13/11/09 Brasil fez dever de casa e quer mostrar resultados na Conferência do Clima, destaca ministro Alexandre Padilha

Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, o Ministro-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, destacou que o país está cumprindo sua lição de casa. Principalmente em relação ao combate ao desmatamento. Esse é um dos itens da proposta brasileira, que será apresentada na Conferência do Clima, no mês de dezembro em Copenhague, na Dinamarca. Alexandre Padilha esclareceu questionamentos de âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Além disso falou também sobre os preparativos do governo federal para a Copa de 2014. Serão 12 capitais brasileiras que sediarão os jogos. Representando a oportunidade de geração de emprego e renda nestes locais, e em todo o país. Além de promover aperfeiçoamento da infra-estrutura urbana das cidades. São previstos investimentos de R$ 5 bilhões para mobilidade, ampliação e construção de aeroportos e na criação e reforma de estádios.

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Transcrição

PROGRAMA BOM DIA, MINISTRO

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá amigos em todo o Brasil, eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do Programa Bom dia, ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui nos estúdios da EBC Serviços, o ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais, o ministro Alexandre Padilha. Bom dia ministro.

MINISTRO: Bom dia Kátia, bom dia a todos os ouvintes do programa e todas as emissoras espalhadas por todo o Brasil que nos acompanha.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje as questões centrais do Governo, e os projetos que foram enviados ao Congresso Nacional para a votação. O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, vai conversar com a gente também sobre a Conferência Climática de Copenhage, sobre o pré-sal e sobre a Copa de 2014. O ministro já está aqui no estúdio e começa agora a conversar ao vivo com âncoras de emissoras de rádio de todo país. Ministro Padilha já está na linha a rádio 930 AM / Aracaju - Sergipe (Nova) - Gabriel Damásio

RÁDIO 930 AM / ARACAJU - SERGIPE (NOVA) - GABRIEL DAMÁSIO: Bom dia, Kátia Sartório, bom dia ouvintes da EBC e das emissoras que estão conosco e o ministro Alexandre Padilha, bom dia.

A primeira pergunta, que não se poderia deixar de fazer essa pergunta, a respeito do projeto dos aposentados, da reposição das perdas salariais dos aposentados. Existe uma discussão que está em pauta nos jornais de hoje é no que diz respeito a decisão do Governo de adiar de uma forma indefinida a votação da reposição das perdas salariais do aposentados, e a informação que se coloca é de que o Governo vai dar prioridade as discussões do Pré-sal e deixar de lado as questões dessa reposição dos aposentados e é uma reivindicação que vem sendo muito cobrada pelos aposentados de todo o país. O que eu gostaria de saber no caso é o porque dessa decisão e se haverá uma certa demora do governo no que diz respeito a esse reajuste dos aposentados. E se existe mesmo, não fica essa impressão que está se dando prioridade ao, no caso o assunto do Pré-sal pra se fazer esses recursos do Pré-sal do que a reposição das perdas dos aposentados? Essa é a primeira pergunta que eu faço.

MINISTRO: Bom dia Gabriel, bom dia todos os ouvintes ai de Aracaju, bom dia ao prefeito Edival Nogueira de Aracaju e bom dia também especial ao governador Marcelo Deda que está hospitalizado, visitei ele nessa semana, está muito bem se recuperando da saúde.

Primeiro que o Governo tem uma prioridade fundamental para o tema dos aposentados. Alias o projeto que o governo enviou que reajusta o salario minimo e que isso tem impacto direto nos aposentados foi encaminhado ao Congresso Nacional a dois anos, então há dois anos o governo já tomou iniciativa sobre isso. Nesse nosso projeto da Política de Salário Mínimo, a gente garante um aumento permanente do salário minimo repondo ano a ano a inflação e mais a totalidade do PIB (Produto Interno Bruto) para todos aqueles que ganham até um salario minimo. Impactando 18 milhões de aposentados do Brasil. Dois terços dos aposentados brasileiros recebem até um salario minimo, dentro do debate que o Congresso levou nesse projeto ao longo desses dois anos, esse debate fez com que em alguns momentos se estendesse esse aumento que vai até um salario minimo pra todos os aposentados e inclusive aqueles que ganham mais de 20 salários mínimos, mais de 10 salários mínimos, isso acaba tendo um impacto nas contas do Governo que é um impacto insustentável. O que o governo fez, então? Preocupado com a necessidade de garantir um aumento para os aposentados e preocupado com a necessidade de garantir uma política permanente do salario minimo, chamou as centrais sindicais, chamou as associações dos aposentados, as confederações para discutir uma proposta que seja, que garanta aprovação daquilo que é mais importante para a maioria dos aposentados brasileiros, que ganham até um salario minimo, mas que também dê um aumento real acima da inflação e que seja possível de ser financiado pelo governo para aqueles que ganham mais de um salário minimo e construímos um acordo as centrais sindicais que garante a todos os aposentados brasileiros que ganham mais de um salario minimo um aumento que seja ano a ano que reponha toda a inflação e mais 50% daquilo que cresce a economia. Pra se ter uma ideia no próximo ano os aposentados brasileiros, à partir de janeiro com essa proposta do governo, já teriam um aumento de cerca de sete, seis, a sete por cento já nesse ano e isso ser permanente recuperando o ganho salarial dos aposentados inclusive que ganham mais de um salario minimo. Então, o governo está absolutamente dedicado, não deixou de lado essa questão dos aposentados agora precisa conversar, tanto com as centrais sindicais quanto com os líderes da base para garantir a aprovação desse projeto.

O que nós fizemos ontem foi uma reunião com todos os líderes dos partidos, depois o Presidente da República, no final do dia, recebeu as centrais sindicais, as associações que estavam aqui em Brasília, e a avaliação que nós fizemos que não está maduro ainda nas lideranças dos partidos, o compromisso com a aprovação desse projeto.

Por isso que nós esperamos um pouco nesse momento pra discutir o conjunto no Congresso a aprovação e estamos nesse momento garantindo a votação dos projetos do Pré-sal que já tem um grande compromisso do conjunto da base aliada. Mas o governo vai continuar discutindo esse tema e na medida em que fecharmos uma proposta nós vamos tomar uma iniciativa sobre isso, nós estamos muito convencidos de que essa nossa proposta dos aposentados, vou falar um pouco sobre isso, é muito importante para todos os aposentados brasileiros.

