13/08/2015 - No Bom Dia Ministro, Arthur Chioro falou sobre Mais Médicos e vacinação contra paralisia infantil

O Bom Dia Ministro dessa quinta-feira (13) recebeu o ministro da Saúde, Arthur Chioro, para falar sobre o programa Mais Médicos e a campanha de vacinação contra a paralisia infantil. A entrevista é produzida e coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e transmitida ao vivo, das 8h às 8h30, pela TV NBR e via satélite de rádio para todo o país (pelo mesmo canal de A Voz do Brasil).

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Transcrição

APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Olá, bom dia, o programa Mais Médicos levou mais de dezoito mil profissionais e hoje atende o universo de 63 milhões de brasileiros, em dois anos o Mais Médicos já aumentou em 33% o número de consultas na rede pública de saúde. Também, sábado é dia de vacinação, vamos falar sobre a campanha de vacinação contra a paralisia infantil, sobre tudo isso o Bom Dia Ministro conversa hoje com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, seja muito bem-vindo, ministro. MINISTRO ARTHUR CHIORO: Bom dia, Helen. Bom dia, a todos que acompanham o programa, muito feliz de estar aqui discutindo as informações da saúde, falando sobre os Mais Médicos, convocando os pais, responsáveis para que no sábado, compareçam ao posto de vacinação, enfim, vamos falar sobre tudo aquilo que é importante na vida da gente que é a saúde. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: O ministro responde perguntas de emissoras de rádio de todo o país e você também pode participar, entre nas nossas redes sociais, mande sua pergunta pelo Facebook/tvnbr, ou twitter.com/tvnbr, vamos começar com a primeira rádio, vamos falar com Minas Gerais, a pergunta é da rádio Itatiaia de Belo Horizonte. Alexandre Nascimento, bom dia Alexandre.REPÓRTER ALEXANDRE NASCIMENTO (Rádio Itatiaia - Belo Horizonte/MG): Muito bom dia, Helen, ministro Arthur Chioro. Ministro, eu gostaria que o senhor explicasse como será essa campanha de vacinação agora de sábado e saber também se existe uma nova vacina prevista para o calendário nacional, a gente tem visto testes com vacina contra a dengue e outras doenças, tem prevista aí alguma nova vacina para o Brasil?MINISTRO ARTHUR CHIORO: Alexandre, um abraço a você e a todos ouvintes da rádio, no sábado nós fazemos o dia D, o dia nacional de mobilização contra a paralisia infantil e vamos aproveitar também para colocar toda as vacinas que possam estar em atraso de todas as crianças de seis meses a quatro anos. É muito importante, são mais de cem mil postos de vacinação, 36 mil nas unidades, postos de saúde, centros de saúde, mais postos volantes, cobrindo todo esse país, na floresta amazônica, povos ribeirinhos, nas aldeias indígenas, no sertão, aonde tiver criança vai ter profissional do SUS fazendo a vacina contra a paralisia infantil. E a campanha vai continuar até o dia 31 de agosto. No sábado, em cem mil postos e depois nos quinze dias seguinte nos postos, nos centros de saúde, até o dia 31 de agosto. É muito importante que o papai, a mamãe, os responsáveis pelas crianças compareçam ao posto de vacinação, levem a carteirinha de vacinação, porque os nossos agentes de saúde, nossos médicos, enfermeiros, vão aproveitar para ver se tem alguma vacina atrasada, a vacina é de graça, é muito importante e uma coisa assim que é decisiva, quando a gente vacina a criança, não estamos apenas fazendo a vacinação contra ela, nós estamos fazendo uma vacinação da comunidade, a vacina contra a paralisia infantil, ela cria um efeito na comunidade porque inclusive crianças que por ventura possam escapar e não ser vacinadas são beneficiadas pela circulação daquele vírus que é introduzido no organismo da criança para proteger, que é o vírus bom, o vírus que previne a paralisia infantil, a poliomielite, em relação a sua segunda pergunta, se nós temos perspectiva de ampliação do calendário de vacinação, hoje nós já contamos no nosso calendário com as 14 vacinas recomendadas pelo Organização Mundial de Saúde. O Brasil é um dos poucos países do mundo através do SUS que garante a 100% da população a vacinação gratuita. Nós fizemos recentemente a incorporação da vacina contra o HPV, incorporamos a vacina contra a hepatite A, e a vacina contra difteria, tétano, acelular para as gestantes, que eram as vacinas que faltavam, todas as vacinas recomendadas