Lula pedirá na reunião do G-8 criação de fundo para reduzir desmatamento

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Transcrição

' Apresentador: Olá você em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro. Começa o programa de rádio do presidente Lula. Hoje nós vamos falar direto de Nova Delhi na índia, onde o presidente Lula está em viagem oficial. Tudo bem, presidente Lula?

Presidente: Tudo bem, Luiz.

Apresentador: Presidente, o senhor está fazendo uma viagem desde o dia 1º de junho. Passou por Londres e agora Nova Delhi e vai terminar na Alemanha. O que o Brasil está apresentando ao exterior?

Presidente: Bom, na verdade, Luiz, eu queria primeiro cumprimentar o povo brasileiro, dizer que é uma alegria estar aqui representando o Brasil sobretudo quando estamos conversando com um país da importância da índia, um país que tem um potencial extraordinário de aumentar o comércio com o Brasil. Nós estamos assumindo um compromisso - índia e Brasil - de chegarmos até 2010 com a balança comercial de US$ 10 bilhões.

Apresentador: Hoje está em US$ 2,5 bilhões, presidente?

Presidente: Hoje são US$ 2,5 bilhões. Portanto nós temos um chão enorme para percorrer. Estamos aqui com cem empresários e acredito que vamos estabelecer uma relação muito forte com a índia. E depois nós vamos a Berlim encontrar com o G-8 e também com o G-5. Ou seja, China, índia, México, Brasil e Nigéria estão convidados para participar da reunião do G-8, onde nós vamos discutir. Um dos temas mais importantes é a questão climática, o aquecimento global. Eu penso que é muito importante, Luiz, porque é preciso começar a dizer algumas coisas que nós consideramos verdade e que uma parte do mundo desenvolvido não quer discutir. Primeiro, é que 65% de emissão de gases na atmosfera são feitas pelos países ricos, portanto, cabe a eles maior responsabilidade para despoluir o planeta. Segundo, quando se trata de desmatamento, se a gente pegar a floresta existente há oito mil anos atrás no planeta Terra, vamos perceber que a Europa só tem 0,03% da floresta e que o Brasil ainda tem mais do que 60% da floresta. Nós tivemos um aumento de responsabilidade, estamos cuidando disso com muito carinho, nos últimos dois anos já diminuímos o desmatamento em 52%, portanto nós queremos discutir com muita seriedade, inclusive, uma proposta do Brasil da criação de um fundo de compensação para os países em desenvolvimento e os países pobres que diminuíram o desmatamento, que sejam compensados financeiramente para que a gente possa aplicar um modelo de desenvolvimento limpo que não seja um modelo que cause grande emissão de gases no planeta.

Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Pois é, presidente, antes de chegar a Nova Delhi, o senhor passou por Londres onde a seleção brasileira jogou com a Inglaterra. O que o senhor achou do jogo?

Presidente: Olha, primeiro, eu tinha de vir para a índia mesmo e passei em Londres para ver o jogo da seleção brasileira à convite da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e penso que o jogo foi bom. Nós, todos os brasileiros, estamos quites porque o Brasil não perdeu, empatou o jogo. E uma coisa importante, Luiz, é que no final do ano a Fifa (Federação Internacional de Futebol) vai escolher o país que sediará a Copa do Mundo de 2014 e o Brasil está concorrendo sozinho, eu espero que não apareça ninguém para disputar com o Brasil porque acho que o Brasil, como é o país que tem o futebol mais importante do planeta, como é o país que fez a última Copa em 1950, tem o direito de sediar uma Copa do Mundo.

Apresentador: Agora, presidente, voltando à questão dos fóruns internacionais. China, índia, México, Brasil e Nigéria, cinco países em desenvolvimento que querem melhorar as condições de seu povo. A união faz a força desses países na hora de reivindicar, na hora de debater com as grandes nações do mundo?

Presidente: Não só a união faz a força, como nós estamos provando que, na medida em que os países em desenvolvimento se juntaram, que são países de populações muito grandes, países de economias emergentes, países que têm uma boa base intelectual, uma boa base científica e tecnológica, uma boa base industrial, esses países estão dizendo ao mundo que não é possível pensar em qualquer acordo comercial ou político sem conversar com esses países. Por isso, nós estamos juntos na Organização Mundial do Comércio querendo que a União Européia flexibilize os preços à agricultura para os países mais pobres. Estamos exigindo que os Estados Unidos diminua o subsídio para que também os países mais pobres e os países em desenvolvimento possam competir com os produtos agrícolas e estamos dispostos a flexibilizarmos na questão dos produtos industriais. Além disso, estamos discutindo, também, a questão da composição e da democratização do Conselho de Segurança da ONU, porque ela foi criada quando tinha 45 membros, foi criada há 65 anos atrás. O mundo mudou e é preciso que tenha uma maior representatividade para poder a decisão da ONU ser acatada. E o Brasil, junto com esses países que compõem o G-5, tem força tanto na Organização Mundial do Comércio como nas Nações Unidas. E posso dizer ao povo brasileiro que não tem nenhum momento da história do Brasil que o Brasil teve tanta força nos fóruns multilaterais como ele tem agora.

Apresentador: Ok ,presidente, obrigado e até semana que vem.

Presidente: Obrigado a você, Luiz, e até a próxima semana.

Acesse o Café com o Presidente também na internet em www.radiobras.gov.br. Um abraço para você e até semana que vem.