07/07/2011 - A Voz do Brasil

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite superou a meta do governo. Mais de 98% das crianças com idade entre 0 e 5 anos foram vacinadas. E a campanha contra o Sarampo já começou em 8 estados. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,15% no mês passado, menor do que 0,47% de maio. De acordo com o IBGE, a redução ocorreu principalmente por causa da queda dos preços dos alimentos, bebidas e combustíveis. A inflação acumulada nos 6 primeiros meses do ano foi de 3,87%. A presidenta Dilma Rousseff inaugurou hoje, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, um teleférico. Milhares de moradores vão ser beneficiados e deixarão de subir cerca de 700 degraus, a pé. O projeto faz parte do pacote de obras de urbanização do PAC. Tudo isso você ouviu hoje na Voz do Brasil.

audio/mpeg 07-07-11-voz-do-brasil.mp3 — 11960 KB




Transcrição

Apresentadora Edla Lula: Treze milhões, oitocentas e noventa e quatro mil crianças são imunizadas contra a paralisia infantil, e o país supera a meta de vacinação.

Apresentador Luciano Seixas: Queda nos preços de alimentos e combustíveis reduz a inflação em junho.

Edla: Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, ganha o primeiro transporte coletivo do país com uso de teleféricos.

Luciano: Quinta-feira, 7 de julho de 2011.

Edla: Está no ar a sua voz.

Luciano: A nossa voz.

Edla: A Voz do Brasil.

Luciano: Boa noite. Aqui, nos estúdios da EBC Serviços, eu, Luciano Seixas, e Edla Lula.

Edla: A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite superou a meta do governo.

Luciano: Mais de 98% das crianças, com idade entre 0 e 5 anos, tomaram as gotinhas para ficar protegidas da paralisia infantil.

Edla: E a campanha contra sarampo já começou em oito estados. Sobre o assunto, a nossa editora Adriana Franzin conversou com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Editora Adriana Franzin: Quase 14 milhões de crianças vacinadas. Qual era expectativa do Ministério?

Ministro da Saúde - Alexandre Padilha: Nós superamos a meta inicial do Ministério, que era chegar a 95% da meta. Nós chegamos a 98.2 da meta. Quero agradecer os profissionais, as famílias, as mães, os parentes, as comunidades, todo mundo que fez esse grande esforço, de levar suas crianças para vacinação da poliomielite, que é fundamental para manter nossas crianças protegidas. E agora nós vamos ter uma segunda etapa da pólio, no dia 13 de agosto.

Editora Adriana Franzin: Ministro, por que é tão importante dar esse reforço da vacina?

Ministro da Saúde - Alexandre Padilha: É fundamental porque essas duas gotinhas protegem as nossas crianças da paralisia infantil. O Brasil há muitos anos já conseguiu afastar a paralisia infantil há mais de 20 anos do nosso país. Nós temos, desde 94, um certificado de eliminação da doença, mas outros países do mundo ainda têm casos de paralisia infantil, inclusive tem alguns países que tem situação endêmica, isso pode permitir que fosse reintroduzido o vírus, aqui, no Brasil. Por isso que as nossas crianças têm que estar protegidas para evitar novas infecções, e a meta que nós alcançamos garante a proteção de uma proporção muito grande das crianças. E como nós chamamos que esse tipo de vacinação de uma hora para outra reúne um grupo grande de crianças, a gente expande também essa proteção para o conjunto da sociedade.

Editora Adriana Franzin: Em vários estados também já começou a campanha contra o sarampo, não é?

Ministro da Saúde - Alexandre Padilha: Isso mesmo. Nós antecipamos a campanha contra o sarampo em oito estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Nós antecipamos nesses estados porque por mais que o Brasil esteja há cerca de cinco anos sem transmissão, aqui, no Brasil, de casos de sarampo, nós tivemos alguns casos importados, nesse primeiro semestre, que foram diagnosticados, aqui, no Brasil. Isso porque países da Europa estavam tendo surtos importantes de sarampo.

Editora Adriana Franzin: E por que esses estados foram escolhidos para começar a campanha?