Primeiro porque ela garante um aumento real todo ano acima da inflação; segundo que ela acaba com aquilo chamado Fator Previdenciário, o que faz com que o jogo da idade e do tempo de contribuição facilite muito pros aposentados, aqueles que estão trabalhando hoje possam se aposentar. E além disso leva uma série de ganhos, a garantia de estabilidade no emprego de 12 meses antes de se aposentar. Esse é um ganho importante para todos nós. Essa é uma prioridade do governo ainda e vamos continuar discutindo com as centrais sindicais e com os líderes para amadurecer a proposta, colocar na Câmara e garantir a proposta colocar na câmara e garantir a votação. Isso que é importante. Porque ás vezes não colocar na votação e fechar um bom acordo garante sua aprovação. Nós mandamos o projeto do salário mínimo há dois anos para o Congresso e ele não foi aprovado ainda, então esse acerto final é que pode garantir a aprovação e a sanção pelo presidente.

RÁDIO ARACAJU/SE(NOVA)-GABRIEL DAMÁSIO: Uma outra questão é que daqui a pouco em um hotel aqui na região metropolitana de Aracaju vai acontecer a reunião da Comissão de Orçamento da União que é presidida por um senador sergipano. Vão se discutir a questão de emendas parlamentares e a garantia de mais recursos para o estado. Existem obras importantes aqui do PAC em dois bairros de Aracaju que parecem estar paralisadas, e o presidente Lula disse ja publicamente que isso seria culpa do TCU, e a garantia de outros projetos importantes que temos como a ampliação do aeroporto. Então o que o governo pensa e já esta trabalhando junto com a União para garantir a aprovação e a liberação de recursos para estas obras importantes e outras obras do governo federal aqui no estado do Sergipe?

MINISTRO: Todas as obras do PAC, Gabriel, têm recursos garantidos pelo governo federal. Não é por falta de dinheiro e nem de compromisso do Governo Federal que a obra não anda. Temos investimentos muito importantes ai em Sergipe, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, aí na região Metropolitana, que vão mudar a realidade do saneamento do tratamento da água. Em Aracaju estamos com vários projetos na área de urbanização. O prefeito Edival Nogueira teve essa última terça -feira aqui no lançamento do projeto do Fundo de Habitação e Interesse Social, que faz a urbanização na áreas de favela e nos bairros precários ai da região Metropolitana. Então, recurso não falta, os recursos estão garantidos pelo Governo Federal. Ás vezes as obras não andam, assim como você falou, porque alguns órgãos de fiscalização questionam alguma coisa que tem de ser respondido. ás vezes tem uma série de burocracias como o presidente sempre diz, que ainda empacam as coisas no Brasil. O presidente sempre fala uma coisa: como o Brasil ficou mais de 20 anos sem investimentos públicos, sem investir em projetos de habitação e saneamento, esgotamento sanitário e infra-estrutura, parece que a máquina do estado se aprimorou mais em fiscalizar e interromper as obras do que executar. Então o nosso esforço é garantir um jeito para acelerar esses investimentos públicos. O senador Almeida Lima é um senador muito importante, é o presidente da Comissão Mista de Orçamento,tivemos uma conversa nessa semana. Tem um assessor meu, José Neury, que está acompanhando o senador nessa audiência pública, que também é uma demonstração diferente do nosso governo junto com o Congresso. Nós estamos fazendo a discussão do orçamento aí nos estados, nós estamos realizando audiências públicas, quando vai fechando o orçamento do ano que vem nos estados, justamente para que a sociedade, os empresários, associações, a população, os prefeitos possam opinar sobre o orçamento que nós estamos construindo para o ano que vem, e posso te garantir que as emendas parlamentares, as de bancadas, emendas individuais terão tratamento muito especial, porque o presidente Lula tem dito sempre em relação a isso, que é ter uma boa relação com o Congresso e garantir que essas obras que os parlamentares colocam que vai pra o canto do Brasil, às vezes nos vários municípios do Brasil, tenham a garantia dos recursos do governo federal.

RÁDIO AMAZONAS AM - MANAUS (AM)/PATRICK MOTTA: Ministro, nosso questionamento é sobre a Conferência Climática de Copenhague, essa semana falou-se muito sobre levar para (inaudível) uma proposta ousada do governo brasileiro envolvendo percentuais de redução do desmatamento e da emissão do CO2. Há duas semanas, ministro, a CNI, que é a Confederação Nacional da Indústria, propôs que o Brasil participe desse estudo global de redução das emissões de gases, mas de forma voluntária, sem o caráter compulsório e sem fixação de metas, já prevenindo que o setor industrial brasileiro não seja prejudicado. Como o senhor e governo estão observando o lado da preservação e ao mesmo tempo a preocupação do setor industrial, que teve uma imposição de medidas ao crescimento econômico, ministro?

MINISTRO: primeiro que nós temos absoluta convicção de que é possível ter um projeto de desenvolvimento sustentável com preservação da floresta, com preservação do meio ambiente combinado com o crescimento industrial, com o crescimento da produção. Acho que aí, o estado de Amazonas é um exemplo disso, Patrick. O papel da zona Franca de Manaus, que é um grande complexo industrial para ajudar a preservar o conjunto da floresta amazônica é fundamental, e é algo que ás vezes essas pessoas que não moram na região amazônica não sabem. O percentual de floresta preservada no estado da Amazonas está absolutamente ligado ao fato da gente ter um grande complexo industrial de Manaus, a zona Franca de Manaus, que garante empregos, garante atividade econômica, garante produção de riqueza do estado, para inclusive ajudar a preservar a floresta. Então estamos muito convencidos sobre isso, e várias demonstrações, não só na região amazônica, mas no país inteiro, que nós podemos combinar crescimento econômico, fortalecimento da nossa indústria, da nossa área agrícola, com sustentabilidade ambiental.

