Lula conversa com jogadores da seleção sobre momentos difíceis de suas carreiras

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Transcrição

'Presidente: Meus queridos e queridas ouvintes do programa Café com o Presidente. Hoje o nosso Café é diferente. Eu hoje vou ser o entrevistador. Ronaldinho, você está participando no Brasil de uma campanha para recuperar a auto-estima da nossa juventude e do nosso povo. O que você acha que poderia ser feito para que a gente pudesse motivar ainda mais a juventude brasileira?

Ronaldinho: Eu acho que está no caminho certo. Acho que mostrar exemplos vitoriosos como o meu... Eu comecei (o tratamento da) minha lesão, realmente não sabia quando e se eu voltaria realmente, mas não desisti, persisti e, sem saber o meu futuro, trabalhava cada dia. No final, eu venci aquela batalha. Então, mostrar ao Brasil inteiro exemplos positivos como esse, como do Cafu também que foi mandado embora de dezessete times diferentes, no São Paulo foi mandado embora sete vezes, e no final assinou um contrato com o próprio São Paulo. Então, mostrar ao Brasil exemplos vitoriosos é o melhor caminho.

Presidente: Ronaldinho, uma coisa que a gente ouvia na época era as pessoas falarem: "ah, ele não volta mais para o futebol, acabou". Outras pessoas falavam: "ele já ganhou muito dinheiro. Ele agora pode viver a vida dele tranqüilo, arrumar muitas namoradas que ele quiser porque ele está com a vida ganha". Entretanto, contrariando os pessimistas que diziam que você estava acabado para o futebol, prevaleceu a seriedade, prevaleceu o teu compromisso com aquilo que você mais gosta de fazer, que é ser um extraordinário jogador de futebol. Toda vez que você levantava de manhã para fazer fisioterapia, horas e horas intermináveis, você em algum momento pensou em desistir realmente?

Ronaldinho: Não, em nenhum momento. Eu sempre... Foi muito mais forte o meu amor pelo futebol. Eu não pensava em nenhum momento em desistir. Só queria lutar contra aquela lesão e eu pensava: vou ganhar, vou vencer essa batalha porque quero voltar a jogar bola, voltar a fazer gol e eu tenho essa dívida comigo. No final, consegui a vitória e, em seguida, teve a Copa do Mundo. A gente ganhou o pentacampeonato. Foi meio que um presente por toda a dedicação que eu tive durante a minha lesão.

Presidente: Eu espero que a juventude brasileira se espelhe no homem, no bom caráter desse moço extraordinário chamado Ronaldo. Muito obrigado, Ronaldo. Atenção, agora vou entrevistar o homem de Araras. Eu estou aqui com o Roberto Carlos. Eu queria fazer uma pergunta para você, Roberto Carlos. Em algum momento do começo da sua vida, ou seja, como jogador de futebol, você pensou em desistir? Você teve dificuldades para se tornar profissional?

Roberto Carlos: Não, Presidente. Eu sempre ... Tanto que meu primeiro presente foi uma bolinha de capotão. No interior de São Paulo a gente fala "capotão". Mas eu tive muitas dificuldades. Estudei até a quinta série e, no dia em que eu saí de casa, falei para o meu pai: "Eu só volto para cá, para ver o senhor de novo no dia em que eu puder dar a primeira casa para o senhor." E assim foi o meu pensamento de futuro: ter dificuldade no começo, mas que num futuro próximo eu conseguiria recuperar tudo o que eu perdi de escola, da minha época de criança, porque quando você começa a jogar futebol existe mais responsabilidade. Então, sofri muito no começo e hoje eu dou muito valor ao que faço porque é muito bom jogar futebol. Em nenhum momento eu desisti. Até porque nos momentos mais difíceis é quando você tem que se superar e demonstrar de verdade a sua qualidade. Nunca se imagina chegar a uma seleção brasileira, a um Real Madri ou a uma Presidência de um país tão grande como o Brasil. Mas eu acho que no começo é quando você ganha muitas coisas para ser respeitado em todo o mundo. Eu me sinto orgulhoso de ser brasileiro porque todo mundo, quando fala de Roberto Carlos, fala do jogador brasileiro, do povo brasileiro. Nós conseguimos tirar um pouco daquela imagem de que o jogador ia para a Europa ganhar o dinheiro e voltar.

Presidente: Se você tivesse que dar uma mensagem para a juventude brasileira, para os meninos que como você nasceram no interior e estão procurando uma chance, qualquer que seja ela, o que você diria?

Roberto Carlos: Que pratique esporte e, por mais que tenha dificuldade de estudos, acho que não só o futebol, mas o tênis, o vôlei e a natação, esses tipos de esportes fazem com que as crianças saiam da rua, tenham mais tempo dentro de classes e, com certeza, cresça um grande homem ou uma grande mulher.

Presidente: Você sabe que o pessoal briga muito comigo, o pessoal do PT do Rio, porque o pessoal quer que eu seja Flamengo. Desculpe, Júlio César. O pessoal quer que eu torça para a Mangueira. Eu sou vascaíno e sou torcedor da Beija-flor. Júlio César, o que significa a sua família para você?

Júlio César: Minha família é tudo para mim. Acho que é a grande responsável por eu ser esse rapaz hoje. Bom pai, bom filho, bom brasileiro, digamos assim. Eu acho que minha família faz parte de tudo. Agradeço muito a minha mãe, que sempre foi meu braço direito, desde pequenininho. E é isso, agradeço muito a Deus pela família que eu tenho.

Presidente: Quando você está desanimado a sua mãe é a sua referência?

Júlio César: Sempre foi. , desde nove anos... Desde meus oito anos de idade. Valeu, obrigado.