Itália quer fazer parceria com o Brasil nas áreas de remédios, etanol e biodiesel, diz presidente

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Transcrição

'Apresentador: Bom dia você, em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro. E começa agora o programa de rádio do presidente Lula. Bom dia, presidente.

Presidente: Bom dia, Luiz.

Apresentador: Presidente, esta semana o senhor vai estar voltado para a política internacional. Na terça-feira, o senhor recebe o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi. O que significa para o Brasil essa visita?

Presidente: é muito importante para o Brasil essa visita do primeiro-ministro Prodi, porque existe uma relação cultural muito forte entre Brasil e Itália. E a vinda do primeiro -ministro aqui vai reforçar duas coisas importantes. Primeiro, a Itália quer estabelecer com o Brasil uma parceria estratégica, que ela só tem com dois países fora da União Européia, que são a China e a índia. A segunda coisa importante é que a Itália está disposta a fazer parceria com o Brasil na área da produção de remédios, na área da produção de etanol, de biodiesel para ajudar os países africanos, o que é outra coisa extremamente importante. Já há algum tempo nós temos conversado com os empresários italianos, já visitei a Confindústria na Itália. Eles já visitaram o Brasil.

Apresentador: Inclusive, o presidente da Confindustria, a confederação das indústrias italianas, Luca di Montezemolo, esteve no Brasil para descobrir oportunidades. Como está essa relação, presidente?

Presidente: Esta relação está ótima, ou seja, nós estamos à procura de nichos de oportunidade, sobretudo para que a gente possa ter a experiência do sucesso da pequena empresa, da cooperativa, da microempresa. Eu penso que o fato de a Itália querer estabelecer com o Brasil uma parceria estratégica é extraordinariamente importante para o Brasil, que está dando à Itália nesse momento mais importância do que já deu em qualquer outro momento. Eu penso que nós vamos ganhar muito nessa relação com a Itália, porque ela vai ser reforçada. Eu penso que vai melhorar o comércio, vai melhorar a relação cultural, vai melhorar a relação política, vai melhorar também o crescimento econômico dos dois países.

Apresentador: Este é o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Agora, presidente, outro compromisso internacional do senhor esta semana é uma visita que o senhor faz a Camp David, nos Estados Unidos, onde mais uma vez o senhor conversa com o presidente George Bush. Ele esteve no Brasil no início de março e agora vocês voltam a conversar. O que é que tem nessa relação Brasil-Estados Unidos?

Presidente: A conversa com o Bush é apenas o aperfeiçoamento das relações entre Estados Unidos e Brasil. Nós aqui tivemos uma conversa muito forte sobre a questão do etanol e do biodiesel. Agora, vamos dar continuidade a essa reunião, sobretudo com a necessidade de um forte investimento em pesquisa. E também vou discutir com o presidente Bush a questão da OMC, porque depende muito dos Estados Unidos o sucesso na Organização Mundial do Comércio, depende muito. Eu penso que vai ser importante. Também eu quero discutir a questão do Haiti, porque o Haiti já conquistou sua democracia, já elegeu um presidente da República. As forças brasileiras estão lá, forças chilenas, argentinas. Elas ficarão lá enquanto o presidente daquele país quiser. Mas o que é importante é que a gente ajude a desenvolver o Haiti, portanto, nós queremos que haja investimento em dinheiro para que a gente trabalhe projetos de fortalecimento da economia no Haiti. E também discutir com o presidente Bush parceria entre o Brasil e os Estados Unidos para ajudar países africanos a se desenvolverem, sobretudo na área do biodiesel e do etanol. Eu penso, Luiz, que esse momento que o Brasil está vivendo é muito importante. Com muita humildade, com muita serenidade, o Brasil vai fazendo a sua tese prevalecer, no sentido de criar um comércio mais justo, no sentido de procurar parcerias mais fortes. Então, o Brasil está num momento muito bom da sua política internacional. às vezes, as coisas demoram mais do que a gente gostaria, porque todo mundo quer levar vantagem. Eu digo sempre que em acordo, seja em família, seja entre colegas, seja um negócio de um carro ou um negócio de Estado para Estado, o acordo vai ser bom quando os dois saírem dizendo que ganharam. Esse é o acordo ideal. Eu acho que o Brasil está no ponto, está no ponto para fortalecer a sua união com a União Européia, está no ponto para fortalecer o Mercosul e a União Européia fazendo acordo, está no ponto para consolidar definitivamente essa relação estratégica que temos com os Estados Unidos.

Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente. Hoje falamos sobre política externa.

Presidente: Quando eu visitei em 2003, em janeiro, que fui a Davos, eu voltei de lá convencido de que
a gente poderia mudar a geografia comercial do mundo, fazendo com que o Brasil tivesse uma maior participação. Foi daí que nós criamos o G-4 para discutir na ONU a mudança no Conselho de Segurança. Foi daí que nós criamos o G-20, em que participam Brasil, vários países da América Latina, China, índia, áfrica do Sul, para que a gente mude a relação comercial. E é com essa força toda que nós estamos estabelecendo essa relação com a União Européia, com os Estados Unidos e fortalecendo as relações com os países que nós tínhamos relações pequenas. Numa política determinada, numa política pensada e executada pelo nosso governo.

Apresentador: Está certo, presidente. Obrigado e até semana que vem.

Presidente: Obrigado a você, Luiz, e até a próxima semana.

Apresentador: Acesse o Café com o Presidente também na internet, no endereço eletrônico www.radiobras.gov.br. A você, em todo o Brasil, um abraço e até semana que vem com mais um.