Outra questão é que eu acho realmente que o Brasil tem condições de levar uma proposta ousada para Copenhague, primeiro porque nós estamos fazendo a lição de casa. Ontem os dados do IMPI (Instituto Nacional de Pesquisa Industrial) no evento da operação Arco Verde junto com o presidente da República, o governador Eduardo Braga, do Amazonas, estava aqui junto conosco, nós podemos revelar os dados da redução do desmatamento na Amazônia e revelar que este ano nós vamos ter a menos taxa de desmatamento dos últimos 21 anos, desde quando se começou a contar a taxa de desmatamento da Amazônia, essa é a menor taxa desde o começo da série histórica. Isso é uma demonstração de que o Brasil está fazendo a sua lição de casa. Reduzir o desmatamento da Amazônia é reduzir a maior fonte de emissão de CO2 no país. Então, o governo vai levar à Copenhague, o presidente Lula ainda vai se reunir com os ministros pra fechar sua proposta final, mas o conjunto de compromissos, porque esse é um papel importante na negociação internacional. Nós vamos levar um conjunto de compromissos que nós assumimos uma responsabilidade que impactam na redução de CO2 , por exemplo, reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia, por exemplo, mudar a matriz da siderúrgica, da siderurgia, ter um carvão que não seja fruto do desmatamento, por exemplo, manter como nós temos o país com a matriz energética mais renovável do mundo, com forte presença das hidrelétricas, eólicas, energia solar, energias renováveis, o papel dos biocombustíveis, do Etanol, que reduz a poluição, ou seja, um conjunto de compromissos que faz com que o Brasil contribua, de fato, para a redução de emissão de CO2 no mundo. Agora, nós como um país em desenvolvimento não devemos assumir metas de redução, porque essa é uma responsabilidade dos países desenvolvidos, isso faz parte da negociação, Patrick, porque se a gente não estabelece, desde o começo essa questão, os países desenvolvidos, que são os maiores emissores de CO2 acabam eles, não assumindo metas. Então isso é importante no processo de negociação internacional, Nós vamos poder apresentar em Copenhague, primeiro, que nós estamos fazendo a lição de casa e segundo, uma perspectiva para o futuro muito promissora do Brasil, que o Brasil vai colaborar bastante com essa preocupação da agenda climática. Eu quero agradecer à Câmara dos Deputados, porque nós aprovamos um projeto do governo que cria uma Política Nacional para as Mudanças Climáticas e um Fundo Nacional de Mudanças Climáticas, e agora no projeto do Pré-sal, nós colocamos no Fundo Social do Pré-sal, recursos separados específicos para que a gente possa apoiar projetos não só de preservação do meio ambiente mas também das mudanças climáticas.

RÁDIO AMAZONAS AM - MANAUS (AM)/PATRICK MOTTA: Ministro, Copa de 2014 e dois anos depois olimpíadas no Rio de Janeiro, ou seja, o planeta estará de olho no Brasil durante esses dois grandes eventos mundiais. Pergunto, ministro, a interlocução com o Congresso Nacional e com os governos estaduais e municipais está surtindo (inaudível)desejado, de maneira que os grandes problemas do país, como a segurança pública, sejam minimizados a percentuais aceitáveis, ministro, até a realização desses grandes eventos?

MINISTRO: Esses dois eventos no Brasil, primeiro, traz para todos nós um orgulho muito grande e uma concretização do papel que o Brasil, sob a liderança do presidente Lula, cumpre no mundo hoje, e traz também uma outra questão: eu acho que todo brasileiro acredita, a partir de hoje, que nós temos condição sim de realizar esses eventos e com muita qualidade. Às vezes tinha um sentimento no país: ah, a gente não vai poder realizar um evento como esse, não vamos ser escolhidos porque nós temos um problema tal, ou nós nunca vamos ser escolhidos para realizar umas olimpíadas aqui porque nós temos problemas de segurança, ou porque não temos estádios o suficiente. como se os outros países do mundo que realizaram eventos como esse também não tivessem os mesmos problemas. Nós temos certeza absoluta de que nós vamos aproveitar a oportunidade da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, primeiro para realizar a melhor Copa da Mundo e a melhor olimpíada, mas mais do que isso, para mobilizar, assim como você falou, governadores, prefeitos e Congresso Nacional para resolvermos os nossos problemas. Eu acho que os governadores e prefeitos já têm cumprido um papel importante. Ontem o governador Eduardo Braga, do Amazonas esteve conosco e com o presidente, e nós, durante essa semana, fechamos com os governadores e prefeitos das 14 cidades da Copa quais são os projetos essenciais para realizar a Copa. Por exemplo aí em Manaus, a modelagem de um financiamento de um novo estádio, que nós vamos ter em Manaus, a modelagem do financiamento de um projeto importante de mobilidade urbana, de transporte público coletivo, que vai ter uma grande eixo na região central de Manaus. Nós estamos chamando de um veículo leve combinado com o veículo que nós estamos chamando de um BRT, que é um veículo, como se fosse um grande corredor de ônibus, como se fosse um grande anel que envolve o conjunto da cidade de Manaus, ou seja, uma ação combinada, nossa, do governo federal, com o governo de estado e com o governo municipal. nesse primeiro momento nós discutimos com os governadores e prefeitos, com o Congresso também, os temas dos transportes públicos urbanos, o tema do turismo, o tema de hotelaria e o tema dos estádios. Depois nós vamos fazer uma nova rodada que vai discutir segurança pública e saúde. Tenho certeza absoluta, Patrick, que nós vamos estar muito preparados para realizar esses dois eventos e acho que também, o ministro dos Esportes tem dito muito isso, nós temos que ter uma política permanente de estímulo ao esporte, porque nós queremos realizar um grande evento, mas também queremos ser vitoriosos, tanto no futebol, como nos vários esportes das olimpíadas.

RÁDIO CAICÓ - CAICÓ (RN)/MARCOS DANTAS: O nosso Rio Grande do Norte está inserido na Copa de 2014 através da sede em Natal. Quais são os investimentos prioritários do governo federal no nosso estado por causa deste evento mundial, ministro?

MINISTRO: Bom dia, Marcos, bom dia aos ouvintes aí da rádio Caicó, bom dia a todos do Rio Grande do Norte. Nós, neste momento, estamos priorizando os investimentos que falam sobre transporte público urbano, estádio, aeroportos e hotelaria. Natal surpreendeu a muitos por ter entrado entre as sedes da Copa, mas não para nós que conhecemos aí a beleza da reunião e a organização, tanto do governo do estado, quanto da prefeitura em apresentar - talvez aquele tenha sido o melhor projeto para a Copa -, surpreendeu a todos da FIFA, da CBF, pela qualidade do projeto. Em relação ao estádio, nós já fechamos a modelagem. Nós vamos ter um novo estádio aí em Natal, vai ser financiado pelo BNDES, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, do governo federal, que vai ser um estádio, inclusive, com uma modelagem muito interessante. Num bairro central da cidade de Natal, que vai combinar junto com o estádio um grande parque no entorno, além do aproveitamento do setor imobiliário para a construção de prédios, tanto de escritórios quanto de residências, ao redor do estádio. E nós estamos definindo como prioritários na parte de transporte público aqueles projetos que giram em torno do estádio e que facilitam também o acesso entre o roteiro aeroporto, rede hoteleira e o estádio. Essa é a nossa prioridade no processo de seleção da Copa, que ainda não se encerrou. Ouvimos governadores, ouvimos prefeitos e está no processo final de análise pelo governo federal e depois vai vir a ser apresentado pelo presidente Lula, pela ministra Dilma para todo o país.

