22/10/09 Vagas em cursos de qualificação profissional deverão reservar 10% de suas vagas para pessoas deficientes

Os cursos de qualificação profissional do Ministério do Trabalho e Emprego deverão reservar 10% de suas vagas para pessoas deficientes. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, durante o programa Bom dia, Ministro, pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele conversou com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lupi também destacou que os trabalhadores do setor de turismo, hotelaria e transporte serão qualificados para a Copa de 2014 no Brasil, e as Olimpíadas de 2016. O ministro do Trabalho e Emprego falou sobre a geração de empregos formais no país. No mês de setembro, foram criados mais de 252 mil empregos com carteira assinada e o ministro estima que o Brasil poderá gerar, até dezembro, 1,1 milhão de empregos formais.

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APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, a geração de emprego e a qualificação profissional no Brasil. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi vai explicar que no mês de setembro foram criados mais de 252 mil empregos com carteira assinada. A estimativa, pelo menos a expectativa, é de que o Brasil vai poder gerar até dezembro, mais de 1 milhão de empregos formais. Carlos Lupi também conversa com a gente, sobre a qualificação dos trabalhadores, para a Copa do Mundo e os jogos olímpicos. E ainda sobre os 34 anos do Sistema Nacional do Emprego o Sine. O ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi, já está aqui no estúdio pronto para conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, que fazem parte dessa rede. RÁDIO LITORAL (SANTOS-SP)/OSWALDO VILELA: São Paulo obteve a segunda maior geração de emprego no Sudeste e no país. O estado foi superado apenas pelo Rio de Janeiro. Diante desse quadro, em especial aqui no litoral paulista, onde vivemos um clima de euforia, devido às perspectivas de contratação, em virtude dos anúncios das descobertas de petróleo, por parte da Petrobras. Eu gostaria de saber o seguinte: os paulistas podem acreditar, ter a absoluta certeza de que o ano que vem será ainda melhor, no que tange a geração de empregos? MINISTRO: Primeiro eu é que tenho o prazer de falar-lhe. Só uma modesta correção: São Paulo foi o maior gerador de emprego de todo o Brasil, maior inclusive do que o Rio de Janeiro, pelas características do estado - por ser um estado muito forte na industrialização e, principalmente, por ser o estado, que sempre puxa a geração de emprego, o maior gerador de emprego, a maior população do Brasil. Eu tenho absoluta segurança de que o Brasil, tendo sido o primeiro país que conseguiu sair da crise, vai viver o melhor ano do governo Lula em 2010. Nossa perspectiva para 2010 é muito positiva, não só na indústria do petróleo, de toda sua cadeia produtiva, como em todo o setor da economia. O Brasil está com setor de comércio reagindo fortemente, construção civil crescendo muito bem, setor de serviço. A indústria que no começo do ano teve um fraco desempenho, se recuperou bem, como eu já havia previsto. Quem já ouviu em o 'Bom dia Ministro' aqui com a minha participação deve ter lembrado que, mesmo no auge da crise eu já previa esses um milhão de emprego. Todo mundo achava que era otimismo demais. Não é não. É acreditar no Brasil e trabalhar pra isso. Eu tenho certeza que nós vamos viver o melhor ano da economia brasileira, o maior crescimento do Produto Interno Bruto, o maior crescimento na geração de emprego, em 2010. RÁDIO LITORAL (SANTOS-SP)/OSWALDO VILELA: Eu gostaria que o ministro registrasse a sua opinião com relação à formação de mão-de-obra, que vai atuar nas obras preparativas para a Copa de 2014, com relação ao projeto Começar de Novo , que prevê a inclusão de mão-de-obra carcerária também na edificação dos projetos?MINISTRO: Eu sou favorável a que sempre a gente trabalhe - os governos estaduais, municipais e federal - pela inclusão na sociedade. Não adianta você deixar o ser humano isolado. A prisão isola e o isolamento leva a tudo o que há de ruim para a mente humana. Então, esse projeto que é do Ministério da Justiça tem um grande e belo objetivo de reintegrar na sociedade, aqueles que em algum momento cometeram algum tipo de deslize. É claro que isso é graduado, é para pequenos tipos de crimes. Eu sou favorável. Eu acho que é um importante para o programa que ajuda a ressocializar e que ajuda principalmente a integrar com a sociedade. RÁDIO ITAPUAMA FM (ARCOVERDE-PE)/JOÃO FERREIRA: Em especial Pernambuco tem crescido muito nos últimos anos. Isso se deve à transposição, às obras do rio São Francisco? Há problemas na qualificação de mão-de-obra, para as obras da transposição?MINISTRO: Não só as obras da transposição do Rio São Francisco, como também está muito forte em Pernambuco a indústria de construção civil. A área da metalurgia, a indústria naval, o setor de serviço. Agora mesmo nesse mês passado, Pernambuco gerou mais de 22 mil empregos, só especificamente na área da cadeia produtiva sucroalcooleira, na produção da cana-de-açúcar, do açúcar, do álcool, de toda a cadeia sucroalcooleira. Pernambuco tem sido no Nordeste, normalmente é o primeiro ou o segundo estado, em geração de emprego. Tem tido crescimento forte. É dos estados da federação em que mais o governo federal tem investido em geração de emprego. Eu já tive diversas vezes em Pernambuco, fazendo lançamentos na área do Pró-jovem - que é um programa de qualificação para a juventude, na área de planos setoriais, na área de construção civil. Estamos fazendo aí um grande programa para o beneficiário do Bolsa Família. E eu tenho muita segurança, eu que adoro Pernambuco, grande família aí em Pernambuco, em Olinda, Casa Caiada, Casa Amarela. Brinquei muitos carnavais aí e adoro o carnaval de Pernambuco. Eu tenho certeza que Pernambuco está, como o Nordeste, mostrando ao Brasil como o trabalhador está conseguindo, coordenando com os empresários produtivos, fazer o Brasil crescer e principalmente nessa região, na área do turismo, aí tem belezas incomparáveis. Não tem nenhum país do mundo, que tem as belezas naturais que o Brasil tem, e Pernambuco é uma dessas características, Porto de Galinhas... É lindo, lindo e eu tenho absoluta segurança que Pernambuco cada vez vai crescer mais.RÁDIO ITAPUAMA FM (ARCOVERDE-PE)/JOÃO FERREIRA: A gente sabe que o Ministério do Trabalho se preocupa muito com a mão-de-obra, principalmente a qualificada. A gente observa que na zona urbana há uma