05/07/2011 - A Voz do Brasil

O exame de câncer de colo do útero, conhecido como Papanicolau, a partir de agora poderá ser feito em mulheres de até 64 anos de idade, de graça, pelo SUS. A partir deste mês, estados e municípios que enfrentarem situações de calamidade, como enchentes, deslisamentos ou secas prolongadas vão contar com o Cartão de Pagamento da Defesa Civil, que vai servir para comprar material de emergência, contratar serviços de limpeza, reconstrução, e também garantir maior controle sobre os gastos públicos. A presidenta Dilma Rousseff participou hoje, em Rondônia, da cerimônia de início do desvio do rio Madeira para a construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, que faz parte do PAC e conta com investimentos de R$ 16 bilhões. Tudo isso você ouviu hoje na Voz do Brasil.

audio/mpeg 05-07-11-voz-do-brasil.mp3 — 11948 KB




Transcrição

Apresentadora Edla Lula: Mulheres de até 64 anos de idade agora podem fazer o exame do câncer de colo de útero pelo Sistema Único de Saúde.

Apresentador Luciano Seixas: Municípios em situação de emergência começam a receber o Cartão de Pagamento da Defesa Civil a partir deste mês.

Edla: Presidenta Dilma Rousseff dá início ao desvio do rio Madeira para a construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Luciano: Terça-feira, 5 de julho de 2011.

Edla: Está no ar a sua voz.

Luciano: A nossa voz.

Edla: A Voz do Brasil.

Luciano: Boa noite! Aqui, nos estúdios da EBC Serviços, eu, Luciano Seixas, e Edla Lula.

Edla: O câncer de colo de útero, Luciano, é o segundo tumor mais frequente nas mulheres, atrás, apenas, do câncer de mama.

Luciano: E de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, Inca, Edla, também é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Edla: Por ano, são 4.800 mortes e 18 mil novos casos.

Luciano: Para tentar reduzir o número de casos dessa doença, o Ministério da Saúde anunciou novas regras para a realização de exames do câncer de colo do útero pelo Sistema Único de Saúde.

Edla: A partir de agora, mulheres de até 64 anos de idade vão fazer o exame preventivo.

Luciano: Antes, as mulheres entre 25 a 59 anos de idade eram submetidas ao rastreamento para identificar o câncer de colo do útero.

Edla: Na avaliação de Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, a ampliação da faixa etária vai garantir que os casos de câncer de colo do útero sejam identificados logo no início e tratados.

Secretário de Atenção à Saúde - Helvécio Magalhães: É importante, considerando as mudanças demográficas do Brasil, que mostram um maior tempo de vida média das brasileiras. Essa é uma mudança importante, a ampliação de acesso, a criação de qualidade, de garantia de pegarmos a maior parte dos casos de câncer em estágio bem inicial.

Luciano: O método de identificação da doença e das lesões que indicam o aparecimento desse tipo de câncer é o exame conhecido como Papanicolau.

Edla: Esse exame é feito de graça, pelo Sistema Único de Saúde.

Luciano: A partir deste mês, estados e municípios que enfrentarem situações de calamidade, como enchentes, deslizamentos ou secas prolongadas, vão contar com o Cartão de Pagamento da Defesa Civil.

Edla: O cartão vai servir para comprar material de emergência, contratar serviço de limpeza, reconstrução e também garantir maior controle sobre os gastos públicos.

Luciano: A medida vai ser testada inicialmente em 20 municípios de cinco estados, por enquanto ainda não definidos.

Edla: O nosso editor João Fagundes Neto conversou sobre o assunto com o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana. Vamos ouvir.

Editor João Fagundes Neto: Quando os cartões começam a ser emitidos?

Secretário nacional de Defesa Civil - Humberto Viana: A proposta inicial é fazermos o lançamento da etapa-piloto de implementação do Cartão de Pagamento da Defesa Civil na última semana de julho, perfazendo um total, no piloto, de 20 municípios a serem testados no modelo.

Editor João Fagundes Neto: Depois dessa experiência de distribuir os cartões para esses municípios escolhidos, todo o país vai ter acesso, caso enfrente alguma situação de calamidade. É isso mesmo?

