25/11/2015 - No Bom Dia, Ministro, Gilberto Occhi e Izabella Teixeira detalham ações para minimizar impactos do rompimento da barragem da Samarco

O Bom Dia, Ministro desta quarta-feira (25) recebeu o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para falarem das ações emergências do governo federal para enfrentar os impactos do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco no distrito de Bento Rodrigues, Minas Gerais. A entrevista é produzida e coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e transmitida ao vivo, das 8h às 9h (horário de Brasília), pela TV NBR e via satélite de rádio para todo o país (pelo mesmo canal de A Voz do Brasil).

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Transcrição

APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Olá, muito bom dia para você. Há pouco mais de 20 dias, o rompimento de uma barragem mantida pela mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, cobriu de lama o distrito de Bento Rodrigues. A lama com rejeitos de minério também desce rio abaixo, afetando cidades mineiras e capixabas e já chegou ao mar. Logo após essa tragédia, o governo federal anunciou uma série de ações imediatas para tentar prevenir questões ambientais e humanitárias. É sobre isso que nós vamos conversar hoje no Bom Dia, Ministro , que recebe dois ministros, a ministra Izabella Teixeira, que vai falar sobre as ações ambientais, muito bom dia, ministra.MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom dia, bom dia a todos. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: E o ministro da Integração Nacional Gilberto Occhi, que vai falar sobre as ações humanitárias. Bom dia, ministro. MINISTRO GILBERTO OCCHI: Bom dia, bom dia a todos que nos ouvem. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Os dois ministros vão conversar com emissoras de rádio de todo o país e também podem receber perguntas e responder as suas dúvidas através das nossas redes sociais, pelo facebook.com/tvnbr ou pelo nosso Twitter, twitter.com/tvnbr. Ministra, nós vamos começar então, primeiro eu queria saber sobre a questão das doze ações gerais. Ambientalmente, ministra, qual é a situação atual?MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom, nós temos sem sombra de dúvida um desastre ambiental de uma magnitude impressionante, e não é só um desastre ambiental, ele é um desastre também social, um desastre também econômico. O impacto da lama, a ruptura da barragem, o impacto regional que vai além de um limite do estado e chegou no mar, também compromete o modo de viver das pessoas, compromete atividade econômica local, compromete hábitos culturais em igrejas que se sumiram. As pessoas, você viu o depoimento das pessoas, as pessoas estão impactadas psicologicamente. Então você tem várias dimensões do acidente, mas talvez o que a gente tenha que dizer, que emergencialmente ontem numa entrevista que o acidente ainda está vivo. Por que o acidente ainda está vivo? Porque eu ainda tenho lama que vai chegar no mar. Eu ainda tenho lama que está presa em reservatório, e eu começo o período de chuvas. Então nós temos uma situação de criticidade em função das perdas de vidas humanas, temos uma situação de criticidade pela destruição que aconteceu na região, cidades, distritos de um município foram varridos do mapa, literalmente, é impressionante a imagem quando nós fizemos o sobrevoo com a Presidenta e o ministro Occhi, e eles mostravam para a gente o que estava acontecendo. E mais do que isso, o impacto também, aí o impacto ambiental é arrasador, arrasador porque lavou a fauna de chão de rio, arrebentou a parte ribeirinha dos rios, foi só não só para o Rio Doce, para os rios tributários, o rio do Carmo, foi para o mar. O impacto do mar ainda está sendo avaliado, porque você tem cadeias produtivas. Toda cadeia produtiva que a gente chama ecológica do ecossistema, cadeia natural foi arrebentada. Então não é fácil avaliar tudo isso, nós estamos com especialistas no campo, e também não será fácil vocês de curto prazo, em curto prazo recuperar. A preocupação imediata, acho que o ministro Occhi pode falar com mais propriedade, foram as ações de emergência que o governo tomou para apoiar a defesa civil do estado e do município tanto do ponto de vista de salvaguarda de procurar as vítimas, ajudar as famílias, salvaguardas para as famílias atingidas. E a questão do abastecimento de água, que eu acho que foi a ação mais estratégica de curtíssimo prazo que nós adotamos. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: O senhor pode falar de maneira geral, então, para a gente, ministro, como é que está essa situação atualmente? MINISTRO GILBERTO OCCHI: Bem, desde o primeiro momento, nós tomamos conhecimento, eu estava até acompanhando a Presidenta na quinta-feira em Alagoas, e no final da tarde, por volta de 17h-18h, nós encerramos uma reunião e tomamos conhecimento do fato. No dia seguinte de manhã, a Presidenta havia determinado a nossa presença lá, principalmente com a Defesa Civil Nacional. E às 7h da manhã nós já estávamos em Minas Gerais, e por volta das 8h nós já sobrevoávamos a área, fizemos um pouso na própria Samarco depois de ter sobrevoado com o governador Pimentel e as equipes do corpo de bombeiros, do exército, da Polícia Militar, toda uma força da Defesa Civil, estadual, municipal, toda uma força de todos os setores já estavam em busca de pessoas, de salvar pessoas. Nós tivemos um fato que para nós é emblemático, que foi uma professora que conseguiu retirar todos os alunos da escola, e a escola quando você chega lá, ela está literalmente soterrada pela lama. Então aquilo é um sinal que a gente tem até que agradecer a Deus por essa, por esse ato e por esse momento de oportunidade que essa professora teve de retirar os alunos. Mas a partir desse momento, a nossa preocupação sempre foi e a primeira é com as vidas humanas, então nós buscamos salvar as pessoas para depois dar a elas uma condição que ela possa viver momentaneamente, ou seja, em um abrigo, nós estivemos em um abrigo que ele durou apenas dois dias lá na cidade de Mariana, achamos muitas pessoas. A Samarco estabeleceu lá uma situação de colocar essas pessoas em hotéis, em pousadas, algumas foram para casa de parentes, e nós trabalhamos nesse primeiro momento para salvar essas pessoas e tirá-las e tentar resgatar aqueles que estavam desaparecidos ou encontrar os desaparecidos que até hoje ainda permanecem até pela enorme dificuldade de se localizar essas pessoas que estão desaparecidas pela imensidão do desastre. Hoje nós temos áreas com mais de 30m de lama, então isso tem dificultado muito, as buscas permanecem, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, o Exército brasileiro, todos em um esforço permanente de tentar localizar ainda as pessoas que estão desaparecidas. Em um segundo momento, que