Cúpula de San Juan foi uma das mais produtivas reuniões do Mercosul

O presidente Lula destaca a aprovação do cronograma que define o fim da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) como um marco histório, que consolidará a União Aduaneira no bloco. Lula também comenta os encontros bilaterais com os presidentes da Argentina, Venezuela e Colômbia. A Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que mostra a geração de 14 milhões de empregos no país entre 2003 e 2010, é outro assunto do programa.

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Transcrição

Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas, e começa agora o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá, presidente, como vai? Tudo bem?

Presidente: Tudo bem, Luciano.

Apresentador: Presidente, o senhor está em São Bernardo do Campo, São Paulo, nós estamos nos estúdios da EBC, em Brasília. O senhor participou, na semana passada, da 39ª Cúpula do Mercosul, San Juan, na Argentina. Que resultados o senhor pode destacar dessa reunião, presidente?

Presidente: Luciano, eu posso dizer ao povo brasileiro que foi, possivelmente, uma das melhores cúpulas que eu participei em toda a história do Mercosul. A cúpula aprovou o fim da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum, a famosa TEC, no comércio entre os sócios. A TEC é um dos impostos de importação que se paga em todos os países-membros do bloco. Só que havia uma distorção que estava prejudicando muito o comércio na região. Até agora, quando um produto entra num país, tem que pagar a TEC; e para passar de um país para outro, dentro do bloco, pagava tarifa de novo. O imposto incide duas vezes sobre o mesmo produto. O fim dessa cobrança abriu espaço para consolidarmos a União Aduaneira, prevista desde 1994, no Protocolo de Ouro Preto. O outro passo importante para implementarmos de vez a União Aduaneira foi a aprovação do Código Aduaneiro do Mercosul. Essas duas medidas vão ser muito importantes para melhorar o comércio na região. A cúpula, também, aprovou o financiamento de nove projetos no valor de US$ 795 milhões – muito importantes para o desenvolvimento regional e que vão beneficiar, sobretudo, os dois países menores no Mercosul, que são Paraguai e Uruguai. Por isso, Luciano, nesses oito anos que eu participo do Mercosul, esta foi a reunião mais produtiva, me dando a impressão de que, pela primeira vez, todos nós tivemos consciência da verdadeira importância do fortalecimento do Mercosul.

Apresentador: Presidente, o senhor teve, também, encontros bilaterais com presidentes de outros países da América do Sul. O que foi decidido nessas reuniões?

Presidente: Eu acho que foi muito importante a discussão que eu tive, sobretudo, nas reuniões bilaterais com Argentina. Nós tivemos uma reunião muito importante com a presidenta, Cristina Kirchner, nós tratamos de inúmeros temas comuns aos nossos países. Queremos intensificar os esforços para implementar os projetos e propostas de cooperação para o uso pacífico da energia nuclear. Um deles é o reator de pesquisa multipropósito, que vai ajudar no tratamento de muitas doenças; para atender pacientes aqui no Brasil e na Argentina, e, possivelmente, em outros países. Estive, também, na Venezuela para assinar diversos acordos. Foram 28 acordos que nós assinamos com a Venezuela, e eu acho extremamente importante os acordos que nós assinamos, porque significa que vai intensificando a transmissão do conhecimento científico e tecnológico do Brasil para outros países da América do Sul e da América Latina. E, também, Luciano, participei da posse do presidente Santos, na Colômbia. Ele estará no Brasil no dia 1º de setembro para fazer uma visita de Estado. E eu acho que, assim, nós estaremos contribuindo para construir, definitivamente, a paz e a tranquilidade na nossa querida América do Sul.
Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Mudando de assunto, presidente, na semana passada, o Ministério do Trabalho divulgou a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. O que mostram os números, presidente?

Presidente: Eu penso que os números mostram aquilo que a gente vem dizendo já há algum tempo, Luciano. O Brasil encontrou o caminho do desenvolvimento, o Brasil encontrou o caminho da criação de oportunidade de trabalho, da geração de empregos, porque nós estamos fazendo o que não acontecia desde 1975, quando nós entramos numa crise de desemprego no Brasil, de desativação das atividades econômicas no Brasil. Eu acho isso extraordinário. É importante lembrar, Luciano, que, na década de 70, a indústria automobilística... Só uma Volkswagen tinha, por volta, de 44 mil trabalhadores. E, hoje, ela tem só 17 mil trabalhadores. A Mercedes-Benz, a Ford, a Volkswagen, outras empresas pelo Brasil perderam, a construção civil, milhões e milhões de postos de trabalho. E, graças a Deus, nós conseguimos, nesse nosso mandato, conseguimos começar a recuperar e, ao criarmos 14 milhões de empregos, a gente fica olhando a Europa e os Estados Unidos, que perderam, apenas em 2009, praticamente 16 milhões de postos de trabalho. Significa que o Brasil, finalmente, se encontrou consigo mesmo e, finalmente, o Brasil vai se transformar numa grande economia. Por isso, eu fico muito feliz com os números do CAGED e com os números da RAIS.

Apresentador: Muito obrigado, presidente Lula, e até a próxima semana.

Presidente: Obrigado a você, Luciano, e até a próxima semana.

Apresentador: Você pode acessar este programa em www.cafe.ebc.com.br. O Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Até lá.