qualificação mais acentuada. Como é que ficam as pessoas da zona rural, que precisam também de uma mão-de-obra, para suprir os seus afazeres lá no seu lugar? Para evitar o êxodo rural?MINISTRO: Você tem razão. Infelizmente se concentrou, durante muitos anos, a qualificação, a própria industrialização, nos grandes centros urbanos. Mas graças a Deus isso, de um tempo pra cá, tem mudado. Você vê regiões aí como Caruaru, regiões como o Nordeste, que eu chamo de o 'nordeste mais profundo', que é o nordeste mais distante, Juazeiro, tanto da Bahia, quanto de Pernambuco. Você vê regiões que estão crescendo muito. Nessa área de qualificação, nós adotamos um novo modelo. Qual é o novo modelo? Parcerias com os municípios, onde os municípios são os grandes gerentes desse processo. O governo Federal apresenta o programa, dá as diretrizes, libera o recurso, mas quem executa é o município. Isso é exatamente para atender esse reclame justo, essa observação correta do amigo, de que o interior, se não tiver investimentos públicos, se não tiver qualificação profissional, se não tiver as empresas indo para lá, causa o êxodo rural. Isso é muito prejudicial, inclusive à qualidade de vida das pessoas. Graças a Deus isso está mudando no Brasil e nós estamos trabalhando, para que isso mude cada vez mais. RÁDIO SÃO FRANCISCO (CAXIAS DO SUL-RS)/JOSÉ THEODORO: Minha pergunta se relaciona à redução da carga horária, processo que está em discussão. Há um movimento muito grande e forte em relação a isso. Eu pergunto: o governo terá forças para suportar essa pressão que vem das classes e apoiar e também consolidar a redução da carga horária? Já que se diz nas pesquisas e cientificamente se confirma que vai aumentar o número de vagas no país?MINISTRO: Eu sou amplamente favorável a essa redução. Eu não escondo a minha linha de pensamento. Eu estive na Câmara defendendo esse posicionamento, porque esse é o mundo moderno. Você tem hoje toda a Europa praticando menos de 40 horas - em torno de 37,5 horas é a média da Europa. Dos 50 estados americanos, praticamente quase todos praticam menos de 40 horas semanais. Eu acho inclusive, que isso é um ganho para as empresas. Porque dá mais produtividade do trabalhador, do seu serviço. Com a característica do Brasil, de que, infelizmente, aqui não foi muito bem planejado, o sistema de transporte de massa, nas áreas urbanas. O trabalhador, normalmente leva entre ir e vir, ida e volta do seu trabalho, entre duas e três horas. Então, além das horas praticadas de trabalho, as oito horas diárias, ele ainda perde quase três horas só no deslocamento. Essas 40h é uma medida saudável. Nós estamos trabalhando, negociando, conversando - não queremos impor, mas o trabalhador brasileiro precisa ter um pouco mais de tempo para ficar com a sua família, inclusive, isso melhora a sua produção na própria empresa. Sou favorável, defendo e continuarei defendendo e não há pressão que possa mudar convicções.RÁDIO SÃO FRANCISCO (CAXIAS DO SUL-RS)/JOSÉ THEODORO: Eu queria fazer mais uma pergunta em relação a programas de governo que possam aumentar a possibilidade de vagas e empregos. A gente sabe que o governo tem investido muito forte na construção civil e isso tem dado muito emprego. O setor metal/mecânico, e aqui é um pólo metal/mecânico em Caxias do Sul, na região da Serra, também é um setor que tem investimentos e proporciona empregos. Que outro setor poderia ajudar nesse sentido, ministro?MINISTRO: Têm vários setores. Quem acompanha a Radiobrás, o 'Bom Dia Ministro', quase sete ou oito meses atrás, no auge da crise, eu já tinha falado que o Brasil teria um comportamento diferenciado. Por algumas questões que caracterizam a realidade brasileira: controle da inflação, grande reserva cambial - mais de U$230 bilhões na reserva do Banco Central. Inclusive, no auge da crise, o mundo todo se descapitalizando e o Brasil crescendo a sua reserva. A indústria nacional aplicando muito. O mercado interno muito forte.Nós tivemos ganhos reais do salário de todas as categorias. O salário mínimo com aumento, nos últimos sete anos do governo do presidente Lula de mais de 60%. Todos esses fatores somados permitiram com que o Brasil tivesse esse comportamento diferenciado de crescimento da economia. Para que isso acontecesse, respondendo a sua pergunta, nós tivemos que adotar medidas específicas para cada área. Setor automobilístico: demos isenção para o carro novo do IPI, fizemos investimentos através do Fundo de Amparo do Trabalhador, liberando recursos para capital de giro para empresas que vendem carros usados. Demos várias isenções fiscais para o setor produtivo - área da indústria da carne, área da metalurgia. Nós conseguimos ter com o capital do Fundo de Amparo ao Trabalhador, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, ampliamos, por exemplo, para mais de 300 mil trabalhadores o seguro-desemprego. Esse ano, estamos terminando o ano pagando a mais de 16 milhões de brasileiros o abono salarial. O salário mínimo teve no dia 1º de fevereiro ganho real acima da inflação. Quer dizer é uma série de medidas e a solidez do sistema financeiro, o controle da inflação e os bancos públicos mostrando do Brasil para o mundo a importância da presença do Estado como locomotiva da economia. Tudo isso somado permitiu com que o Brasil chegasse, agora, no mês de setembro, a 932 mil novos postos de trabalho. Só por quadro de comparação, a maior potência do mundo, os Estados Unidos, perderam, neste ano mais de três milhões de empregos em saldo negativo nos Estados Unidos da América do Norte. Então eu acredito muito na força da competência que o povo brasileiro, junto com o governo, está tendo em superar essa crise, acreditando no seu potencial, na recuperação da perda do salário e principalmente no nosso mercado interno. Essa está sendo a diferença, e isso faz com que cada vez eu fique mais otimista e com muita crença no nosso país.RÁDIO TUPI AM (SÃO PAULO-SP)/IVO MORGANTI: Ministro, a gente tem visto alguns progressos que são interessantes e pontuais, o que eu acho muito importante. Por exemplo, na indústria dos calçados, que passou por diversos problemas e teve até um aumento de crescimento nas vagas, nos empregos e na indústria do calçado. Há uma política pública, há um pensamento de políticas públicas para intensificar pontualmente as áreas e os setores para que, em função até de uma transformação, a divisa da importação, do mercado chinês ou asiático. Há políticas públicas, do ministério do Trabalho, ministro, para que as coisas possam acontecer como aconteceram na indústria