foi a questão mais trabalhosa ali nessa situação, que até hoje permanece, é o abastecimento de água para essas 15 cidades atingidas, nós temos 12 cidades em Minas Gerais e nós temos 3 cidades no Espírito Santo. E nós temos cidades pequenas de até quatro mil habitantes, uma parte foi prejudicada, mas nós temos cidades grandes, como Governador Valadares com 290 mil habitantes, e nós temos Colatina com 120 mil habitantes. Então esse foi o grande desafio de todos, mais uma vez o esforço de todos para suprir aquilo que era dependência do Rio Doce no abastecimento de água de todas essas famílias. Então nós estamos falando de carro pipa, de poços, de alternativas, de trazer água de outras cidades com trem, nós tivemos adutoras emergenciais, estações de tratamento emergenciais, e hoje eu posso lhe dizer que as duas maiores cidades, elas conseguem voltar a captar com todos os testes, eu quero dizer isso até para a população, que todos nós temos sido muito exigentes na análise da qualidade da água captada e tratada, então ela é tratada e levada aos laboratório das duas companhias de saneamento de laboratórios privados, inclusive, para que a população tenha a segurança de receber esse abastecimento de água. E uma outra coisa que é importante é mesmo voltando a captar no Rio Doce, como disse aqui a ministra Izabella, ainda tem muita lama no rio, ela com o período de chuvas, isso pode modificar a qualidade da água e ter uma necessidade de suspender. Então nós estamos mantendo o apoio emergencial, nós temos 250 homens do Exército nas duas cidades, então 150 em Governador Valadares, 100 lá em Colatina para dar segurança e apoio. Para organizar a distribuição da água mineral, da água no carro pipa, da água potável, acompanhar os carros pipas durante o seu trajeto, desde a sua captação até a sua entrega. Então tem toda uma estrutura emergencial montada e que nós vamos mantê-la até que se regularize em definitivo essa situação.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: São ações mais imediatas para tentar diminuir o impacto humanitário. Vamos então para Belo Horizonte, vamos conversar com a primeira rádio, ministros, é a Rádio Itatiaia, e a pergunta é de Alexandre Nascimento. Bom dia, Alexandre.REPÓRTER ALEXANDRE NASCIMENTO (Rádio Itatiaia - Belo Horizonte/MG): Muito bom dia, muito bom dia também aos ministros. A gente recebeu aqui a pauta com doze ações emergenciais que o ministro acaba de dizer. Só que o sentimento que a gente tem aqui em Minas e também vendo aí pelo restante do Brasil é de que eram quatro fiscais apenas do departamento nacional de produção mineral para fiscalizar mais de 700 barragens que o estado de Minas Gerais tem. Informação veiculada na Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, jornais nacionais. Agora tomar essas atitudes é algo muito importante, mas a prevenção de acidentes como esse, não é mais importante a gente focar nisso também agora, a partir de agora para não ter mais esse tipo de situação? E uma outra questão, a Samarco, ela foi multada, mas esse valor já está mesmo nas contas do governo federal? Esse valor está sendo usado para ajudar em algumas situações com os desabrigados, na recuperação do Rio Doce, e R$ 1 bilhão não é um valor muito baixo por tudo o que esse acidente representou para o país? MINISTRO GILBERTO OCCHI: Alexandre, bom dia. Eu quero lhe dizer que hoje desde a semana passada está presente aí em Mariana e na Samarco um técnico da Defesa Civil Nacional laborando um plano de contingência mais completo para que a gente possa estabelecer isso como uma regra para todas as barragens que nós temos, e isso é um papel de todos nós, mas da Defesa Civil e municipal. Todas as barragens, elas têm um plano de contingência, um plano de alerta, todos eles. O que é necessário avaliar depois é se esse plano é suficiente, se esse plano, ele atende a todas as necessidades ou o que pode ter se houver um rompimento de uma barragem. Então nesse sentido nós estamos apoiando a Defesa Civil da cidade de Mariana, apoiando a Defesa Civil do estado de Minas Gerais para que a gente possa ter ali um plano talvez mais abrangente, mais completo, que possa prevenir. Eu digo isso porque naquela região serrana do Rio de Janeiro, hoje é uma situação muito mais cultural de alerta sobre desastre. Então a população tem que estar informada sobre o que é necessário fazer ou o que ela tem que fazer, deverá haver um alerta, porque o acidente pode acontecer de manhã, de tarde ou de noite ou na madrugada. Então você precisa ter eficiência no seu alerta, houve um alerta, por isso que muita gente teve condição de se salvar. Hoje boa parte das pessoas que faleceram nesse desastre são trabalhadores que estavam na própria barragem. Então isso não tem um plano de contingência, a barragem não deu um sinal anterior para que houvesse todo o procedimento necessário para tirar todos os empregados, todas as pessoas, e que a gente pudesse salvar mais vidas. Então isso não houve, por conta do tipo do acidente. Com relação à questão da multa, houve uma multa inicial, mas eu queria que a ministra Izabella pudesse dar detalhes um pouco melhores sobre essa situação da multa.MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Ok, obrigada, Occhi. Alexandre, bom dia, bom dia os ouvintes aí de Belo Horizonte. Eu acho que a sua pergunta é extremamente pertinente porque ela sinaliza alguns aspectos que a gente precisa debater com toda transparência no Brasil. Primeiro, o Brasil tem uma lei de segurança de barragem desde 2010. Essa lei estabelece procedimentos não só de avaliação das barragens no Brasil inteiro, como responsabilidades em torno de quem detém as barragens em torno de quem fiscaliza as barragens, e isso é publicado anualmente no relatório de segurança de barragens pela Agência Nacional de Águas, está no site da agência, mais do que isso, esse relatório é aprovado anualmente pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e remetido ao Congresso Nacional. Então a primeira questão que eu quero dizer é que não é que existe uma ausência de legislação no Brasil. Há legislação no Brasil, há responsabilidades definidas, e nós teremos que investigar em relação ao acidente o que aconteceu de fato. Em um segundo momento, num segundo aspecto é importante ressaltar, nenhuma atividade de potencial impacto ambiental acontece no Brasil sem licenciamento ambiental, a lei é clara em relação a isso. Licenciamento ambiental deste empreendimento é competência do governo do estado de Minas Gerais, a Feam, que tem tradicionalmente um dos melhores sistemas de licenciamento ambiental no país. Essa barragem, a barragem do Fundão que rompeu, ela teve em 2013 um pedido de renovação de licença de operação que foi autorizado, tá? Inclusive pelo comitê e pelo conselho com participação de membros da sociedade civil. Em 2015, agora