda. Hoje infelizmente só a TV aberta é acessível para todos os brasileiros. E todas as outras ofertas culturais, todos os outros processos de consumo cultural nunca atinge nenhuma delas outras tirando a TV aberta nenhuma atinge 20% dos brasileiros. Isso é um escândalo. Isso não cria a possibilidade da gente desenvolver um cinema brasileiro, um teatro no Brasil, os preços são caros inclusive porque a platéia é pequena, criou um ciclo vicioso de uma economia para poucos, e isso tem uma consequência cultural terrível. O Brasil não será um grande país se nós não nos disponibilizarmos educação de qualidade para todos os brasileiros, e acesso pleno a cultura. Evidentemente que o Vale Cultura não é uma ilha perdida num grande oceano de inatividade. O ministério está trabalhando muito nós apoiamos as iniciativas culturais da população através dos pontos de cultura. Nós estamos financiando agora, nós vamos zerar os municípios sem bibliotecas no Brasil, quando nós chegamos eram mais de dois mil. Nós vamos criar centros culturais perto de onde mora a população mais pobre para que eles tenham acesso a atividades culturais, nós estamos fazendo convênio com o Ministério da Educação para trazer de volta para dentro de nossas salas de aulas a cultura e a arte. O Congresso já aprovou uma lei tornando obrigatório o ensino de música nas escolas do primeiro e segundo ciclo. Então há um esforço geral não podemos querer amarrar muito o Vale Cultura. É importantíssimo que o cidadão tenha liberdade plena de escolher o que ele quer assistir. Qualquer indução do governo seria imprópria, seria indevido, e acho que não cabe ao governo dizer o que tem qualidade ou o que não tem qualidade. Cabe ao governo educar, disponibilizar educação e disponibilizar a possibilidade do senso crítico e cada individuo na democracia tem pleno direito de dizer o que ele quer assistir.RÁDIO LITORAL – SANTOS (SP) /OSWALDO VILELA: Eu só gostaria de salientar que os espaços estão sendo dados, agora cabe a sociedade de uma forma organizada fazer com que se cumpra tudo isso. MINISTRO: Eu concordo com essa sua observação não é uma pergunta, mas é uma observação muito pertinente, nós estamos fazendo nossa parte, mas nós estamos tendo apoio. Eu, por exemplo, não tenho nada a dizer enquanto ministro da Cultura, do Congresso eles tem demonstrado uma sensibilidade enorme com a aprovação das demandas da área cultural, compreendendo que a cultura é uma necessidade básica da população. Os trabalhadores já manifestaram seu apoio ao Vale Cultura, todas as centrais sindicais, as centrais patronais também tem demonstrado interesse e simpatia com o procedimento e com outros aspectos, até com a mudança da Lei Rouanet, que tem aspectos que vão fazer deslocamentos importantes. Então eu acho que a gente está conseguindo uma adesão, um apoio importante na sociedade, e como você disse o Estado não funciona sózinho sem a sociedade, é preciso de diálogo e a participação ativa das formas organizadas que a sociedade tem para ir demandando, cobrando e apoiando. RÁDIO CBN – MANAUS (AM)/ CHARLES FERNANDES: Aqui no Amazonas nós temos um dos teatros mais bonitos do país, e também os mais belos do mundo com grandes espetáculos, que é o Teatro Amazonas. Vai aí o festival de ópera que já é um sucesso. Temos também o festival do cinema que já acontece há alguns anos aqui. Mais ainda é grande a resistência das pessoas, da capital principalmente, muitas pessoas não conhecem o teatro que tem. É como você encontrar pessoas nas ruas de Manaus, que já viveram aqui 20 ou 30 anos e não conhecem o teatro. Em contrapartida o que vem de fora, a primeira visita, a primeira parada obrigatória é conhecer o teatro do Amazonas. Quer dizer, é realmente um contra senso. A minha pergunta vai muito nessa linha do Oswaldo que é em relação essa mudança de conscientização. Como é que o Vale Cultura vai trabalhar essa situação essa resistência das pessoas nas próprias cidades em não ir ao teatro em não ir a esses centros culturais quando que seria mais fácil elas visitarem esses locais que ficam próximos às residencias na própria cidade e acabam indo em outros locais. Como incentivar, de que forma o Vale Cultura vai incentivar essas pessoas para que possam ir ao teatro possam frequentar esses centros culturais localizados nas próprias cidades. MINISTRO: Às vezes nós moramos em cidades que tem equipamentos culturais, mas ficam longe de onde as pessoas moram. Nas últimas décadas os cinemas foram fechando, hoje mais de 90% dos municípios brasileiros não têm um cinema sequer, um teatro sequer. E nos grandes centros onde existem esses equipamentos eles em geral estão concentrados no centro da cidade ou nos shoppings, nos bairros de classe média. Dificilmente você tem um equipamento desse próximo, que a gente possa chamar de próximo. A pessoa tem que pegar um ônibus, dois ônibus e não tem o dinheiro para entrar. Quanto custa a entrada hoje de um cinema no Brasil? Se você somar com a pipoca e o refrigerante é inacessível para a grande maioria das pessoas. O Vale Cultura é um grande estímulo, não é o suficiente no sentido completo de educar as pessoas