Secretário nacional de Defesa Civil - Humberto Viana: Só terá acesso ao cartão o município que estiver cadastrado pela Defesa Civil, decretada a sua situação de emergência ou de calamidade, e para isso ele precisa estar enfrentando uma situação de alteração climática, de um grande desastre, de uma emergência, confirmada e avaliada pela engenharia da Defesa Civil nacional.

Editor João Fagundes Neto: Qual gestor vai ter esse cartão nas mãos? Vai ser o prefeito, vai ser o secretário de Defesa Civil?

Secretário nacional de Defesa Civil - Humberto Viana: O critério é que o próprio município defina quem vai utilizar o cartão. São em três fases: as ações de socorro, as ações de assistências às vítimas e as ações de restabelecimento de serviços essenciais.

Editor João Fagundes Neto: A compra será feita com débito, crédito ou o gestor vai poder sacar o dinheiro em espécie? Eu gostaria que o senhor explicasse, por favor.

Secretário nacional de Defesa Civil - Humberto Viana: O crédito será feito na conta que foi anunciada e oficialmente mandada para a Defesa Civil nacional, e a pessoa detentora do cartão, o gestor público, coordenador de despesa ou a pessoa autorizada, só poderá, exclusivamente, retirá-lo na modalidade de débito.

Editor João Fagundes Neto: O senhor acredita que, além de agilizar as compras, este cartão vai trazer que tipo de benefícios? Maior controle sobre os gastos públicos também?

Secretário nacional de Defesa Civil - Humberto Viana: Esse cartão nos dará, com muita tranquilidade, o controle sobre os gastos, porque, de imediato, aquilo sai no portal nosso de controle, a compra que está sendo efetuada naquele momento, ou seja, a transparência do gasto. Tudo isso com a garantia de que, a partir do momento que o cartão é utilizado pelo seu gestor ou pelo seu ordenador de despesa, nós estaremos recebendo online aquela aquisição, ou seja, aquela compra que ele demandou em razão de uma situação de emergência.

Editor João Fagundes Neto: Secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, muito obrigado pela sua participação aqui, na Voz do Brasil.

Secretário nacional de Defesa Civil - Humberto Viana: Obrigado.

Luciano: Presidenta Dilma Rousseff participou hoje, em Rondônia, da cerimônia de início do desvio do rio Madeira para a construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio.

Edla: A usina hidrelétrica de Santo Antônio faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento e conta com investimentos de R$ 16 bilhões.

Luciano: Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá capacidade para abastecer 11 milhões de residências, o que vai beneficiar 40 milhões de pessoas. Adilson Mastelari.

Repórter Adilson Mastelari (Porto Velho-RO): Junto com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a presidenta Dilma Rousseff acionou o dispositivo para o desvio das águas do rio Madeira para um vertedouro, para a construção de mais estruturas na parte do leito que estava submersa. Até 2015, quando 44 turbinas vão estar funcionando, a usina vai gerar 2.218MW, energia para abastecer 11 milhões de residências ou 40 milhões de pessoas. A presidenta Dilma falou dos benefícios dessa obra.

Presidenta Dilma Rousseff: É uma obra que vai garantir energia para o nosso país continuar crescendo, porque a energia que for gerada aqui vai circular em toda essa região e vai se trocar com a energia gerada no resto do Brasil, e assim o Brasil vai crescer e gerar empregos.

Repórter Adilson Mastelari (Porto Velho-RO): Já são 35 meses de obras, são 18 mil trabalhadores, mais de 1.500 são mulheres. A construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho, é mais uma obra do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. Hoje, a capacidade energética do Brasil é de 110.000 MW. As usinas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas em Rondônia, vão contribuir com 5.500 MW, 5% do total do Sistema Interligado Nacional. Os investimentos dessas obras têm relação direta com ações sociais e de preservação ambiental, como explicou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Ministro de Minas e Energia - Edison Lobão: Nada menos do que R$ 1,3 bilhão estão sendo aplicados, e prosseguirão sendo aplicados, na área de sustentabilidade, que compreende ações socioambientais na área de saúde, educação, segurança, infraestrutura, reassentamentos e de apoio às tribos indígenas.