Agora, um projeto muito importante, que tem um papel fundamental para a Copa em Natal, é o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que fica aí na região metropolitana de Natal, que é um modelo novo de aeroportos. Está dentro do Programa de Aceleração do Crescimento, do PAC, é um aeroporto que tem uma modelagem de concessão, é uma modelagem nova, inovadora, e que vai combinar terminal de passageiros com terminal de cargas, para a gente garantir, inclusive, aí em Natal, o entreposto importante de circulação de mercadorias, dos produtos desse Nordeste que vem crescendo cada vez mais aí nesse período do nosso governo do presidente Lula. Esse aeroporto já tem uma parte dele sendo construída - aquilo que é a pista, que fica pronta até dezembro, aquilo que é o terminal de passageiros, que fica pronto até julho do ano que vem, e a modelagem de concessão privada, que vai dar conta do restante da obra e da gestão, o edital de licitação fica pronto no começo do próximo ano e, aí, quando encerrar a parte do terminal de passageiros com recurso direto da União que encerra de junho e julho, já inicia a parte das obras junto com o setor da parceria aí com o setor privado.

Então, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que tem muito a ver com a Copa, ele vai ficar pronto antes da copa de 2014, vai mudar, eu acho, a realidade de Natal, transformando Natal num entreposto importante de circulação de mercadorias.

RÁDIO PRINCESA FM/FEIRA DE SANTANA(BA)/DILSON BARBOSA: Bom dia, Kátia! A nossa saudação ao ministro Alexandre Padilha. Eu vou aproveitar, já que o ministro falou aí sobre o aeroporto de Natal, aqui na Bahia, o aeroporto Luís Eduardo Magalhães é um aeroporto que tem uma pista apenas. A FIFA exige uma segunda pista para que se possa criar condições para receber a Copa do Mundo. Ambientalistas daqui já disseram que é impossível uma construção de uma segunda pista no aeroporto de Salvador, por problemas ambientais. O ministro tem alguma informação sobre essa possibilidade de um outro aeroporto? Que soluções foram encontradas para o aeroporto (termo inaudível), em função da copa de 2014?

MINISTRO: Bom dia, Adílson, bom dia a todos os baianos, bom dia à rádio Princesa FM, de Feira de Santana. Esse tema do aeroporto de Salvador é um tema que está sendo tratado tanto pela Infraero quanto pelo Ministério da Defesa e por esse grupo gestor da Copa, que envolve Ministério dos Esportes, o Turismo, a Casa Civil da Presidência e o Ministério do Planejamento. E nós buscaremos, sim, uma solução, uma alternativa. E já fizemos uma obra importante do PAC, que foi o acesso ao aeroporto. Num primeiro momento tinha questionamentos, mas foi possível fazer um grande projeto e garantiu o acesso ao aeroporto, foi inaugurado já ano passado, enfrentou um gargalo que era importante na saída do aeroporto de Salvador e fez um projeto que adequou o projeto, a saída, o trevo à necessidade correta de suprir os impactos ambientais. Então, certamente, nós podemos ter uma alternativa para o aeroporto de Salvador que combina as necessidades do aeroporto para a Copa com os cuidados em relação às questões ambientais.

RÁDIO NACIONAL AM/ BRASÍLIA(DF)/WALTER LIMA: Bom dia, ministro. A pergunta que eu tenho para o senhor é a seguinte: os principais pilares de sustentação do crescimento de um país está na sua estrutura de produção, geração e transmissão de energia elétrica. Eu pergunto ao senhor: existe suficiência e eficiência no segmento energético brasileiro que sustente a preparação e a execução de agendas como a Copa do Mundo de Futebol de 2014, as Olimpíadas de 2016 e também a chegada do pré-sal?

MINISTRO: Tenho absoluta certeza disso, Walter Lima, bom dia! Nós temos dentro do Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) um conjunto de investimentos no setor elétrico. Estamos realizando duas grandes usinas hidrelétricas na região de Rondônia. Estamos concluindo os preparativos do projeto de Belo Monte, no Pará. Nós investimos - só durante o nosso governo nós conseguimos fazer 30% do que todo o Brasil tem na parte de transmissão de energia. Constituímos o Operador Nacional de Sistema, que não é um órgão direto do governo, é um órgão que envolve todas as companhias que fazem parte do sistema elétrico e tem papel fundamental em cuidar do sistema, em acompanhar o sistema, em enfrentar os problemas quando eles acontecem. E o Programa de Aceleração do Crescimento, com esses investimentos na área de energia, na área hidrelétrica, na área de termoelétricas, na área de pequenas usinas ou de grandes usinas, além de toda a parte de transmissão, garantirá, sem dúvida alguma, o fornecimento necessário de energia para o crescimento do país. Durante muitos anos se tinha uma dúvida se o Brasil teria condições de fornecer energia elétrica para esse ritmo de crescimento. Nós estamos mostrando que é possível fazer isso, e vamos continuar fazendo e combinando com ofertar luz elétrica para a grande maioria da população que era excluída, e o Programa Luz para Todos é uma demonstração disso. Nós temos que ter energia e estamos tendo energia suficiente para garantir o crescimento da indústria, das obras, dos grandes projetos, mas também para levar a luz elétrica àquelas pessoas que não tinham luz elétrica em casa, que é o programa Luz para Todos.

RÁDIO RURAL DE SANTARÉM/SANTARÉM(PA)/FRANCIMAR FARIAS: Bom dia, bom dia, ministro. A nossa pergunta aqui da rádio Rural de Santarém é: que propostas o Brasil vai apresentar na Conferência Climática de Copenhague?