do calçado, por exemplo?MINISTRO: Muitas. Eu, por exemplo, estive no começo do ano, aí em Franca, que é a principal base da produção da indústria do calçado masculino, principalmente, e nós fizemos várias parcerias. Desde a qualificação do trabalhador, desde a liberação de recursos através do BNDES para ajudar as empresas que estavam com dificuldades, principalmente, por causa da concorrência, até desleal, do calçado chinês, porque a mão de obra lá não tem direito nenhum, não tem carteira assinada, não tem salário-mínimo, então o custo deles é bem mais baixo do que o brasileiro. Mas a qualidade do calçado brasileiro é incomparável. Você vai hoje, muitos brasileiros fazem isso, vão lá em Nova York, na 5ª avenida, comprar um sapato, achando que é um sapato maravilhoso, feito na Europa, ou no próprio Estados Unidos da América do Norte, e é tudo sapato brasileiro, saiu daí, de Franca, do Rio Grande do Sul. Então, o que está fazendo o Brasil superar esse momento de crise é justamente a capacidade. Primeiro, de um empresariado produtivo que acredita no Brasil. Segundo de ter tecnologia de ponta e da qualidade do produto brasileiro. Eu afirmo, sem nenhum tipo de patriotada: não tem no mundo, hoje, que se compare a qualidade do sapato brasileiro. É um erro muito grave, um brasileiro preferir sapato importado ao sapato brasileiro. É de melhor qualidade, inclusive, é conhecido hoje, no mundo inteiro, até porque está melhorando a nossa exportação, principalmente, nos sapatos de ponta, mais bem feitos, os mais caros até, pela qualidade do coro brasileiro, pela qualidade da mão-de-obra brasileira. Eu fico muito feliz de ter visto a cidade de Franca passar por um momento difícil no começo, final do ano passado para começo deste ano, e ver, agora ela puxando, alavancando a geração de emprego, crescimento da economia brasileira, principalmente por terem acreditado no Brasil e dando capacitação ao profissional dessa área, para que ele se aperfeiçoasse e nós tivéssemos um produto com grande qualidade e competitividade, aliás superando agora, a quase totalidade dos países que fabricam sapatos no mundo inteiro.RÁDIO TUPI AM (SÃO PAULO-SP)/IVO MORGANTI: A respeito dos dois principais eventos esportivos que virão para o Brasil, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. Qual é a preocupação do Ministério do Trabalho e Emprego, qual é a preocupação do ministro Carlos Lupi, de já começar a pensar em incentivos, em políticas para que, não só no Rio, mas na Copa do Mundo, por exemplo, no Brasil inteiro, o emprego possa crescer, possa ser alavancado, com a criação da infraestrutura e com tudo que cerca esses eventos?MINISTRO: Primeiro, eu acho que é importante as pessoas terem noção de quanto é importante esses dois eventos para o Brasil. É muito estratégico. O Brasil vai ter uma divulgação no mundo, como nunca teve, em dois eventos sequenciais: a Copa do Mundo e logo depois as Olimpíadas. Isso também nos obriga a trazer investimentos maciços, por exemplo, na área de transportes, na área de aeroportos, dos portos, na área de serviços. Nós temos que melhorar a capacidade hoteleira do Brasil. Nós temos que melhorar a qualidade dos serviços de restaurante, de hotelaria, de transporte. Isso tudo significa investimento, isso tudo significa mais emprego, isso tudo significa o Brasil que está dando certo. Então eu tenho absoluta segurança de que começando pela Copa do Mundo de 2014, nós já temos feitos várias parcerias com as cidades sub-sedes, com os estados que serão sub-sedes da Copa do Mundo, além de Rio, São Paulo, Rio Grande, você tem Paraná, você aqui no Nordeste Pernambuco, Ceará. Então, o Brasil está tão dando certo, que é um reconhecimento internacional. A Copa do Mundo e agora, as Olimpíadas disputando com Chicago, com Barcelona. Quer dizer, o meu Rio de Janeiro, com todos problemas que nós temos, infelizmente ainda da violência, está mostrando que a sua beleza, a estrutura, o bom momento que o Brasil passa está fazendo conquistar espaços no mundo, no mercado do mundo moderno, e nós estamos investindo maciçamente, não é de hoje, já tem algum tempo, na qualificação profissional. Principalmente focada nesse setor de turismo, que é estratégico, hotelaria, construção, transporte, por que? Tudo acaba se somando. Nós vamos ter muitos investimentos e eu prevejo, que nos próximos anos nós vamos começar a bater recordes atrás de recordes na geração de emprego. Se prepare, 2010 vai ser o melhor ano da economia brasileira 2010 vai ser a maior geração de empregos da nossa história. Registrem o que eu estou falando. Poucos dão muito crédito quando a gente começa a falar. Me julgam otimista demais, mas além de otimista, eu sou baseado na realidade desse Brasil que está dando certo. RÁDIO CBN (GOIÂNIA-GO)/LUIZ GERALDO: Ministro, duas perguntas, quando a gente lembra de geração de emprego aqui no estado de Goiás. Primeiro, ainda em 2009, Goiás é um dos líderes, quando a gente lembra da questão do trabalho escravo. Então eu faço a pergunta nesse sentido: a lei, ministro, é branda para punir o trabalho escravo? E a segunda pergunta, ministro, é que empresários, principalmente do setor da construção civil, reclamam que falta trabalhador qualificado. O Brasil não soube planejar seu crescimento ao deixar de qualificar os trabalhadores? Isso pode prejudicar o nosso crescimento?MINISTRO: Primeiro vamos por parte. Eu não penso que seja branda a legislação pro combate ao trabalho escravo. O Brasil é um dos poucos países do mundo que divulga aquilo que faz, divulga inclusive as suas mazelas. Por exemplo, você tem o grande país do mundo que é o Estados Unidos, naquela fronteira com o México, que a gente não sabe quantos entram por ali, quantos morrem e quantos ficam desaparecidos por atravessar a fronteira. A gente não sabe quantos tem em trabalhos piores do que o de escravo, discriminados, jogados dentro de prisões como se fossem animais. No Brasil, não. No Brasil nós temos ação governamental, nós temos uma equipe chamada Equipe Móvel do Ministério do Trabalho, que é um trabalho conjugado com o Ministério Público, com o Ministério da Justiça, com a Polícia Federal, com os governos estaduais, onde a gente trabalha fortemente para combater esse trabalho, onde temos uma lista chamada lista suja, onde as empresas que são flagradas com trabalhos análogos ao do escravo, com subcondições humanas ao trabalhador, elas praticamente deixam de existir porque ficam nessa lista suja, impedidas de ter financiamento, ninguém quer comprar. Então, infelizmente, ainda temos alguma realidade