Ministro da Saúde - Alexandre Padilha: São estados que tem maior população não vacinada com sarampo e também que tem muito fluxo de turistas, de pessoas que vão para a Europa, retornam para esses estados, brasileiros que viajam para a Europa, ou mesmo turistas internacionais.

Editora Adriana Franzin: E nos outros estados, quando é que começa a campanha?

Ministro da Saúde - Alexandre Padilha: Quando nós fizermos a segunda etapa da campanha da pólio, dia 13 de agosto, nós vamos completar a campanha do sarampo em todos os estados do país. Além disso, nós estamos orientando a todas as pessoas que tem até 39 anos de idade, que estejam de viagem para a Europa, sobretudo os países que tiveram surto de sarampo, para atualizar a sua vacinação.

Editora Adriana Franzin: Eu conversei com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Muito obrigado, ministro, pela sua participação, aqui, na Voz do Brasil.

Ministro da Saúde - Alexandre Padilha: Um grande abraço.

Luciano: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,15% no mês passado.

Edla: O resultado ficou abaixo do 0,47% de inflação registrada em maio.

Luciano: De acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE, essa redução da taxa entre os meses de maio e junho ocorreu principalmente por causa da queda dos preços dos alimentos e bebidas e dos combustíveis.

Edla: Quem explica é Eulina Nunes, gerente da Pesquisa do IBGE.

Gerente da Pesquisa do IBGE - Eulina Nunes: O etanol caiu bastante e influenciou os preços da gasolina, que também ficaram mais baratos. Junto com os combustíveis, os alimentos mostraram não só o comportamento das ‘commodities’ no mercado exterior, que vem se reduzindo nos últimos meses, como também o resultado da safra desse ano, que pretende ser 8% maior do que no ano anterior e que está em plena colheita.

Luciano: Ainda de acordo com o IBGE, batata-inglesa e cenoura são os alimentos que tiveram as maiores quedas de preço no mês passado.

Edla: A inflação acumulada nos seis primeiros meses do ano é de 3,87%.

Luciano: A presidenta Dilma Rousseff inaugurou hoje, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, um teleférico para transportar a população até o morro.

Edla: Esse é o primeiro transporte de massa por cabo do Brasil, e milhares de moradores da comunidade vão ser beneficiados. Muitos vão deixar de subir cerca de 700 degraus a pé.

Luciano: O projeto faz parte do pacote de obras de urbanização do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Angélica Coronel.

Repórter Angélica Coronel (Rio de Janeiro-RJ): As 152 gôndolas ou bondinhos podem transportar, por hora, até 3 mil passageiros. O teleférico, no Complexo do Alemão, custou R$ 210 milhões, sendo R$ 135 milhões do estado do Rio e R$ 75 milhões da União. A linha tem 3,5 quilômetros de extensão. A primeira estação faz conexão com o trem de Bonsucesso. Nas outras, foram construídos postos do Detran, INSS, caixas bancários, Centro da Juventude e um centro cultural. As seis estações vão poupar do cansaço gente que precisava subir até 700 degraus para chegar em casa, trajeto que levava até uma hora, agora vai ser transportado em 16 minutos e pagando R$ 1,00.
A cozinheira Tatiana do Santos, moradora do Complexo do Alemão, comemora.

Cozinheira - Tatiana do Santos: Vivo aqui há 31 anos e, graças a Deus, que chegou uma coisa boa dessa aqui para a gente.

Repórter Angélica Coronel (Rio de Janeiro-RJ): Outros moradores como a dona de casa Maria Soledade Medeiros e o fiscal Nivaldo dos Santos concordam que a obra vai mudar a rotina de quem vive no Complexo do Alemão.

Dona de casa - Maria Soledade Medeiros: Aqui, em cima, não subia um carro, não subia moto, era uma dificuldade muito grande. E, hoje, isso aí é um benefício muito grande para o povo.

Fiscal - Nivaldo dos Santos: Que eu trabalho em Olaria, para mim vai facilitar bastante. Eu posso descer até a estação de Bonsucesso e ir até Olaria, e vice-versa. Podemos subir para cá também pelo teleférico.