de criar novas platéias, mas isso é como eu disse ao Oswaldo, nós precisamos abrir uma política cultural e nós estamos fazendo isso na escola formando novas gerações. Os artistas sabendo que a população tem esse benefício na mão esse dinheiro na mão vai procurar essas platéias, os filmes brasileiros vão buscar essas platéias, eu acho que é um processo complexo onde a possibilidade de acesso a possibilidade econômica de acesso que o Vale Cultura cria, cria toda uma dinâmica que inevitavelmente disponibilizará lazer e qualidade. E se o chefe da família não quiser ir os filhos podem ir, quer dizer, esse beneficio se realizará inevitavelmente, essa preocupação não existe. Hoje, por exemplo, o consumo cultural em todas as classes sociais é a quarta despesa mais do que educação, por exemplo. Agora é pouco,um livro por mais de R$ 30 uma entrada de cinema em torno disso, uma peça de teatro ou um show musical de R$ 150 a R$ 200 isso é inacessível. Inclusive para boa parte da classe média, é uma economia para poucos. Nós fechamos a cultura, criamos uma economia artificial baseada no dinheiro a fundo perdido que o governo dá através das leis de incentivo. O Vale Cultura inverte isso, estimula que a pessoa vá buscar o público porque o público é que vai financiar o espetáculo, vai financiar o cinema, vai financiar a livraria. Então é altamente saudável o mecanismo de fortalecer a cultura, gerar dinâmica a partir do próprio consumidor, cultural a partir do cidadão. RÁDIO BELEM FM - BELEM (PA)/MILTINHO VIANA: Ministro, hoje vivemos em uma capital histórica, onde nós temos grandes monumentos históricos que estão, a cada dia que passa, sendo destruídos aos poucos. Tivemos aqui alguns tombamentos. Mas como Belém tem mais de 300 e poucos anos de emancipação política, nós temos aqui obras de grandes arquitetos franceses, até de portugueses, que estão sendo deterioradas pelo tempo. Uma injustiça muito grande, sabe ministro. Eu gostaria de saber do senhor o que vai ser enviado aqui pro nosso estado, a nível de recurso?MINISTRO: O Ministério da Cultura teve a ideia de se associar ao PAC porque qual é a ideia básica do PAC? Gerar uma infraestrutura pra que o Brasil possa se desenvolver de forma mais rápida. A cultura faz parte do desenvolvimento. A cultura além de ser uma necessidade básica de todo brasileiro, a cultura é também uma economia importante e outras economias vivem da economia cultural. Um dos principais atrativos da economia turística ou é a natureza ou é o atrativo cultural. Eu conheço Belém, é uma cidade linda, entre esses monumentos, vocês têm aquela arborização com Mangueira que é genial, as praças de Belém são muito bonitas e os monumentos, o teatro. É uma cidade que vai fazer parte do PAC das cidades históricas. O PAC das cidades históricas vai ter como método, estimular que os governos apresentem, os governos municipais que são responsáveis por esses centros históricos que possuem monumentos importantes, que fazem parte da identidade cultural brasileira, eles que apresentarão as suas propostas pro ministério aprovar. A possibilidade é imensa, desde embutimento de fiação, a recuperação de conjuntos de casario pra ser devolvido pra usos modernos, a qualificação de aspectos do plano diretor de modernização de ações urbanas, porque não basta proteger o prédio em si, o prédio que tem significado simbólico e que foi tombado, é preciso que o ambiente seja qualificado, porque às vezes você tem dois, três prédios muito bem conservados e o meio em torno é absolutamente degradado. Então é preciso até cuidar do meio ambiente em torno dessas cidades. Com isso, você possibilita a ampliação do fluxo turístico, você possibilita a preservação de forma qualificada desses patrimônios, como você bem disse. Eu conheço Belém, sei que é real o quadro que você descreveu. Já tombados, são mais de 100 cidades no Brasil e tramitando processo de tombamento, que nós estenderemos o plano pra essas cidades, nós vamos pra mais de 200 municípios brasileiros que são cidades históricas e que merecem uma atenção especial e pra isso que nós criamos o PAC das cidades históricas.RÁDIO BELEM FM - BELEM (PA)/MILTINHO VIANA: Eu queria só saber do ministro agora à respeito da Lei Rouanet. O governo federal está propondo uma reforma da Lei Rouanet. Aqui, ministro, nós temos uma grande gama de artistas de todos os segmentos. Temos artistas plásticos, o músico, o poeta e há muito tempo que eles não conseguem o acesso à Lei Rouanet, até porque é difícil, para montagem de projeto, enfim, muitos brasileiros que é um músico, que é um artista que nem sabe o que é Lei Rouanet. Como é que vai ser daqui pra frente agora, ministro?MINISTRO: Essa realidade que você descreveu de inacessibilidade não é uma realidade apenas para os artistas do Pará ou de Belém. Oitenta por cento do dinheiro da Lei Rouanet fica no Rio e São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro e na cidade de São Paulo, não é nem no estado, 80% e 3% dos proponentes ficam com mais da metade do dinheiro. É um escândalo, é uma privatização de dinheiro público. É por isso que nós queremos mudar. Nós vamos disponibilizar