Presidente Lula avalia direitos conquistados pelas mulheres brasileiras

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Transcrição

'Luiz Fara Monteiro: Olá amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro, e começo agora o programa de rádio do Presidente Lula, o Café com o Presidente. Tudo bem, presidente?

Presidente Lula: Tudo bem, Luiz.

Luiz Fara Monteiro: Presidente, amanhã, dia 08 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Pela quantidade de comemorações programadas em todo o país, a data vai marcar conquistas importantes.

Presidente Lula: Eu acredito que as mulheres brasileiras tiveram nesses últimos anos grandes conquistas na evolução dos seus direitos na sociedade brasileira. Eu penso que nós avançamos muito, sobretudo, depois que nós fortalecemos a nossa Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres com a companheira Nilcéia Freire, que é uma guerreira, que é uma médica, ex-reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e que tem coordenado o trabalho das mulheres no Brasil. E o governo vem tentando fazer aquilo que é prioritário, aquilo que é necessário. Por exemplo, nas políticas sociais do governo, nós priorizamos as mulheres. A começar, por exemplo, com o Bolsa Família, em que nós priorizamos dar o cartão para a mulher porque nós achamos que a mulher age com mais responsabilidade diante da família. A mulher, ela tem tanta responsabilidade com a sua família, que se ela tiver um centavo e tiver dez coisas para fazer, ela vai escolher a coisa que melhor atenda os interesses dos seus filhos para cuidar. Por isso que para nós é sagrado fazer com que a mulher seja a peça prioritária na família e que ela possa receber do governo o dinheiro para fazer os benefícios para a sua família.

Luiz Fara Monteiro: E na área rural, seguindo esse mesmo raciocínio, uma coisa totalmente nova é o crédito para a mulher. Para situar o ouvinte da cidade, até o ano passado o Programa Agricultura Familiar, o Pronaf, emprestava dinheiro praticamente só para homens.

Presidente Lula: Durante todos esses anos, o Pronaf era um dinheiro que o governo autorizava no seu orçamento, que o Banco do Brasil pudesse aplicar e os outros bancos, também, dinheiro para ajudar a agricultura familiar. O que acontecia? O dinheiro ia, o homem fazia o seu projeto, ia ao banco e tomava o seu empréstimo, e a mulher, muitas vezes, que era parceira dele e gostaria de ter o seu projeto, não tinha acesso ao dinheiro.
Nós sabíamos que tinha muita mulher que não tinha sequer documentação para ter acesso ao empréstimo bancário. O governo tratou de se organizar junto com a Contag e junto com entidades da sociedade civil, para começar a legalizar a vida da mulher do ponto de vista da documentação para que ela possa ir pegar o seu dinheiro no banco.
E isso está avançando muito. Só para se ter uma idéia do que aconteceu de 2003 para 2004, na primeira safra do nosso governo, tivemos R$ 568 milhões emprestados para as mulheres. Em 2004-2005, a previsão já é R$ 1,2 bilhão, o que significa muito dinheiro em relação ao que era antes, mas possivelmente não seja tudo que a mulher pode ter acesso para poder pegar esse dinheiro, dinamizar a agricultura familiar, e gerar os postos de trabalhos que nós precisamos no Brasil.

Luiz Fara Monteiro: Presidente, em suas entrevistas, em seus discursos, o senhor cita muito a sua mãe, Dona Lindu, e também a sua esposa, Dona Marisa. Qual o significado que essas mulheres têm na sua vida?

Presidente Lula: Têm todo o significado. Para mim, são os alicerces do que eu sou hoje. A minha mãe, pela guerreira que é. Uma mulher analfabeta, com oito filhos, sai de Pernambuco em um pau de arara, vem para São Paulo. Chegamos em São Paulo, tivemos a primeira grande surpresa, todos nós, mas ela deve ter tido muito mais. Ela descobre que o meu pai já estava casado com uma outra mulher, e que já tinha três ou quatro filhos com essa mulher. Em nenhum momento a minha mãe perdeu a esperança. Ela conseguiu viver nessa situação. Meu pai com duas mulheres durante praticamente um ano, e depois a minha mãe tomou a decisão de se separar do meu pai. Não foram poucas as vezes em que nós não tínhamos em casa o que comer, nem no almoço, nem na janta. Não foram poucas as vezes em que a gente ficava sentado na cozinha, todo mundo em uns bancos grandes que tinha, porque não tinha cadeira, olhando um fogão que não tinha nada para colocar no fogão.
Mesmo nesses momentos, eu não via a minha mãe reclamar da vida. Eu via a minha mãe acreditar que no dia seguinte seria melhor. Nós éramos oito irmãos, ela criou todos. Todos nós aprendemos uma profissão, e todos nós casamos, tivemos filhos, e ninguém virou bandido, ninguém foi para a rua. E a Marisa porque, em todos os momentos, a Marisa eu sou muito grato pelo comportamento guerreiro da companheira Marisa. Ao mesmo tempo que ajudava a construir o PT, a construir a CUT (Central única dos trabalhadores), ainda ajudava a cuidar da família, ainda tinha tempo de viajar comigo. As mulheres têm essa importância para mim porque eu tenho dois espelhos muito fortes na minha vida. Eu quero aproveitar o Dia Internacional das Mulheres para dizer para as mulheres uma coisa que eu disse a vida inteira. Ou seja, de que a liberdade que as mulheres precisam, a igualdade que as mulheres precisam, a respeitabilidade que as mulheres precisam dentro de casa e na sociedade, será uma conquista das mulheres na hora que elas se organizarem, se fazerem respeitar, e exigir que isso seja colocado na legislação, que isso seja um direito.
E eu continuo achando que todas as políticas que o governo tiver que fazer, a mulher tem que estar incluída, tem que estar participando, porque nós teremos muito, muito mais chance de acertar nas nossas políticas sociais.

Luiz Fara Monteiro: Nós encerramos esse programa com um abraço carinhoso e especial nas mulheres. Presidente, obrigado pela entrevista.