Lula: Papa será lembrado como homem que dedicou vida a enfrentar injustiças

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Transcrição

'Jornalista: Olá amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro. Estamos iniciando mais uma edição do programa Café com o Presidente. Hoje com o Brasil em luto oficial de sete dias pela morte do papa João Paulo II.

Jornalista: Como vai presidente?

Presidente: Tudo bem, Luiz.

Jornalista: Presidente, a morte do Papa provocou uma grande comoção mundial, que supera todas as fronteiras da fé católica. O senhor conviveu com o Papa em alguns momentos. Na sua opinião, como é que João Paulo II será lembrado?

Presidente: Eu acredito que o papa João Paulo II será lembrado pela humanidade como um homem que dedicou grande parte da sua vida para enfrentar as injustiças do mundo. Foi assim na sua juventude, foi assim quando se tornou padre, quando se tornou bispo. Foi a luta contra o nazismo, foi a conquista da liberdade democrática na Polônia.
E quando assumiu o controle da Igreja Católica, o Papa dedicou praticamente todo o tempo que esteve à frente da Igreja Católica na luta pela paz, na luta pela justiça social, na luta contra a miséria, na luta contra a fome, contra a pobreza; visitou mais de cem países. Eu penso que é essa imagem que ele vai deixar, a imagem da esperança, a imagem de um homem que lutou cada minuto da sua vida para que as coisas pudessem acontecer de forma a melhorar a vida das pessoas.

Jornalista: O senhor teve um encontro com o Papa na ocasião em que veio no Brasil em 1980, o senhor fazia parte da oposição. Como é que foi aquele encontro, presidente?

Presidente: O papa teve um encontro com os operários brasileiros no Morumbi. E depois do encontro com os operários, nós fomos à casa em que o Papa estava hospedado, para ter um encontro com o Papa. E lá tinha o pessoal do exército brasileiro na época, que fazia a segurança do Papa. Criou uma confusão tremenda; chovia muito e Marisa, eu e o meu filho, Marcos, na rua esperando que houvesse a decisão de deixar entrar, e Frei Beto tentando ajudar de um lado, Dom Paulo tentava ajudar de outro, e nós ficamos esperando quase três horas até chegarmos a ter o encontro com o Papa.
Foi um encontro importante porque eu estava cassado no sindicato. Não era comum uma autoridade como o Papa receber alguém que estivesse sendo perseguido pelo regime militar. E eu acho que é por isso que criaram a confusão toda para que eu não pudesse entrar, porque eu estava cassado do sindicato.
Mas o Papa ao me receber, ele deu, com sua visão de estadista, porque essas coisas não acontecem toda hora e com todas as pessoas. Depois ele me recebeu em 1989, eu fui à Roma. E ele tem uma coisa muito especial com o Brasil, porque não apenas na hora que eu encontrei com ele em Roma, mas muitos bispos brasileiros que iam a Roma conversar com ele, voltavam nos dizendo, sabe, que ele perguntava do Brasil muito, que ele queria saber das coisas.
No ano passado, quando fui a ONU, na reunião com chefes de estados discutir a questão da fome, ele mandou a segunda pessoa mais importante da Igreja participar do evento. De forma que a imagem que ele construiu é uma imagem altamente positiva para a sociedade, ou seja, eu acho que vai continuar a alimentar milhões e milhões e milhões de seres humanos que vêem no Papa um exemplo de dedicação, perseverança e de vontade de fazer as coisas melhores.

Jornalista: Você está ouvindo o programa Café com o Presidente. O programa de rádio do Presidente Lula. Está confirmada a sua ida a Roma presidente para as cerimônias de despedida do Papa? O senhor vai representar o povo brasileiro?

Presidente: Eu vou a Roma, eu pretendo viajar com Marisa. Eu penso que é importante a gente convidar o presidente da Câmara, convidar o presidente do Senado, convidar o presidente do Supremo Tribunal Federal, convidar os cardeais da CNBB, que deverão todos ir para Roma, sabe, que devem viajar juntos, nós vamos viajar todos juntos, ao enterro do Papa.

Jornalista: Agora, presidente, o povo brasileiro sofreu uma outra dor na última semana, que foi a chacina de 30 pessoas na região da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O que está sendo feito, presidente?

Presidente: Olha, o que eu estou fazendo é determinando ao meu ministro da Justiça, e conseqüentemente à Polícia Federal e a todo o aparelho de inteligência da polícia brasileira, que não descanse um segundo, um minuto, para que a gente coloque os autores desse crime abominável na cadeia.
Isso é o mínimo que o Estado pode oferecer para essas pessoas que estão sofrendo tanto, porque eu imagino um sofrimento de um pai que perde um filho, de uma pessoa que perde um parente ou um amigo, nós não podemos deixar isso passar, não pode cair no esquecimento, não pode demorar muito, nós temos que sermos tão precisos quanto fomos no caso da irmã Dorothy, ou seja, colocar o que a gente tiver de potencial de ação da nossa polícia para que a gente possa prender essas pessoas.

Jornalista: Obrigado presidente, até o nosso próximo programa.

Presidente: Obrigado a você, Luiz.