Repórter Adilson Mastelari (Porto Velho-RO): Cinquenta e um porcento da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, aqui em Rondônia, já estão prontos. Só para se ter uma noção da grandiosidade da obra, já foram utilizadas 800 mil toneladas de cimento, o que seria suficiente para construir 37 estádios do tamanho do Maracanã. De Porto Velho, Rondônia, Adilson Mastelari.

Edla: Depois da cerimônia no rio Madeira, a presidenta Dilma assinou, em Porto Velho, o decreto que regulamenta a transferência de servidores civis e militares de Rondônia para a administração federal.

Luciano: Serão beneficiados os policiais militares e servidores municipais do ex-território federal de Rondônia, que se encontravam no exercício regular de suas funções, quando o estado foi criado, em 1981.

Edla: Também estão incluídos nesse decreto os servidores admitidos pelo estado de Rondônia até a posse do primeiro governador eleito, em 1987.

Luciano: A presidenta Dilma Rousseff afirmou que esse decreto resgata uma dívida histórica com o estado de Rondônia.

Presidenta Dilma Rousseff: Eu estou aqui, hoje, para resgatar uma dívida histórica da União com o estado de Rondônia e com os trabalhadores e as trabalhadoras de Rondônia. É uma dívida que vem de longe, há 30 anos, de época em que Rondônia deixou de ser território e se transformou em um estado. Eu falo aqui da passagem, que foi assinada, que todos vocês sabem, que é a transposição, e que é uma dívida que a União tinha para com vocês, e dívidas a gente tem sempre que pagar, principalmente dívidas históricas.

Edla: O direito à alimentação em aldeias indígenas foi discutido hoje, durante a reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

Luciano: As necessidades encontradas em algumas comunidades, avaliadas por uma comissão especial, vão resultar em um relatório, que deve ser divulgado em setembro.

Edla: De acordo com a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, esse relatório vai identificar os principais problemas enfrentados pelos indígenas e o que é preciso fazer para garantir alimentação adequada.

Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos - Maria do Rosário: Especialmente aqui, a partir do exemplo da Aldeia Jaraguá, que é uma aldeia indígena, urbana, em São Paulo, sobre a qual nós estamos atuando para alertar sobre a questão dos índios urbanos em todo o Brasil e as necessidades que essas populações têm de estarem inseridas permanentemente em programas federais de auxílio à alimentação, seja através da Funasa, do MDS, e que estamos atentos que sejam atendidos prioritariamente também.

Luciano: A ministra Maria do Rosário afirmou ainda que 131 pessoas ameaçadas de morte, nos estados da região Norte do país, foram incluídas em programa de proteção do governo federal.

Edla: Isso aconteceu depois da morte de líderes extrativistas, no final de maio, no Pará.

Luciano: A ministra da Secretaria de Direitos Humanos explicou que essas 131 pessoas foram identificadas a partir do cruzamento de dados da Comissão Pastoral da Terra, de movimentos de trabalhadores rurais e de registros das ouvidorias agrária nacional e da própria secretaria.

Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos - Maria do Rosário: Nós já temos na região cerca de 131 pessoas que identificamos que foram ameaçadas mais de uma vez e, portanto, já estão participando dos programas de proteção federais neste momento. Mas o mais importante não é apenas proteger essas pessoas individualmente e as suas famílias, é garantirmos que aqueles que ameaçam sejam identificados, sejam responsabilizados e sejam punidos, porque, em torno dos que ameaçam hoje, estão também alguns que já mataram em outros momentos e ficaram impunes.

Edla: Sete e doze.

Luciano: O Brasil está entre os países mais avançados na área social. A conclusão é de técnicos de 34 países integrantes da Organização dos Estados Americanos, OEA.

Edla: Eles estão reunidos essa semana, aqui em Brasília, discutindo políticas sociais e cooperação para combater a pobreza e a desigualdade.

Luciano: As propostas vão servir de base para a reunião da Rede Interamericana de Proteção Social, que será realizada em agosto, no México. Paulo La Salvia.