quase a metade desse dinheiro, vamos transferir fundo a fundo para os municípios e para os estados. Os municípios terão que ter fundos municipais de cultura pra receber esse dinheiro e vamos desenvolver de tais regionais pra permitir a descentralização do dinheiro e a possibilidade que todos os artistas, toda a produção cultural brasileira tenha acesso a esse dinheiro e não é pouca coisa. O ministério vem fazendo coisas que é hoje reconhecido no Brasil inteiro, mas nós só temos acesso a 20% do total do dinheiro que se tem para a área cultural. Oitenta por cento desse dinheiro, R$ 1,3 bilhão fica em duas cidades brasileiras praticamente. Isso é um escândalo, isso não é república, isso não é federalismo. O grande impacto que a Lei Rouanet vai ter, terão outros positivos, mas o grande impacto é disponibilizar o acesso a esse recurso para toda produção cultural do Brasil inteiro, permitindo que o desenvolvimento cultural não se concentre apenas em duas cidades.RÁDIO BANDEIRANTES - SÃO PAULO (SP)/RAFAEL COLOMBO: Ministro, eu gostaria de saber do senhor, o senhor não acha que o acesso à cultura aqui no Brasil é muito caro? Eu queria voltar rapidamente ao tema do Vale Cultura. Por exemplo, aqui em São Paulo, com R$ 50 faz-se muito pouco. Em qualquer lugar que se vai paga-se estacionamento, como o senhor mesmo falou, o cinema, uma pipoca e um guaraná, provavelmente vão acabar com esse dinheiro. Na avaliação do senhor, o acesso à cultura aqui no Brasil, ingresso pro cinema, o livro, o CD, eles não custam muito caro? Não há alguma outra forma de tentar democratizar o acesso à cultura nesse sentido que o senhor, do sentido da descentralização, por exemplo, das salas de cinema, 90% das cidades do país não possuem sala de cinema. Nesse sentido há uma centralização clara e no aspecto financeiro também. Não custa muito caro na avaliação do senhor, ministro? Não há alguma possibilidade de desoneração, de tentativa do governo estimular o barateamento do acesso à cultura?MINISTRO: Rafael, nós estamos trabalhando também nesses aspectos que você falou. Nós estamos discutindo com o BNDES uma política de ampliação da rede de cinemas no Brasil. Nós vamos fazer agora uma rede digital, nós vamos induzir o mercado a construir através de juros baixos, de estímulo. Nós estamos trabalhando com o BNDES. Nós estamos também modificando a Lei Rouanet, para que toda vez que entrar dinheiro público, seja obrigatório o barateamento do custo da entrada. Nós estamos com uma política de zerar municípios sem biblioteca, facilitando também o acesso. Nós vamos construir agora uma nova geração de bibliotecas, já estamos construindo em vários estados do Brasil próximo onde as pessoas moram, bibliotecas que são verdadeiros centros culturais, que não ficam esperando a pessoa chegar pra buscar um livro, mas estimula a leitura, induz a leitura, promove a relação do livro com outras atividades. Nós estamos construindo centros culturais junto com as prefeituras e toda política nossa é no sentido de democratizar, de facilitar, de baratear. Agora, eu também acho que o Vale Cultura R$ 50 é pouco. É pouco mas isso vai significar pro governo anualmente, R$ 2,7 bilhões. A receita resistiu muito, nós passamos esses anos discutindo até chegar uma formatação viável. Com o tempo, esse mecanismo será aprimorado, eu tenho certeza e o próprio presidente Lula já se manifestou que na opinião dele, deveria ser feito um esforço de ampliação desse recurso pra R$ 100, R$ 150. De R$ 50 a R$ 150, é a ideia que nós temos no Ministério e agora, isso vai significar duplicar ou triplicar o investimento do governo. Pra começar está bom. A pessoa ter possibilidade de ir duas vezes ao cinema ou a possibilidade de irem duas pessoas, um casal, já é um início de um processo de abertura. Isso vai estimular abertura de novos cinemas, de novas casas de espetáculos, os livros vão baratear, porque vão buscar esse consumidor e acho que gera uma dinâmica. Agora, eu não posso deixar de concordar com você que o ideal seria um pouquinho mais.RÁDIO BANDEIRANTES - SÃO PAULO (SP)/RAFAEL COLOMBO: Ministro, mudando de assunto, ontem aqui em São Paulo, o ator Antônio Fagundes deu uma entrevista coletiva e está lançando uma nova peça de teatro e em determinado momento da entrevista ele foi perguntado sobre essa polêmica da Lei Rouanet, artistas consagrados que utilizam financiamento público pra montar seus espetáculos e tudo o mais, e ele disse que tinha, embora tivesse direito, abriu mão de utilizar esse dinheiro porque ele estava cansado de ser chamado de ladrão. Na avaliação do senhor, essa afirmação tem procedência, o senhor acha que esse aspecto que o senhor mostrou na entrevista que 80% do dinheiro da Lei Rouanet ficam na cidade do Rio e São Paulo, geralmente com artistas consagrados, a população tomou consciência disso? O senhor acha que esse é um caminho irreversível agora e mais, o senhor acha que ele tem razão, um artista consagrado que utiliza verba da Lei Rouanet, talvez não para ser chamado de ladrão, seja um termo muito forte, mas ele está usando indevidamente um dinheiro que teria uma destinação melhor, ministro? MINISTRO: Na minha opinião, nós não devemos hostilizar os grandes artistas brasileiros. A arte vive dos grandes artistas, estes são os que traduzem os sentimentos e acalentam a nossa subjetividade. Nós nos realizamos como seres humanos, na medida em que nós vemos traduzidos em peças de teatro, espetáculos de dança, livros, falas e todas as formas de manifestação os sentimentos mais profundos e mais complexos que nós temos dentro de nós. Individualmente ninguém realiza plenamente sua condição humana. O papel da arte é exatamente criar um ambiente favorável para nos tornarmos seres humanos mais complexos. A arte qualifica as relações sociais, cria um ambiente possível de ultrapassar os limites materiais. Toda sociedade em todo ambiente por mais socialmente degradado que seja ele produz arte porque é uma necessidade básica. E os grandes artistas são os maiores tradutores dessa demanda humana, são os maiores produtores dessa subjetividade, desse afago à nossa existência. Então, por que hostilizar os grandes artistas? Acho que nós temos que, nas políticas culturais, possibilitar o acesso pleno. Quem não gostaria de ver peças de teatro com esses grandes artistas incluindo o Antônio Fagundes? A Fernanda Montenegro, e a todos esses grandes artistas que nós temos no Brasil? Quem não quer ver um espetáculo de música, ver de perto, ver seu grande artista de perto. Então, a política pública não pode ser feita com artista mediano ou com artista que ainda não é conhecido, nós temos que satisfazer a demanda da sociedade, de chegar perto dos grandes artistas. Agora, toda vez que entrar dinheiro público, seja num espetáculo de um grande artista, ou de um pequeno artista, ou de um médio artista ou de um artista conhecido ou de um artista desconhecido ou de quem está começando ou do Circo de Soleil, seja do que for, toda vez que entrar dinheiro público tem que ter um benefício para a sociedade. E o grande benefício é a redução do custo. Por exemplo, uma peça, poderia ser realizada por um determinado preço, se entra R$ 3 milhões do governo baixa proporcionalmente o preço da entrada para ampliar a possibilidade de acesso. Isso é uma coisa óbvia, lógica. Eu não vi a entrevista, não li ainda a entrevista, vi só essa frase que está sendo reproduzida em todos os jornais e canais de televisão pela grandeza que ele tem e a possibilidade de repercussão da sua fala. Ma seu compreendo que os grandes artistas estejam incomodados com a situação atual. Nós, do Ministério da Cultura, também estamos incomodados com a situação atual da Lei Rouanet, agora o projeto é não excluir ninguém, é possibilitar que todos, tanto artistas que estão começando que trabalha com desenvolvimento de linguagem quanto artista consagrado que já tem milhões de admiradores tenham acesso e possibilidade de desenvolverem seu trabalho da melhor maneira possível. RÁDIO ELDORADO - SÃO PAULO(SP)/JOICE MURASAKI: O ministério está propondo um fundo pró-leitura com a contribuição de 1% das receitas de editoras e distribuidoras. O segmento alega que se tiver de contribuir vai aumentar o preço dos livros. O ministério consegue segurar esta pressão? E quem irá gerenciar esse fundo?MINISTRO: A argumentação da área do livro é absolutamente inócua. Não é real. É uma atitude, eu diria, egoísta pelo seguinte: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando o ministro Palocci ainda era o ministro da Fazenda desonerou completamente toda a cadeia do livro. Com um acordo verbal, um acordo de cavalheiros, de que eles iriam baixar o preço do livro, que eles iam transferir parte desse benefício de não pagar impostos para que houvesse a possibilidade de um número maior de brasileiros terem acesso aos livros. Não houve o barateamento do livro, a verdade é essa. E na época houve um acordo que eles contribuiriam com 1% dos lucro. É evidentemente que se eles mudarem de posição o governo possivelmente poderá mudar de posição também, pois acordo é para ser cumprido. Desoneramos a cadeia do livro pela importância que o livro chegue e faça parte da vida dos brasileiros. Se o livro continua caro, ou seja, se o setor ignora o gesto do governo evidentemente que o governo deverá tomar alguma medida no sentido de fazer com que o acordo seja cumprido. Então, o que eu tô apelando é para o bom senso do setor. Os lucros aumentaram muito na área. Nós estamos fazendo uma política de desenvolvimento da leitura no Brasil que vem ampliando o número de leitores, ou seja, os negócios na área do livro estão florescentes, então não há por quê não cumprir um acordo de 1%, irem para fortalecer um fundo do livro e leitura exatamente para desenvolver o hábito da leitura no Brasil desde das novas gerações até os adultos. Então é um acordo, deverá ser cumprido e se não for cumprido, nós evidentemente pensaremos o que fazer. Agora eu acho que vai ser cumprido porque o diálogo vai no bom sentido, nós estamos avançando. Há um reconhecimento do setor de que é importante colaborar com essa política, inclusive, porque desenvolve a economia deles. O governo tem sido muito sensível ao segmento. Mas evidentemente que no Brasil, nós precisamos