de alguns empresários egoístas, pequenos, que não enxergam isso. Eu penso que tem um projeto de lei no Senado Federal que confisca as terras onde foram configurados, encontrados, comprovados trabalhos análogos ao trabalho escravo para a União, para servir essas terras como área de reforma agrária. Eu acho que isso sim seria uma bela ideia de aprovar, para que a gente punisse com mais rigor aqueles que usam o ser humano como se fossem animais irracionais. Agora, estamos trabalhando. Estamos trabalhando com muita disposição. Estamos reforçando a nossa equipe. Nós temos isso hoje na página do Ministério do Trabalho divulgado amplamente. Eu permanentemente vou a eventos, chamado Marco Zero, onde a gente trabalha educando, informando, intermediando a mão-de-obra para tentar coibir e diminuir esse índice de trabalhos análogos ao de escravo. Infelizmente, no Centro-oeste brasileiro - Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Pará, Piauí - são as principais regiões pela grandiosidade delas, por esse Brasil ser muito grande e por termos ainda muita gente nesse interiorzão aí, com pouca sensibilidade social, onde encontramos ainda esse tipo de serviço. Mas o Ministério do Trabalho está à disposição da população. Entre na nossa página, faça um contato conosco que nós vamos agir firmemente para coibir, prender e dar o bom exemplo. Quanto à questão da área de qualificação para essa área de construção civil, é a área em que nós temos mais investido. Só esse ano, só na área do beneficiado bolsa-família serão 200 mil trabalhadores qualificados para a área de construção civil. Graças a Deus que o nosso problema é ter emprego e não ter tanta gente preparada para o emprego. O ruim se fosse o contrário, se tivesse muita gente preparada e não tivesse emprego. É claro que não é uma boa equação essa de nós não termos um trabalhador ainda qualificado, mas nós estamos trabalhando, investindo maciçamente. Agora, nós precisamos também da parceria da empresa privada - o Senac, o Senai, que recebem vultuosos recursos. Eles precisam também baratear seus custos, fazer cursos gratuitos, ajudar a qualificar o trabalhador, porque o governo é que nem cobertor de pobre: quando você cobre a cabeça, descobre o pé, cobre o pé e descobre a cabeça. Mas a gente vai se virando e vai se protegendo do frio. RÁDIO CULTURA AM (CUIABÁ-MT)/SEBASTIÃO SIQUEIRA:Ministro, na esteira do companheiro de Goiânia, eu gostaria de indagar ao senhor, tendo em vista que Cuiabá será uma das 12 sub-sedes da Copa do Mundo de 2014. Logicamente tem muito por se fazer na capital do estado do Mato Grosso, e há a necessidade da qualificação da mão-de-obra. O senhor já disse o que está sendo feito no país, mas, especificamente para o estado do Mato Grosso, para a qualificação dos nossos trabalhadores, para que eles possam se beneficiar da Copa do Mundo na geração do emprego e renda, o que o Ministério tem, em termos de programas de qualificação dessa mão-de-obra?MINISTRO: Os programas, quando eu falo em nível nacional, nós temos a visão republicana e federativa de aplicá-los em todas as unidades da federação. Em Mato Grosso também. Nós temos o programa Pró-Jovem Trabalhador, que qualifica os trabalhadores para o mercado de trabalho. Nós temos a área de construção civil. Nós temos qualificação para a área de serviço, para a área de turismo. São vários cursos que eu teria que ter um tempo maior e estar com tudo anotado, para te dizer, mas nós estamos aplicando recursos em parcerias com o governo do estado, em parcerias com a prefeitura de Cuiabá. Nós estamos investindo maciçamente nessa área. Não só em Mato Grosso, como em todas as capitais que vão ter benefício, que é o grande investimento e o grande orgulho de sediar a Copa de 2014, como também todas as unidades da federação brasileira. É claro que a demanda é muito grande. É claro que há muitos anos não se faz nada nessa área e isso faz com que tenha uma defasagem ainda. Mas nós estamos trabalhando firme para diminuir o impacto da necessidade de uma mão-de-obra qualificada investindo em parcerias com estados e municípios. Inclusive Cuiabá, inclusive Mato Grosso.RÁDIO CULTURA AM (CUIABÁ-MT)/SEBASTIÃO SIQUEIRA: Aqui o Sine, o Sistema Nacional do Emprego, no Mato Grosso, a direção sempre reclama dessa questão da qualificação. Alguma coisa não está batendo porque o Ministério diz que há investimentos pesados na qualificação. O Sine encontra dificuldades na colocação desses trabalhadores, e a gente não observa muitos cursos oferecidos para a qualificação desse trabalhador, para que ele possa encarar de igual para igual com os demais que já estão no mercado de trabalho. Está havendo algum desvio de discurso com relação a isso?MINISTRO: Não, eu não faço só discurso. Eu pratico o que eu falo. Eu multipliquei praticamente por dez o investimento, nos últimos dois anos, na área de qualificação. Quando você fala do Sine, que é o Sistema Nacional de Emprego, ele é bancado pelo governo federal. Agora, é claro que nós temos uma demanda reprimida de muitos anos. É claro que, como graças a Deus o Brasil está gerando muito emprego, ao contrário do que os pessimistas falavam, alguns meses atrás, radialistas, comentaristas, economistas diziam praticamente que o mundo ia acabar no Brasil. Olha o Brasil acabou, vai gerar desemprego, vai voltar a inflação. Nada disso está acontecendo. Agora, nós temos uma demanda de anos. Você não muda essa realidade da falta de qualificação profissional de um dia para o outro. O governo federal está dobrando, em uns oito anos do governo Lula, o número de escolas técnicas construídas durante toda a história republicana no Brasil. Agora, isso não é simples. Você vai encontrar ainda muita mão-de-obra necessitando qualificação. Agora, o que você não encontrava antes era o crescimento da economia e a geração de emprego. Ora, como agora você tem emprego, você nota mais claramente a falta de mão de obra qualificada, porque tem emprego e muitas vezes não tem a mão-de-obra. Antes, como não tinha emprego, ninguém observava que não tinha mão-de-obra qualificada. Agora, ao amigo a hora que quiser, eu estou à disposição para te colocar números, cidades, valores que o governo federal têm investido e muito. Por exemplo, o SINE que o amigo fala é bancado, na sua integralidade, com os recursos do governo federal. RÁDIO MAIS FM (JOINVILLE-SC)/LUIZ FERNANDO BATTISTI:Ministro, Santa Catarina teve um crescimento de 2,67% entre janeiro e setembro deste ano na geração de emprego e também renda. Isso na prática representageração de emprego e também renda. Isso, na