hoje estão sendo distribuídas. O que nós aguardamos agora é o desenvolvimento de uma vacina segura contra a dengue. Não há uma expectativa imediata, as melhores chances que nós temos dão conta de que nós poderemos, se tudo der certo nas pesquisas que os cientistas estão fazendo, inclusive no Instituto Butantã, em Manguinhos, lá no Rio de Janeiro, são dois polos brasileiros que estão investigando a vacina de maneira muito avançada, mas se a gente conseguir obter êxito, para ter uma vacina segura para todos os brasileiros, nós estive estimamos que lá para 2018, insisto, se tudo der certo na pesquisa, porque vacina contra doença viral e no caso da dengue, contra quatro soro tipos diferentes, nós vamos ter que esperar avanço, e se nós conseguirmos não tenha dúvida que o governo brasileiro, o Ministério da Saúde com a colaboração do nosso garoto propaganda, que é o Zé Gotinha, vai trazer mais uma vacina para os brasileiros.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada Alexandre Nascimento da rádio Itatiaia de Belo Horizonte, Minas Gerais, pela sua participação com a gente no Bom Dia Ministro. Vamos então a Pernambuco, vamos conversar com a rádio Jornal AMFM, de Recife, quem pergunta é Jofre Melo. Bom dia, Jofre.REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio Jornal AMFM - Recife/PE): Bom dia, querida. Bom dia, ministro. Ministro, recentemente a Fiocruz concluiu uma pesquisa que ainda deve ser divulgada nos próximos dias a respeito do consumo de drogas no país e aponta Recife, a capital do nosso Pernambuco, a cidade no consumo de crack, já que ele está nas periferias, principalmente nos lugares pobres, e chegou ao interior do Brasil justamente em locais onde a gente tinha uma dificuldade maior de atendimento médico e o programa Mais Médicos aí veio justamente para suplantar essa dificuldade. Dentro da preparação desses profissionais, que muitas vezes vem de fora do país e não conhecem essa realidade desse problema de saúde pública que é o consumo de drogas, existe a preparação desses profissionais para essa realidade? Principalmente nesses locais mais longínquos, ministro Chioro?MINISTRO ARTHUR CHIORO: Jofre, excelente a sua pergunta, porque nos permite discutir sobre um tema que preocupa a todos os brasileiros e brasileiras e muitas vezes a gente fica com a imagem da cracolândia de São Paulo, que inclusive está recebendo um programa muito eficiente por parte da prefeitura de São Paulo com o apoio do Ministério da Saúde que vem mudando a realidade, mas a gente não consegue muitas vezes entender que o uso abusivo das drogas, ele tomou conta do brasil, inclusive no interior. Quando nós constituímos o programa Mais Médicos, nós tivemos uma preocupação especial no processo de formação dos profissionais no modo, nos módulos de formação dos profissionais, de incluir um módulo sobre o uso de drogas no país. Até porque algumas dessas drogas são desconhecidas porque não são realidades dos países de onde esses médicos vieram. Então nós tivemos a oportunidade de fazer a formação, todos os médicos do Mais Médicos, oito horas por semana, eles fazem um curso de especialização em atenção básica, e os temas mais relevantes, por exemplo, para nós, era importante na Amazônia Legal o tema da malária fosse tratado. O tema das drogas, em todas as nossas realidades, na periferia das grandes cidades, onde nós temos muitas equipes do Mais Médicos, aliás, o maior número de médicos do programa, ele está ou nas pequenas cidades do interior ou na periferia das grandes cidades. Então foi preciso fazer a formação, mas o governo brasileiro também preocupado com esse tema fez um processo de capacitação, nós temos cerca de 300 mil agentes comunitários de saúde no país atuando, 120 mil agentes comunitários foram também submetidos a um processo de formação, de treinamento, para lidar com a questão do uso de drogas na comunidade. Isso é muito importante porque para nós da saúde, nós não podemos tratar a questão das drogas no campo da repressão, nós temos que tratar das pessoas que fazem uso abusivo como pessoas que precisam de um apoio, trazê-las para a rede de cuidado da saúde, ofertar o atendimento médico, o atendimento psicossocial, a reinserção social, muitas vezes o uso abusivo do crack faz com que as pessoas rompam seus laços familiares, acabem indo viver nas ruas, portanto, além do cuidado é preciso reconstruir um projeto de vida e é isso que o SUS está ajudando a fazer através do programa Crack, É Possível Vencer, e de outras iniciativas as quais o Mais Médicos também dá sua contribuição. Obrigado pela sua pergunta, Jofre.