levar em consideração a palavra dada. No Brasil já foi muito importante a palavra dada, pois a palavra dada era cumprida, então, na medida que houve o acordo ele será cumprido. RÁDIO ELDORADO - SÃO PAULO(SP)/JOICE MURASAKI: Ministro, voltando um pouco ao assunto do vale-cultura. O presidente Lula e o senhor anunciaram o Vale Cultura há alguns dias aqui em São Paulo com cerimônia, presença de artistas, mas o Estadão trouxe a notícia na semana passada de que o projeto ainda não tinha sido enviado à Câmara. Onde está o projeto agora?MINISTRO: O que aconteceu foi o seguinte: o ministro Mantega estava viajando, todo mundo sabe, ele estava nos Estados Unidos participando dos encontros de reordenamento do mercado financeiro no mundo, de avaliação da situação mundial que é importante. O Brasil hoje é um plêiade importante, é internacional e o ministro da Fazenda do Brasil tem peso nessas negociações. Ele chegou segunda-feira, deve ter assinado ontem, se não assinou vai ser assinado hoje e deve estar indo até o final da semana para o Congresso. Não teve nenhum atropelo, nenhum acidente. O problema é que já estava marcado o ato de lançamento, o presidente já assinou porque já há um acordo dentro do governo. Será enviado ou o ministro Mantega tava fora. Se nós fôssemos substituir o ministro pelo secretário-executivo, o ministro interino teríamos que refazer todo o processo para transferir de nome, então foi mais fácil esperar dois, três dias para que o projeto vá com a assinatura do titular.RÁDIO GRANDE FM - DOURADOS(MS)/AMARILDO RICCI: Nós queríamos saber aqui do interior do Mato Grosso do Sul a respeito da verba de cultura, principalmente para as cidades mais distantes dos grandes centros. Nós percebemos que, principalmente, as prefeituras uma vez ou outra recebem projetos como o projeto Pixinguinha e outros parecidos. E às vezes também enfrentam preconceitos de estar investindo em cultura, algo supérfluo enquanto deveriam estar investindo em obras, saúde, educação. Aquele discurso natural das pessoas que vêem isso aí e têm inveja, às vezes. Como esse prefeitos devem ter acesso a esses espetáculos sem dar a impressão de estar gastando dinheiro com supérfluo quando deveria aplicar esse dinheiro em obras como saúde, educação e outras?MINISTRO: Olha, cultura é uma necessidade também. O ser humano não vive sem cultura, não vive sem produzir e sem ter acesso a cultura. Eu até iria mais longe. Nós só somos seres humanos porque nós precisamos de simbolizar e nós produzimos simbolização. O que nos diferencia dos outros animais é isso. Não há possibilidade. O que nos diferencia dos outros animais é isso, então não há possibilidade de ser humano e a política pública de cultura é uma política importante. Evidentemente que em política pública de cultura não é apenas eventos. Nós precisamos desenvolver processos estruturantes de acesso a técnicas, a disponibilizar possibilidades de expressão, levar para a sala de aula, fazer parte do processo educativo, disponibilizar a biblioteca para que as pessoas leiam, então o processo cultural, uma política pública de cultura tem que considerar todo o processo cultural. Agora, a população certamente apóia porque no Brasil inteiro, em todas as classes sociais a cultura é o quarto item de consumo. Só não consomem mais porque é proibitivo. O preço é muito caro no Brasil, na entrada de um cinema de um teatro, a compra de um livro, então, tudo isso é muito caro no Brasil. Então nós estamos trabalhando cada vez mais. O prefeito não deve levar em muita consideração os poucos que dizem isso, porque isso é uma bobagem imensa. Não se pode colocar qualidade de vida sob o ponto de vista de saúde, educação, saneamento básico e em contradição com cultura. É a cesta que garante a qualidade de vida das pessoas, todos esses itens fazem parte e convivem da melhor maneira possível. Nós estamos ampliando a possibilidade de acesso de todos os municípios brasileiros. Com a mudança da lei Rouanet, nós repassaremos quase 50% dos recursos fundo a fundo para os estados e municípios. Então todas as prefeituras terão a possibilidade de acesso.RÁDIO GRANDE FM - DOURADOS (MS)/AMARILDO RICCI: E a iniciativa privada vai poder ter acesso também ministro?MINISTRO: Vai. A iniciativa privada tem muito acesso. Nós temos linhas de financiamento. Esses R$ 7 bilhões que o Vale Cultura disponibilizará através do cartão. Isso permitirá o florescimento de negócios culturais, nós estamos induzindo a ampliação da rede de cinemas no Brasil, cinema digital nós vamos financiar uma rede e ter aí mais três mil, quatro mil cinemas no Brasil. Ou seja, nós sempre pensamos e além da ação governamental estimular, induzir e possibilitar a ação empresarial na área.RÁDIO JORNAL DO COMMÉRCIO-RECIFE (PE)/WAGNER GOMES:Ministro nós não podemos deixar de ressaltar a importância da iniciativa do Vale Cultura, que é um instrumento criado para facilitar o acesso dos trabalhadores a eventos culturais que em geral apresentam sempre um preço muito salgado. Agora é bom lembrar ministro, que por outro lado nós observamos que este preço alto, de maneira geral, é fruto de descontos que os