prática, representa mais de 40 mil novas vagas aqui para o estado. O estado, setor de serviços e transformação, assim como outras regiões do país, foram as que mais geraram novos postos. Bom, a pergunta é a seguinte, ministro: com o fim da crise econômica mundial, esses números devem ser ainda maiores? Existem projeções, já? E quais seriam os setores que ganhariam mais, eu diria, em relação a esses números aqui no estado?MINISTRO: Bom, quem acompanha os fatos acontecidos no Brasil, eu costumeiramente estou em Santa Catarina, adoro esse estado, e há algum tempo eu estou falando que apesar dos problemas da natureza - enchentes, chuvas, calamidades que, infelizmente, atormentaram o povo de Santa Catarina, Santa Catarina é tão forte, tão grandiosa que superou todas essas adversidades e gerou fortemente emprego, como você já falou, crescendo mais de 2%, não só a geração emprego, como também a renda da sua população. Eu acredito que nós vamos avançar mais ainda, porque Santa Catarina tem uma característica muito especial. Não existe uma cidade mãe, muito maior do que a outra, todas as grandes cidades de Santa Catarina têm uma população média muito igual. Joinville, Blumenau, Florianópolis, São José, elas estão faixa de população muito parecida. Santa Catarina tem muita diversificação de recursos, ela é muito forte na produção da carne de frango, ela é muito forte no setor agrícola, na área da maçã, está se especializando na uva. Santa Catarina, capital 'floripa', com suas praias, tem belezas naturais que atraem muitos turistas, principalmente no verão, os turistas argentinos. Essa característica, dessa Santa Catarina grandiosa, com vários tipos de investimentos diferenciados, fazem com que ela supere inclusive as dificuldades da natureza que viveu, com enchentes, com chuva, até vendavais que pareciam verdadeiros terremotos, e vencesse e gerasse emprego e crescesse a sua economia. Eu acredito que isso vai mais avante ainda. Eu sou otimista inveterado. Eu acredito no meu país. Eu acredito no povo brasileiro. Eu acredito que o trabalho é o mecanismo, é o instrumento mais forte para o homem vencer as dificuldades da vida. E Santa Catarina é um exemplo disso.APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Luiz Fernando, você tem outra pergunta?RÁDIO MAIS FM (JOINVILLE-SC)/LUIZ FERNANDO BATTISTI:Nós a aqui na maior cidade do estado enfrentamos um problema, que é com relação à Delegacia do Trabalho. Aqui a antiga, por não suportar a demanda, o senhor mesmo esteve aqui e esteve anunciando (interrupção Ministro: já estamos fazendo uma nova), inclusive a construção (interrupção Ministro: já tá construindo vai terminar agora no final do mês de dezembro). Mas a pergunta, ministro, é outra: existe alguma previsão do Ministério em fazer um acordo para descentralizar, eu diria, a emissão de carteira de trabalho?MINISTRO: Claro, já existe, nós estamos preparando. Agora, nós estamos fazendo uma grande transformação nessa área, que a carteira de trabalho está sendo toda informatizada. Ela vai ter um código de barras, as novas carteiras já estão saindo assim. Os trabalhadores vão receber pela Caixa Econômica, que vai enviar um cartão de identificação do trabalhador em casa. Agora, todo esse sistema, para montar, ele demora um pouquinho. Pra você ter uma ideia, são mais de 50 milhões de carteiras de trabalho existentes no Brasil. Então, nós temos que montar essas 50 milhões, isso leva algum tempo, leva alguns anos. Aí em Santa Catarina, nós estamos uma nova sede, aí em Joinville, até o final desse ano nós estamos inaugurando, já com o sistema integrado, já informatizado, aonde a carteira de trabalho nova vai sair na mesma hora, online. É claro que não dá para atender a todas as necessidades da nação de uma dia para outro, mas especificamente aí em Joinville, no final do ano, isso já vai tá sendo inaugurado.RÁDIO BANDA B (CURITIBA-PR)/DENISE MELO: Hoje, a prefeitura de Curitiba promove durante toda esta quinta-feira, aqui na cidade, uma feira que vai oferecer duas mil oportunidades de emprego para pessoas com deficiência física. Nós sabemos que existe a Lei de Cotas, que estabelece a reserva de vagas para pessoas com deficiência em todas as empresas que tenham mais de 100 empregados, cotas que variam de 2% a 5% do total dos postos de trabalho. Mas sabemos, também, que nem todas as empresas cumprem, exatamente, esta lei, ou seja, colocam esse número de deficientes físicos na empresas, e eu lhe pergunto, ministro, quais são as ações do governo federal na geração de empregos para pessoas portadoras de deficiência?MINISTRO: Primeiro, a principal marca que se tem é o cumprimento da lei. Então, a nossa equipe de fiscalização está agindo firmemente, fiscalizando, infelizmente, a grande maioria das empresas que não estão cumprindo a legislação. E essa cota vaira pelo tamanho da empresa. As menores têm 2%, até poque o número de trabalhadores, o quantitativo é menor, e as maiores chegam a até 5%. Nós estamos trabalhando firmemente para que a lei, que já está promulgada, que está aí para ser cumprida, seja cumprida. Agora, também têm setores que têm dificuldades, por exemplo: setor de transporte tem muita dificuldade para adaptar o deficiente, o portador de necessidade especial, na área, por exemplo para direção do ônibus, para direção de caminhões, setor eletricitário, têm setores que têm dificuldades operacionais para que esse trabalhador se adapte ao serviço. Então, nós temos que avaliar que saída encontramos para setores que são estratégicos - construção civil, transporte, setor elétrico -, são alguns exemplos que eu dou. Agora, outros não têm desculpa, é pura discriminação. E, agora, por coincidência, assinei ontem, está sendo publicada amanhã no Diário Oficial uma obrigatoriedade que todos os cursos, todos - Pro-jovem, Por-sec, Plano setorial de qualificação, plano territorial de qualificação - têm a obrigatoriedade de pelo 10% dos que estão fazendo esses cursos serem portadores de necessidades especiais ou deficientes físicos. Por quê? Porque muitos reclamam da falta de ter o trabalhador que tem deficiência preparado, qualificado para esse mercado de trabalho. Agora, isso a gente só observou com o tempo. Então agora, eu assinei ontem de noite, só sai no Diário (Oficial) de amanhã, por causa da hora, que eu assinei isso já eram oito e meia da noite, quando eu estava lá no Ministério. Então, só sai na sexta-feira, mas é um instrumento a mais que a gente está querendo dar, para ajudar com que o portador de deficiência tenha uma qualificação para que ele consiga