Conheça os bastidores do disco Native Brazilian Music, gravado em 1940

O Na Trilha da História desta semana mostra como foi a gravação desse álbum antológico, a bordo de um navio atracado no Rio de Janeiro, com grandes nomes da música brasileira - entre eles Donga, Pixinguinha e Cartola - com a supervisão do maestro Heitor Villa-Lobos. O entrevistado deste episódio é o historiador Pedro Belchior, pesquisador do Museu Villa-Lobos, que oferece ao público uma exposição totalmente virtual sobre o tema.

audio/mpeg (121) PROGRAMETE - NA TRILHA DA HISTÓRIA - 22 A 28 DE JUNHO.mp3 — 8392 KB

Duração: 4m28s




Transcrição

O disco Native Brazilian Music surgiu a partir da ideia do maestro Leopold Stokowski, que encarregou o maestro Heitor Villa-Lobos de encontrar artistas que tocassem a genuína música brasileira. 

A mostra Native Brazilian Music: 80 anos está disponível na plataforma Google Arts & Culture e pode ser acessada neste link. Ela aborda não apenas os aspectos musicais, como também todo o contexto político em torno da produção do disco. Em 1940, o Brasil vivia a época do Estado Novo de Getúlio Vargas. O então presidente da República vivia num equilíbrio entre os negócios com os Estados Unidos e com a Alemanha - países que em breve se enfrentariam na Segunda Guerra Mundial.

Capa do disco Native Brazilian Music, de 1940

 

Mas a balança pendia para o lado do presidente norte-americano Franklin Roosevelt, que inaugurou a chamada Política da Boa Vizinhança. Em clima de tensão mundial, a estratégia servia para fortalecer os laços com os países da América Latina por meio de intercâmbios culturais, científicos e econômicos. É neste cenário que surgiu a ideia do disco Native Brazilian Music.

O maestro Leopold Stokowski, muito famoso nos Estados Unidos, propôs ao colega brasileiro Heitor Villa-Lobos a gravação de sons típicos do Brasil, incluindo sambas, emboladas e cantos indígenas. Villa-Lobos reuniu, então, um grupo de músicos para atender ao pedido do regente estrangeiro, incluindo Donga, Pixinguinha e Cartola.

A gravação foi feita a bordo do navio Uruguay, atracado no porto do Rio de Janeiro, no dia 7 de agosto e ao longo de toda a madrugada de 8 de agosto de 1940. O disco foi lançado dois anos depois pela Columbia Records, exclusivamente nos Estados Unidos, com apenas 16 das dezenas de faixas gravadas. No Brasil, o álbum só chegou ao mercado em 1987. Muitos músicos morreram sem ouvir as gravações e foram muito mal pagos pelo trabalho. Cartola, por exemplo, recebeu 1500 réis, o suficiente para comprar três maços de cigarros baratos.

 

Trilha Sonora

Para a versão completa deste episódio, foram selecionadas seis das 16 músicas do disco Native Brazilian Music. Confira a lista: “Zé Barbino” (composição e interpretação de Pixinguinha e Jararaca); “Pelo Telefone” (composição de Donga e Mauro de Almeida / interpretação de Zé da Zilda); “Quem me vê sorrir” (composição de Cartola e Carlos Cachaça / interpretação de Cartola com o coro da Mangueira); “Macumba de Iansã” (composição de Donga e José Espinguela / interpretação de Zé Espinguela e do Grupo do Pai Alufá); “Ranchinho Desfeito” (composição de Donga, De Castro e Souza, e David Nasser / interpretação de Mauro César); “Passarinho bateu asa” (composição de Donga / interpretação de Zé da Zilda).

 

Na Trilha da História é um programa de rádio que mistura um bate-papo descontraído sobre História do Brasil e do Mundo com músicas. Toda semana, a apresentadora Isabela Azevedo recebe um entrevistado para falar sobre um período ou personagem histórico. A conversa é intercalada com canções sobre o tema. Saiba mais em radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria

 

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