MINISTRO: Bom dia, Francimar, bom dia a todos os ouvintes da rádio Rural de Santarém. Essa rádio que vai em todas as comunidades aí do oeste do Pará, com um papel muito importante. Nós vamos estar aí no final do mês, dias 27 e 28, lançando Conselho do Desenvolvimento Econômico Social do município de Santarém, uma iniciativa importante da prefeita Maria do Carmo. Nós vamos levar um conjunto de compromissos que, por um lado, demonstra que o Brasil já vem fazendo a lição de casa e por outro mostra a perspectivas novas de futuro, de preservação da Amazônia, de manutenção de uma matriz energética renovável, da redução cada vez mais de emissões de carbono. Uma das propostas muito importantes que o Brasil vai levar para Copenhague tem a ver aí com a região de Santarém, do oeste do Pará e toda a região amazônica, que é apresentar a proposta de que os países desenvolvidos remunerem os países em desenvolvimento que têm florestas tropicais para atividades de preservação da floresta, de manejo florestal sustentável, de extrativismo sustentável e da formação de uma indústria da floresta, que vai nos ajudar a manter a floresta em pé. A gente diz que o mundo todo quer que a floresta fique em pé, então é justo que os países desenvolvidos que já não têm mais florestas nos ajudem a financiar a manutenção da floresta em pé. Essa foi uma proposta apresentada pelos governadores da região Norte do país, do fórum de governadores da Amazônia e pelos prefeitos, como a prefeita Maria do Carmo, que nós vamos levar a Copenhague, com a certeza de poder receber recursos internacionais dos outros países, pra gente ajudar a manter a nossa floresta em pé. Um dos exemplos disso é Fundo da Amazônia, que foi criado pelo nosso governo, operado hoje pelo BNDES, que capta recursos dos outros países para projetos na região amazônica.

RÁDIO TUPI AM - SÃO PAULO(SP)/RICARDO LEITE: Ministro, eu tenho duas perguntas. Eu estou acompanhando o programa e percebendo que o senhor está respondendo muitas perguntas sobre a Copa de 2014. Eu estive nesta semana numa reunião, no estádio do Morumbi onde eu pude acompanhar a apresentação de um projeto muito interessante e a impressão que a gente tem é que o estádio vai ficar bonito. No entanto, eu percebi um dado interessante que eu gostaria de comentar com o senhor: das 12 cidades envolvidas, apenas Porto Alegre, com o Beira Rio; Curitiba, com o Arena e o Morumbi, de São Paulo são particulares. O restante é tudo obra pública. Isso não é preocupante ministro?

MINISTRO: Hoje em dia, eu diria que não é preocupante porque nós estamos retomando no país um programa permanente de investimentos públicos. Eu acho que é bom termos três estádios privados, como no caso que você citou, de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Nós, através do BNDES, vamos ajudar a financiar esses estádios e através dos recursos também do BNDES de financiamento, nós estamos montando uma modelagem de financiamento, que garante aos governos estaduais e aos governos municipais a participarem da construção desses novos estádios e das mudanças dos estádios.

Isso vai fazer com que os recursos públicos sejam recursos de financiamento, assim como a gente financia empresas privadas, como a gente garante o crédito público pra grandes operações privadas que possam ter rentabilidade. Hoje, um terço do crédito, tudo que é oferecido de financiamento no país é pelos bancos públicos, ou seja, é dinheiro público financiando a economia que cresce.

Um novo estádio, se tiver uma boa modelagem, eu acho que isso tem sido interessante e o BNDES tem sido muito rigoroso nisso. Uma boa modelagem que seja rentável, que ele, ao longo dos anos, se pague pelos serviços que façam, pelos shows que façam, pelos próprios jogos, pelos serviços associados ao estádio, ele acaba tendo um retorno importante também pro bem público. Primeiro porque é um equipamento público pra uso de todos e segundo porque retorna ao banco que financia esse projeto, aquilo que custou.

Então, a modelagem que o BNDES está realizando garante a construção de novos estádios rentáveis com uma boa gestão e isso é bom - não só para as cidades que realizam a Copa, mas pra todo o Brasil.

RÁDIO TUPI AM - SÃO PAULO(SP)/RICARDO LEITE: A cidade de São Paulo acorda hoje com a notícia de que o João Rodas, o segundo da lista tríplice, foi escolhido pelo governo de São Paulo, pra ser o novo reitor da USP, numa semana em que tivemos como celebridade uma estudante de micro vestido. O senhor como o mais jovem ministro e que inclusive, pelo que consta foi tesoureiro da UNE. Hoje o governo faz campanhas para preservativos, sendo que não sabemos que qualquer criança de 10 anos já sabe como usar. O senhor não acha necessário também fazer campanhas educativas, com os estudantes para recebermos o mundo aqui no nosso país, entre 2014 e 2016. Pelo cenário de hoje, eu sinto que a sociedade brasileira, principalmente os ouvintes que entram em contato com a gente, o pessoal tem receio do que os estudantes, em nome da liberdade de expressão, possam aprontar, ministro.

MINISTRO: Primeiro que eu nunca fui tesoureiro da UNE, essa é uma parte do meu currículo que apareceu em algum lugar, mas tenho orgulho de ter participado do movimento estudantil e ter iniciado na política, na atuação do movimento estudantil. Nós temos um conjunto de programas e não são só programas do governo federal, é junto com os estados, com os municípios que busca a educação dos jovens. O nosso investimento na área de educação, por exemplo, é uma demonstração disso.

O nosso governo, o presidente Lula vai encerrar seu mandato como o presidente que o maior número de universidades federais criou no Brasil. Ultrapassou aquele limite que foi do presidente Juscelino Kubitschek. Em oito anos, nós vamos construir 214 escolas técnicas federais. Pra você ter uma idéia em 100 anos no Brasil foram construídas 140. Em oito anos nós vamos fazer mais do que foi construído em 100 anos no país.

Recentemente, duas semanas atrás, nós conseguimos a aprovação numa mobilização muito particular do governo, do ministro da educação, da retirada da DRU da educação. Isso vai garantir mais R$ 11 bilhões pro setor da educação até 2011. Ou seja, tem um investimento pesado do nosso governo no setor da educação, no Projovem, no próprio Prouni, que garante que estudantes de baixa renda possam frequentar as universidades, se formar em uma profissão. Eu acho que esse investimento na educação, além de programas específicos, mas garantir a esses jovens uma oportunidade é aquilo que vai ter um impacto fundamental nessas gerações. Nossa preocupação com o projeto do pré-sal foi uma dessas.