mais rapidamente o mercado de trabalho, e, assim, as empresas cumpram a lei que já está em vigor. APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então, 10% das vagas desses cursos que o Ministério oferece para qualificação, agora, a partir de amanhã, no caso, passam a ter obrigatoriamente que ter pessoas com deficiência?MINISTRO: Para você ter uma ideia, nós vamos terminar esse ano aí de todos os cursos conveniados e diretos, há mais de um milhão de trabalhadores beneficiados. É muito grande, nós assumimos isso em 2007, começo de 2007, era 250 mil. Então, nós quadruplicamos o número de trabalhadores. É claro, precisa mais? É claro que precisa mais. Por que? Porque o Brasil está gerando emprego. Que bom, que bom que os pessimistas vão ter que ver o Brasil crescer. APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: A gente falou agora há pouco do Sine, e ele está fazendo aniversário. São 34 anos, qual o balanço que o senhor faz da atuação do Sine nesse período?MINISTRO: O Serviço Nacional de Emprego, ele tem uma característica muito especial. Ele é uma parceria muito forte que o governo federal faz com os estados, estamos ampliando elas, por uma decisão do Conselho de Amparo aos Trabalhadores, a partir de 2007, uma proposta nossa, para todas as cidades que têm mais de 200 mil habitantes, em que se faz todo o trabalho para intermediação de mão-de-obra. Ou seja, receber o trabalhador que está precisando de emprego, catalogar, verificar se ele precisa de algum treinamento, verificar as solicitações, a demanda do mercado de trabalho, as empresas que precisam desse trabalhador. Intermediar, ou seja, pegar o trabalhador que tem uma função específica e colocá-lo nessa empresa que precisa desse tipo de trabalhador. Nós, através do Sine, estamos emitindo carteira de trabalho, muitos já adotando a nova modalidade online, que sai na hora. Muitos, não todos, inclusive a maioria está no sistema que demora de 3 a 7 dias para entregar a carteira. Agora já adotando em alguns o modelo online. O Sine também faz a questão da adoção do seguro-desemprego. O trabalhador vai lá, preenche os requisitos, para poder receber o seguro desemprego, também faz o mesmo com o abono salarial, ou seja, todo serviço que visa atender a necessidade do trabalhador está sendo descentralizado, além das 27 unidades da federação, além das capitais, estamos levando também as maiores cidades, as cidades com mais de 200 mil para que a gente tenha uma rede com capilaridade para que o trabalhador seja cada vez melhor atendido. Então é um serviço que tem avançado, 34 anos ainda é jovem na realidade brasileira, mas eu tenho absoluta segurança que nós vamos cada vez aprimorar, informatizar e melhorar esse serviço que é tão importante para o trabalhador brasileiro. RÁDIO ALIANÇA FM - SÃO GONÇALO(RJ)/JOSÉ PERAZZO:Ministro Carlos Lupi, o Ministério do Trabalho e Emprego em sua contribuição dentro de suas competências para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos prevê a qualificação de trabalhadores, pretende preparar este ano 4,2 mil pessoas só no Rio de Janeiro no setor de turismo, segundo estou informado. Gostaria de saber para todo o Brasil também se os profissionais estarão sendo formados e ou se já são trabalhadores do ramo que receberão novos conhecimentos em curso de cozinheiros, padeiros, e outras profissões. E como será informada essa inscrição?MINISTRO: Esse curso são cursos de 350 horas conforme o tipo de curso para áreas específicas. Temos vários tipos de cursos, vários tipos de convênio, inclusive a ICA, Prefeitura de São Gonçalo, tô indo até o final do ano fazer um PróJovem e que também vai ter...esse é para jovens que variam de 18 a 29 anos de idade específico para essa área de trabalhadores que tenham pela primeira vez o mercado, indo pela primeira vez para o mercado de trabalho, de famílias com vulnerabilidade que ganham menos de um salário mínimo. Esse especificamente estamos fazendo para mais de quatro mil jovens começando ainda esse ano aí em São Gonçalo. E também tem a área focada em serviços de turismo, em restaurantes, em hotelaria. Temos também com o estado vários convênios para essa área com o próprio Senac, com o Senai, com a Prefeitura de Niterói - que é aí do lado de São Gonçalo-, com todas as prefeituras da baixada fluminense. E esses outros cursos que são os planos setoriais, no caso do turismo e hotelaria, são publicados em Diário Oficial, divulgados pela própria mídia e é acessível a qualquer cidadão inteiramente gratuito.RÁDIO CBN - RIO DE JANEIRO(RJ)/PRISCILA SOUZA:Eu queria fazer uma pergunta a respeito dessa oportunidade que vai ser para o Rio de Janeiro com a sede das Olimpíadas de 2016, o que o ministério está planejando se já tem ações efetivas em relação à oportunidade que isso pode gerar para o estado no intuito de incentivar a criação de novos empregos. Já tem alguma medida concreta a ser adotada, algum plano que o ministério já vai traçar?MINISTRO: Nós já estamos trabalhando há algum tempo na área de qualificação da juventude, nos planos setoriais de qualificação para a área de construção civil, para a área de turismo, para a área de serviço. Já estão em execução o estado com o município, a cidade do Rio de Janeiro vários planos de qualificação para preparar o trabalhador para esse mercado que, no Rio de Janeiro, graças a Deus vai crescer muito não só com a Copa do Mundo agora em 2014, como também com as olimpíadas de 2016. O papel do Ministério do Trabalho é investir muito nessa qualificação profissional. Além disso, nós temos dois grandes fundos, administrados pelo Ministério do Trabalho que é o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e o Fundo de Amparo ao Trabalhador que, através dos seus agentes operadores como BNDES, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil têm liberados vultosas somas para, por exemplo, a feitura do metrô, transporte sobre trilho, a área de infraestrutura, de saneamento, são muitos recursos que nós estamos investindo no Rio de Janeiro, dentro da administração do Ministério do Trabalho, para preparar a cidade essa mais bela cidade do mundo para não só a Copa do Mundo como também para as olimpíadas de 2016.RÁDIO CBN - RIO DE JANEIRO(RJ)/PRISCILA SOUZA:Eu queria só saber se esses investimentos vão começar ou se eles já começaram?MINISTRO: Já começaram muitos, estão em execução. Agora com a vinda da decisão mais recente das olimpíadas, nós estamos redirecionando para que em 2010 esse custo seja aumentados e direcionados principalmente aos setores que são os setores que nós