em junho de 2015, teve um licenciamento ambiental também autorizado, um LP e uma LI, em que você juntava, a proposta projeto era consolidar a área em que barragem do Germano e a barragem do Fundão. Essas são as informações que foram tornadas disponíveis até agora ao Ibama. O Ibama notificou a empresa para saber exatamente, tem 14 notificações, vai fazer mais notificações, que nós estamos fazendo laudos para saber exatamente se ela tem plano de emergência, se ela tem plano de emergência, se o licenciamento exigiu isso, se o plano de emergência dela está circunscrito à área da empresa, se a esse plano de emergência tem uma área de influência direta que ele foi aplicado, se tem um plano de contingência. É um impacto regional, não é um impacto estadual. Isso é um questionamento que tem que visto, e os cenários que simularam o risco do empreendimento apareceram nesse cenário do potencial de impacto de chegar no mar, tudo isso terá que ser investigado, para quê? Obviamente nós temos que punir os responsáveis, a lei tem uma parte de responsabilidade civil, tem uma parte de responsabilidade criminal, tem uma parte administrativa, tudo isso a advocacia-geral da União está coordenando por determinação da Presidenta da República junto com a procuradoria-geral do estado do Espírito Santo e a procuradoria-geral do estado de Minas Gerais, uma avaliação jurídica de todas as ações que estão em curso e outras ações que nós colocaremos em curso contra a empresa. Isso é uma situação que é importante que as pessoas entendam que tem que fazer coordenado para evitar a sobreposição de atividade, de visões e etc. Segundo, nós teremos que, com o laudo final que sequer está concluído, as pessoas estão investigando o que aconteceu, segurança de barragem, segundo os especialistas, não pode ser uma causa só muitas vezes, às vezes tem um processo de causas que levam à ruptura, tudo isso terá que ser avaliado para a gente poder aprimorar procedimentos. Terceiro, teremos que ver, e eu já falei isso no Conselho Nacional de Meio-Ambiente, teremos que verificar se os procedimentos de licenciamento ambiental adotados para empreendimentos como esse são suficientes para prevenir ou mitigar os efeitos de um eventual acidente. Então tem um trabalho imenso pela frente a ser feito. As multas ainda, até onde eu fui informada, não foram pagas, isso é pelo menos a informação que eu tive essa semana, eu não sei se pagaram ontem, mas enfim, até segunda-feira à noite não tinha sido pagas. Mais do que isso, além de multas, o Ibama está preparando novos laudos de multas, mas mais do que isso, além de multas, a empresa está sujeita a ações de indenização individual-coletiva pelos danos socioeconômicos, pelos danos ambientais, e está sujeita por obrigação da lei a restaurar o que ela degradou. Então são três caminhos distintos que nós teremos que ter serenidade, foco, prioridade, transparência para organizar isso e pôr em curso a imediata revitalização da bacia do Rio Doce. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada então, Alexandre Nascimento, lá de Belo Horizonte, Minas Gerais da Rádio Itatiaia, pela sua participação aqui com a gente. Vamos então, ministros, para Mariana, lá no local do acidente. Vamos conversar com a Rádio Mariana 93,5 FM, e a pergunta é de Priscila Oliveira. Bom dia, Priscila.REPÓRTER PRISCILA OLIVEIRA (Rádio Mariana 93,5 FM - Mariana/MG): Bom dia, bom dia a todos aí, bom dia, ministro Gilberto, bom dia, Izabella. A minha pergunta para o ministro, ele esteve recentemente lá na cidade de Governador Valadares, eu queria saber, ministro, qual foi a impressão do senhor sobre o atendimento às necessidades da população lá em Governador Valadares.MINISTRO GILBERTO OCCHI: Olha, Governador, bom dia, Priscila. Governador Valadares, por ser uma cidade, a maior cidade banhada pelo Rio Doce, nós tivemos, e a suspensão foi muito rápida, sem a possibilidade de ter uma resposta rápida de atendimento de abastecimento de água, porque Governador Valadares tem uma vantagem também, e tem dois rios, Suaçuí Pequeno e Suaçuí Grande, que passam próximo à cidade e que podem e que foram os rios que puderam abastecer a cidade através de carro-pipa, e nós construímos lá uma situação de tratamento móvel. Mas a primeira impressão foi de um caos efetivamente lá em Governador Valadares, até porque a lama chegou muito rápido lá, é uma cidade que a distância dela, ela estava muito próxima também de se chegar, e o volume de lama com água com as barragens que existem até chegar em Governador Valadares, que são, nós temos três barragens até chegar ali, a quarta barragem já é na divisa com o Espírito Santo, que é lá em Aimorés e Baixo Guandu, então, nós tínhamos três barragens e foram liberadas águas dessas barragens, porque senão você tinha um dano muito maior ainda nas barragens, nas turbinas, e isso ajudou que a lama chegasse mais rapidamente a Governador Valadares. Então, em um primeiro momento, logo no início da semana seguinte, quando a lama chegou em Governador Valadares, nós tivemos um caos generalizado pela falta de abastecimento de água e sem a alternativa de se conseguir. Na quinta-feira a Presidenta estava lá conosco, eu voltei lá em Governador Valadares mais duas vezes, além disso, na quinta-feira estava nos acompanhando o general Adriano da Defesa Civil Nacional, e ele ficou lá, imediatamente, junto com exército, exército se deslocou para lá também, e aí nós tivemos uma condição de emergencialmente já começar a estruturar no final de semana um abastecimento de água. Na recuperação de uma estação de tratamento que estava desativada, nós reativamos essa estação de tratamento, começamos a ter o carro pipa para abastecer as cidades, e aí nós tivemos, logo em seguida, passamos quase que uma semana praticamente sem ter a captação do Rio Doce, mas logo depois os testes indicaram que tinha uma possibilidade boa de captar, Copasa fez um teste na noite de exta pra sábado e aí nós tivemos condições de retomar o abastecimento de água, como está até hoje, ele é parcialmente interrompido de dois ou três dias, de três em três dias ele é parcialmente interrompido para você limpar as estações de tratamento, ainda tem, claro, muita lama, a água não está normal, mas se limpa, mas hoje Governador Valadares não sofre tanto com o abastecimento de água. E mais uma vez eu digo, nós estamos com toda a estrutura emergencial lá e, fora isso, os técnicos da Samarco, engenheiros, já chegaram à cidade para a execução de um projeto que vai fazer a captação da água através de uma adutora de 900 milímetros, que vai aí dar uma segurança hídrica para Governador Valadares, a partir do Rio Suaçuí Grande.