Repórter Paulo La Salvia (Brasília-DF): Brasil, Chile, México e Colômbia são os países mais capacitados na América Latina em tecnologias sociais. Esta é a conclusão de técnicos brasileiros e da Organização dos Estados Americanos, a OEA, que reúne 34 países das Américas do Norte, Central do Sul e do Caribe. Reunidos em Brasília, esses técnicos estudam formas de promover cooperação na área social por meio de projetos e programas. O diretor da Oficina de Proteção Social da OEA, Francisco Pilotti, avalia que o Programa Bolsa-Família brasileiro é uma referência em toda a região.

Diretor da Oficina de Proteção Social da OEA - Francisco Pilotti: São muitas experiências exitosas, onde se tem comprovado de que programas como o Bolsa-Família efetivamente reduzem a pobreza no Brasil, mas também a desigualdade, que é um tema central da governabilidade democrática.

Repórter Paulo La Salvia (Brasília-DF): De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o Brasil já estabeleceu contatos na área com 64 países, firmou cooperação efetiva com 12 nações da África e da América Latina e, neste ano, ainda deve ampliar as parcerias com outros nove países africanos. E o que mais desperta atenção do exterior é o equilíbrio colocado em prática pelo governo brasileiro entre o crescimento econômico e justiça social. No encontro, também ficou claro que países em desenvolvimento, como o Brasil, estão em uma posição privilegiada para promover cooperação internacional em programas sociais. Mas, ao mesmo tempo, estes países precisam melhorar a capacidade técnica na hora de exportar e receber projetos. É por isso que quando o Brasil exporta tecnologias sociais sempre leva em conta as condições específicas das nações que recebem a cooperação. É o que afirma a chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Aline Soares.

Chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - Aline Soares: O Brasil é um país muito grande, o país tem uma realidade muito específica, porque tem muitos municípios, tem uma gestão bastante descentralizada e que requer uma articulação federativa bastante forte. Mas os países que nos procuram, já tendo consciência dessa nossa peculiaridade, colocam também as suas realidades e buscam adaptar do nosso modelo itens e algumas especificidades que podem ser adaptadas às suas realidades.

Repórter Paulo La Salvia (Brasília-DF): O encontro em Brasília, organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em parceria com a Organização dos Estados Americanos, a OEA, termina amanhã. De Brasília, Paulo La Salvia.

Edla: Cerca de 7,2 milhões de brasileiros trabalham com serviços domésticos.

Luciano: É 7,8% do total de ocupados do país, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, feito em 2009.

Edla: O estudo mostra que mesmo representando uma grande parcela da população esses empregados não têm acesso a direitos comuns a outros trabalhadores, como jornada definida e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS.

Luciano: Os empregados domésticos também sofrem com a falta de acesso à carteira assinada e com baixos salários.

Edla: De acordo com o Ipea, as mulheres correspondem a 93% dos trabalhadores domésticos.

Luciano: E mais de 61% do total delas são negras.

Edla: Questões que levaram o instituto a promover, aqui, em Brasília, o primeiro de uma série de seminários para marcar o Ano Internacional dos Afrodescendentes. Carla Wathier.

Repórter Carla Wathier (Brasília-DF): Há 19 anos, Rosa Mota de Jesus é empregada doméstica. Ela gosta muito da profissão, e durante todo esse período só trabalhou em duas casas. Sempre teve a carteira assinada e agora aproveita o benefício da formalidade.

Empregada doméstica - Rosa Mota de Jesus: Até hoje eu não estou trabalhando, não estou mais no emprego, porque eu estou afastada pela Previdência Social, devido problemas de saúde que eu adquiri no trabalho.

Repórter Carla Wathier (Brasília-DF): Segundo dados do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, as mulheres correspondem a 93% dos trabalhadores domésticos no país, 61% delas são negras e a maioria tem baixa escolaridade. As condições de trabalho são marcadas principalmente pela informalidade e pelos baixos salários, uma realidade que para ser mudada precisa de políticas públicas específicas. A socióloga Stéfane Silva, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, conta que a Pasta vem trabalhando com outros órgãos do governo para modificar a atual legislação e melhorar a vida desses profissionais.