avaliamos que terão maior crescimento de geração de emprego. A área de construção, a área de serviço, a área de hotelaria, a área de transporte e teremos então mais recursos a partir de 2010 para essas áreas por causa da sede escolhida, muito bem escolhida pelo mundo como o Rio Janeiro sede das olimpíadas de 2016.RÁDIO RURAL DE MOSSORÓ - MOSSORÓ(RN)/LEONIZA OLIVEIRA:A minha pergunta é mais em cima da informalidade porque sabemos que a informalidade ela é gerada muito mais pela falta de conhecimento e de qualificação profissional. Então, já que o sistema nacional de emprego está em todo o país, por quê não desenvolver programas de qualificação específica, de acordo com cada realidade local. Veja bem, o Rio Grande do Norte é o maior produtor de petróleo terrestre e ainda importamos mão-de-obra de outros estados.MINISTRO: Bom, em primeiro lugar, nós já temos no Rio Grande do Norte feito pelo Ministério do Trabalho o Prominp, que é o programa vinculado e financiado parte pela Petrobras e parte pelo Ministério do Trabalho, para qualificar a mão-de-obra daí do Rio Grande do Norte para a área petrolífica (sic), para a área de produção de petróleo. Agora, é claro, amor, que a quantidade de vagas que você tem tendo em vista a demanda ela é pequena. Nós já estamos investindo, esses custos agora o Ministério do Trabalho está começando uma nova leva e nós estamos fazendo vários programas, não só em todo o Rio Grande com o governo do estado, como em várias cidades, inclusive, entrando em Mossoró com projeto de qualificação. Essa área de qualificação profissional é uma área onde o governo federal mais investe nos últimos anos através do Ministério do Trabalho. Agora como ficou muitos anos sem ter uma priorização, sem ter investimentos e também como o Brasil ficou muitos anos sem essa geração de emprego que está hoje, nós temos um grande desafio, de ver o Brasil crescer, de ver o Brasil mostrar ao mundo como gera emprego. Vamos chegar a um milhão neste mês de outubro, no meio de uma crise, onde todo mundo está perdendo emprego, o Brasil, graças a Deus, está gerando emprego. E temos que aprimorar a qualificação profissional que é a educação do trabalhador no mercado de trabalho moderno.KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, eu vou aproveitar...Leoniza, você tem outra pergunta?RÁDIO RURAL DE MOSSORÓ - MOSSORÓ(RN)/LEONIZA OLIVEIRA:Não, não...eu acho que o ministro respondeu muito bem. Realmente tem que aprimorar essa cultura da qualificação profissional, da educação do trabalhador. Porque assim, nós temos aqui na cidade de Mossoró, um grande desenvolvimento econômico, mas infelizmente ainda importamos essa mão de obra de outros estados.RÁDIO POVO AM - FEIRA DE SANTANA(BA)/ ITAJAIR PEDRA BRANCA: Ministro, em relação aos últimos acontecimentos do Rio de Janeiro isso atrapalha os planos para a realização da Copa de 2014 para a própria olimpíada?MINISTRO: Não, infelizmente a gente lamenta profundamente a perda de vida humana, eu penso que o Estado tem que agir cada vez com mais inteligência. Eu penso que violência só gera violência. Eu penso que o Estado não pode se igualar à bandidagem, não pode ficar tirando a ermo e, agora, essa realidade não é só do Rio de Janeiro. Infelizmente, hoje o tráfico de drogas é um dos quatro maiores volumes de dinheiro circulado no mundo. Nós temos que ter uma grande capacidade de informar e educar nossos jovens para evitar o consumo da droga. Esse para mim, modestamente falando, como cidadão é o principal desafio que nós temos. Não adianta você chegar numa comunidade e matar oito, dez, 30 traficantes que tem mais de 300 para ocupar o lugar deles. Infelizmente na realidade desse mundo mercantilista que é o topa tudo por dinheiro . Nós precisamos ter consciência de educar novas gerações, de preparar nossas crianças, de falar dos males que a droga trás para a sua saúde, para a sua mente, para o seu corpo, para o seu futuro. Isso não é simples. Você, enquanto tem no sistema capitalista a lei da oferta e da procura,porque que existe o tráfico do (...inaudível) Existe porque compra. Porque existe, infelizmente, uma parcela da sociedade que é dependente dela. Como nós vamos resolver? Prendendo? Matando? Dizendo que ninguém pode por decreto? Não. Eu só acredito que a educação liberta essa realidade. Só a educação liberta um povo. E eu penso que nós temos que trabalhar para conscientizar em cada município, em cada estado, nos programas do Ministério do Trabalho, na área de qualificação, todos eles, desde que eu assumi o ministério, têm aulas ministradas de prevenção para usuários de drogas. Nós temos que ter coragem de enfrentar isso. Nenhum de nós está imune na nossa família de infelizmente ter essa praga aparecendo que é o consumo da droga. Agora se a gente não tiver conscientização, informação e coragem de enfrentar isso, inteirando que não é apenas ação repressiva da polícia, tem que ter inteligência, competência, mas olhar que tem seres humanos que precisam de assistência porque se não tiver consumo, não vai ter venda, não vai ter traficante. É a minha modesta maneira de pensar. Questionável, polêmica, mas eu entre matar um inocente e absorver mil culpados, eu prefiro não matar um inocente.KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Carlos Lupi, ontem o ministério divulgou números do Programa de Alimentação do Trabalhador, o PAT. Os números mostram que vocês estão cumprindo, ou seja, o governo está cumprindo a tarefa, a proposta de promover a segurança, a saúde do trabalhador, ministro?Ministro: Quem cumpre na verdade é a empresa. Porque a empresa que tem essa obrigação da lei. Nós fiscalizamos. Acho que isso é um grande avanço. Os vales-alimentação, o ticket, isso deu um ganho real pro trabalhador. Porque, muitas empresas, as grandes indústrias têm condições, inclusive de ter refeitórios, algumas de primeiro mundo. Eu já fui em empresa, onde você tem almoço, que nem lá em casa faz. E olha que a minha patroa cozinha bem e eu também sou bom ali na cozinha. Agora a grande maioria não tem. Então isso gerou, melhoria de condições de vida pro próprio trabalhador. Isso gerou mais emprego na área de restaurantes, de pequeno restaurante. Chegar a essa marca de quase 12 milhões de beneficiários é um avanço. Agora, ainda precisa avançar muito. Nós não podemos conformar, achando que o que já fazemos é o bastante. Não é não. Eu sou sempre uma mente em erupção. Eu sempre quero mais. E eu acho que a sociedade sempre tem o direito de exigir mais. Nós chegamos aí a praticamente 12 milhões, mas ainda tem uma parcela muito