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Jofre, você tem outra pergunta?REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio Jornal AMFM - Recife/PE): Sim, ministro, aproveitando essa questão da campanha de vacinação, a gente sabe que os municípios vêm passando por dificuldades financeiras muito grande, por conta da crise, a queda dos repasses, o senhor acha que isso pode trazer alguma dificuldade para os municípios aplicarem a campanha? O Ministério também está atento a isso para dar um suporte necessário caso alguma cidade ou estado tenha dificuldades?MINISTRO ARTHUR CHIORO: Eu tenho absoluta convicção, como ministro de estado, que o nosso programa nacional de vacinação, é o maior programa de vacinas do mundo, que já ultrapassou momentos de crise econômica nesse país na década de 80, na década de 90, no final do governo Fernando Henrique Cardoso, jamais deixou de cumprir as suas obrigações por qualquer dificuldade de ordem econômica. Eu duvido, aliás, eu tenho absoluta convicção de que nós contamos com o apoio consciente de todos os prefeitos, secretários municipais de saúde, trabalhadores de saúde pública, nós jamais deixaríamos de disponibilizar a nossa energia, o nosso trabalho no sentido de proteger as nossas crianças, além do mais, todas as medidas de contingenciamento que a equipe econômica fez para colocar o Brasil no rumo do crescimento, não implicaram em qualquer diminuição da oferta de apoio do Ministério da Saúde aos municípios, todos os recursos, todas as vacinas todos os insumos, tudo aqui que é necessário e que todos os anos nós mandamos para os municípios para fazer a campanha de vacinação está disponível, está garantido e o que nós precisamos é da mobilização dos pais e responsáveis para que levem os seus filhos de seis meses a quatro anos num dos postos de vacinação neste sábado e ao longo das próximas duas semanas. Nosso compromisso é de retomada do crescimento, do emprego, colocar a nossa economia no eixo, mas jamais colocar a conta em cima da saúde, precarizar ou deixar que qualquer coisa que envolva o atendimento à saúde da população seja prejudicado por conta de ajuste. O ajuste é para o Brasil ir melhor e não para ir pior. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada Jofre Melo pela sua participação aqui com a gente com no Bom Dia, Ministro. Hoje o Bom Dia, Ministro recebe o ministro da Saúde Arthur Chioro, que fala sobre os mais médicos e os mais de 18 mil profissionais que estão espalhados em 4 mil municípios do país. E nós temos aqui uma participação em vídeo da Natália Amaral, lá de Paracatu, Minas Gerais, e que mandou um vídeo para a gente pelas redes sociais. Pode fazer sua pergunta, Natália. SRA. NATÁLIA AMARAL: Bom dia, sou Natália, de Paracatu, Minas Gerais, e gostaria de saber por que as crianças precisam ser vacinadas contra a poliomielite se a gente não vê mais crianças com essa doença? MINISTRO ARTHUR CHIORO: Natália, sua pergunta é muito importante. Nós não temos caso de paralisia infantil, de poliomielite no Brasil desde 1990. Em 1994 nós ganhamos o certificado de eliminação da poliomielite, entretanto a pole é uma doença que ela tem uma transmissão pela contaminação da água e dos alimentos pelas fezes, ela é típica das regiões que ainda não conseguiram resolver os problemas de saneamento básico e que não conseguiram introduzir a vacina. No mundo, nós ainda temos, recentemente, nos últimos dois anos, nove países na África e na Ásia, liderados pelo Paquistão, pelo Afeganistão e pela Nigéria, que concentram o maior número de casos, que ainda não conseguiram eliminar a paralisia infantil, a poliomielite, então há o risco pelas viagens internacionais, pela chegada de tripulantes, de visitantes oriundos de nove países que ainda têm casos de poliomielite, de nós termos a reintrodução, por isso que nós temos que vacinar 12 milhões de crianças, ou seja, não mínimo 95% da população na faixa etária de seis meses a quatro anos, para que nós possamos ter a garantia de que o vírus da poliomielite não vai circular no nosso país se ele aqui chegar, através de aeroporto, através de porto, de viajantes e nós vamos conseguir dar a proteção. É um possível que um pouquinho mais para frente, daqui a cinco, dez anos, se a Organização Mundial de Saúde conseguir nesses nove países da África e da Ásia, eliminar, e tivermos a eliminação total por três, quatro anos da poliomielite em todo o planeta, nós possamos inclusive deixar de fazer a vacinação contra a paralisia como já fizemos no passado contra a varíola, nesse momento nós precisamos contar com o apoio de todas as mães, dos avós, dos responsáveis, para levar as crianças de seis meses a quatro ao posto de saúde agora, nesse sábado dia 15, para tomar a vacinação. Encontrar... Um encontro lá com o Zé Gotinha que nos ajuda a salvar a vida de milhões de crianças em todo o mundo. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada a Natália Amaral, lá de Paracatu, que mandou sua pergunta. Vamos então agora à Bahia, rádio Excelsior AM, Salvador, e a pergunta é de Edson Santarini. Bom dia, Edson.REPÓRTER EDSON SANTARINI (Rádio Excelsior AM/Salvador - BA): Bom dia, Helen. Bom dia, ministro Arthur. Eu, na verdade tenho duas perguntas, a primeira é a seguinte, ministro, me preocupa muito que às vezes as campanhas de vacinação, a gente entende inclusive que tem o dia D, o dia único, dia de massificação, e essas vacinas vão ficar disponíveis até agosto, agora não há, na verdade, uma massificação para outros dias, e às vezes nos locais mais longínquos. Então meu questionamento, por que essa campanha, ela não é intensa em todos os dias até o dia 31 e se corre o risco de faltar vacina? Essa é a primeira pergunta. A segunda, ministro, nós temos uma dificuldade na Bahia, especialmente em Salvador, que a gente não está conseguindo diagnosticar os vírus oriundos da dengue, do Aedes Aegypti, aqui há exemplo de Zika, Chicungunha, dengue, e o Guillain Barre, a gente não consegue... Você vai ao posto de saúde e não é dado o diagnóstico, que tipo de vírus você pegou, e fica a dúvida, será que eu tive Chicungunha, Zika, dengue ou Guillain Barre. Eu queria por favor um esclarecimento do ministro.MINISTRO ARTHUR CHIORO: Edson, vamos lá, vamos por parte, porque você colocou em dois temas também muito importantes. Em primeiro lugar é o seguinte, nós temos o programa nacional de imunização, que tem 46 anos de existência no nosso país, ele é apontado pela Organização Mundial de Saúde, como o mais exitoso programa de vacinação. Países de primeiro mundo, Edson, não têm a cobertura vacinal que o Brasil tem, ideal, apontada como ideal, para praticamente todas as vacinas num país de dimensão continental. Nós conseguimos estruturar um sistema de vacinação no nosso país que é impressionante, quem vem de fora, ministros de outros países, as vezes ficam, assim, perplexos de saber como é que um país como o Brasil conseguiu colocar a vacina do Oiapoque ao Chui com qualidade, porque não é só disponibilizar vacina, tem toda a cadeia de frio, tem o armazenamento em temperatura e em condições adequadas, tem o treinamento de milhares de pessoas para fazer a vacinação de forma adequada, tem a aquisição dessas vacinas que normalmente são fabricadas por poucos laboratórios, investimento em pesquisa e o Brasil, hoje, já produz 2/3 das vacinas que aplica. Ou seja, nós além de termos conseguido fazer um grande programa, nós somos hoje um grande produtor de vacinas. Então nós fazemos campanha o ano inteiro, agora, quando a gente tem responsabilidade e a gente sabe que tem pessoas que vivem em bolsões, muitas vezes em regiões mais violentas, isso aconteceu aí em Recife, aí em Recife, aconteceu em Fortaleza, por exemplo, quando tivemos casos de sarampo, nós fomos identificar que tinham crianças de determinadas comunidades controladas por tráfico, por traficantes, etc., que impediam a entrada dos agentes de saúde. Então esse é o meio que a gente tem de ir chegando nas aldeias indígenas, nos povos mais isolados ou mesmo nos pais que esquecem. Olha só, quando eu era pequenininho nós tínhamos duas vacinas no calendário de vacinação, hoje eu tenho 51 anos de idade, hoje são 14 vacinas, para os próprios pais fica até difícil olhar a carteirinha de vacinação. Então é o momento de levar a carteirinha e atualizar. Ver, olha, essa aqui está faltando, essa aqui está em atraso, é uma maneira da gente conseguir. Agora, vacina, nós fazemos 365 dias do ano, e isso é muito bom, funciona e nós fazemos intensificação, fazemos mobilização porque ainda precisamos. Talvez vai chegar o dia em que todos os brasileiros vão na data certinha, nas diversas datas que têm que