produtores de eventos culturais são obrigados a dar por exemplo, a estudantes e professores que tem direito a meia entrada. E os custos desses descontos são passados aos ingressos de tarifa cheia, será que o Vale Cultura não vai inflacionar ainda mais o valor desses ingressos ministro?MINISTRO: É verdade o que você diz. É preciso regulamentar a meia entrada no Brasil, eu já manifestei minha posição. Eu sou favorável a manter o direito a meia entrada, olha até 18 anos eu acho que todo jovem deveria ter direito a meia entrada. Porque se ele não está na escola deveria estar, nós não podemos punir duplamente o jovem que já foi excluído da escola e por isso não terá acesso também a cultura. Isso é uma visão limitada, é punitiva. E segundo, acho que a carteira tem que ser controlada, só entidades idôneas devem emitir carteira com controle de governo. A Casa da Moeda já se ofereceu para produzir uma carteira de difícil falsificação. E deveria ter controle apenas entidades idônea. Agora, acho que as entidades estudantis terão que compreender que quebra a indústria do espetáculo se ultrapassar um certo número de meias em cada espetáculo. Então eu sou favorável a uma cota, eu sou favorável a legalização da meia, da carteira com controle. Acho que todo jovem até 18 anos deveria ter acesso pleno, só com a carteira de identidade, sem precisar apresentar carteira estudantil. Agora, claro se tiver 80% de meia num espetáculo, o preço da meia deverá ser o preço da inteira. Não há jantar de graça. Então isso acaba tornando proibitivo e é uma falsa conquista, porque se a meia é R$ 80, R$ 100 aquilo na verdade é uma inteira que está compensando uma quantidade excessiva de meia. Há um impasse, as entidades estudantis não aceitam a ideia da cota, muitos países adotaram a cota, é de fácil controle. Porque hoje o borderô de cinema, de teatro é tudo digitalizado, você pode oferecer a possibilidade do controle imediato. Se o estudante duvidar da informação que está sendo dada na bilheteria, de que a quantidade de meia já, ele pode pedir para visualizar na tela e se apresentado pra ele, se aquilo é real ou não. E o controle por parte dos órgãos de controle é muito fácil. Então, eu sou favorável a uma negociação tendendo mais ou menos para esse modelo.RÁDIO JORNAL DO COMMÉRCIO - RECIFE (PE) - WAGNER GOMES: Ministro, segundo dados do próprio Ministério da Cultura, no Brasil apenas 14% da população vai regularmente ao cinema, 96% não frequentam museus, 93% nunca foram a uma exposição de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de peça. Eu pergunto ao senhor ministro, será que isso ocorre porque esses eventos tem em geral um preço muito alto ou porque o brasileiro não tem uma formação educacional de qualidade que lhe dê plenas condições para interpretar aquilo que está vendo, ouvindo ou lendo? E eu vou um pouquinho mais além também ministro. As verbas da cultura, porque dificilmente chegam ao interior do país e os agentes de cultura sempre migram para as capitais para poder divulgar seus trabalhos.MINISTRO: Você tem razão, educação é fundamental para formar platéia. Quanto mais qualificada a educação, quanto mais levarmos para a sala de aula atividades artísticas e intimidade com a cultura, nós teremos uma ampliação de platéia, platéias mais qualificadas demandando espetáculos de melhor qualidade. Agora, já é realidade no Brasil que em todas as classes sociais, em todas regiões do Brasil, é o 4º item de despesa de todas as famílias independente do poder aquisitivo. É mais do que educação, por exemplo. A cultura se impõe porque é uma necessidade básica, não precisa ninguém dizer que é necessidade. Então esses índices muito negativos de exclusão se deve em parte ao custo, em parte que 90% dos municípios brasileiros não tem um cinema sequer. E os cinemas e teatros, também não tem teatros, e os cinemas e teatros estão concentrados nos bairros de classe média, dentro do shopping center e o que fica muito distante da população. Além da entrada, da pipoca, do guaraná, tem que pagar o transporte e fica longe, desconfortável. Então, é uma economia para poucos e nós precisamos abrir isso. Agora, evidentemente você tem razão, nós precisamos qualificar, ampliar as platéias, precisamos levar para dentro da sala de aula a cultura, a arte e só com isso nós viveremos de fato um florescimento. Mas o estrangulamento econômico é importantíssimo.RÁDIO ESCOLA 100,9FM - SÃO JOÃO DO MERITI (RJ)/ADILSON FLÁVIO e OSWALDO BERTIN - ADILSON: Eu queria saber, numa entrevista o senhor disse considerar imperfeita, perversa e pouco democrática a lei Rouanet, por privilegiar grupos de artistas do eixo Rio-São Paulo, em detrimento de artistas menores da própria região e do resto do país. O que o senhor fará para solucionar essa questão?MINISTRO: Eu não digo nem artista menores não, aí na Baixada Fluminense tem grandes artistas. O problema é que a concentração se deve a vários fatores, aí é que estão os segmentos de maior poder aquisitivo, os formadores de opinião. Então, a empresa quando investe na lei Rouanet quer retorno de imagem, não interessa a ele a imagem junto aos segmentos mais