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Vamos então para Governador Valadares, ministros, vamos conversar com a Isa Belly Sena da Rádio 104 FMm de lá. Bom dia, Isa Belly. REPÓRTER ISA BELLY SENA (Rádio 104 FM - Governador Valadares/MG): Bom dia, bom dia aos ministros. Pois é, a situação de Governador Valadares, realmente, ela chegou ao nível de calamidade, né, podemos dizer assim, agora ela começa a ser controlada. A lama da Samarco, ela já chegou ao oceano do Espírito Santo e, com isso, além de comprometer todo o Rio Doce, também comprometeu reservas ambientais e locais de procriação de diversas espécies. Além disso, nós estamos agora em um período de piracema e os pescadores, neste período de piracema, eles recebem vários auxílios do Governo, já que a pesca é proibida. Bom, a minha pergunta é quando começa efetivamente essa recuperação de toda Bacia Hidrográfica do Rio Doce com todos os planos feitos, né, e a recuperação dessas reservas ambientais que foram comprometidas. Mas principalmente os pescadores da região, porque depois do dia 28 de fevereiro, a piracema se encerra, porém, os peixes, eles foram pegos na metade do caminho, podemos dizer assim, pela lama, e esses peixes hoje estão mortos. Normalmente esses pescadores são pais de família, né, é da pesca que eles tiram o seu sustento, quais serão as ações feitas para ajudar esses pescadores e as suas famílias, além da recuperação do Rio Doce quando será feita.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Ministra Izabella.MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom, eu acho que o Occhi quer falar antes. Quer dar uma informação, é isso, Occhi? Ele está aqui me cutucando, viu, senhores ouvintes.MINISTRO GILBERTO OCCHI: Olha, Isa Belly, eu queria lhe dizer e dizer a todos os pescadores, e não só os pescadores, mas aqueles que vivem no ribeirinho do Rio Doce, na margem do rio, agricultores, catadores, porque nós vimos ontem até alguns catadores lá na foz, de caranguejo, de siri. Então, os agricultores e criadores também, que tiveram impacto da sua atividade econômica com essa questão desse desastre, porque nós já cobramos da Samarco o levantamento de todos esses trabalhadores, para que eles possam ser cadastrados imediatamente, isso é urgente, para que a Samarco possa estar rés ressarcindo mensalmente, enquanto perdurar essa situação, de uma renda que ele possa se sustentar e sustentar a sua família. Então, eu falei ontem com os dois governadores, Governador Fernando Pimentel e o Governador Paulo Artung, pedi o apoio do governo do estado de Minas e do governo do Espírito Santo, para que junto com as prefeituras, porque só as prefeituras poderiam agilizar individualmente esse levantamento. Então, o nosso objetivo é que até o final dessa semana nós já tenhamos o cadastro de todas essas famílias que vivem ali do rio, que se sustentam ali ou do abastecimento da água do rio para o seu cultivo e a sua criação, ou da sua pesca, para que a Samarco possa fazer o ressarcimento mensal de todas essas famílias, enquanto perdurar o desastre, ou enquanto ele não puder voltar a pescar no rio ou utilizar a água do rio. Isso a Samarco já está a postos, que tão logo haja esse cadastro, ela vai dar um cartão de crédito, um cartão apenas de debito, alguma coisa assim, onde o crédito entrará naquele cartão e o cidadão terá a possibilidade de sacar o dinheiro, ou fazer as suas compras e as suas necessidades durante esse período. MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom, Isa Belly, eu vou complementar o que o ministro Occhi disse. Você sabe, como você fez referência, começa o período da piracema, então os pescadores que estão cadastrados, estão na base do Governo, receberão agora, a partir de 1º de dezembro, o pagamento referente ao seguro defeso em função do período de piracema. Como também você sinaliza, isso vai até fevereiro, depois de fevereiro as atividades ainda devem estar interrompidas, porque, obviamente, em quatro meses, três meses nós não teremos recuperação do rio, e essas providências que o Ministro Occhi acabou de fazer referência, se somam a uma notificação que o Ibama fez à empresa logo no início do acidente, solicitando que ela fizesse um levantamento socioeconômico de todas as atividades, particularmente, dos pescadores afetados e pudesse providenciar isso que foi citado aqui pelo ministro, que é uma remuneração compatível com a renda desses pescadores, de tal maneira que eles possam, efetivamente, ter sobrevivência, manterem as condições de vida, até que o rio volte a ser reestabelecido. Por que? Porque quando você estabelece o defeso, você tem outras espécies que ele pode pescar, muitas vezes, e como o rio foi destruído do ponto de vista da fauna, tá?! Não tem alternativa de pesca, então isso está sendo cuidado, eu estou dizendo que não é só uma solicitação, a empresa foi notificada legalmente a fazer. Segundo a [...] a respeito à recuperação, o impacto regional, como você sinalizou, o acidente ainda está vivo, como eu fiz referência, o acidente não está estabilizado, nós teremos que continuar monitorando os próximos 120 dias todas as condições do rio, e da foz, e do estuário e do mar, tá?! Porque se tem impactos diferenciados, eu tenho impactos em espécies ameaçadas de extinção, eu tenho impactos possíveis de que com a dispersão da lama no mar, como é que isso se comporta na fauna, enfim, tudo depende de concentração, e obviamente nós, quando a Presidente de República instituiu o Comitê de Monitoramento e Avaliação, está lá como prioridade, foi discutido com os governadores, um processo que nós vamos ouvir todos os atores, comitê de bacia, o Sebastião Salgado, todos os outros, governador do Espírito Santo, Universidade Federal do Espirito Santo, Universidade Federal de Minas Gerais, pessoas que estão envolvidas com o programa de recuperação do Doce, nós vamos ter que conceber esse programa, esse programa não é um programa de curto prazo, é um programa de médio a longo prazo, teremos que contar com a generosidade da natureza para acelerar os processos de restauração, isso não será trivial, mas a determinação da Presidenta Dilma é que nós vamos recuperar o Rio Doce. Então, nós já estamos ouvindo alguns especialistas, hoje mesmo eu tenho uma reunião com um especialista para tratar disso, e tão logo a gente acabe essa fase de monitoramento, e que a gente... as condições do rio, do desastre estabilizaram, nós vamos, então, começar prioritariamente a recuperação do Rio Doce, certamente questões da água, questões de reflorestamento, reintrodução de espécies, recuperação de cadeias alimentares, nada disso acontece em curtíssimo prazo, mas tem que ser feito, lembrando que a bacia do Rio Doce já sofria um grande impacto e já tinha um cenário de degradação bastante assentada, aliás muito bem descrito no plano do Comitê de Bacia do Rio Doce, o plano de restauração que prevê ações até 2030, o próprio plano está lá desenhando, dizendo e lembrando que um dos principais problemas da degradação do Rio Doce, anterior a isso, é a contribuição associada a falta de esgoto, tratamento de saneamento básico. Então, é importante que, de esgoto e lixo, que a gente se junte e façamos desse desastre uma referência de recuperação ambiental nesse país, e de conclusão econômica e social. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada, então, a pergunta de Governador Valadares, Isa Belly, muito obrigada pela sua participação aqui no Bom Dia, Ministro . Bem agora a gente está recebendo viárias perguntas por Twitter, Facebook, a gente recebeu um vídeo do José Ribeiro dos Santos que tem uma pergunta pros ministros. Ele é aqui de Brasília. Sr. José Ribeiro dos Santos: Olá, senhores ministros, a minha pergunta é: Onde e o que vocês vão fazer com o dinheiro que foi aplicado na multa na empresa, a mineradora lá da população e qual a resposta de vocês para aquele povo lá que precisa de ajuda o mais rápido o possível.MINISTRO GILBERTO OCCHI: José Bueno?MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom, vamos lá, pela legislação vigente no Brasil, as multas aplicadas na área ambiental são recolhidas ao Tesouro Nacional, tá?! Se a lei define isso que você recolha ao Tesouro Nacional. Mas não estamos só... é importante a sua pergunta porque não é só multa, tá?! Nós estamos estudando legalmente ações de indenização e ações de recuperação do dano, porque a lei determina isso. Uma das propostas que o Governo está avaliando é a Constituições de Fundos Independentes, que não sejam do Governo, tá, mas monitorados pelo Governo e pela sociedade, de que possa assegurar o depósito progressivo de parcelas, ou de todo o dinheiro que se entre, vai depender como é que a Justiça vai ver isso e possa assegurar à Sociedade Brasileira, que o recurso está lá alocado para a revitalização e recuperação da Bacia do Rio Doce. Há a questão ainda de indenizações, essa questão de indenizações, especificamente, o governo de Minas entrou com ação de indenização, o governo do Espírito Santo entrou com ação cautelar e tem quinze dias, em função de consolidar o acidente no estado do Espirito Santo para apresentar a ação de indenização, cidadãos, prefeituras, todo mundo está... então, isso é uma outra esfera e obviamente você pode ter caminhos como depósitos judiciais como alternativa. A empresa deposita judicialmente, o dinheiro fica lá e você vai usando esse dinheiro com projetos aprovados com transferência e a sociedade possa acompanhar os resultados. Nós não temos, ninguém está dizendo que o dinheiro virá para ficar nos governos, agora, os dinheiros de multas ambientais são recolhidos ao Tesouro Nacional por determinação de lei.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Gilberto Occhi, quer falar?MINISTRO GILBERTO OCCHI: Não, não, acho que a Ministra complementou aí, totalmente.MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: E obrigada pela sua pergunta, Zé ribeiro.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Muito boa. Espírito Santo, vamos então falar então com o povo capixaba, a Rádio América AM, lá de Vitória do Espírito Santo e a pergunta é de Letícia Bazet. Bom dia, Letícia.REPÓRTER LETÍCIA BAZET (Rádio América AM - Vitória/ES): Olá, bom dia. Bom dia, Ministro Gilberto, Ministra Izabella. Bom, o município de Colatina, aqui no estado, ainda está sofrendo bastante com a questão do desabastecimento. Eles voltaram a captação do Rio Doce, começaram, voltaram a captar água e distribuir essa água aos moradores, os moradores ficaram muito inseguros com a qualidade, né, o que poderia ter nessa água, não confiaram nos laudos que a prefeitura divulgou e, na última segunda-feira, a captação foi suspensa novamente, e muitos moradores estão protestando, alguns bairros que estão sem água há cinco ou sete dias. Como passar essa segurança de que essa água que está sendo tratada, os moradores podem ter confiança em consumi-la e como estão sendo feitas ações de distribuição de água, visto que alguns moradores estão ficando sem ela? MINISTRO GILBERTO OCCHI: Bom dia, Letícia. Eu queria, eu estive sexta-feira em Colatina. E estive lá com o secretário João Coser e o prefeito Leonardo. Eu... naquele momento nós estávamos visitando a cidade, passando em alguns bairros e eu me deparei exatamente com uma família, uma pessoa, na beira do rio e eu perguntei como é que estava a questão do abastecimento de água, e ela me dizia o seguinte: Eu não tenho água na minha casa, moro numa parte mais alta da cidade , Colatina Velha é o nome do bairro, e ela me falava que não tinha água já há alguns dias, mas que havia a distribuição do carro pipa pelas caixas d'águas, pelos reservatórios que foram colocadas em vários pontos da cidade, mais de trinta pontos da cidade tinham esses reservatórios grandes, onde as pessoas podiam sair e ali pegar de maneira organizada esse abastecimento de água. No domingo, do sábado para o domingo, após os testes feitos pela Copasa e pelo Laboratório Tommasi em Vitória, no Espírito Santo, a prefeitura tomou a decisão de fazer, de novo, a captação com a segurança desses dois laudos de uma empresa que é de saneamento de Minas Gerais, a Copasa, e um laboratório muito conhecido aí no estado do Espírito Santo. E aí, a partir desse momento estava se buscando a norma normalidade, por quê? Porque o abastecimento de água que era possível fazer em Colatina, com os carros pipas entregando a água bruta dentro da estação de tratamento, era essa a capacidade, só atendia trinta por cento da população, o restante era através de carro pipa, um rodízio, os carros pipas enchiam os reservatórios e as pessoas iam ali e pegavam. Algumas moravam em uma parte mais alta e, realmente, o sacrifício era maior do que esse. Por um outro lado, havia uma organização e essa mesma senhora me deu essa informação: Não há água mineral que está sendo distribuída, eu estou recebendo e nesse sentido, eu estou atendida . Então, há a entrega da água na torneira, há a entrega da água no reservatório e também há entrega de toda uma água, a Samarco tem encaminhado cerca de 400 mil litros de água mineral, para ser distribuída entre a população. Eu ontem, conversando com o Governador Paulo Artung, ele me narrou a situação, a prefeitura foi cobrada pelo Ministério Público, sobre a qualidade da água e o prefeito preferiu suspender o abastecimento na segunda-feira e até aguardar um laudo das Cesam, que é a Companhia de Saneamento do Espírito Santo. Nesse sentido, o prefeito, ontem, quando eu conversei com ele ontem ainda, pela manhã, por volta de onze, entre onze e meio-dia, o prefeito falou que já havia recebido o laudo da Cesam, dizendo que a água era apta para ser usada no consumo humano, e ele voltou a captar, ele me disse, me informou e afirmou que voltaria a captar na noite de ontem. Então, de ontem para hoje, volta-se a captar água novamente no Rio Doce, atendendo acho que a todas as exigências técnicas e legais de ter a segurança para entregar à população. Então, eu quero dizer população de Colatina, como também a todos os outros moradores que já estão recebendo água captada do Rio doce, que o monitoramento, além de ser diário da qualidade da água, ele é feito em vários pontos e em vários momentos do dia. Então, eu queria passar essa segurança, por quê? Ninguém seria irresponsável de autorizar a captação e a distribuição da água tratada, se nela houvesse algum risco para a comunidade, para a sociedade. Então, voltou-se a captar do Rio Doce, lá em Colatina, e a segurança está garantida até o presente momento. Por isso que eu digo, monitoramento, ele é feito diariamente em vários pontos e várias vezes por dia e os testes também são feitos várias vezes por dia. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigada, então, à pergunta da Letícia, é da Rádio América Am, lá de Vitória do Espírito Santo, obrigada pela sua participação aqui com a gente. A gente está recebendo várias perguntas via Twitter, via Facebook e a gente tem uma pergunta da Maria Cláudia Bellini, lá de Guarulhos, São Paulo, porque o Brasil inteiro está acompanhando isso e quer saber o que está acontecendo com as pessoas que estão sendo afetadas. Ela quer saber se '[e possível recuperar todo Rio Doce, seus entornos destruídos e devolver à população suas casas no mesmo lugar. É possível isso, Minístro? MINISTRO GILBERTO OCCHi: Olha...MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom, eu acho o seguinte, recuperar o Rio Doce é possível, a bacia do Rio Doce com os seus tributários, num compromisso de longo prazo, como eu disse, o rio também, antes do acidente, vinha sofrendo impactos significativos de degradação, foz do rio assoreada, é uma bacia importante do ponto de vista, não só da mineração, de outras atividades econômicas. Então é uma bacia que tem uma tradição no passado de garimpo, então você tem metal pesado no leito do rio, é uma bacia que tem muita espécie exótica de ictiofauna, da fauna de rios, não só as espécies nativas, é uma bacia que sofre com a degradação em relação às suas nascentes, tá, tanto é que uma das prioridades do Plano de Recuperação de Bacia do Comitê da Bacia do Rio Doce é ampliar a oferta de água, a bacia neste momento passa por uma das maiores secas da sua história. Então, Você tem um quadro já grave e agora um quadro crítico associado ao desastre, teremos que recuperar, vamos recuperar, levará tempo. Mas nós teremos que fazê-lo porque não dá para abrir mão de uma bacia hidrográfica do Rio Doce, não dá pra abrir mão das pessoas que vivem lá, o Brasil tem no Rio Doce, um dos rios mais bonitos, das bacias mais importantes do ponto de vista de segurança hídrica desse país, por outro lado, vou passar a falar um pouco a situação do desastre, onde as pessoas viviam, o que aconteceu e as alternativas estão sendo estudadas para a reconstrução. MINISTRO GILBERTO OCCHI: Olha, Maria Claúdia, a questão da reconstrução no mesmo lugar, ela se torna muito mais difícil pela qualidade agora do terreno e tem outra questão que a comunidade que ali morava, ela já em um entendimento com o Ministério Público de Minas Gerais, a própria sociedade e também a Samarco, decidiram que elas não voltarão para lá, as famílias preferem não voltar para lá e elas serão alojadas e reconstruída a sua moradia em um outro local, talvez até mesmo na sede da cidade de Mariana, porque ali era apenas um distrito, um distrito que tinha aproximadamente 200 residências e dessas 200 residências 160 foram destruídas, então nós temos aí muito mais da grande maioria do distrito foi destruído. A lama que lá está, não é um terreno adequado pra uma reconstrução, teria que se fazer a retirada de tudo, de todo aquele material. Então, como eu disse no início, nós temos locais ali com 30 metros de lama, então isso praticamente é inviável, as famílias preferiram, isso não é uma decisão da Samarco, as famílias decidiram que elas gostariam de mudar daquele local para um outro local como talvez a própria sede da cidade de Mariana, naqueles casos que a família aceitar a compra de uma casa já existente, a Samarco também anunciou que compraria residências em Mariana para atender essas famílias. Então tudo isso está sendo feito, mas o que eu quero dizer é que essas famílias hoje estão sendo atendidas, recebendo uma ajuda financeira da própria Samarco, para que elas possam estar se sustentando nesse momento de dor e de crise. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Você também pode continuar participando com a gente no Twitter, no Twitter.com/tvnbr ou Facebook, Facebook.com/tvnbr. Vamos então para Linhares, onde a senhora esteve essa semana, vamos conversar com a rádio Linhares 104,3 FM, e a pergunta é de Michel Freitas. Bom dia Michel. REPÓRTER MICHEL FREITAS (Rádio Linhares 104,3 FM - Linhares/ES): Bom dia para você, bom dia para todos. A minha pergunta é para a ministra, a ministra que esteve aqui em Linhares, e disse em entrevista que só poderá avaliar a situação do Rio do Doce depois de quatro meses de monitoramento. Tendo em vista a gravidade desse episódio do vazamento de rejeitos da barragem da Samarco, os impasses que já estão sendo causados, Ministra, pergunto pra senhora, não tem como nada ser feito nesses quatro meses no que diz respeito ao bem natural hídrico, no caso a água? MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom, ótima pergunta que você está fazendo, o que me dá a chance de esclarecer um pouco as estratégias de trabalho e como eu falei aí em Linhares. Primeira afirmação que eu fiz, diz respeito o seguinte, o acidente ainda não está concluído. Então o próprio. Nós dois aqui estamos falando, você ainda tem muita lama, tá? Todo o Rio Doce, lama essa que pode estar encaixada nas pedras do rio, o rio é muito pedregoso, lama essa que está nos reservatórios que seguraram essa lama, é um período chuvoso, começou o período de chuva e você como morador de Linhares sabe que o Rio Doce tradicionalmente joga muito sedimento no período de chuvas no mar. Aliás nós vimos dados de turbidez, nós estamos acompanhando e comparando isso. Se eu tiver chuvas muito fortes e essas chuvas vão revolver o fundo do rio e os reservatórios, você tem possibilidade de ter oscilações na turbidez da água, ou seja, a concentração de material, de sedimento na água pode oscilar, crescendo, diminuindo, crescendo, não necessariamente, afetando a captação pra qualidade de água, porque você pode tratar essa água, mas você está alterando as condições físico/químicas, as condições naturais do rio não estarão reestabelecidas, elas estarão oscilando, por isso que eu digo, teremos que ficar monitorando o rio, a foz do rio e o mar para saber como é que essa lama chega, como ela dispersa, como ela impacta por concentração de sólidos, para