O presidente Lula fez questão de colocar, dentro do fundo, que é criado pelo novo marco regulatório do pré-sal, recursos específicos pra área de educação, pra que a gente possa pegar essa riqueza do petróleo, que é uma riqueza natural e transformar em riqueza social, em riqueza humana, sobretudo pra essas gerações futuras. Então essa é a preocupação do nosso governo em relação a essa juventude que está se formando no Brasil, que está tendo mais oportunidade de concluir o ensino superior ou uma escola técnica federal, para que ela se insira nesse novo momento que o Brasil vive e que tenha um papel ativo aí tanto nesses dois grandes eventos que você citou, na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016.

RÁDIO CBN - RIO DE JANEIRO(RJ)/VANESSA MAZZARI: A Amazônia perdeu em um ano, na área de floresta o equivalente a todo o Distrito Federal e também a cidade de São Paulo. Eu queria saber quais são as propostas do governo nessa questão, já que em dezembro vai haver, em Copenhague, a Conferência sobre mudanças climáticas.

MINISTRO: Em primeiro lugar manter o plano de combate ao desmatamento na Amazônia, que nós construímos e que é coordenado pela ministra Dilma. É verdade que a Amazônia perdeu em um ano essa extensão que você falou, mas é verdade também que esse ano teve redução de 46% em relação ao que era do ano anterior. Ou seja, nós perdemos através do desmatamento, mas nós estamos ganhando com combate ao desmatamento. A nossa proposta fundamental é que o governo federal tenha um conjunto de compromissos, o Brasil assuma um conjunto de compromissos, porque não é só do governo federal, mas do governo dos estados, dos municípios, dos empresários, da indústria, do setor rural, pra que a gente consiga manter a nossa matriz energética renovável, ou seja, com grande predomínio de hidrelétricas, de fontes de energia renovável. Manter a idéia do combate ao desmatamento na Amazônia, com a meta de redução de 80% do desmatamento na Amazônia. Mudar a matriz, a fonte de energia de carvão no setor de siderurgia. Uma série de investimentos na área de agricultura, que faz com que a agricultura contribua pro combate ao desmatamento em uma ação mais sustentável no meio rural.

Ou seja, o Brasil vai apresentar em Copenhague um conjunto de compromissos e de ações que faz com que o Brasil, além de estar fazendo a lição de casa, seja um exemplo pro mundo e possa influenciar o mundo nesse tema, nessa discussão sobre as mudanças climáticas.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: O governo anuncia hoje, ministro, essa proposta, nessa reunião em São Paulo, onde está o presidente Lula?

MINISTRO: Hoje tem uma reunião do presidente com os ministros. É uma reunião ainda de fechamento das propostas, numa primeira análise. Depois tem uma ida de alguns ministros a uma reunião preparatória já nesta próxima semana, preparatória a Copenhague. E nós temos até o final de novembro, o momento para o anúncio de qual seria o conjunto dos compromissos. Além disso, o presidente Lula tem feito conversas com os demais presidentes da América do Sul, que tem a Amazônia. Nós temos uma proposta da Amazônia sul-americana. Então o presidente tem conversado com Venezuela, Peru, Equador, Colômbia, Guiana Francesa, os países que têm participação importante na Amazônia sul-americana.

RÁDIO VERDES MARES - FORTALEZA(CE)/NILTON SALES: Ministro, o senhor pode nos antecipar a partir de quando o Brasil vai usufruir dos resultados do pré-sal?

MINISTRO: Hoje em dia o Brasil já usufrui dos resultados do pré-sal. Uma parte das reservas do pré-sal já é explorada no Brasil, hoje, só que são exploradas pelo modelo anterior, que é o modelo de concessão, por aquela lei de 98. Por que o governo apresentou na Câmara, e nós vamos começar a votar na semana que vem, já aprovamos na Comissão Especial, nos relatórios, esse novo marco regulatório do pré-sal? Porque exatamente nós queremos que essas novas reservas sejam exploradas já sobre um novo modelo. Por que é importante esse novo modelo? Pra gente garantir que a riqueza do pré-sal, ao invés de ficar com as empresas que exploram, fique como patrimônio nacional pra todo o país, pra todo o povo brasileiro.

Nesse marco regulatório do pré-sal, nós enviamos quatro projetos à Câmara, que começa a votação na semana que vem. O primeiro, é o projeto que estabelece que a parte dos recursos do pré-sal fique com a União, que é o modelo de partilha. Isso vai poder distribuir a riqueza, desse modelo de partilha, para todos os estados e municípios. Dentro desse projeto, por exemplo, nós colocamos pela primeira vez que todos os estados brasileiros e todos os municípios brasileiros, independente se tem uma bacia do pré-sal próxima ou não ao seu litoral, vão receber a riqueza proveniente dessa exploração.

Além disso, nós estamos criando um fundo que vai pegar esse recurso e vai investir em educação, ciência e tecnologia, cuidado no meio ambiente, cultura, saúde e combate à pobreza. Um terceiro projeto, é um projeto que fortalece a Petrobras. E o quarto, cria uma empresa chamada Petrosal, que vai ter o papel de planejar a exploração do pré-sal. A gente diz que o pré-sal é como se fosse uma poupança, que é pro Brasil de hoje, mas muito também para as gerações futuras. E é importante ter essa empresa que faça o planejamento do uso dessa riqueza, da exploração do pré-sal, para que a gente não perca rapidamente essa riqueza.

Só pra você ter uma ideia, em três postos já bem identificados, que não representam nem 20% de todo o pré-sal, com esses três postos, nós vamos conseguir dobrar toda a produção de petróleo no país. Então, é uma riqueza que inclusive a gente não tem hoje, o cálculo exato dela. Mas certamente aumenta muito a produção do petróleo no Brasil e faz com que o Brasil tenha uma força de negociação, além de uma riqueza muito importante.

RÁDIO GAZETA-CUIABÁ (MT)/DAVI DE PAULA: Ministro, eu gostaria de saber, inclusive essa semana tomou posse toda a diretoria da Agência que vai cuidar de todos os trabalhos e discussão em relação às obras da Copa do Mundo de 2014, que é a Agecop. Eu gostaria de saber, em relação a recursos. De que forma ocorrerão a distribuição dos recursos, no caso, às cidades sub-sedes da Copa do Mundo de 2014, uma vez que Cuiabá é uma dessas cidades. De que forma ocorrerá o repasse desses recursos para aplicação em obras em Cuiabá?

