Reunião do G-20 é mais um passo dado para o equilíbrio da economia mundial

O presidente Lula fez uma avaliação da reunião de cúpula do G-20, em Seul, na Coréia do Sul, encerrada na semana passada. Segundo Lula houve avanços principalmente em relação à necessidade de um maior equilíbrio na economia mundial e também à retomada da Rodada de Doha. Em seu programa semanal Café com o Presidente Lula também destacou que a reunião apresentou um documento final, com orientações claras para todos os países e que prevaleceram a maturidade e o bom senso.

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Transcrição

Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas, e começa agora o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá, presidente, como vai? Tudo bem?
Presidente: Tudo bom, Luciano.
APRESENTADOR: Presidente, o senhor está em São Bernardo do Campo, São Paulo, nós estamos aqui nos estúdios da EBC Serviços, em Brasília. O senhor acaba de chegar de Seul, onde participou da reunião do G-20 – o grupo das maiores economias do mundo. Qual foi o resultado?
Presidente: Luciano, eu acredito que a reunião do G-20, mais uma vez avançou bastante. Você sabe que muita gente estava descrente de quando o G-20 surgiu em 2008, quando nós fizemos a nossa primeira reunião. O G-20 foi responsável por passar para toda a sociedade do mundo inteiro uma certa credibilidade para que a gente pudesse recuperar a economia de vários países. O G-20 deu orientações claras. E nessa reunião agora eu acho que nós demos um passo mais importante, que nós ainda temos é um problema que é o baixo crescimento da economia europeia, o baixo crescimento da economia americana, o baixo crescimento da economia do Japão, e o alto crescimento da economia da China, do Brasil, da África, da América Latina. Ou seja, isso faz com que nós tenhamos um processo meio desequilibrado, ou seja, é preciso que haja o crescimento do consumo dos países ricos para que os países pobres possam vender mais e o comércio possa ser a base da economia mundial. Todo mundo está de acordo, todo mundo se coloca quase que de consenso que é preciso que haja um equilíbrio na economia mundial, que voltemos a discutir a Rodada de Doha. E eu acho que, mais uma vez, prevaleceu a maturidade, prevaleceu o bom senso, prevaleceu a compreensão de que, hoje, o mundo é interdependente, ou seja, se os americanos tomarem uma medida econômica para tentar resolver um problema dos Estados Unidos, eles têm que pensar o reflexo disso na China, no Brasil, na Argentina, na Alemanha, na França e em um país africano. Ou seja, se não for assim nós estaremos matando o multilateralismo. Por isso, eu fiquei muito satisfeito com a reunião que nós tivemos em Seul. Ela deu passos importantes, o documento é forte, o documento é um documento incisivo, ele dá orientações precisas e eu acho que nós estamos, sabe, finalmente, não discutindo mais num clubinho fechado como era o G-8, mas discutindo no G-20, e precisamos envolver outros países que não participam do G-20, porque as decisões interessam a todos os países do mundo.
Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Presidente, um tema discutido no grupo do G-20, na reunião do G-20 foi a chamada guerra cambial. Houve avanços nessa área?
Presidente: Houve dois temas importantes que foram discutidos com mais ênfase: uma é a guerra cambial, que foi levantada há um tempo atrás pelo ministro Guido Mantega, e há a compreensão de todos os países, da União Europeia, do Japão, da América Latina, da África, dos países que estavam lá convidados, de que é preciso que haja mais seriedade na política cambial. Houve duras críticas aos americanos e à China, porque eles desvalorizam as suas moedas com o objetivo de facilitar as suas políticas comerciais. Eu penso que aí também houve um avanço. Houve um avanço e a compreensão de que é preciso de que haja um maior equilíbrio da política cambial para que nenhum país leve vantagem sobre o outro. E um outro assunto muito importante que foi discutido foi a retomada das negociações da Rodada de Doha, que foi paralisada em 2008, com a eleição americana e a eleição da Índia. E nós chegamos à conclusão de que é preciso retomar as negociações, sentar na mesa, começar a discutir a partir, sabe, de onde nós paramos. Não temos que começar do zero, nós já avançamos muito. É importante lembrar que em 2008 a gente estava fechando um acordo, não fizemos o acordo apenas por conta das eleições que iam acontecer nos Estados Unidos e que iam acontecer na Índia. E nós então precisamos agora retomar, porque somente o comércio, sabe, é que vai dinamizar o crescimento da economia. Quanto mais comércio, quanto mais consumo, quanto mais produção, mais a roda da economia vai girar e mais o mundo vai crescer. E nós precisamos, nesse momento, que o mundo cresça. Porque a situação no Brasil é uma situação privilegiada, ou seja, nós vamos gerar, este ano, aproximadamente 2,5 milhões de empregos, o desemprego no Brasil é o menor da série histórica desde que começou a medir. Mas o desemprego é muito grande na Europa, é muito grande nos Estados Unidos. Nós compreendemos a preocupação dos presidentes dos países europeus e, também, dos Estados Unidos, mas nós não podemos ser prejudicados por isso. Daí porque, Luciano, se eu tivesse que fazer uma avaliação, eu diria que a reunião de Seul, a reunião do G-20, ela foi muito importante, foi mais um passo dado para um equilíbrio da economia mundial.
Apresentador: Obrigado, presidente Lula, e até a próxima semana.
Presidente: Obrigado a você, Luciano, e até a próxima semana.
Apresentador: Você pode acessar este programa na internet, o endereço é www.cafe.ebc.com.br. O Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Até lá.