levar seu filho para vacinar porque têm consciência, o agente vai em casa e a gente não precisa mais fazer campanha, mas enquanto for preciso nós vamos fazer o esforço adicional para garantir a cobertura vacinal. Em relação a falta de vacina, não há hipótese, nós temos que vacinar 12 milhões de crianças como meta e foram distribuídas 18 milhões de doses em todo o país. A vacina não vai chegar, ela já está nos postos de vacinação. Portanto, não há nenhuma preocupação desta natureza, nós não apenas distribuímos as vacinas contra a poliomielite, mas reforçamos os estoques contra as demais vacinas até porque nós queremos aproveitar para colocar o calendário de vacinação em dia. Em relação a sua segunda pergunta, em relação a identificação da dengue, e da Chicungunha, nós temos hoje o teste rápido já disponível contra a dengue, o Brasil começa a produzir também o teste rápido para a Chicungunha, é uma enfermidade nova, até 2013 nós não tínhamos... nós tínhamos casos todos vindos de fora, da América Central ou da África, nós passamos a ter casos no Brasil a partir do ano passado, portanto também era uma doença para o qual nem o mercado, nem os produtores públicos dos nossos laboratórios oficiais, desenvolviam kits, isso já está sendo feito pela Fiocruz, que é vinculada ao Ministério da Saúde e sendo disponibilizada. Em relação a Guillain Barre, é uma grande confusão. Guillain Barre é uma síndrome neurológica que pode dar em função de dezenas de enfermidades que podem levar a uma síndrome de Guillain Barre. Ela não tem um diagnóstico específico, ou seja, é preciso identificar as diversas enfermidades, doenças autoimunes, uma série de enfermidades que podem causar, porque na verdade Guillain Barre é uma síndrome. Ou seja, é uma classificação de sinais e sintomas neurológicos em função muitas vezes de doenças virais, de doenças autoimunes, etc, que podem cursar e, portanto, o importante nesse caso é saber qual é o diagnóstico diferencial e poder tratar. A boa notícia em relação aos casos que nós tivemos de Guillain Barre aí em Salvador na, região, na Bahia, em vários casos, é que são casos que felizmente não foram casos graves, nós não tivemos nenhum registro de óbito, nenhum paciente que tenha recebido a assistência respiratória por meio de intubação, ou seja, foram casos muito mais de síndrome neurológica que felizmente se resolveram e isso é muito bom. Nós estamos trabalhando junto com as prefeituras, com os especialistas na área de infectologia para tranquilizar a população e garantir o atendimento adequado a todos os baianos. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Você então acompanha o programa Bom dia, Ministro, que hoje recebe o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Você pode acompanhar o áudio e a transcrição dessa entrevista logo após o nosso programa no endereço www.ebcserviços.com.br. Vamos então ao Rio Grande do Sul, ministro, rádio Guaíba AM, lá de Porto Alegre, e quem pergunta é Bibiana Borba. Bom dia. REPÓRTER BIBIANA BORBA (Rádio Guaíba AM/Porto Alegre - RS): Bom dia, Helen. Bom dia, Ministro, o senhor falou que as dificuldades financeiras dos estados não devem afetar a vacinação desse final de semana, mas aqui no Rio Grande do Sul nós temos uma situação mais grave, que causa temor até sobre a manutenção de atendimentos pelo SUS, porque o governo gaúcho já vinha acumulando dívidas com as prefeituras, e com os hospitais filantrópicos, e nessa semana o próprio Governo Federal congelou qualquer repasse ao Rio Grande do Sul, bloqueou as contas do estado, porque o governo gaúcho não pagou a parcela da dívida com a União, e isso afeta inclusive os repasses à saúde pública que chegariam aos municípios. E por isso lhe pergunto, Ministro, neste momento de crise em que o nosso estado não consegue administrar os compromissos com a saúde pública, existe a possibilidade de o Ministério da Saúde fazer esses repasses diretamente às prefeituras e aos hospitais para não afetar os atendimentos pelo SUS? MINISTRO ARTHUR CHIORO: Sem dúvida nenhuma, não há nenhuma interrupção da transferência de recursos do SUS, do Ministério da Saúde, nem para os municípios nem para os estados. As nossas transferências são de outra ordem, são transferências automáticas, regulares, nós, durante, ao longo do ano inteiro continuamos repassando recursos e continuaremos repassando recursos para o estado do Rio Grande do Sul. Na questão da saúde