Socióloga da Secretaria de Políticas para as Mulheres - Stéfane Silva: Está sendo realizada uma série de ações em conjunto, entre vários Ministérios, buscando principalmente a questão da alteração do art. 7º, da Constituição Federal, que em seu Parágrafo Único exclui as trabalhadoras domésticas de uma série de direitos e garantias. A gente está buscando muito também lutar pelo pagamento do FGTS, porque sem o pagamento do FGTS as trabalhadoras domésticas ficam mais uma vez excluídas de uma série de garantias como trabalhadoras. A questão da aposentadoria também, que muitas delas não têm carteira assinada e, por isso, não contribuem para a Previdência Social, e são poucas vezes que contribuem na modalidade autônoma.

Repórter Carla Wathier (Brasília-DF): Paralelo às mudanças internas, a Organização Internacional do Trabalho aprovou a criação de uma convenção para regulamentar o trabalho doméstico. Na prática, de acordo com Creuza Oliveira, presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, é mais um passo para que a categoria passe a contar com todos os direitos que outras profissões têm, como jornada de trabalho definida e FGTS.

Presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas - Creuza Oliveira: O que está faltando é a regulamentação e equiparação de direito com as demais categorias do Brasil, e também fazer parte da CLT, que é a Consolidação das Leis do Trabalho. Nós já conquistamos direitos importantes desde 72, depois em 88, em 2006 também ampliamos mais um pouco o nosso direito. Agora, com a 100ª Conferência da OIT, que foi aprovada uma convenção para as trabalhadoras domésticas do mundo inteiro, e que a gente está aguardando que o Brasil seja o primeiro país a ratificar essa convenção, porque o Brasil é signatário das convenções da OIT.

Repórter Carla Wathier (Brasília-DF): As políticas públicas para melhorar a vida do empregado doméstico foram discutidas em Brasília, durante encontro promovido pelo Ipea. Este é o primeiro de uma série de seminários que serão realizados pelo instituto para marcar o Ano Internacional dos Afrodescendentes. De Brasília, Carla Wathier.

Luciano: Nos últimos anos, o Brasil avançou nas pesquisas agropecuárias e, hoje, detém tecnologias para transferência de embriões, inseminação artificial e clonagem de bovinos.

Edla: E a Embrapa está ajudando a popularizar essas tecnologias entre os pequenos produtores.

Luciano: Os treinamentos duram uma semana e tem aulas práticas e teóricas. Setenta porcento das vagas são reservadas a produtores da agricultura familiar.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): O agricultor familiar Ivan Márcio Silva cria 30 cabeças de gado numa região rural perto de Brasília. Os conhecimentos que ele adquiriu no curso vão ajudar na produção.

Agricultor familiar - Ivan Márcio Silva: Eu aprendi a inseminar, hoje eu tenho condições de melhorar meu rebanho, uma genética melhor, que com um touro eu não ia conseguir, porque um touro é muito caro, um touro bom, e eu teria que trocar de touro com frequência, porque senão ia acabar cruzando as filhas, e não. Aí, com a melhora da tecnologia, eu vou conseguir ter um rebanho melhor.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): O curso capacita o pequeno agricultor e mostra que a inseminação artificial não é só feita em laboratórios ou em grandes fazendas. Para a implantação da técnica, o agricultor não precisa ter grande infraestrutura e o custo da implantação é pequeno diante das vantagens, segundo o veterinário e instrutor do curso, Manuel Bezerra.

Veterinário e instrutor do curso - Manuel Bezerra: O custo é muito baixo. Para você ter uma ideia, o botijão completo, com todos os aparelhos, vai custar, em média, R$ 2.000,00, R$ 2.500,00, que equivale quase 50% do valor de um touro. Então ele pode fazer um investimento que vai durar aí 20, 30 anos utilizando esse material sem sombra de dúvida.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): De acordo com o pesquisador da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Carlos Frederico Martins, a ideia é divulgar cada vez mais a tecnologia de inseminação artificial de gado no país para melhorar a qualidade do rebanho brasileiro.