pobres da população, nem de regiões fora do eixo Rio-São Paulo, e da cidade do Rio e da cidade de São Paulo. Eu estive aí na Baixada Fluminense, mais de mil produtores culturais, gestores, tinham mais de 10 prefeitos, mais de 20 secretários de cultura da região, foi uma reunião muito boa e eu fiz a pergunta: algum produtor aqui, dos mais de mil que estavam presentes, tem ou já tiveram algum projeto aprovado na lei Rouanet? Ninguém. E eu perguntei: quantos tentaram? Muitos levantaram o braço. Aí eu perguntei: quantos tiveram aprovado pelo Ministério? Muitos. Ou seja, mesmo o projeto aprovado no Ministério não consegue a adesão do empresário, não estou criticando o empresário estou criticando a lei, o empresário quer o retorno de imagem. Então, considerando que é dinheiro público, você criar um filtro dessa magnitude, onde 80% do recurso ficou em duas cidades e mesmo assim inacessível para a grande maioria dos artistas dessas duas cidades. E 3% dos proponentes ficam com mais da metade do dinheiro, isso não é defensável em lugar nenhum do mundo. Isso é um escândalo. E é por isso que nós queremos mudar a lei Rouanet, e nós vamos repassar fundo a fundo, quase 50% do dinheiro para os municípios e governos estaduais para permitir que o sistema nacional de cultura irrigue em todo território nacional para todos os artistas e produtores culturais. Então é uma mudança que faz parte dessa modernização do Brasil. Nós não podemos conceber o Brasil do século 21, com esse grau de privilégio e com esse grau de exclusão.RÁDIO ESCOLA 101, 100,9 FM-SÃO JOÃO DO MERITI(RJ)/ OSWALDO BERTIM: eM Primeiro lugar eu gostaria de parabenizar pela iniciativa de criar o cartão magnético, é claro que isso ajudará e muito a cultura brasileira que está muito carente. Mais ou menos uma pergunta que o colega anterior fez, da outra rádio, é sobre esse cartão magnético se estender aos colégios da rede publica ou até mesmo em faculdades particulares e pÚblicas. De repente não até pagando a metade, ou seja, seria integral e esse desconto seria deduzido nos impostos. Como o senhor veria isso como o senhor pode fazer com que isso vem a valer nessas escolas e faculdades? MINISTRO: Como eu disse respondendo a uma outra rádio, esse mecanismo inevitavelmente terá que ser aprimorado. Já tem uma questão colocada. Nós fomos procurados por representantes de trabalhadores da área pública dizendo porque só o trabalhador da área privada terá acesso a esse benefício? Não será que seria importante um professor ter possibilidade de ir ao cinema, comprar um livro isso não redundaria na melhoria da qualidade do serviço daquele professor no momento em que ele está na sala de aula? Evidente, um servidor público que trabalha numa instituição pública ter facilidade de acesso a cultura e a arte, não será que qualificaria o Estado brasileiro possibilitando a melhoria dos seus serviços. Então, inevitavelmente no Congresso eu acho que já haverá um aprimoramento do mecanismo e eu acho que com a experiência do mecanismo nós iremos ampliando cada vez mais. O ministro da Educação já colocou essa questão que você acabou de pleitear. É preciso ampliar o acesso do Vale Cultura a estudantes a pessoas que estão em formação, porque a possibilidade de ter acesso pleno a cultura certamente deverá fazer parte da formação das novas gerações e portanto, ele está buscando, inclusive, ele disse que já vai me enviar a proposta completa. Se o projeto já estiver dentro do Congresso nós apoiaremos endossaremos a proposta procuraremos os parlamentares no sentido de aprimoramento do projeto. O Ministério da Educação já está trabalhando essa proposta. RÁDIO BOA NOVA- FORTALEZA (CEARÁ)/MARA REGINA: A minha pergunta tem muito a ver com as duas perguntas que já foram comentadas. Nós sabemos que o baixo poder aquisitivo ele não é o único fator que faz com que o nosso povo seja pouco consumista com relação a cultura, não é isso? Eu queria perguntar ao senhor se existe alguma outra iniciativa que juntamente com o Vale Cultura vai favorecer e se despertar no povo da sua necessidade de acesso a cultura. Ele não ter só melhorado o seu poder aquisitivo, mas que também ele possa ser despertado de que isso é uma necessidade e não somente um atrativo ou um lazer, mas que o lazer culturalmente também é uma necessidade da pessoa humana. MINISTRO: Mara eu já respondi e vou responder de outra maneira. Todo trabalho do Ministério da Cultura tem três diretrizes norteando, todo. Tudo que a gente faz é para melhorar aprimorar a qualidade da produção simbólica brasileira, melhorar a produção das artes e de todas as manifestações culturais. Segundo, para dar acesso pleno do povo brasileiro a essa produção cultural, não só como fluição, mas também como capacidade e possibilidade de expressão. E em terceiro lugar fortalecimento da economia e da cultura. Porque é uma economia estratégica importantíssima. Nos Estados Unidos já é a terceira economia, na Inglaterra é a segunda economia, e o Brasil tem uma possibilidade enorme de ter um crescimento econômico através da economia da cultura. Então todo o trabalho que a gente faz é articulando essas três