nós temos uma sistemática de financiamento que é diferente. Então, são transferências que continuarão a ser, uma parte das prefeituras, por conta da municipalização, já recebe os recursos diretos, as santas casas que são vinculadas, são contratadas por essas prefeituras, não têm por que serem afetadas, e também, como eu disse, como não haverá interrupção da transferência de recursos do SUS para o governo do estado, para o fundo estadual, eu estive recentemente conversando com o secretário estadual, Gabbardo dos Reis, que é o Secretário Estadual, com o próprio governador nesse sentido e eu quero tranquilizar a população gaúcha. Além do mais, mesmo em situações que nós profissionais da saúde, possamos ter enfrentado no passado, situações de greve, nós jamais deixamos de fazer a vacinação para a população, se tem coisa que o trabalhador do SUS, o enfermeiro, o auxiliar, o médico sabe diferenciar, é o momento de fazer a sua justa reivindicação trabalhista, mas também de não colocar o prejuízo na saúde da população. Nesse ponto nós trabalhadores da saúde, nós do SUS somos muito responsáveis, e eu quero mais uma vez aproveitar, Bibiana, a sua pergunta para tranquilizar, no caso da saúde o mecanismo constitucional que está previsto, não impõe suspensão de pagamento, os gaúchos podem continuar contando com o apoio do SUS, do Ministério da Saúde nesse momento de dificuldade econômica que nós todos sabemos que o governo gaúcho passa.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada então, à Rádio Guaíba de Porto Alegre pela sua participação. Vamos então à uma pergunta do twitter, Ministro, a Gabriela Lima, lá de São Paulo, quer saber que além do número de médicos atendidos, quais são os indicadores que o Ministério usa para medir a eficiência desses atendimentos? MINISTRO ARTHUR CHIORO: Olha, nós temos trabalhado no sentido de poder avaliar a qualidade, o impacto do Mais Médicos em várias condições, várias formas, em primeiro lugar a gente vê o número de consultas, mas a gente viu também que houve um aumento de 32% no número de visitas domiciliares, nós já estivemos nas cidades onde o Mais Médicos está funcionando, uma redução de 4% no número das internações que são sensíveis à atenção básica, nos municípios que têm maior cobertura de saúde da família com o Mais Médicos, o número de pessoas que não precisaram internar chegou na ordem de mais de 8%, isso significa mais de 110 mil pessoas no ano passado que deixaram de ser internadas por conta do Mais Médicos;. Agora, uma das coisas mais bacanas, que mais, assim, nos deixa felizes, é o fato de que a avaliação da população é muito positiva, nós fizemos uma pesquisa através da Universidade Federal de Minas Gerais, que demonstra que 95% da população atendida está muito satisfeita com o Mais Médicos, e dá nota acima de oito. Ora, todos nós sabemos que a saúde anda sendo muito mal avaliada pela população, mais de 50% darem nota dez, os gestores estarem muito satisfeitos, os próprios médicos que participam do Mais Médicos recomendarem para os seus colegas a ponto de que médicos brasileiros este ano ocuparam todas as vagas, nos deixa muito felizes. Agora, os melhores resultados ainda estão por vir, porque nós sabemos que o Mais Médicos vai ajudar a reduzir a mortalidade infantil, a mortalidade materna e uma série de outros problemas de saúde. Ou seja, o Mais Médicos veio para ficar e está mudando a face do atendimento para melhor, garantindo a todos os brasileiros, principalmente aqueles que mais dependem do SUS, o atendimento básico à saúde. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Ministro, então vamos agora lá para o Ceará, rádio Verdes Mares, lá de Fortaleza, e a pergunta é de Irla Freire. REPÓRTER IRLA FREIRE (Rádio Verdes Mares/Fortaleza - CE): Bom dia, Helen. Bom dia, Ministro Chioro. Após reações contra o Programa Mais Médicos, entidades ameaçam entrar na Justiça contra o decreto assinado que criou o Cadastro Nacional de Especialistas, em nota divulgada na última sexta-feira, sete entidades, entre elas o Conselho Federal de Medicina, afirmam que o texto abre brechas para uma mudança nos critérios de formação de especialistas, que poderia resultar em um profissional de menor qualidade. Então, gostaria que o Ministro falasse sobre esse decreto e o segundo assunto seria sobre a criação das bolsas de residência médica, em que as regiões Centro-oeste, Norte e Nordeste terão