entender a dimensão do impacto. Isso é uma coisa que já estamos fazendo, continuaremos fazendo. Paralelamente a isso você acompanhou, eu tenho certeza disso, porque houve uma grande cobertura da imprensa em Linhares, o esforço que nós fizemos com o instituto Chico Mendes, com o projeto Tamar, de procurar antes da lama chegar, mitigar os efeitos dessa lama, o próprio Ministério Público atuou, em operações para resgate de fauna, tá, de espécies nativas parte da nossa grande preocupação, além de todas as espécies, eram chamadas espécies ameaçadas de extinção. Nós conseguimos capturar indivíduos de duas espécies, chamam matrizes das espécies ameaçadas de extinção na parte de ictiofauna, tá? Nós temos um grande área de grande concentração de guaiamum, aquele caranguejo, caranguejo é intocado, a lama vem, leva isso, o guaiamum está em início de espécie ameaçada de extinção, então aquilo que nós conseguimos recuperar, não só de espécie ameaçada de extinção, mas como espécies nativas, o instituto Chico Mendes recolheu, destinou isso para o nosso centro de proteção de fauna, para que a gente possa usar essas matrizes pare a reintrodução da fauna no futuro, até que o rio tenha condições de fazer, paralelamente nós também fizemos uma ação articulada com o Tamar, sobre a questão da Tartaruga de couro, época de desova, hoje tem informações na imprensa, que a tartaruga está sendo colocada em outras regiões, nós retiramos todos os ninhos, a operação foi feita maciça para evitar esse impacto, e teremos que assegurar as condições ambientais na foz, no estuário, no mar para que a tartaruga volte a usar essa área como reprodução. Tudo isso são medidas que estão sendo feitas para mitigar os impactos, enquanto a gente está estabilizando, monitorando, nós vamos discutir com a sociedade por onde começar a restauração, a foz do rio estava assoreada, está assoreada, eu tive lá e vi os canais sendo abertos para facilitar a saída da lama, tem barcos de monitoramento no mar o tempo inteiro, hoje ou amanhã chega o barco da marinha, o barco mais equipado de monitoramento, junto com pesquisadores da Federal do Espirito Santo, gente do Rio de Janeiro para avaliar o que está acontecendo. Nós estabelecemos um programa com a Cope(F), UFRJ do Rio de Janeiro, e pesquisadores da federal do Espírito Santo para monitorar no modelo matemático, a dispersão na [...]. Quando não tiver isso com tudo avaliado, nós vamos paralelamente discutir o programa de recuperação, então estamos em fase de mitigação, e ainda tem a situação, das populações isoladas que vivem ao longo do rio e que não estão com informação, foi falado por um rapaz de entidade não governamental, e eu pedi imediatamente ao governador e a Samarco que estava na reunião que se deslocasse equipes para informar as pessoas, assegurar abastecimento de água para essas pessoas, porque tem várias populações, eu vi por helicóptero inclusive pessoas isoladas que dependem do rio e que sequer tem informação do que aconteceu. Então nós teremos que ter serenidade, eu me comprometi a voltar em Linhares, tão logo eu passe essa fase da negociação de clima, e nós vamos discutir com a sociedade como recuperar, como restaurar, vai ser prioritário, etc. Agora, eu tenho que consolidar as informações ambientas, para isso eu preciso monitorar e mais do que isso, preciso da cooperação de todos, como todos se mobilizaram para mitigar os efeitos antes da lama chegar, para que a gente possa ter uma avaliação real e por onde vamos começar a recuperação do Rio Doce. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: A gente já está no final do nosso programa, vamos para São Paulo, a pergunta é da rádio Estadão lá de São Paulo, de Gustavo Lopes. Bom dia.  REPÓRTER GUSTAVO LOPES (Rádio Estadão - São Paulo/SP): Bom dia, bom dia a todos, bom dia ministros, a minha pergunta é para a ministra Izabella, ministra, após passar e destruir parte da biodiversidade do Rio Doce e também causar estragos em algumas cidades em Minas e Espirito Santo, a lama chegou no mar ali na região do Espirito Santo, e já causa preocupação, inclusive, de outras nações, já sabe qual o impacto sobre essa lama no mar? E quais as medidas para mitigar a situação e sobre a fiscalização nas barragens existentes no país, elas serão reforçadas? MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Bom. Bom dia, Gustavo. A lama chegou no mar, como eu disse anteriormente, eu falei da serie de medidas tomamos de mitigação que tomamos para prevenir, ou tentar evitar, o dano, por exemplo, na espécie como a Tartaruga de Couro que é ameaçada de extinção, o único local de desova é ali, na costa norte do Espírito Santo, e trabalhando com projeto Tamar, com o pessoal do Instituto Chico Mendes, enfim, vamos fazer um trabalho inclusive de monitoramento, de tentar captura de indivíduos, de espécies ameaçadas, da ictiofauna na foz do Rio Doce, no estuário do Rio Doce. Eu tenho outro impacto, o seguinte, o peixe quando vem, isso é interessante, eu tenho dois tipos de situação em relação ao peixe, eu tenho o peixe de fundo de rio, esse peixe com a lama, a gente acha que essa fauna foi toda arrasada, o peixe não consegue sair, ele fica ali no fundo e a lama veio e soterrou, levou e matou. Você tem o chamado peixe mais de superfície, muitos fugiram pros tributários, e outros saíram descendo o rio e chegaram na foz do rio e misturam com a água salina, tá, e obviamente morrem. Eu tenho impacto em ave, capturando aves que dependem daquela fauna ali, para alimentação, ou dependem de áreas que estão contaminadas e as aves estão morrendo. Então nós estamos avaliando a dimensão do acidente e obviamente continuando a fazer o monitoramento para entender o comportamento disso no mar, o comportamento disso no mar, afeta crustáceos, afeta obviamente os microrganismos da fauna marinha, afeta todos os ecossistemas que estão ali, a dimensão da dispersão da pluma vai te dar um pouco, uma melhor clareza no tempo de como isso vai impactar, tivemos a preocupação do impacto disso, chegarem a Abrolhos ou chegar nos manguezais de Vitória, pedimos ao professor Paulo Rosa mandar cópia para UFRJ, que trabalha com o professor ai no Espírito Santo, eles fizeram o modelo matemático considerando as correntes, os ventos, etc. de dispersão. Nada, nós estamos atualizando esse modelo com os dados de monitoramento diários fornecidos tanto pelo rio quanto no mar. Nada indica que isso chegará a Abrolhos que está a 250 quilômetros da foz do Rio Doce e aos manguezais de vitória que está cerca de cento e poucos quilômetros segundo o Governador, mas nós estamos monitorando e no monitoramento você pode ter aquilo mais superficial mostrando que tem uma turbidez, mas aquilo não afeta a vida marinha ou você ter concentrações muito grandes, que aquilo deposita logo no início da pós e aquilo causa um impacto que é