2004 será um ano muito melhor

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Transcrição

'Jornalista: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Luis Farah Monteiro e esse é o "Café com o Presidente" em sua segunda edição. Aqui o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com você através do rádio, falando sobre assuntos importantes do seu dia-a-dia. E, depois da estréia, que foi um grande sucesso, nosso programa foi apresentado em centenas de emissoras em todo o país, repercutiu nos jornais, no noticiário de TV, mostrando a força do rádio.

Jornalista: Tudo bem, presidente?

Presidente Lula: Tudo bem, Luis.

Jornalista: Presidente, mais uma queda na taxa de juros. Pode significar mais investimentos públicos e privados? Será que sobra para infra-estrutura, pontes, hidroelétricas? Como o governo pensa isso?

Presidente Lula: Isso nós estamos trabalhando com muito carinho. E vamos fazer de forma, eu diria, não com a pressa que alguns desejam, porque nós precisamos, de um lado controlar a redução da taxa de juros, de outro lado a gente precisa controlar a inflação. é preciso que as pessoas não esqueçam nunca que, quando nós ganhamos as eleições, a inflação prevista para os dois meses futuros era de 43%. E nós vamos chegar ao ano que vem com a inflação a 6 ou a 5,5%. Que o risco Brasil eram 2.400 pontos. Hoje está a menos de 550 pontos.
Tudo isso são fatores que vão confluir para que os empresários se convençam da necessidade de investimento no Brasil. Por isso, sabendo que o estado tem pouco dinheiro para investimento, nós apresentamos ao Congresso Nacional um projeto de lei, que é o PPP - Parceria Público Privada, para que a gente possa fazer com que os empresários façam aquilo que o estado brasileiro não pode fazer. E isso, eu acredito que vai motivar, não apenas empresários brasileiros, mas também empresários
estrangeiros a investir no Brasil.
Isso me dá a certeza de que 2004 será um ano muito melhor. O Brasil vai voltar a crescer. O Brasil vai gerar empregos, e o Brasil vai gerar distribuição de renda. é com essa convicção que nós, do governo, trabalhamos para 2004.

Presidente Lula: é exatamente isso. Nós fomos conversar com os movimentos que lutam pela reforma agrária e assumimos o compromisso de, em três anos, assentarmos 400 mil famílias e, ao mesmo tempo, regularizar títulos de terra, de pessoas que já estão na terra, para mais 130 mil pessoas, perfazendo um total de 530 mil pessoas.
Esse é um dado importante. Porque eu estou dizendo desde o começo do ano que nós precisamos qualificar melhor a reforma agrária. Reforma agrária não é você pegar uma pessoa e jogar num terreno e dizer: está feita a reforma agrária. Reforma agrária significa você garantir a terra para a pessoa. Depois você tem que garantir assistência técnica. Depois você tem que garantir financiamento. Depois você precisa garantir a moradia, garantir a escola, garantir a saúde, garantir o mercado para os produtos que as pessoas vão produzir.
E nós estamos convencidos que essa é a melhor forma de você mudar o jeito de fazer reforma agrária no nosso país. Porque o que acontecia, até então, era que você transportava os miseráveis urbanos para continuarem sendo miseráveis no campo. Nós queremos dar, tanto à parte urbana, quanto à parte do campo, dignidade.

Jornalista: O senhor disse que está com a alma lavada com a aprovação da reforma da Previdência no Senado. O que significam as reformas para o povo brasileiro na prática, presidente?

Presidente Lula: Eu acho que o Congresso Nacional, tanto a Câmara quanto o Senado, deram uma demonstração inequívoca de que, em algum momento da nossa vida, nós temos que nos preocupar com o Brasil, pensar na próxima geração, e não na próxima eleição. Por isso que eu disse que estava de alma lavada. Porque a Câmara e o Senado cumpriram com o seu papel dignamente.
Nós ainda temos a reforma tributária para fazer. E eu estou convencido de que a reforma da Previdência vai permitir que, daqui a vinte ou trinta anos, o meu neto tenha possibilidade, se aposentado, de receber o seu salário. Porque até então, não podia mais, porque os estados estavam quebrados. E ao mesmo tempo a reforma tributária vai fazer com que haja desoneração das exportações. E vai fazer com que haja uma justiça social, ou seja, através de uma boa política tributária, você tira mais de quem tem mais para garantir benefícios a quem tem menos.
Por isso, eu estou alegre, porque acho que o Senado vai cumprir com o papel que o povo brasileiro espera que o Senado cumpra, que é votar as reformas para que a gente possa mostrar ao mundo o que nós queremos dizer: esse país é o Brasil, esse país tem governo, esse país tem Congresso Nacional, esse país tem vocação para o crescimento, esse país gosta de respeitar os outros e quer ser respeitado, esse país vai participar do mundo globalizado com a grandeza do povo brasileiro.

Jornalista: Presidente, obrigado, mais uma vez, por esse encontro, e até o próximo.

Presidente Lula: Muito obrigado a você, Luis, e até o próximo programa.