Repórter Angélica Coronel (Rio de Janeiro-RJ): Além do teleférico, outras obras trazem melhores condições de vida aos moradores do Complexo: uma unidade de pronto-atendimento, um colégio, um centro esportivo, redes de esgoto e drenagem, além de 728 moradias erguidas por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida já foram entregues. As obras do Programa de Aceleração do Crescimento no Complexo do Alemão chegam aos R$ 725 milhões. A presidenta Dilma viajou no teleférico e conheceu a Unidade de Polícia Pacificadora instalada no local. Disse que a obra inaugurada hoje é a mais importante do PAC.

Presidenta Dilma Rousseff: O teleférico do Alemão, ele é um símbolo do PAC, é um símbolo do Programa de Aceleração do Crescimento no que este programa tem de mais importante para o Brasil, que é o fato de que nós não voltamos só a investir na infraestrutura das rodovias, das ferrovias, das hidrelétricas, que é muito importante. O que o governo vem fazendo desde a época do presidente Lula e que eu vou cada vez mais aprofundar é esse investimento nas pessoas. Nós não fazemos obras por causa dos materiais. Nós fazemos obras para beneficiar a vida diária de cada um. E aqui nós temos isso.

Repórter Angélica Coronel (Rio de Janeiro-RJ): O teleférico foi inspirado naquele que existe na cidade de Medellín, na Colômbia. Segundo dados do governo do Rio, o sistema vai ajudar a resolver o problema de 70% da população do morro do Alemão, ou seja, cerca de 85 mil moradores. Do Rio de Janeiro, Angélica Coronel.

Edla: E foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial a nomeação de Paulo Sérgio Passos para assumir interinamente o Ministério dos Transportes.

Luciano: Paulo Sérgio Passos substitui Alfredo Nascimento que pediu demissão nessa quarta-feira, após denúncias de supostas irregularidades em licitações e obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Dnit, e da Valec, estatal que cuida das ferrovias.

Edla: Até ser nomeado para assumir o Ministério dos Transportes, Passos ocupava o cargo de secretário-executivo da Pasta.

Luciano: E também, na edição de hoje do Diário Oficial, foi publicado uma portaria com os nomes que vão fazer a auditoria nas licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias sobre irregularidades no Ministério dos Transportes.

Edla: A Controladoria-Geral da União vai ser responsável pela auditoria, que tem prazo para ser concluída no dia 31 de agosto.

Luciano: Quem decide viajar de avião nas festas de fim de ano e nas férias de janeiro, Edla, pode acabar pegando filas nos aeroportos.

Edla: É verdade, Luciano. Por isso, a Agência Nacional de Aviação Civil, Anac, e as companhias aéreas se reuniram hoje, aqui, em Brasília, para começar a planejar ações para evitar problemas nos aeroportos, no final do ano. Gabriela Mendes.

Repórter Gabriela Mendes (Brasília-DF): A Agência Nacional de Aviação Civil e as principais companhias aéreas do país começaram a planejar ações para evitar problemas nos aeroportos nas férias de fim de ano. Em uma reunião nesta quinta-feira, na sede da Anac em Brasília, ficou decidido que grupos de trabalho vão se reunir para avaliar e monitorar os problemas encontrados atualmente nos principais aeroportos do país. A partir desses estudos, a Anac, em parceria com as companhias aéreas, Polícia Federal e Receita Federal, vai planejar ações para solucionar os gargalos. Uma medida já anunciada vai ser o compartilhamento de balcões de ‘check-in’ e das máquinas de autoatendimento, os chamados tótens, como explica Wagner Bittencourt, ministro da Secretaria de Aviação Civil.

Ministro da Secretaria de Aviação Civil - Wagner Bittencourt: Será feito a partir do fim do ano. Está em implantação. Mas será um benefício para o aeroporto, que continuará ao longo do tempo. Assim como tem no exterior ‘check-ins’ compartilhados e tótens compartilhados, nós teremos também no Brasil.
Repórter Gabriela Mendes (Brasília-DF): De acordo com Constantino de Oliveira Júnior, presidente da Gol Linhas Aéreas, a prioridade hoje é o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo ele, uma gestão integrada e participativa entre governo e companhias aéreas é fundamental na busca por soluções eficientes para os problemas enfrentados nos aeroportos de todo o país.