prioridades. Então, quais são as destinadas, quantas são as destinadas aos profissionais nordestinos e como será feito esse processo de seleção. MINISTRO ARTHUR CHIORO: Bom, vamos primeiro a questão do cadastro. O cadastro de especialistas é uma exigência da lei que criou o Mais Médicos, aprovada pelo Congresso Nacional por unanimidade em outubro de 2013. Ele nada mais nada menos faz do que juntar as informações do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e da Comissão Nacional de Residência Médica do MEC, que são as três formas de concessão de títulos de especialistas para o médico, em qualquer especialidade. Isso não vai mudar. Na verdade há uma tentativa de transformar o cadastro em, mais uma vez, uma disputa entre os médicos e o Governo, nós não temos vontade de brigar com ninguém, essa coisa está pacificada, está resolvida, tanto eu como o Ministro da Educação, Ministro Renato Janine, nos dispusemos a receber a direção das entidades médicas, da AMB e do CFM, para aprimorar o decreto, se eles estão achando que nós estamos com uma segunda intenção, vamos corrigir porque não é esse o objetivo, nós só precisamos ter um cadastro que diga onde estão os especialistas, aonde se formaram, que região estão atuando e quais são as áreas que estão faltando, para a gente poder ampliar e garantir o atendimento da população nas especialidades necessárias. Hoje, literalmente, nós não temos essa informação, cada instituição tem o seu cadastro, elas não se juntam e cada um tem um dado, então, eu não sei quantos oftalmologistas tem aí no Ceará, nós não conseguimos saber quantos pediatras têm em São Paulo, aonde está faltando anestesista e é só para isso que está sendo criado o cadastro, nada mais, tanto é verdade que nós vamos agora sentar com eles e vamos melhorar a redação para poder tirar esses fantasmas e evitar que novamente se estabeleça uma guerra, aonde não tem motivo para guerrear. Em relação às residências, a Lei do Mais Médicos também criou o desafio de poder colocar 100% de vagas para todos os formandos em medicina e nós precisamos priorizar o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, até porque tem estudos que mostram que uma maneira de fixar o médico numa região, é onde faz a residência médica. Nós, só na terça-feira passada, nós criamos novas três mil vagas, dessas mais de um terço vão aí para a região Nordeste. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Três mil vagas de especialistas? MINISTRO ARTHUR CHIORO: De residência médica, dessas três mil vagas, criadas pelo MEC e pelo Ministério da Saúde, 75% é na área de medicina de família, que é uma das áreas que a gente mais precisa, mas tem vaga de pediatria, de clínica médica, de ginecologia, de anestesia, de várias outras especialidades e nós criaremos até 2019, 12.500 novas vagas de residência médica. Todos os meninos e meninas que se formarem em medicina terão, nas diferentes regiões do país, a oferta de residência médica para poder garantir que todo mundo possa fazer especialização com prioridade para medicina de família, pediatria, clínica médica, ginecologia e obstetrícia, aquelas especialidades mais básicas, mas sem prejuízo das demais especialidades. A única coisa que nós queremos é colocar mais especialistas das áreas, aonde a gente mais precisa, ou seja, descentralizar e garantir que todos os brasileiros possam contar com médicos especialistas de muito boa qualidade na sua formação, acessíveis na região onde moram. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Bem, infelizmente o nosso tempo acabou, Ministro, nós queremos agradecer muito a sua presença, as dúvidas que todas as emissoras tiraram com relação a saúde que é muito, muito, muito importante para toda a população do país, muito obrigada. MINISTRO ARTHUR CHIORO: Eu que agradeço e até uma próxima oportunidade. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Bem, você pode ouvir o áudio e a transcrição dessa entrevista no nosso site logo mais no www.ebc.servicos.com.br, a NBR também apresenta a gravação dessa entrevista no nosso Youtube, www.youtube.com.br/tvnbr, as perguntas que não puderam ser esclarecidas, serão encaminhadas para a assessoria do Ministro, que vão dar o segmento a elas e vão responder a todas elas. Agradecemos mais uma vez a sua participação, Ministro, e aos que acompanharam as rádios e emissoras de todo o país, e a você também o nosso muito obrigada e até o próximo programa.