dimensões. Arte como fato simbólico, arte como direito de cidadania, e como economia. Evidente que o Vale Cultura não tem condições de isoladamente combater todo esse sistema que não possibilita o acesso a cultura a todos os brasileiros. O Vale Cultura é parte da reforma da Lei Ruanet, nós tiramos do projeto de lei, criamos o projeto de lei própria porque ele tem possibilidade de passar muito rapidamente pelo Congresso porque é uma proposta praticamente consensual no Brasil, ninguém é contra. Então ela tem possibilidade de andar mais, ela é parte de uma mudança maior. Nós vamos disponibilizar os recursos públicos pra que seja estimulada a produção cultural no Brasil inteiro e sempre associando toda vez que entrar dinheiro público terá que baratear o custo. Segundo nós estamos trabalhando com o Ministério da Educação para trazer de volta para as salas de aula a arte e a cultura. Nós estamos zerando o município sem biblioteca no Brasil, e mais, nós vamos construir uma nova geração de bibliotecas que serão verdadeiros centros culturais, indutores da leitura. Quando nós chegamos no ministério eram mais de dois mil municípios sem uma biblioteca sequer. E na maioria dos municípios não basta uma biblioteca, nós temos que multiplicar o número de bibliotecas e sempre próximo onde as pessoas moram. Nós estamos construindo centros culturais, nós estamos disponibilizando empréstimos a custo muito baixo para ampliar a rede de cinema no Brasil. Ou seja, nós estamos trabalhando em todas as frentes possíveis para melhorar a produção cultural brasileira, para disponibilizar o pleno acesso a cultura para todos e de todas as regiões, e para que os artistas tenham a possibilidade de ter acesso a esses recursos públicos e em terceiro lugar fortalecer a economia da cultura.RÁDIO JUAZEIRO 1190-JUAZEIRO (BA)/RAMOS FILHO: O senhor, como baiano, deve ter conhecimento que a efervescência cultural aqui é grande no Vale do São Francisco, especialmente em Juazeiro. Existe algum investimento específico do Ministério da Cultura para esta nossa região? Para Juazeiro? para os produtores culturais daqui de Juazeiro e região?MINISTRO: Eu conheço Juazeiro, conheço muito, tenho muitos amigos aí. Conheço os artistas daí de Juazeiro. E, Juazeiro é a terra de João Gilberto, é a terra de Ivete Sangalo, é a terra de Galvão - dos novos baianos. Eu conheço a efervescência aí, e conheço os artistas. Ajudei inclusive a construir esse centro cultural que está aí, quando eu trabalhava na Fundação Cultural do Estado da Bahia.Não só para Juazeiro, todo o trabalho da gente é para irradiar os bens e serviços culturais e recursos do ministério para todo o território nacional. Nós estamos disponibilizando pontos de cultura, possibilidade de financiar as atividades culturais locais. Como eu falei, bibliotecas, centros culturais. Nós vamos entrar agora com novas linhas, principalmente o maior benefício é o seguinte, com a mudança da Lei Rouanet, nós vamos disponibilizar quase a metade dos recursos do Ministério, fundo a fundo, para todos os municípios e governos estaduais. Então, os governos municipais podem se preparar porque não é pouco dinheiro. É R$ 1,3 bilhão que alimentará esse processo.APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: Eu gostaria de perguntar sobre o encontro que o senhor teve ontem, com lideranças indígenas, e que falou-se em mais recursos para o Pontão da Cultura. É um site indígena, é isso?MINISTRO: É, é um Pontão Virtual. Ontem eu tive a grata alegria de começar o dia recebendo cerca de 40 indígenas. Eles foram demandar, primeiro que nós nos manifestemos à favor da posse da terra indígena. Como nós fizemos com Raposa Serra do Sol. Eu escrevi artigo, publiquei na Folha de São Paulo. Fui no dia do julgamento dar meu apoio. NÓs reconhecemos o direito dos povos indígenas. Tanto a posse da terra, manter seu território, como a preservar sua cultura. Cabe aos indígenas definir o que eles querem assimilar do processo cultural, do contato com o branco, a sociedade global. Não cabe a gente dizer: 'isso é certo, aquilo é certo, tem que absorver. Os índios, os indígenas em geral, querem preservar suas tradições, seus valores. Mas querem ter acesso ao computador, a tecnologia digital. Em todos os lugares que a gente vai, que tem contato com os povos indígenas, sempre é a mesma posição. Ou seja, nós temos que respeitar essa posição. Então o ministério já está trabalhando com mais de 80 nações indígenas, disponibilizando pontos de cultura, financiamento das suas atividades, disponibilização de computadores, banda larga. E, eles foram pedir isso. Eram índios da Bahia, os Tupinanbás. Eram ali do Sul da Bahia, de Porto Seguro, de várias regiões e de Pernambuco também. Eles estão em uma disputa jurídica pela terra, semelhante aos índios Macuxis, lá de cima. O grande pedido deles é esse apoio político que o ministério pode dar, ajuda no sentido de sensibilizar a sociedade que eles tem o direito deles e não podem ser exterminados e devorados pela fronteira agrícola e nem pela expansão da atividade de garimpeiros. E, eles querem apoio para a manutenção da atividade cultural.=====