Pesquisador da Embrapa - Carlos Frederico Martins: O rebanho brasileiro tem evoluído, o Brasil detém grandes animais, detém melhoramento genético das principais raças bovinas de leite, de corte. E a aplicação da inseminação artificial, de transferência de embriões, da fecundação in vitro são técnicas de melhoramento genético, tem evoluído constantemente, principalmente a inseminação artificial. Porém, o campo da inseminação artificial é bem grande, ainda 7% do rebanho brasileiro, aproximadamente, são inseminados. Então a gente tem que intensificar muito mais essa tecnologia para realmente causar uma revolução genética no rebanho nacional.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): Qualquer produtor rural ou agricultor familiar pode fazer o curso, que é gratuito. Para isso é só procurar a Embrapa ou escritório da Emater em sua cidade. De Brasília, Cleide Lopes.

Edla: Além de destruir o meio ambiente, as queimadas, comuns nesta época de seca, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, podem prejudicar o tráfego aéreo.

Luciano: O alerta é do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo - Cindacta I, vinculado a Aeronáutica. Priscila Machado.

Repórter Priscila Machado (Brasília-DF): A fumaça provocada pelas queimadas leva os pilotos de aviões a perderem a visibilidade. E, nesses casos, somente são permitidos voos e decolagens por instrumentos. O problema é que nem todo o piloto tem licença para isso. É o que explica o tenente-coronel Fernando Braga, chefe da Divisão de Operações do Cindacta I.

Chefe da Divisão de Operações do Cindacta I - tenente-coronel Fernando Braga: Com esse problema, o aeródromo pode estar operando instrumento e, com isso, uma aeronave, ou um piloto que não tenha homologação para voar em condições de instrumento, ele não vai poder decolar, porque ele só pode operar em condições visuais. Ele não vai poder pedir para decolar ou até para pousar se ele vem de um aeródromo que já está operando visual. Basicamente, para operar visual, ele tem que ter uma visibilidade horizontal acima de 5 mil metros. Com as queimadas, essa visibilidade diminui e, com isso, não vai poder operar em condições visuais.

Repórter Priscila Machado (Brasília-DF): O tempo seco do inverno é período crítico para ocorrências de queimadas, e é entre os meses de julho a setembro que o Cindacta registra mais problemas no espaço aéreo brasileiro por conta das queimadas. No mesmo período do ano passado, foram mais de 1.100 casos. Segundo Fernando Braga, a maior parte nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Chefe da Divisão de Operações do Cindacta I - tenente-coronel Fernando Braga: Nós temos em nossas estatísticas que, em Cuiabá, ano passado, em 2010, tivemos mais de 400 ‘reports’ e, em alta floresta, mais de 700 casos.

Repórter Priscila Machado (Brasília-DF): De acordo com o Cindacta, a fumaça afeta a decolagem e o pouso dos voos se estiver num raio de 30 quilômetros do aeroporto. De Brasília, Priscila Machado.

Edla: Foi publicado no Diário Oficial da União de hoje uma portaria assinada pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, com os nomes dos integrantes de uma comissão de sindicância para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores do Ministério.

Luciano: Vão ser investigados projetos e obras da Valec, estatal vinculada ao Ministério dos Transportes que cuida das ferrovias, e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit.

Edla: A portaria estabelece o prazo de 30 dias para concluir a investigação e apresentar o relatório.

Luciano: Você ouviu hoje, na Voz do Brasil.

Edla: Mulheres de até 64 anos de idade agora podem fazer exame de câncer de colo de útero pelo Sistema Único de Saúde.

Luciano: Municípios em situação de emergência começam a receber o cartão de pagamento da Defesa Civil a partir deste mês.

Edla: Presidenta Dilma Rousseff dá início ao desvio do rio Madeira para construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Luciano: Esse foi o noticiário do Poder Executivo, uma produção da equipe de jornalismo da EBC Serviços.

Edla: Siga a Voz do Brasil no Twitter: twitter.com/avozdobrasil. Voltamos amanhã. Boa noite.

Luciano: Fique agora com as notícias do Poder Judiciário e do Congresso Nacional. Boa noite e até amanhã.