Presidente da Gol Linhas Aéreas - Constantino de Oliveira Júnior: A prioridade nossa está em Guarulhos hoje, que é um aeroporto, talvez, o mais complexo de se operar dentro daqueles que já estão próximos da saturação, por conta da quantidade de conexões internacionais, de uma operação bastante densa, ou seja, um aeroporto com nível de capacidade já próximo do seu nível de capacidade.

Repórter Gabriela Mendes (Brasília-DF): Para as férias de julho, a Secretaria de Aviação Civil já divulgou ações para evitar transtornos. Entre as medidas está o aumento das equipes em horários de pico. A expectativa para este mês é de crescimento de 14% no trânsito de passageiros. De Brasília, Gabriela Mendes.

Luciano: Sete e treze.

Edla: O Ministério da Justiça e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, estão preocupados com a publicidade duvidosa de alimentos, medicamentos e outros produtos que prometem curas milagrosas e benefícios imediatos para a saúde.

Luciano: Por isso mesmo, os dois órgãos lançaram uma publicação para ajudar o consumidor a identificar a propaganda enganosa. Adilson Mastelari.

Repórter Adilson Mastelari (Brasília-DF): A publicação é feita em conjunto entre o Ministério da Justiça e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O documento contém informações que orientam o consumidor a identificar propagandas irregulares, como as que prometem curas e milagres, que omitem informações importantes para o consumidor ou que estão em desacordo com a legislação e podem causar danos à saúde. A diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, Juliana Pereira, fala sobre os principais cuidados que o consumidor deve ter com esse tipo de propaganda e seus produtos.

Diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça - Juliana Pereira: É importante que ele verifique o registro sanitário daquele produto ou do órgão de saúde. Alimentos, remédios, saneantes, medicamentos, cosméticos, todos eles têm um registro, ou seja, é a certidão de nascimento do produto, ou seja, ele não causa risco à saúde do consumidor.

Repórter Adilson Mastelari (Brasília-DF): A Anvisa lembra que agências de publicidade responsáveis pelas propagandas e os meios de comunicação que veiculam essas peças estão sujeitos a multas. No caso de publicidade irregular de alimentos, a multa vai de R$ 2.000,00 a R$ 1,5 milhão. Para propagandas enganosas de medicamentos, o valor da multa varia de R$ 5.000,00 a R$ 100 mil. Em casos de reincidência, esses valores dobram. Quem explica é a gerente de Fiscalização de Propaganda da Anvisa, Maria José Delgado.

Gerente de Fiscalização de Propaganda da Anvisa - Maria José Delgado: A responsabilidade de uma peça publicitária que possa levar ao engano, que possa estar irregular do ponto de vista de registro ou de informações incorretas, não só aquela empresa que detém o registro, mas também do veículo de comunicação e da empresa de publicidade responsável pela elaboração da peça publicitária.

Repórter Adilson Mastelari (Brasília-DF): O “Boletim Consumo e Saúde” pode ser consultado, na íntegra, no portal da Anvisa: www.anvisa.gov.br; ou, em caso de dúvidas e denúncias de propagandas irregulares, basta uma ligação para o 0800-6429782. De Brasília, Adilson Mastelari.

Edla: O ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, afirmou hoje, durante o programa Bom Dia, Ministro, que a Secretaria vai publicar, até o final deste mês, novos editais para melhorar a infraestrutura dos principais portos brasileiros.

Luciano: A meta é preparar o país, também, para receber navios com turistas que virão para a Copa do Mundo de Futebol, em 2014.

Edla: Segundo o ministro Leônidas Cristino, R$ 740 milhões para essas obras já estão garantidos pelo governo federal, e elas devem ser concluídas no final de 2013.

Ministro da Secretaria de Portos - Leônidas Cristino: O governo federal está planejando construir sete novos terminais no Brasil inteiro, como você frisou: um terminal em Manaus, um em Fortaleza, um em Natal, um em Recife, um em Salvador, um no Rio de Janeiro e outro em Santos. E o planejamento, por determinação da presidenta Dilma, é que a gente conclua todos esses projetos, todas essas execuções até o final de 13. Eu creio que, até o começo da próxima semana, até o final deste mês e começo do outro, a gente deva já colocar os editais de licitação com o intuito de que a gente possa, a partir do próximo ano, iniciar todas essas obras para preparar o Brasil para receber esses navios e diminuir, eu diria, esses ‘déficits’ de leitos para a Copa do Mundo de 14.

