Governo estuda medidas para melhorar as condições dos trabalhadores dos canaviais

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Transcrição

'Apresentador: Olá você em todo o Brasil eu sou Luciano Seixas e nós estamos começando agora o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Como vai, Presidente? Tudo bem?

Presidente: Tudo bem ,Luciano.

Apresentador: Presidente, na última terça-feira, dia 3, em Roma, na Itália, aconteceu o encontro da FAO (organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), sobre segurança alimentar, bioenergia e mudanças climáticas. O senhor , mais uma vez, fez uma defesa vigorosa dos biocombustiveis. O senhor acha que o Brasil vai ganhar essa guerra, Presidente?

Presidente: Luciano, primeiro dizer aos nossos ouvintes que o encontro foi extremamente importante e ele se deu num momento, eu diria, mais importante ainda para a humanidade, na medida em que todos nós estamos preocupados com a inflação que volta no mundo inteiro, por conta da subida do preço dos alimentos. Sobretudo porque o Brasil é um país que tem um potencial agrícola extraordinário. é um país que produz, eu diria, utilizando a melhor tecnologia da agricultura tropical do mundo e o Brasil quer que os outros países que têm a mesmas características do Brasil utilizem a tecnologia brasileira para que possam também se tornar grandes produtores de alimento. A segunda coisa é que teve presente 30 chefes de Estado. E eu fui lá não para defender os biocombustíveis. Eu fui lá para defender o Brasil, eu fui lá para defender a agricultura, eu fui lá para defender, sabe, a diminuição da utilização de combustível fóssil. Até porque todos os países do mundo assinaram o Protocolo de Quioto e que tem que diminuir a emissão de gases de efeito estufa e poucos países estão cumprindo o Protocolo de Quioto. E o Brasil, que é também signatário do Protocolo de Quioto, o Brasil tem tecnologia de produção de um combustível que é o álcool, que ele emite menos gás carbônico do que os outros combustíveis. E era importante dizer isso porque tem uma verdadeira guerra comercial. Nós sabemos os interesses dos países que não produzem etanol, ou produzem etanol do trigo, ou produzem etanol do milho, que não é competitivo, é mais caro, diferentemente da cana. E eu acho que isso foi um marco na participação do Brasil. Então, o Brasil tem o combustível, tem a matéria prima e nós fomos mostrar para eles: olha não tenho medo, se vocês não querem plantar nos países de vocês, ou seja, vamos desenvolver a áfrica, vamos fazer parceira com os governos africanos, com as empresas africanas, com os países da América central, do Caribe, da América do Sul e vamos plantar uma parte do combustível que nós precisamos para diminuir a emissão de gás efeito estufa. Por isso foi muito importante esse encontro, Luciano.

Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do Presidente Lula. Presidente, de onde vem os principais ataques aos biocombustíveis?

Presidente: Eu acredito que os principais ataques aos biocombustiveis vêm das empresas de petróleo. Porque não existe nenhuma explicação, por exemplo, lá fora, dizer que a cana-de-açúcar está invadindo a Amazônia é um absurdo muito grande, ou seja, nós mostramos para eles que de toda a cana que nós temos, apenas 21 mil hectares de cana estão plantados perto da Amazônia. Mostramos para eles que a distância do local que se planta cana no Brasil para a Amazônia são milhares de quilômetros, ou seja, que não tem nenhum problema. E que o Brasil tem tecnologia. E nós agora estamos, também, com o biodiesel tentando repetir a mesma coisa, sem permitir que haja em nenhum momento a redução de alimentos. Até porque, Luciano, eu tenho dito, para todos os presidentes com quem eu converso, o ser humano até pode cometer erros, mas nenhum ser humano, nenhum governo, nenhum ser vivo do planeta Terra vai deixar de plantar alimento para encher o seu estômago, para poder encher um tanque de um carro, seria até insano um comportamento desse.
Agora é uma guerra que eu acho que nós vamos ganhar. Eles levantam a questão das condições de trabalho na cana-de-açúcar e eu reconheço que é pesado o trabalho na cana de açúcar, reconheço que é muito pesado o trabalho no corte de cana, agora não é mais pesado que os trabalhadores que trabalham numa mina de carvão a 80,90 metros abaixo do subsolo que foi a base do desenvolvimento de muitos países europeus. Nós, nesse momento, estamos trabalhando, o ministro Luiz Dulci, está negociando com os empresários um contrato de trabalho para que a gente possa melhorar a situação dos cortadores de cana-de-açúcar, sabendo que nós precisamos tratar isso com muito carinho porque, em São Paulo nós já temos 50% do corte de cana mecanizado. E nós estamos tratando de fazer um acordo porque nós precisamos cuidar de formar esse trabalhador que trabalha no corte de cana agora, e que vai ser substituído por uma máquina que vai cortar, e cada máquina substitui quase que 80, 90 trabalhadores, para que esse trabalhador possa ter possibilidade de que, com uma boa formação profissional, ter emprego em outro lugar. Nós não queremos substituir o homem pela máquina, nós queremos que a máquina corte cana, mas queremos que o ser humano que hoje corta a cana tenha a possibilidade de ter um trabalho melhor, um trabalho digno. Ou seja, é criar as condições para que ele possa trabalhar com dignidade até que ele se forme em outra coisa e a gente possa então ter uma máquina substituindo o homem.

Apresentador: Muito obrigado, Presidente. Até a próxima semana.

Presidente: Muito obrigado você, Luciano, e até o próximo programa.

Apresentador: O programa Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Até lá.