irreversível, então teremos que continuar com monitoramento, estamos fazendo isso, mais do que isso, teremos que fazer uma integração da avaliação de rio com estuário e mar, pra ter uma real dimensão das coisas. Sobre fiscalização, nós temos uma estratégia de fiscalização na área ambiental, segurança de barragem pela lei, define como competência de quem consolida os dados o DNPM. O ministro de Minas e Energia, determinou uma auditoria independentemente de todas as informações de segurança de barragens de rejeitos do país. Determinação dele e a partir daí vamos poder verificar, aperfeiçoar, se necessário for, os mecanismos de fiscalização e de autodeclararão que a lei determina que sejam feitos pelos seus responsáveis. Então o seu processo não é de curto prazo, mas é um processo que nós teremos que verificar claramente se os requisitos legais do país, se os padrões, se os parâmetros de tomadas de decisões, de licenciamento, de monitoramento são suficientes ou não. Se não forem suficientes a determinação da Presidente da República é rever a legislação, aprimorar a legislação e aprimorar os mecanismos de fiscalização e de controle, não só para punir, mas para prevenir como você está ressaltando. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Dá tempo de a gente conversar com Vitória, no Espírito Santo, a rádio CBN de Vitória, a pergunta é de Diony Silva, bom dia. REPÓRTER DIONY SILVA (Rádio CBN Vitória - Vitória/ES): Bom dia ministros, bom dia a todos, a minha pergunta ainda é para a ministra Izabella. Sobre, é um complemento sobre o que ela já falou, da chegada da lama no mar em regência, alguns especialistas aqui do estado acreditam que essa lama deve continuar chegando até janeiro, é possível precisar isso? Enquanto essa lama chegar a vida na região não volta ao normal? A vida dos animais que vivem na foz do rio? MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Muito obrigada pela sua pergunta Diony, prazer em ouvi-lo, seus ouvintes, vamos lá. Eu digo o seguinte, eu ainda tenho lama no rio, uma maneira muito simples. Eu tenho lama no rio depositada no fundo do rio, eu tenho lama depositada nos reservatórios. Se chover forte, nós estamos começando o período de chuva no Rio Doce, todo mundo que conhece o Rio Doce particularmente os capixabas, sabem que o Rio Doce chove, no período de chuva, depositam grandes quantidades de sedimentos no rio, porque ele vem com sedimentos antes do acidente. Então eu tenho uma alteração de qualidade sem comprometer a vida marinha, nem a vida [...]. Porque é dinâmica do rio, eu terei que monitorar, por isso eu estou falando, eu prevejo esse monitoramento até o fim da temporada de chuvas, tá? Para poder avaliar o que está chegando no rio, na foz do rio, além daquilo que tradicionalmente chega. Eu tenho dados de referência de qualidade ambiental do rio antes do acidente. Então eu tenho que usar isso e fazer um monitoramento para chegar, a lama está chegando e chegando em que concentração? Está chegando lama? Sim, ou não? Em que concentração, Qual é a pluma de dispersão? Qual é o impacto, se é acumulativo? Ou se na realidade vem com uma diluição de tal ordem que embora tenha impacto não é tão significativo quando ela chega concentrada, como ela chegou na primeira onda que já está em Linhares, então essa é a primeira questão, eu não diria que é só janeiro, nós temos que monitorar até o final da temporada de chuvas pra saber o que está consolidado, como isso aconteceu. Segundo, feito isso. Fazer o processo de recuperação, entender a dimensão do impacto e fazer o projeto de recuperação. Mais uma vez, nós estamos usando de todas as tecnologias, imagem de satélite, modelagem matemática, computacionais, modelagem corrente, se o vento vai pro sul, leva a corrente pra lá, agora, não se pode pela tradição, o movimento de correntes que vai sempre para o sul nessa época e não para o norte, tá? Não se espera uma dispersão de 200 quilômetros como alguns sinalizam, mas nós teremos que monitorar e eu fiquei sensibilizada pela situação de Regência, porque as pessoas que moram em Regência têm um amor dedicado a essa região, a proteção da natureza, é um estilo de vida, um valor associado a um estilo de vida que as pessoas moram lá. Então me perguntavam, quando eu volto a usar a praia? Isso é uma pergunta. Nó teremos que verificar o ponto de vista monitoramento quando as pessoas vão poder nadar na praia, isso é importante. Agora, do que eu vi na minha visita com o Governador, a pluma tinha uma dispersão que ainda está no que a gente chama de cenário mais, entre aspas, mais seguro da dispersão. Ou seja, não está fora das projeções, está seguindo o que, no modelo matemático, nós prevemos como dispersão, vamos a ANA, Agência Nacional De Água, já tornou disponíveis as informações atualizadas de monitoramento, um modelo está sendo rodado de novo e essas informações estarão no site do Ibama, no site do governo do estado, no site da ANA, para que todos nós possamos acompanhar o que está acontecendo.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: É avaliar dia a dia, um após a outro. MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Monitoramento, informação, transparência, e mais do que nunca solidariedade de todos, entendendo o drama das pessoas, nós temos que entender e ter solução para todo mundo, todo mundo tá impactado com isso, e nós temos que ter responsabilidade enquanto governos, todas as instituições de governo, prefeituras, conversei com o prefeito de Linhares, com o governador, todos estão engajados de procurar uma solução, mais do que solução, teremos que responsabilizar a Samarco e a empresa terá que ter capacidade de resposta para entender a demanda da sociedade que foi afetada.APRESENTADORA HELEN BERNARDES: É isso. Nosso tempo acabou, agradecemos muitíssimo a presença do ministro Gilberto Occhi, muito obrigado pela sua presença e todos os esclarecimentos a população, a ministra Izabella por todos os esclarecimentos também, a gente torce para que tudo dê certo para que o impacto a população nesses lugares seja menor, impacto ao meio ambiente seja o menor possível que a gente possa recuperar o rio o mais rápido possível. MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA: Muito obrigada, vamos trabalhar, tem muito trabalho pela frente. MINISTRO GILBERTO OCCHI: Obrigado. APRESENTADORA HELEN BERNARDES: Obrigado a todos que nos acompanharam. Você pode acompanhar a transcrição e baixar toda a entrevista, o áudio dessa entrevista que estará no nosso site, em: www.ebcservicos.com.br. Pode assistir essa entrevista no YouTube.com/TVNBR, a gente agradece muito a você que nos acompanhou até agora e continue acompanhando toda a cobertura de Mariana na nossa programação da TV NBR, na Voz do Brasil todos os dias, sete da noite. Muito obrigada pela sua companhia e até o próximo programa.