Luciano: A Lei Geral de Acesso à Informação, que está em discussão no Congresso Nacional, vai tornar mais clara as regras para garantir que o cidadão tenha o acesso a um direito garantido pela Constituição.

Edla: Isso porque, Luciano, apesar de estar garantido na Constituição, quando o cidadão pede algum dado público em um ministério, por exemplo, ele é questionado pelo funcionário que atende, não tem prazo para receber resposta e nenhuma garantia de que vai ter a informação que precisa.

Luciano: E para discutir como essas medidas da Lei de Acesso à Informação vão ser colocadas em prática, especialistas dos Estados Unidos, México, Inglaterra e Chile estão reunidos em Brasília.

Repórter Aline Bastos (Brasília-DF): De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, a familiaridade do brasileiro com novas tecnologias de informação pode ser ampliada. Segundo Guilherme Canela, coordenador de Comunicação e Informação da Unesco, a internet aliada à liberdade de expressão e também as sanções para instituições públicas que negarem algum tipo de informação prevista na norma contribuem para a democracia.

Coordenador de Comunicação e Informação da Unesco - Guilherme Canela: Se uma pessoa pede uma determinada informação para o poder público, esse órgão ao qual a informação foi solicitada, ele não tem número de dias para ofertar a informação. Se o funcionário público negar, não tem as sanções. O que vai acontecer com a lei é que vão ser 20 dias para ofertar informação, se o funcionário público negar, haverá sanções administrativas. Então, o que a lei vai fazer é dar as regras do jogo. O direito está posto na Constituição, mas não há ainda os mecanismos de implantação. Isso não quer dizer que o Estado brasileiro não ofereça informação. É claro que oferece, mas esse pedido individual do cidadão por qualquer informação, ele não está... Por exemplo, uma coisa fundamental é o seguinte: a lei está dizendo que o cidadão não precisa justificar por que ele quer a informação. Isso, hoje, ainda é muito comum. O funcionário público quer saber por que o cidadão quer informação para então ofertá-la. Então essas coisas vão mudar.

Repórter Aline Bastos (Brasília-DF): O tema está em debate no Seminário Internacional sobre Acesso à Informação, em Brasília. O texto da Lei de Acesso à Informação já foi aprovado na Câmara dos Deputados e está prestes a ser votado pelo Senado Federal. Assim que a medida sair do Congresso Nacional, o país passará por uma transição de seis meses para se adequar às mudanças, como explica o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage.

Ministro-chefe da Controladoria-Geral da União - Jorge Hage: Nós teremos 180 dias, seis meses, do momento em que a lei for aprovada, para qualificar todos os órgãos públicos, para que estejam prontos para implementar a lei. Mas nós não estamos nem esperando a aprovação da lei. Com este seminário, já começa, em convênio com a Unesco, o trabalho da CGU com essa preparação.

Repórter Aline Bastos (Brasília-DF): Segundo Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos, o texto também estabelece prazo máximo de 50 anos para o sigilo de documentos públicos, o que abre espaço para a liberação de antigos arquivos do governo brasileiro, em especial do período militar.

Ministra da Secretaria de Direitos Humanos - Maria do Rosário: O direito à verdade tem sua premissa básica na ideia de que elucidar a verdade acerca das violações de direitos humanos cometidas hoje e no passado significa também fortalecer a democracia para um futuro mais justo.

Repórter Aline Bastos (Brasília-DF): O Seminário Internacional sobre Acesso à Informação reúne, até amanhã, estudiosos de vários países que vão auxiliar o governo com ideias para estabelecer programas específicos sobre o tema, aqui, no Brasil. De Brasília, Aline Bastos.

Edla: É, mas nem todas as informações podem ser divulgadas ao público, as que envolvem segurança nacional, por exemplo.

Luciano: E depois que várias páginas de órgãos do governo federal na internet sofreram ataque de invasores, conhecidos como ‘hackers’, novas medidas de proteção estão sendo tomadas.