MINISTRO: Bom dia Davi de Paula, bom dia a todos os ouvintes da rádio Gazeta. Ontem eu tive a honra de receber aqui o governador Blairo Maggi; junto com o deputado Carlos Abicalil, deputado federal; deputado Carlos Bezerro; vice-governador Silval Barbosa, o deputado Wellington. E nós discutimos projetos do presente e do futuro aí pro Estado do Mato Grosso. Nós tivemos um cuidado muito especial de termos montado um comitê do governo, coordenado pelo ministro dos Esportes, ministro do Planejamento e a ministra Dilma, em chamar todos os estados e municípios, por que nós queremos alocar recursos naquilo que têm projetos claros. Os projetos estão prontos pra que, o recurso chegando, a obra tenha um andamento importante.

Então, nessas primeiras reuniões, nós já definimos a modelagem de financiamento pro estádio aí em Cuiabá, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico vai financiar a construção desse novo estádio aí em Cuiabá, o modelo realmente, ficou muito bonito. E foram apresentados projetos de corredores de ônibus, sobretudo aí na região que liga rede hoteleira, o aeroporto que fica aí no município ao lado, de Várzea Grande, junto ao estádio para que a gente possa garantir a mobilidade urbana na cidade de Cuiabá. Esses projetos foram apresentados, alguns já estavam num estágio bem avançado de projeto básico, pronto pra licitar, outros ainda não. Então nós estamos conversando com estado e com o município pra detalhar esses projetos, pra poder garantir o financiamento desses recursos.

RÁDIO GLOBO-TERESINA (PI)/YANTOK SILVA: Muito bom dia Kátia, bom dia ministro Alexandre Padilha. Ministro, o Brasil participa em dezembro da Conferência sobre Mudanças Climáticas. Agora, qual seria a posição do Brasil, porque continua o desmatamento e a devastação para a extração de madeira. E em seguida, vem as queimadas. Agora ministro, como o governo brasileiro vai se posicionar neste encontro?

MINISTRO: Bom dia Yantok, bom dia a todos aí do Piauí. Você parece estar bastante animado, aí? Animou todo mundo aqui no estúdio. Como eu estava falando, o Brasil vai apresentar um conjunto de compromissos, em Copenhague. Nós temos toda a legitimidade de estarmos fazendo o dever de casa. Ontem mesmo o Inpe mostrou os dados de redução do desmatamento na Amazônia. Nós tivemos nesse ano, a menor taxa de desmatamento na Amazônia dos últimos 21 anos. Esse conjunto de esforços pra reduzir o desmatamento na Amazônia, são esforços não só de combate ao desmatamento, mas sobretudo, de promoção de uma alternativa econômica para as populações.

O Piauí, eu acho que sente muito isso. Ao longo desses sete anos, o Piauí mudou o seu modelo de desenvolvimento econômico. Começou a crescer, cresce mais do que a média brasileira. Incluiu a sua população, incluiu aquelas pessoas que estavam excluídas do mercado de trabalho, do acesso aos alimentos. Começou a constituir programas de desenvolvimento no interior, na região mais pobre do Estado que envolve a produção agrícola. Têm projetos as vezes são projetos pequenos, como o apoio à produção de galinha caipira, que eu sei que é um projeto importante do governo do Estado, que faz com que essas pessoas que às vezes são levadas a atividades predatórias, passem a ter atividades produtivas econômicas sustentáveis.

Então o Brasil leva à Copenhague, não só o que vem fazendo, mas um conjunto de propostas e de compromissos com essas propostas, para que essas ações de apoio ao desenvolvimento sustentável, de mudança do padrão econômico, sobretudo das populações mais pobres, ajude a preservar as florestas em pé, os nossos rios, as nossas bacias hidrográficas.

RÁDIO ABC 900 AM-NOVO HAMBURGO(RS)/JEANIA ROMANI: Bom, ainda em relação à Conferência sobre Mudanças Climáticas, um ponto muito discutido é a redução dos gases do efeito estufa, que causam o efeito estufa. O que foi apresentado, de fato, aqui no Brasil nesta conferência pra redução da emissão do CO2?

MINISTRO: A maior emissão de CO2 no Brasil é em função do desmatamento. Então, a grande aposta do nosso governo e é a nossa lição de casa, como eu tenho dito, mas também a nossa grande aposta pro futuro é o Plano de Combate ao Desmatamento. Nós vamos ter uma inovação a partir desse ano, Jeane que é ter não só um plano nacional, mas um plano também dos governos estaduais da Amazônia Legal Brasileira. Isso foi combinado ontem, numa reunião durante o lançamento do Mutirão Arco Verde, no anúncio, numa reunião junto com o presidente, que fez com que a gente fizesse ações nos 43 municípios da Amazônia Legal, onde tem o maior índice de desmatamento, ações pra mudar o modelo econômico que garantem a inclusão das pessoas, que faz com que elas passem a ter atividades produtivas econômicas.

A questão mais importante na Amazônia brasileira hoje, pra evitar o desmatamento, é a regularização fundiária. O governo enviou no começo desse ano, uma proposta de mudança pra agilizar a regularização fundiária, quem tem terra na Amazônia, tem um título de terra, foi aprovada pelo Congresso Nacional, com a participação muito importante dos deputados e dos senadores. Isso já é uma realidade da Amazônia hoje: o programa Terra Legal, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ontem nós entregamos títulos pra pessoas que estavam há mais de 20 anos na Amazônia, moravam lá na terra, mas não tinham título. Quando você não tem o título da terra, você não pode pegar financiamento, o estado brasileiro não pode nem averiguar se aquela terra está contribuindo ou não com o desmatamento, por que não sabem quem é o dono da terra.

A partir de agora, com a regularização fundiária, nós vamos poder acompanhar mais de perto as atividades produtivas nas terras da Amazônia e combater o desmata mento que é a maior parcela de emissão de CO2 hoje no Brasil.

RÁDIO UFMG EDUCATIVA-BELO HORIZONTE(MG)/ALESSANDRA RIBEIRO: Com relação à Copa de 2014, uma questão crucial para que Belo Horizonte possa sediar os jogos é a mobilidade urbana e a cidade depende de recursos do governo federal para a ampliação das linhas do metrô. Esses recursos estão assegurados para BH, ministro?