grande da sociedade que não tem esse direito atendido e nós vamos agir pra que chegue a essa grande parcela, que ainda não tem esse atendimento de uma alimentação digna atendida.KÁTIA SARTÓRIO: O senhor falou sobre fiscalização. O trabalhador pode acionar o ministério, no caso de achar que a empresa não está cumprindo com o PAT?MINISTRO: Não só pode, como deve. Por que o Programa de Alimentação do Trabalhador ele tem como órgão fiscalizador, disciplina do Ministério do Trabalho. Nós temos superintendências, as antigas delegacias regionais em todas as unidades da federação. Nós temos gerências em praticamente todas as grandes cidades. Nós temos agências, convênios com quase todos os municípios onde funcionam agências do trabalho, vocês tem que nos denunciar, ligar para o Ministério do Trabalho, ligar para a prefeitura, por que nós vamos agir a quem não cumpre com a lei.KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, falando agora em Caged. Em outubro o país ultrapassou a marca dos 900 mil empregos no ano. O senhor já falou aqui eu vou voltar à essa questão. É possível, então chegar a um milhão de empregos até dezembro, ministro? MINISTRO: Vamos passar. Eu sou otimista por natureza, sabe por que? Porque como eu trabalha desde garoto, perdeu o pai muito novo, teve muita dificuldade pra estudar, mas consegui me formar. Consegue ser ministro de Estado, tem que ser otimista. Papai do céu foi muito generoso comigo e eu tenho obrigação de acreditar nesse Deus generoso que está me dando essa oportunidade de trabalhar naquilo que eu sonho, que eu almejo, que é contribuir para que o Brasil seja um Brasil melhor pra todos. Eu avalio que a geração de empregos é a principal marca da evolução numa sociedade. O Brasil já gerou, não 900, 932 mil novos postos de trabalho. Dos 20 maiores países do mundo, o Brasil é o que mais gerou emprego. Olha o orgulho que dá. Não vai chegar a um milhão, não, errei. Vai chegar a mais de um milhão. Vamos chegar em dezembro a mais de um milhão e cem mil novos postos de trabalho. E se prepare trabalhador. Vocês têm que se preparar, porque no ano de 2010, nós vamos bater novo recorde. Vai chegar a dois milhões de empregos. O Brasil vai crescer muito. Nós temos que nos preparar pra esse Brasil que está dando certo. Nós temos que acreditar nesse Brasil, por isso a qualificação profissional, o trabalhador se organizando através dos sindicatos, tendo ganho real de salário. Nós temos que fazer essa riqueza que o Brasil tem, ser distribuída quem realmente constrói essa riqueza, que é o trabalhador brasileiro.KÁTIA SARTÓRIO: A gente falou muito aqui em qualificação profissional e a aprendizagem, o cumprimento, por exemplo da lei de aprendizagem pelas empresas, pode ajudar na formação profissional dos jovens?MINISTRO: Pode, mas está muito longe ainda de atingir esse objetivo. Nós temos uma meta até o final de 2010 a chegar a 800 mil jovens, acredite. É um belíssimo (...inaudível). Porque o jovem ali, pode trabalhar durante quatro horas, mas continuar estudando. Tem a obrigação de continuar estudando. Ele é um grande investimento pra empresa. Porque a empresa pega jovens de 16, de 17 anos, consegue adaptá-los à sua realidade e está investindo naquele que vai ser um grande contribuinte pro crescimento da sua empresa. Então é um belíssimo programa. Teve agora aprovado pelo Congresso Nacional, uma nova legislação que dá uma série de amparos ao trabalhador, dá férias, dá 13º a quem tá fazendo aprendizado. Isso tudo visa ao Brasil dar a esse jovem, uma oportunidade de ele aprender uma profissão, de ele treinar, de ele se sentir cidadão, e eu penso que esse programa dos jovens aprendizes, essa meta de chegar a 800 mil jovens até 2010, final de 2010, é uma das principais marcas que nós podemos deixar pra ajudar, inclusive, isso que eu falei antes, a dependência da droga. Você tirando o jovem da rua, você colocando ele na sala de aula estudando e aprendendo uma profissão, você está evitando com que esse mundo mal o faça a sua cooptação, o leve para os desvios que infelizmente ainda acontecem na sociedade.KÁTIA SARTÓRIO: E porque que o senhor acha, que ainda vai demorar um pouquinho, igual o senhor falou no início? O que que está atrapalhando?MINISTRO: O custo de muitas empresas é grande. Inclusive, tem muito elitismo de uma parcela do empresariado brasileiro. Têm muitos empresários que só pensam no lucro, não querem dar sua contribuição social, não querem entender que mais do que os milhões e milhões que eles ganham, a satisfação de ver um jovem poder ter oportunidade de ter a sua dignidade no trabalho, também vale mais do que muitos milhões. E infelizmente, nós temos uma parte ainda muito insensível a isso. Nós estamos trabalhando, estamos fazendo isso que você está dando a oportunidade de fazer agora, conversando, levando informação, trabalhando. Eu estou saindo daqui, daqui a pouco estou indo pra São Paulo para lançar um grande programa nessa área de beneficiar a geração de emprego, da qualificação profissional. Amanhã estou no Rio Grande do Sul também com esse objetivo, de inaugurar a fábrica falar da qualificação profissional. Nós estamos tentando levar esperanças e concretamente levar instrumentos pra que essa esperança seja realizada. KÁTIA SARTÓRIO: Que programa é esse em São Paulo que o senhor inaugura agora?MINISTRO: Em São Paulo, nós estamos fazendo uma grande feira também de geração de emprego. Uma parceria que temos lá e estamos também inaugurando um Centro de Atendimento ao Trabalhador, os CATs feito com a Arquidiocese de São Paulo. Estamos no Rio Grande do Sul fazendo inauguração de uma fábrica que vai gerar mais de mil empregos. Olha eu quando minha moeda é emprego (sic), cada um trabalha com uma moeda. Trabalha com real, outro com dólar, outra com euro. Eu trabalho com emprego. Quer me ver feliz é gerar emprego. Então eu estou viajando o Brasil todo para mostrar que vale a pena pro empresário produtivo, para aquele que acredita no Brasil, investir e gerar emprego. Eu tenho, pra não ocupar muito seu tempo, por que eu já falei demais, uma filosofia que diz assim: só o emprego dá dignidade ao ser humano.KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Carlos Lupi, muito obrigada, mais uma vez por sua participação no programa Bom Dia, Ministro.MINISTRO: Eu que agradeço essa oportunidade, agradeço a todos e peço desculpas de alguma falha que é inerente ao ser humano.KÁTIA SARTÓRIO: Nós agradecemos e esperamos o seu retorno. E a todos que participaram conosco dessa rede, o meu muito obrigada e até o próximo programa.