Repórter Priscila Machado (Brasília-DF): Há menos de um mês, páginas do governo na internet, como a da Presidência da República e da Receita Federal, e de estatais, como a Petrobras, foram alvo de ação dos invasores, os chamados ‘hackers’. Eles usaram um sistema que causa sobrecarga de acessos nos sites. No total, mais de 200 endereços de órgãos públicos sofreram ataques, 20 só no governo federal. Segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados, o Serpro, não houve vazamento de informações. A Polícia Federal e a Abin, Agência Brasileira de Inteligência, investigam os responsáveis pelos ataques. E para evitar que informações de segurança nacional caiam nas mãos de ‘hackers’, o Exército quer aumentar a segurança dos sistemas internos de informação das Forças Armadas. Por isso, está implementando o Centro de Defesa Cibernética. Quem explica é o general José Carlos Silva, chefe do centro.

Chefe do Centro de Defesa Cibernética - general José Carlos Silva: O centro, ele visa, inicialmente, justamente aumentar a nossa capacidade de defesa e também nos prepara para uma eventual crise, uma eventual guerra cibernética. Então, não é interessante que, num exercício de simulação de guerra, tenhamos dados, por exemplo, vazados aqui de forma indevida. E, em tempo de paz, temos também essa atuação na proteção dos nossos ativos de informação.

Repórter Priscila Machado (Brasília-DF): O centro também poderá colaborar com especialistas e equipamentos na segurança de sites do governo. A previsão é que o órgão esteja funcionando plenamente até 2014. Para 2011, estão previstos R$ 80 milhões em investimentos nesse centro. De Brasília, Priscila Machado.

Edla: E o Exército também está investindo em tecnologia para fortalecer a defesa do país com armamentos.

Luciano: A versão mais moderna do conjunto de foguetes terra-terra foi apresentada e testada hoje, no campo de instrução do Exército, que fica no município goiano de Formosa, próximo a Brasília.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): Os novos foguetes usados pelo Exército, denominados terra-terra, têm alto poder de destruição e conseguem atingir um alvo de 90 quilômetros de distância. A estrutura é composta por um carro-radar, um carro-comando e controle, uma rampa de lançamento e os mísseis. Cada conjunto custa, em média, R$ 5 milhões. O novo armamento foi apresentado hoje no campo de instrução do Exército, em Formosa, Goiás, onde os disparos foram feitos para testar os foguetes. O coronel do Exército, Valério Lange, garantiu que o foguete, todo digitalizado, possui um sistema GPS, que aumenta a precisão do tiro, e um dispositivo de camuflagem de informação para confundir o radar do inimigo, e ainda é todo fabricado com tecnologia brasileira.

Coronel do Exército - Valério Lange: O que vocês viram aqui, hoje, é o braço forte do Exército, ou seja, a capacidade nossa de levar um efeito sobre um alvo, e isso representa a nossa capacidade de não precisarmos entrar em guerra. Enquanto a gente tiver treinado com braço-forte, significa uma maneira de dissuadir uma possível ameaça.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): Esse tipo de artilharia de defesa é produzido no Brasil há 20 anos, e agora, com atualização do sistema de lançamento, o país se torna referência em tecnologia para fabricação de foguetes. O Oriente Médio e o sudeste Asiático são os grandes compradores do foguete terra-terra, como explica Sami Hassuani, presidente da Avibras, fabricante do foguete.

Presidente da Avibras - Sami Hassuani: Esse sistema tem sido responsável por 80% do nosso faturamento, que é um sistema de referência, e nos anos passado e anterior representou cerca de R$ 200 milhões anuais em exportação.

Repórter Cleide Lopes (Brasília-DF): De acordo com o presidente da Avibras, no desenvolvimento da tecnologia e na fabricação dos foguetes terra-terra, o Brasil já investiu R$ 1,2 bilhão ao longo desses 20 anos. De Brasília, Cleide Lopes.

Edla: Esse foi o noticiário do Poder Executivo, uma produção da equipe e de jornalismo da EBC Serviços.

Luciano: Siga a Voz do Brasil no Twitter: twitter.com/avozdobrasil. Voltamos amanhã. Boa noite.

Edla: Fique agora com as notícias do Poder Judiciário e do Congresso Nacional. Boa noite e até amanhã.