MINISTRO: Como eu estava falando, nós chamamos todos os prefeitos e governadores das cidades-sede da Copa para analisar seus projetos. Qual tem sido o critério do governo federal para selecionar esses projetos? É que a gente tenha a garantia primeiro da sustentabilidade do projeto; e segundo, que sejam projetos que fiquem prontos antes da Copa. Nós queremos a garantia de que a execução desses projetos esteja pronta em 2013, porque é quando a gente vai ter a Copa das Confederações.

Tanto o estado, quanto a prefeitura de Minas apresentaram seus projetos. Um projeto muito importante na área de corredores de ônibus, no entorno do estádio onde vai se realizar a Copa, próximo à rede hoteleira e nós estamos no processo final de priorização desses projetos e aí o presidente da República vai poder anunciá-los junto com os governadores e prefeitos.

RÁDIO JORNAL DO COMÉRCIO-RECIFE (PE)/VAGNER GOMES: Ministro, em relação à proposta de aumento dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo, que está em discussão na câmara. Eu queria saber qual é a posição exata do senhor e do governo, em relação e essa decisão, Ministro. Os aposentados vão continuar sofrendo o impacto do aumento do salário mínimo como está agora, ou vai haver alguma mudança?

MINISTRO: O governo vem discutindo com as centrais sindicais, com as associações dos aposentados e com os líderes no Congresso, uma proposta que leve uma garantia de aumento real para os aposentados, aqueles que ganham mais de um salário mínimo.

Aqueles que já ganham até um salário mínimo, nós já temos o projeto do governo e estamos garantindo um aumento real ao longo desses anos, tivemos um aumento de cerca de 46% para os aposentados que ganham até um salário mínimo. Com a aprovação da política permanente de reajuste do salário mínimo, que faz com que todo ano a gente tenha a reposição da inflação e mais o crescimento da economia, mais o PIB, a gente vai garantir esse aumento real para todos os aposentados que ganham até um salário mínimo, que é dois terços dos aposentados brasileiros.

Nós construímos uma proposta com as centrais sindicais que estende um ganho real, para aqueles que ganham mais de um salário mínimo. O presidente Lula recebeu as centrais sindicais ontem e fez questão que elas fechem um acordo entre elas. O governo já apresentou uma proposta que é o limite que o governo pode ter, que garante a todos os aposentados que ganham mais de um salário mínimo um aumento que repõe todo ano a inflação e mais 50% do que foi o índice do crescimento da economia brasileira, do PIB. Só pro ano que vem, por exemplo, teria cerca de 7% de aumento, para todos os aposentados que ganham mais de um salário mínimo; além da proposta que acaba com o fator previdenciário, facilitando àqueles que trabalham hoje que queiram se aposentar.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, ontem o deputado Henrique Fontana, que é líder do Governo, disse que talvez o governo ainda mande uma Medida Provisória para o Congresso, com o Projeto de Lei de urgência para definir até 2023 uma política real de ganho para o salário mínimo, existe essa possibilidade mesmo?

MINISTRO: Nós já temos o projeto no Congresso, esse projeto no Congresso já foi encaminhado há cerca de dois anos, tá tramitando no Congresso, nós queremos que o Congresso aprove essa política permanente de salário mínimo e nós estamos inclusive solicitando que o Congresso vote isso, ou tem a alternativa sim do governo garantir isso, através de Medida Provisória.

Também em relação ao acordo dos aposentados, nós estamos com uma proposta junto com as Centrais Sindicais e estamos analisando, dentro do governo, junto com os líderes na Câmara qual é a melhor alternativa para garantir o ganho dessa proposta de acordo que foi construída com as Centrais Sindicais.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: O senhor assumiu a coordenação política do governo com a missão de fazer uma interlocução com o Congresso Nacional e com a base aliada, governos estaduais e municipais. Como é o desafio de manter essa base unida principalmente agora que se aproxima o ano eleitoral, Ministro?

MINISTRO: Eu acho que tem sido uma experiência positiva, sobretudo segundo o governo do presidente Lula, que é essa ideia do governo de coalizão. Nós temos 17 partidos que apóiam o governo, temos um conselho político que se reúne regularmente, que une os presidentes dos partidos, os líderes na Câmara, no Senado. Eu me reúno toda semana com os líderes da Câmara e do Senado.

O balanço desse mês das votações e aprovação na Câmara e no Senado é uma demonstração disso, nós aprovamos projetos muito importantes, por exemplo, nós aprovamos o fundo que garante um recurso financeiro para as micro e pequenas empresas, a gente chama do fundo garantidor das micro e pequenas empresas.

Nós aprovamos, como eu disse a retirada da DRU da educação que garante mais recursos para área da educação. Aprovamos, por exemplo, um projeto de lei das entidades das entidades filantrópicas, que dá uma regularidade para aquelas entidades que fazem ações sociais, que fazem ações da área de filantropia. Nós aprovamos um crédito que garante a expansão das agências do INSS. Nós estamos levando agências da previdência para vários municípios do Brasil que sequer tinham acesso às agências da Previdência. Tem estados que nós estamos aumenta em sete vezes o número de agências do INSS. A aprovação, como eu disse, do Fundo Brasileiro de Mudanças Climáticas, a Política Nacional de Mudanças Climáticas.

Ou seja, nós temos um balanço muito positivo, nesse mês no Congresso - na Câmara e no Senado - que faz com que a gente cumpra, até o final do governo do presidente Lula, uma missão muito importante: que é consolidar o conjunto dos avanços sociais do nosso governo. Nós estamos num momento de consolidar esse esforço que nós fizemos de superar a crise internacional e também consolidar o que nós chamamos do legado do governo do presidente Lula, que mudou a política social, grandes avanços sociais, incluiu parcela importante da população brasileira.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Alexandre Padilha, o Bom Dia Ministro quer agradecer a presença do senhor no programa.

MINISTRO: Muito obrigado, Kátia Sartório, obrigado a todas as emissoras que nos acompanharam. Dizer que nós continuamos à disposição, não só aqui no programa, das emissoras em todo Brasil, pra responder e conversar um pouco sobre o dia a dia das ações do governo na relação com os estados, com os municípios, com o Congresso Nacional e com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que reúne empresários, trabalhadores e que faz parte também do nosso Ministério.